Depois de passar 20 anos presa em uma jaula de metal, ursa Celeste foi resgatada e após duas décadas de confinamento, finalmente chegou a um santuário de 12,7 hectares de natureza, onde pisou na grama, ganhou piscina e brinquedos e voltou a viver em grupo
Celeste passou 20 anos em uma jaula numa fazenda de bile no Vietnã. Resgatada em 2024, chegou ao santuário de Bach Ma, com 12,7 hectares, áreas naturais, hospital veterinário e espaço para até 120 ursos.
Durante cerca de 20 anos, a ursa-negra-asiática Celeste viveu confinada em uma pequena jaula metálica dentro de uma fazenda de extração de bile em Phung Thuong, Hanói, no Vietnã. Não havia cama macia, brinquedos, espaço natural ou oportunidade de interagir normalmente com outros animais. Segundo a Animals Asia, Celeste foi submetida repetidamente à extração de bile até que, em 2024, sua vida mudou completamente: ela foi resgatada ao lado dos ursos Romeo e Kenny e levada para o novo santuário da organização no Parque Nacional de Bach Ma.
A chegada representou uma mudança difícil de dimensionar. Depois de duas décadas praticamente limitada às grades, Celeste passou primeiro por 30 dias de quarentena e avaliação veterinária. Em seguida, recebeu acesso a uma toca muito maior, enriquecimento ambiental, piscina e, finalmente, uma área externa com grama e luz solar.
Hoje, os três animais que passaram anos vivendo próximos, mas isolados em jaulas separadas, comem, brincam e descansam juntos. em uma jaula metálica separada das demais.
Romeo e Kenny estavam no mesmo local. Os três podiam perceber a presença uns dos outros através das grades, mas não viviam como um grupo. Segundo a Animals Asia, sua interação durante aquele período era essencialmente limitada à possibilidade de olhar os outros animais através das jaulas.
Extrações de bile deixaram uma marca que apareceu nos exames
A bile produzida pela vesícula de ursos é utilizada em determinados produtos da medicina tradicional asiática. O confinamento desses animais em fazendas e os procedimentos utilizados para retirar a substância tornaram-se alvo de campanhas internacionais de proteção animal.

No caso de Celeste, as consequências apareceram mesmo depois que ela deixou a fazenda. Após os primeiros 30 dias de quarentena, a equipe veterinária realizou uma avaliação completa e encontrou sinais de infecção bacteriana na vesícula biliar, condição que a Animals Asia relacionou às extrações de bile sofridas durante o cativeiro.
O tratamento começou imediatamente. Ao mesmo tempo, os veterinários encontraram sinais surpreendentemente positivos: Celeste apresentava pelagem espessa e brilhante, dentes em boas condições e patas consideradas macias e relativamente preservadas para um animal que havia passado tanto tempo preso.
O resgate aconteceu em 2024 e incluiu Romeo e Kenny
Em 2024, a Animals Asia conseguiu retirar Celeste, Romeo e Kenny da fazenda e transferi-los para Bach Ma.
A operação fazia parte de um esforço maior para retirar os últimos animais mantidos em fazendas de bile no Vietnã.
A organização trabalha em colaboração com autoridades e proprietários para obter a entrega dos animais, porque simplesmente entrar nas propriedades e retirar os ursos não é juridicamente possível.
Essa situação ajuda a explicar por que alguns ursos permanecem durante décadas em cativeiro mesmo depois de mudanças na legislação sobre extração de bile.
Segundo a Animals Asia, embora a extração seja ilegal, ainda existem animais mantidos legalmente por proprietários que os registraram anteriormente. Cada transferência depende de negociação e consentimento.
O destino ficava dentro do Parque Nacional de Bach Ma
Celeste não foi levada para outro recinto convencional. Seu novo endereço tornou-se o Bach Ma Bear Sanctuary, no centro do Vietnã.
O complexo está instalado dentro do Parque Nacional de Bach Ma e ocupa aproximadamente 12,7 hectares. Segundo a Animals Asia, a infraestrutura inclui 34 tocas espaçosas, quatro grandes recintos externos, hospital veterinário, área de quarentena e cozinha específica para preparar a alimentação dos ursos.
Quando concluído dentro da configuração divulgada pela organização, o centro tem capacidade para receber até 120 ursos. A estrutura foi criada justamente para absorver parte dos animais retirados das últimas fazendas de bile existentes no país.
Os primeiros dias de liberdade ainda foram marcados pelo medo
Sair da fazenda não significou que Celeste imediatamente começou a correr e brincar.
A Animals Asia relata que, durante a quarentena, ela permaneceu cautelosa, sensível a novos sons e cheiros e hesitante diante dos cuidadores.
Depois de duas décadas vivendo em um ambiente extremamente limitado, praticamente tudo ao redor havia mudado.

A aproximação precisou acontecer gradualmente. A cuidadora Ellie passou a oferecer alimentos e outras formas de interação positiva. Entre os alimentos preferidos identificados nessa fase estavam xarope, cana-de-açúcar e manga desidratada.
Também apareceu uma preferência que se tornaria particularmente significativa: água. Celeste passou a demonstrar forte interesse pelos banhos e, mais tarde, pelas piscinas disponíveis em sua nova área.
A nova toca era o maior espaço que ela havia conhecido em 20 anos
Depois da quarentena e dos exames, Celeste foi transferida para um ambiente muito diferente da antiga jaula.
Segundo a Animals Asia, sua nova toca continha sacos de juta, alimentadores que exigem interação, brinquedos suspensos e uma piscina. O espaço permitia que o animal se movimentasse, explorasse objetos e escolhesse atividades de uma maneira que não era possível na fazenda.
Esse tipo de enriquecimento ambiental não é simplesmente decoração. Para animais que passaram anos confinados, objetos manipuláveis, alimentos escondidos, estruturas para escalar e áreas de água criam oportunidades para comportamentos naturais e atividade física.
No início, Celeste ainda demonstrava insegurança. A mudança de comportamento veio progressivamente.
Depois de 20 anos, Celeste finalmente pisou na grama
Um dos momentos destacados pela equipe ocorreu quando a ursa recebeu acesso à área externa. Celeste deixou o recinto interno, sentiu grama sob as patas, cheirou o ambiente, observou as montanhas e permaneceu sob a luz solar.

Para um animal que havia passado duas décadas em uma estrutura metálica, atividades absolutamente comuns para um urso representavam experiências praticamente novas.
A partir daí, o espaço disponível cresceu de maneira radical.
No santuário, os recintos externos foram projetados para permitir que os animais caminhem, procurem alimentos, nadem, descansem e utilizem estruturas que simulam oportunidades encontradas em ambientes mais naturais.
Kenny deixou de ser apenas um rosto atrás das grades
Outra transformação importante aconteceu no relacionamento entre Celeste e Kenny. Eles haviam passado anos na mesma fazenda, mas presos separadamente. No santuário, os cuidadores puderam realizar uma aproximação controlada.
Segundo a Animals Asia, o primeiro encontro direto foi marcado por cheiros, pequenos movimentos de brincadeira e curiosidade mútua. Com o avanço da adaptação, Celeste passou a correr, brincar, lutar de maneira lúdica e entrar na água com Kenny.
Depois, Romeo foi incorporado ao grupo.
Os três ursos que viviam isolados agora fazem tudo juntos
A formação do grupo acabou se tornando um dos resultados mais marcantes da recuperação. Celeste, Kenny e Romeo passaram a comer juntos, brincar juntos e descansar juntos. A organização descreve os três como um grupo fortemente conectado depois da adaptação.

Celeste também passou a demonstrar um comportamento especialmente confiante. Segundo os cuidadores, quando Kenny ou Romeo hesitam diante de alguma novidade, frequentemente é ela quem avança primeiro.
A mudança é significativa diante da descrição inicial da ursa recém-resgatada, cautelosa e desconfiada diante de praticamente tudo que encontrava no novo ambiente.
Hoje ela procura comida, brinca e passa horas na água
A rotina atual pouco lembra aquela registrada na fazenda. Celeste passa parte do tempo forrageando, atividade que estimula a procura por alimento. Também utiliza um balanço feito com pneu, descansa sobre a grama e entra voluntariamente na piscina.
A própria escolha de atividades é uma parte importante da transformação.
Na antiga jaula, quase todas as decisões eram impostas pelo tamanho do espaço e pelo manejo humano. No santuário, a ursa pode escolher caminhar, descansar, procurar alimento, brincar ou interagir com os outros animais.
Ainda existem ursos esperando a mesma mudança
Apesar dos avanços, a história ainda não terminou no Vietnã. A Animals Asia informa atualmente que cerca de 150 ursos ainda permanecem nas últimas fazendas de bile do país. A organização busca negociar a entrega desses animais enquanto amplia a capacidade de atendimento nos santuários.
É nesse contexto que Celeste se tornou um exemplo concreto do que acontece depois de um resgate.
Sua vida não passou diretamente da jaula para uma suposta liberdade absoluta na natureza. Um animal mantido em cativeiro por duas décadas exige acompanhamento veterinário, alimentação controlada, adaptação comportamental e um ambiente protegido permanentemente.
De uma jaula metálica para 12,7 hectares preparados para recomeços
Em 2024, Celeste deixou para trás o mesmo cenário que havia definido aproximadamente 20 anos de sua existência.
Na fazenda em Phung Thuong, seu mundo era uma estrutura metálica sem cama confortável, brinquedos ou contato físico normal com outros ursos. A extração repetida de bile deixou consequências médicas que continuaram aparecendo mesmo depois do resgate.
Em Bach Ma, o processo foi inverso e gradual. Primeiro vieram a quarentena e os exames. Depois uma toca maior, brinquedos, alimentos diferentes e piscina. Finalmente chegaram a grama, o Sol e o contato direto com Kenny e Romeo.
Hoje, Celeste é descrita por seus cuidadores como confiante, saudável e brincalhona. Os mesmos três ursos que durante anos só conseguiam perceber uns aos outros através das grades agora nadam, descansam e procuram alimentos juntos.
A diferença entre os dois mundos cabe em uma imagem simples: durante duas décadas, Celeste viveu cercada por metal. Depois do resgate, um dos marcos mais importantes de sua recuperação foi apenas colocar as patas sobre a grama e descobrir que havia, finalmente, espaço para continuar andando.


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