terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

UBER É UM SACO!

 

Cancelamentos de corridas afetam passageiros e aumentam insatisfação com aplicativos de transporte

Usuários relatam espera frustrada, cobranças indevidas e falta de explicações





O Dia conversou com as plataformas para entender quais são as penalidades aplicadas aos condutoresMarcello Casal Jr. / Agência Brasil

Se você é usuário de um aplicativo de transporte, provavelmente já passou pela experiência de ter uma ou várias corridas canceladas após esperar pelo motorista. Em alguns casos, o transtorno é ainda maior: uma taxa é cobrada diretamente na fatura do cartão. O jornal O DIA conversou com as plataformas para entender quais são as penalidades aplicadas aos condutores e por que tantos usuários enfrentam esse tipo de problema.
A inDrive se manifestou por meio de nota oficial: "Nos modelos tradicionais do setor, os cancelamentos muitas vezes acontecem quando o motorista parceiro aceita uma corrida sem saber todos os detalhes sobre ela, principalmente o destino final com exatidão, além de estar sujeito a preços dinâmicos definidos automaticamente por algoritmos, que podem gerar desalinhamento de expectativas entre parceiros e passageiros."
"Podem ocorrer variações regionais, especialmente em cidades com maior volume de chamadas ou em momentos de alta demanda", destaca a plataforma. "Fatores como trânsito intenso, eventos especiais, condições meteorológicas e características específicas da mobilidade urbana dessas regiões podem influenciar diretamente esse cenário", completa.
Nas redes sociais, as reclamações são frequentes. Os relatos de cancelamento ocorrem tanto na modalidade tradicional de transporte de passageiros quanto na de entrega de objetos. Uma simples busca nas plataformas digitais é suficiente para encontrar inúmeros depoimentos.


Nas redes sociais, as reclamações são frequentes

Vitória Moraes afirma que mesmo após ter a corrida cancelada duas vezes, teve o valor cobradoReprodução / Redes sociais

A internauta Vitória Moraes compartilhou, em sua conta no X (antigo Twitter), que, mesmo após ter a corrida cancelada duas vezes, ainda teve o valor cobrado.
"Chamei um Uber Moto para retirar uma encomenda. Na primeira vez, ele aceitou a corrida e simplesmente deu 'partida' sem ter retirado o objeto no local. Tudo bem, em seguida ele cancelou. Na segunda vez, chamei novamente e caiu no mesmo motorista. Ele me disse que estava com problema no aplicativo e que eu aguardasse." direito de julgar'
"Pois bem, ele cancelou a corrida novamente e a Uber me cobrou o valor da corrida! Sacanagem isso! Agora eu quero reembolso e ninguém me responde." 
Professor de Direito do Consumidor da Faculdade Eseg, Alexandre Peres Rodrigues explica que, embora não exista uma legislação específica sobre o tema, há alternativas para o consumidor.

Alexandre Peres Rodrigues, professor de Direito do Consumidor da Faculdade ESEG

Arquivo pessoal"Atualmente, não existe legislação específica sobre esse problema. No entanto, a disparidade entre as regras do algoritmo, a rentabilidade dos prestadores de serviço da plataforma e as possíveis violações dos direitos dos consumidores demanda um esforço interpretativo das normas e dos princípios já previstos no Código de Defesa do Consumidor", afirma.
"Sempre é possível ajuizar uma ação judicial para reivindicar os direitos violados. afinal, o consumidor pode sofrer prejuízos com a demora para que a corrida seja aceita ou com cancelamentos ‘atrasados' (nos casos em que o prestador demora a cancelar)."
Procurada pelo jornal O DIA, a Uber informa que "cancelar excessivamente solicitações de viagens já aceitas configura uma violação ao Código da Comunidade por mau uso da plataforma, pois atrapalha o funcionamento e prejudica intencionalmente a experiência dos demais usuários e motoristas".
"Os usuários que constatarem condutas indevidas por parte dos motoristas parceiros podem reportar o caso ao suporte da Uber, pelo aplicativo, para que a equipe especializada avalie a situação", completa. 
Já a 99 ressalta que os Termos de Uso da plataforma preveem penalidades aos motoristas quando os cancelamentos são excessivos.
"Em seus Termos de Uso, a plataforma prevê uma política de restrições temporárias e progressivas de corridas, baseada na Taxa de Finalização, que pode ser aplicada em casos de cancelamentos excessivos após o aceite da viagem", assegura. 
"No entanto, há um percentual de cancelamentos considerado aceitável, que varia de cidade para cidade, levando em conta a dinâmica de cada região e os padrões de comportamento, como perfil dos passageiros, condições de trânsito, imprevistos e média de cancelamentos."
A inDrive se manifestou em nota: "Acompanhamos de perto os padrões de comportamento no nosso app. A inDrive garante aos seus parceiros autonomia para definir suas tarifas, tempo de atividade na nossa plataforma e liberdade para recusar corridas sem penalidade ou subordinação algorítmica".
Ficou no prejuízo? Saiba o que fazer
Ter a corrida cancelada e precisar esperar por outro motorista pode ser apenas um contratempo do dia a dia. No entanto, quando o prejuízo é maior, é possível buscar alternativas, diz Gisele Bolonhez, professora de Direito na UniCesumar. 
Gisele Bolonhez, professora de Direito na UniCesumarArquivo pessoal
"Se, devido a cancelamentos sucessivos ou injustificados, o passageiro perde um voo, uma consulta médica paga ou um compromisso de trabalho que resulte em perda financeira, a plataforma deve reparar o dano (Art. 6º, VI, do CDC)", frisa. 
"O nexo causal se estabelece entre a falha na prestação do serviço (indisponibilidade ou cancelamento) e o prejuízo suportado. Nestes casos, o ideal é documentar os cancelamentos (com capturas da tela do celular, por exemplo), comprovar o tempo de espera e os comprovantes do prejuízo financeiro suportado. Obviamente que a plataforma pode posteriormente, se assim o desejar, eventual ação de regresso contrato o motorista."
A advogada destaca que já existem decisões judiciais nesse sentido. "Há algumas decisões judiciais em que os tribunais têm condenado plataformas ao pagamento de danos morais em casos onde o passageiro, por exemplo, ficou desamparado em local perigoso à noite devido a cancelamentos sucessivos, ou perdeu compromissos inadiáveis (casamentos, voos, cirurgias)."
Em caso de cobrança por um serviço que não foi prestado, Gisele Bolonhez afirma que o ressarcimento deve ser feito de forma imediata e, "preferencialmente, no meio de pagamento original, e não apenas em créditos no aplicativo, salvo se houver concordância do consumidor".
"Contudo, caso a plataforma não cumpra com a sua obrigação, o consumidor deve solicitar o estorno pelo sistema indicado no aplicativo. Se a medida não for efetiva, pode procurar o Procon e registrar uma reclamação formal, além de utilizar o site consumidor.gov.br para tentar uma solução pela via administrativa", defende.
Gisele também orienta que, se ainda assim não houver resolução, é possível "judicializar a questão, buscando na Justiça a restituição em dobro dos valores pagos, conforme prevê o artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor".
COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO.- Em dezembro 2025 um uber me levou ao aeroporto. R$63,00. Paguei em dinheiro. Um nota de 50, outra de 10, a terceira de 5. Embarquei para Belém sem mais pensar no assunto.  Já em Belédm, quando quiz chamar um Uber notei que a corrida não tinha sido paga. safadeza do motorista. reclamei. Em vão. Desisti do Uber. Agora é 99.

MAIS UMA AGRESSÃO!

 

Demolição para linha do metrô causará o fim da Fundação João Fernandes da Cunha

Determinado a fazer daquele sobrado do século XIX o abrigo definitivo da Fundação João Fernandes da Cunha, o professor realizou uma reforma que restaurou a beleza do imóvel, preservando-lhe as características arquitetônicas


Tribuna da Bahia, Salvador
23/02/2026 
Foto: Divulgação/Reprodução

Dirigentes, frequentadores e funcionários da Fundação João Fernandes da Cunha foram surpreendidos em dezembro com notícias na televisão de decreto de utilidade pública, desapropriação e demolição da sede da instituição, juntamente com outros prédios vizinhos, para que se construa aí a estação do metrô Campo Grande (Tramo IV - linha 1). Todas as pessoas que estão se vendo envolvidas na situação lamentam que o governo estadual não tenha enviado uma notificação, intimação ou convite para uma reunião com os proprietários dos imóveis em questão. Apenas ficaram sabendo pela imprensa que a decisão – Decreto de Utilidade Pública - foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 18 de dezembro de 2025.

A Fundação João Fernandes da Cunha (localizada no Largo do Campo Grande, nº 8) é uma entidade cultural que presta relevante serviço à comunidade soteropolitana. Possui uma biblioteca com 18 mil livros e que recebe diariamente estudantes das redes pública e particular, que fazem pesquisas utilizando também a rede de computadores do local. O prédio tem um auditório sempre utilizado em eventos culturais e educativos, inclusive, em diversas oportunidades, em parceria com órgãos do governo estadual. A Fundação JFC abriga também em sua sede outros grupos de cultura: a Academia Baiana de Educação (ABE) e o Grupo de Ação Cultural da Bahia (GACBA).

História

Durante muitos anos o prédio pertenceu ao Clube Carnavalesco Cruzeiro da Vitória, mais conhecido como Clube Cruz Vermelha, detentor de muitas premiações no Carnaval de Salvador. O clube teve como seu primeiro fundador o comerciante português, José de Oliveira Costa, que realizou desfiles de muita pompa e luxo nas ruas de Salvador. É uma construção do século XIX (ano 1884).

A Fundação João Fernandes da Cunha foi criada em 1992 e funcionava na Rua do Politeama, número 140. Em 1996, o Professor João Fernandes da Cunha, percebendo os problemas de espaço existente para os usuários da biblioteca e para realização de outras atividades socioeducativas, decidiu dar início a uma longa e bem-sucedida negociação de compra do imóvel do Clube Cruz Vermelha, que se encontrava em ruínas.

Determinado a fazer daquele sobrado do século XIX o abrigo definitivo da Fundação João Fernandes da Cunha, o professor realizou uma reforma que restaurou a beleza do imóvel, preservando-lhe as características arquitetônicas. A sua reforma fez com que os poderes públicos reformassem também a Praça do Campo Grande. Em 21 de maio de 2001 a nova sede da Fundação JFC foi inaugurada e se encontra aí instalada há 25 anos. Demolir um prédio, possuidor de tais beleza e história, que é a sede da Fundação João Fernandes da Cunha, é de se lamentar. Uma das últimas relíquias arquitetônicas na Praça do Campo Grande, que engrandece o patrimônio histórico da cidade do Salvador e dá nobreza ao bairro. A diretoria da instituição entende que a mobilidade de transporte é importante, mas não deve atropelar a História e a Educação. 

BAHIA PERDE SUA MEMÓRIA

 

'Queda de prédio histórico seria perda de memória da medicina brasileira', diz presidente da Academia

Primeira Escola de Medicina do Brasil, criada na Bahia em 1808, precisa de cuidados

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 





Cesar Augusto de Araújo Neto Crédito: Divulgação


A possibilidade de perda de um dos mais relevantes símbolos da história médica do país reacende o debate sobre preservação do patrimônio nacional. Para o presidente da Academia de Medicina da Bahia, Cesar Augusto de Araújo Neto, o que está em jogo vai muito além de um prédio antigo. Sede da primeira Escola de Medicina do Brasil, fundada em 1808 por Dom João VI, o imóvel no Terreiro de Jesus concentra 218 anos de memória, documentos, acervos e símbolos que ajudaram a moldar o ensino superior no país. “Ali não estão só as paredes. Está o histórico ali dentro”, afirma. O médico defende a conclusão de um projeto global de restauro, com captação de recursos via Lei Rouanet, além da criação de um Centro de Convenções capaz de gerar autossustentabilidade financeira e manter viva a história da medicina brasileira.


Quem é

Cesar Augusto de Araújo Neto é médico radiologista, professor da Universidade Federal da Bahia e presidente da Academia de Medicina da Bahia

Qual a sua avaliação sobre a atual situação da sede da Faculdade de Medicina da Bahia, que enfrenta um risco real de desabamento?

Esta foi a primeira Escola de Medicina do Brasil. Não só a primeira Escola de Medicina do Brasil, mas foi a célula mater do ensino superior do Brasil. Foi também a primeira Escola Médica da América do Sul, veja a representatividade. Foi criada pelo príncipe regente Dom João VI, que foi expulso de Portugal pelas invasões napoleônicas. Ele veio para o Brasil para se resguardar. E passando aqui em Salvador, ele fez algumas ações, entre elas, a fundação dessa escola. Nós estamos falando de 1808. Então, essa escola é um monumento à medicina brasileira.

O que representaria a queda desse monumento?

É a perda da memória da medicina brasileira. Ali não estão só as paredes, está o histórico ali dentro. O prédio está ativo, porque funciona a diretoria da faculdade e o colegiado do curso, que organiza todo o curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. E ali tem dois museus ativos, inclusive um de antropologia. Tem uma biblioteca, onde tem o histórico da criação dessa escola. Então, ali está a essência da história médica do Brasil. Tem o salão nobre da nossa escola, onde se fazem os eventos solenes. A representatividade é muito grande, além, claro, de fazer parte daquele conjunto histórico do Terreiro de Jesus no Pelourinho.









O governo tem sido omisso?

Eu tenho participado de várias comissões. A responsabilidade de gerir, de conservar, é da Universidade Federal da Bahia. Mas nós fomos buscar o reitor, que nos disse claramente: ‘nós temos verba insuficiente para gerir os prédios que compõem o patrimônio da Universidade Federal da Bahia. E não dá para manter os prédios históricos que demandam mais recursos’. A proposta que nós estávamos encaminhando era fazer um projeto e submeter esse projeto de restauro geral ao Iphan. O Iphan aprovando, submeteríamos à Lei Rouanet, buscando recursos de empresas. Foi essa a proposta que eu recebi da reitoria. Foi essa a proposta que eu recebi de alguns dos nossos parlamentares, com quem nós fomos conversar. Só que esse projeto global de restauro ainda não foi concluído, porque faltou recurso. E a gente estava buscando tirar algum recurso de emenda parlamentar para injetar na conclusão do projeto. Mas só que agora apareceram problemas emergenciais: infiltração, comprometimento da infraestrutura do prédio, rede elétrica com risco de gerar circuitos e, consequentemente, incêndios. E o Iphan esteve lá vendo a situação difícil e caótica que nós estamos passando. E o reitor simplesmente nos disse que eles não têm recurso orçamentário para fazer as intervenções necessárias ali.


A Escola de Medicina deveria voltar a funcionar neste prédio como forma de garantir sua revitalização?

O prédio antigo não tem capacidade de abraçar toda a escola, mas nós temos lá dois cursos de pós-graduação. A parte administrativa toda da faculdade funciona. Em 2002 ou 2003, nós conseguimos, através da Petrobras e da Coroa Espanhola, na gestão de ACM, fazer uma boa reforma, mas não tem recursos para manter. A gente precisa dar autossustentabilidade àquela casa. A universidade não tem historicamente recurso orçamentário para manter os seus prédios. Então, nesse projeto que nós estamos desenvolvendo, está previsto fazer um centro de convenções para 200 ou 300 pessoas, para compor até o conjunto de investimentos que estão sendo feitos naquela região, como hotéis como Fasano e Fera Palace. Seria um centro cultural ativo para receber eventos científicos, feito no anexo que fica no fundo do prédio, com vista para a Baía de Todos-os-Santos. A ideia era recuperar esses anexos.

O poder público tem negligenciado a preservação da história do nosso país?

A gente precisa ter mais recursos para preservar a nossa cultura e a nossa história. Nós temos coisas maravilhosas para preservar. A nossa biblioteca conta a história ao longo desses 218 anos da evolução da Medicina no Brasil. Então, precisa ter um olhar com mais objetivo e fazer maiores investimentos nesses prédios.