Arqueóloga organiza acervo de tijolos de São Paulo
Com 216 peças, arqueóloga lança a primeira tijoloteca do estado e revela detalhes inéditos sobre o passado das construções e olarias de São Paulo

Esse trabalho minucioso resultou em dois catálogos
Origem do acervo
De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, a jornada de Angélica começou em 2017, quando ela encontrou mais de 2.000 tijolos guardados em caixas no Centro de Arqueologia de São Paulo.
Inicialmente, o material derivado de escavações das décadas de 1980 e 1990 estava sem o devido tratamento técnico ou identificação completa. Por isso, a especialista elaborou uma metodologia própria para descrever os artefatos a partir do peso, da cor e da dimensão.
As peças avaliadas vieram de sítios arqueológicos importantes da capital, como o conjunto arquitetônico Morrinhos e a área do atual parque Augusta. Dessa forma, a iniciativa evitou que esses itens de valor inestimável fossem parar no lixo comum. “Não quero tijolo em caçambas, mas contando história”, ressalta Angélica.
Símbolos e marcas urbanas de São Paulo
Além das medidas físicas, a pesquisa focou em decifrar letras e desenhos impressos nas cerâmicas. Através da consulta a antigos livros de impostos, foi possível identificar olarias pioneiras da várzea dos rios Tietê e Pinheiros, como a marca Sacoman Frerès. Consequentemente, as inscrições revelaram as identidades dos artesãos e dos proprietários que ajudaram a erguer a cidade.
Nesse contexto, a pesquisadora destaca a relevância arqueológica desses itens, que frequentemente passam despercebidos no ambiente urbano. “Tijolo pode ser um arroz de festa e passamos batido por ser recorrente, mas é um artefato histórico como qualquer outro, como as cerâmicas indígenas”, explica Silva ao jornal Folha de S.Paulo.
Histórias não contadas
Por fim, o estudo também evidenciou figuras curiosas cravadas nas peças, como meias-luas e uma estrela com cauda, possivelmente inspirada na passagem do cometa Halley em 1910. Segundo a autora do projeto, esses desenhos rústicos podem indicar o trabalho contínuo de operários analfabetos que precisavam marcar sua produção de alguma maneira.
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