quinta-feira, 27 de agosto de 2026

DEPOIS DE TRINTA ANOS...

 

Depois de passar mais de 30 anos em circos e outros 5 anos acorrentada em fazenda brasileira, elefanta Maia chegou ao santuário de Mato Grosso acima do peso e passou a viver em grandes áreas abertas

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Escrito por Alisson FicherPublicado em 23/08/2026 


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Décadas de circo, anos de contenção e uma mudança radical de ambiente marcaram a trajetória de Maia até o Santuário de Elefantes Brasil, em Mato Grosso, onde seu estado físico, comportamento e adaptação passaram a ser acompanhados de perto por uma equipe especializada.

Depois de passar mais de três décadas no circo e outros cinco anos acorrentada na fazenda do advogado ligado ao espetáculo, Maia chegou ao Santuário de Elefantes Brasil com uma condição corporal situada entre o sobrepeso e a obesidade, segundo a instituição.

Em contraste com a rotina anterior, a elefanta-asiática passou a circular por áreas abertas, fazer passeios, correr pelo terreno, descansar em lamaçais e explorar espaços que não faziam parte de seu cotidiano durante os anos marcados por contenção e mobilidade limitada.

Divulgado pelo SEB em 19 de fevereiro de 2026, o histórico de Maia informa que ela havia sido apreendida após o período no circo e encaminhada à propriedade do advogado, onde permaneceu presa por duas correntes depois de conseguir se soltar e ferir uma pessoa.

Naquela fase, a convivência com Guida, elefanta que compartilhava parte da mesma trajetória, também apresentava dificuldades, já que Maia derrubava a companheira em algumas ocasiões e pegava sua comida, comportamento que a instituição relaciona ao contexto vivido anteriormente.

Saúde de Maia exigiu acompanhamento no santuário

Elefanta Maia passou mais de 30 anos em circos e cinco acorrentada antes de chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, em Mato Grosso.
Elefanta Maia passou mais de 30 anos em circos e cinco acorrentada antes de chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, em Mato Grosso.

Ao chegar ao santuário, Maia passou por avaliações que apontaram questões que exigiam acompanhamento, embora suas patas estivessem em situação melhor do que a equipe esperava diante das condições do recinto anterior e do histórico prolongado de contenção descrito pela organização.

Além da condição entre sobrepeso e obesidade, a elefanta apresentava unhas e cutículas excessivamente crescidas, bem como um problema em um dos dedos da pata, enquanto uma área no lado direito do corpo também preocupou os responsáveis e foi submetida a biópsia.

Sem produzir um resultado conclusivo, o exame realizado nessa região levou a equipe a manter o local sob observação durante as avaliações, ao mesmo tempo em que pequenas feridas nas orelhas de Maia e Guida também eram registradas naquele período pelo santuário.

Mais do que as alterações físicas, porém, o comportamento exigiu uma adaptação cuidadosa, pois Maia chegou defensiva e demonstrava receio em determinadas situações, o que levou os tratadores a adotar uma aproximação mais gradual do que aquela utilizada inicialmente com Guida.

Manejo gradual acompanhou as reações da elefanta

Depois de semanas de preparação para que a elefanta entrasse em uma baia de manejo com os portões abertos, a equipe realizou o primeiro fechamento do espaço e observou Maia começar a tremer de forma perceptível, decidindo então reabrir o portão.

A partir dessa reação, o processo avançou com mais tempo, repetição e observação, enquanto os responsáveis ajustavam a rotina aos limites demonstrados por Maia; segundo a instituição, foram necessários meses para que a recuperação emocional acompanhasse mais de perto sua condição física.

Áreas abertas ampliaram a rotina de exploração

Com o avanço da adaptação, começaram a aparecer comportamentos associados à exploração do novo ambiente, e o perfil oficial de Maia registra que ela corre com frequência, cochila em pé em lamaçais ou ao lado de árvores e costuma sair para passear durante as manhãs.

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Em uma dessas explorações, a elefanta surpreendeu a equipe ao atravessar primeiro um riacho para descobrir o que havia do outro lado, mesmo que Guida fosse considerada, até aquele momento, a mais inclinada entre as duas a investigar lugares ainda desconhecidos.

Essas possibilidades oferecidas pelo santuário contrastavam diretamente com os cinco anos em que Maia permaneceu acorrentada na propriedade ligada ao circo, depois de aproximadamente três décadas no ambiente circense antes da apreensão e da transferência para a fazenda.

Também presente nos registros cotidianos, a alimentação aparece como um aspecto marcante de seu comportamento, já que Maia demonstra interesse especial por folhas de palmeira e preferência por mangas quando os frutos estão disponíveis, segundo o perfil mantido pelo santuário.

Confiança e convivência mudaram ao longo do tempo

Mesmo com o aumento gradual da confiança, a sensibilidade diante de situações desconhecidas ou estressantes não desapareceu completamente, e o próprio perfil da elefanta aponta uma evolução contínua, acompanhada por sinais de insegurança quando circunstâncias fogem da rotina a que ela está acostumada.

Com o passar do tempo, a convivência com outras elefantas também mudou, especialmente depois de períodos em que Maia permaneceu à margem do grupo e precisou de meses para se abrir novamente antes de desenvolver uma aproximação mais consistente com Bambi.

Nos registros do SEB, Maia é descrita como uma elefanta cooperativa e fisicamente forte, capaz de correr, explorar o terreno e descansar em diferentes pontos do ambiente, características que se distanciam da rotina marcada pelas correntes e pela limitação de movimentos relatada em seu histórico.

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Entre a contenção vivida durante anos e a possibilidade de se deslocar por áreas maiores, o cotidiano de Maia passou a reunir escolhas de movimento, descanso e exploração que antes não faziam parte da rotina descrita pela instituição responsável por seu acompanhamento.

Sem eliminar a necessidade de cuidados humanos, o novo ambiente ampliou as possibilidades observadas no dia a dia da elefanta, permitindo que a equipe acompanhasse suas respostas ao espaço, às interações sociais e a situações novas sem reproduzir a contenção permanente de etapas anteriores.

Depois de décadas em uma rotina definida por apresentações, correntes e espaços reduzidos, quanto a possibilidade de caminhar, explorar e escolher onde permanecer pode transformar o comportamento cotidiano de uma elefanta como Maia ao longo do tempo?

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