quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

MENOS VISITANTES QUE A TORRE EIFFEL

 Por que o Brasil não consegue atrair turistas estrangeiros

O país recebe menos visitantes do que a Torre Eiffel, em  Paris 

Por: Eduardo Vessoni


No Brasil tem tudo que um estrangeiro gostaria de ter numa viagem turística: cenários únicos, gastronomia variada, além de uma série de estereótipos do tipo "caipirinha, samba e carnaval".Melhores pacotes de viagens

Tem de tudo, só não tem turista estrangeiro. Ou melhor, não na quantidade que merece ter.

Historicamente, o país nunca passou dos 7 milhões de turistas estrangeiros por ano.

Para lembrar uma comparação clichê (e vergonhosa), só a Torre Eiffel, em Paris, atrai 7 milhões de visitantes, anualmente. Sim, uma torre de treliça consegue desbancar a Amazônia, o litoral nordestino, o Pantanal e outras tantas opções de turismo no Brasil.

Mas é uma falácia (e uma ingenuidade) achar que nossas hospitalidade, geografia e cultura são suficientes para atrair viajante, assim como lembram os pesquisadores Gui Lohmann (RMIT University), Glauber Eduardo de Oliveira (USP) e Jaqueline Gil (UnB), no artigo "Cinco razões que fazem do Brasil um gigante ainda adormecido para o turismo internacional".

Victor Freitas / Pexels.com Foto: Viagem em Pauta

Brasil

No início deste ano, o Ministério do Turismo, Embratur e Polícia Federal divulgaram um dado histórico: 2024 foi o melhor da história para o turismo internacional no Brasil, quando o país alcançou o número recorde de 6.657.377 turistas estrangeiros, um crescimento de 12,6% em comparação ao ano anterior.

Entre as ações voltadas para a atração de turistas internacionais, o Ministério do Turismo cita o primeiro Escritório da OMT (Organização Mundial do Turismo) nas Américas e no Caribe, inaugurado em dezembro de 2023, no Rio de Janeiro; a presença do MTur e da Embratur em eventos internacionais de promoção dos destinos nacionais; e o lançamento da marca "Visit South America: um lugar, vários mundos".

O Brasil até tem conseguido chegar nos estrangeiros, a pergunta é se eles têm conseguido chegar no Brasil que gostariam de ver. 

Segundo Lohmann, Oliveira e Gil, um dos entraves é o problemas estrutural do nosso país, que recebe menos de 0,5% das viagens internacionais do mundo, muito atrás do México (3,2%), Tailândia (2,2%) e Índia (1,1%).

Embora as principais companhias aéreas internacionais ofereçam voos para as principais capitais brasileiras (São Paulo, Rio e Paraná são as principais portas de entrada), voar dentro do país ainda é uma experiência custosa, sobretudo para destinos do Nordeste e do Norte.

"Essa oferta de voos escassa e mal distribuída geograficamente é pouco atraente para o turista e mais poluente ao meio ambiente, pois emite-se mais carbono para chegar da Europa até os aeroportos do Rio de Janeiro ou São Paulo e, então, rumar norte para cidades como Manaus ou Recife", descrevem os autores.

A alternativa poderia ser a estrada, porém, muitas vezes precárias e inseguras, sem falar nas grandes distâncias, a depender do destino final.


Andrea Piacquadio / Pexels.com

Foto: Viagem em Pauta


Outro fator é a sensação de insegurança num país cuja taxa de homicídios é de 20 para cada 100 mil habitantes, ou seja, a 16ª posição do ranking de nações mais violentas. Não à toa, o Brasil é citado como 'pouco seguro' em informativos para cidadãos dos Estados Unidos e também nos do governo britânico, que alerta sobre golpes, roubos, sequestros e estupros.

O dia a dia de um estrangeiro no Brasil não é nada facilitado, devido ao que os pesquisadores chamaram de "inadequação dos serviços", como prestadores de serviços turísticos que não dominam nenhum idioma além do português, de modo que um turista estrangeiro sequer consegue encontrar informações on-line, ao planejar a viagem, ainda em seu país de origem.

As exceções são destinos de fama internacional consolidada, como o Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e Manaus.

"A maior atenção dada ao público doméstico é natural, já que o número de brasileiros viajando dentro do país é dezenas de vezes maior do que o de estrangeiros e mantém o faturamento dessas empresas. Mas essa desproporção acaba diluindo os poucos estrangeiros em uma massa de turistas brasileiros e praticamente eliminando a oferta especializada no turismo internacional", aponta o artigo.

"O país não é barato para viajantes."

Em quarto lugar estão os custos.

Ainda que venham com moedas fortes, como o dólar e o euro, o turista estrangeiro não faz uma viagem de qualidade com baixo custo, no Brasil, já que "o turista médio não consegue contratar por um preço competitivo serviços que garantam comparabilidade com experiências das melhores localidades e atendam as necessidades específicas que o viajante internacional espera".

Um exemplo é o transporte público: barato, mas ruim e voltado para brasileiros.

Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro até ganharam alguns serviços em inglês, no pós-Copa do Mundo, em 2014, mas anúncios sonoros em trens do metrô são insuficientes para facilitar a vida de um turista que precisa se locomover por destinos de proporções como as da capital paulista.

"Para que o Brasil efetivamente atraia mais turistas, não é suficiente resolver um ou outro desses problemas. É preciso resolvê-los em conjunto, criando uma experiência total de alta qualidade para o turista. Mas fazer isso não é fácil", alerta o trio de pesquisadores.

Photo by Nubia Navarro (nubikini) on Pexels.com

Foto: Viagem em Pauta

* com informações do artigo publicado no The Conversation sob licença Creative Commons



CHICOTADAS E RITUAIS

 

Chicotadas e rituais: Fazendeiros pagarão R$ 2 milhões por trabalho escravo

Condenação incluiu denúncias de violência física e condições degradantes em fazenda de café em MG.

28/1/2025   

O juiz do Trabalho Walace Heleno Miranda de Alvarenga, da 3ª vara de Governador Valadares/MG, condenou dois fazendeiros de Aimorés/MG por submeterem trabalhadores a condições análogas à escravidão, com relatos de chicotadas, uso de drogas como pagamento e "rituais macabros".

Após comprovar as condições degradantes, o juiz determinou que os réus garantissem condições dignas de trabalho, sob pena de multa, e pagassem R$ 2 milhões por danos morais coletivos, além de R$ 50 mil por danos morais individuais a cada trabalhador resgatado.


TRT-3 condena fazendeiros a pagar R$ 2 milhões por trabalho escravo.(Imagem: Freepik)

Entenda o caso  

O Ministério Público do Trabalho ingressou com uma ação civil pública contra os réus, acusando-os de submeter trabalhadores a situações degradantes em uma fazenda de café localizada em Aimorés/MG. As denúncias apontaram jornadas excessivas, moradias inadequadas, vigilância armada e restrições à liberdade.  

A operação realizada em janeiro de 2023 contou com uma força-tarefa composta por auditores-fiscais, promotores e policiais, que verificaram as irregularidades na fazenda.  

No momento da fiscalização, o capataz confessou ser responsável pelos trabalhadores, mas não apresentou qualquer contrato formal. Um dos réus, presente na propriedade, fugiu ao perceber a chegada da equipe. Posteriormente, seu advogado compareceu para negociar as rescisões trabalhistas.

No total, sete trabalhadores foram resgatados e incluídos no programa de seguro-desemprego. Durante a operação, os fazendeiros pagaram as verbas rescisórias.  

As investigações conduzidas pela Polícia Federal confirmaram a exploração por meio de servidão por dívida e outras práticas ilegais. Em junho de 2024, o MPT formalizou o pedido de indenizações individuais e coletivas.  

Castigos e clima de terror  

O juiz responsável pelo caso identificou que os trabalhadores viviam em condições precárias, sem acesso a saneamento, água potável ou ventilação adequada. Além disso, estavam sujeitos a jornadas extenuantes, exposição a agrotóxicos sem equipamentos de proteção, violência física e controle psicológico por meio de ameaças e dívidas.  

“Saliento que as fotografias que instruíram os relatórios em apreço demonstram, de forma exaustiva, a real situação degradante à qual os trabalhadores eram submetidos na propriedade dos reclamados, uma vez que se alojavam em locais sem condições mínimas de higiene, segurança e habitabilidade, o que foi constatado de forma flagrante no ato da fiscalização e resgate realizados pela força-tarefa."

“Não é preciso maior esforço intelectivo para se inferir que tais condições de trabalho verificadas in loco pelos agentes públicos que realizaram a ação fiscal violam severamente os direitos sociais mínimos de qualquer ser humano que faça parte de uma relação de trabalho subordinado, ofendendo a sua dignidade de forma direta”, acrescentou.  

Relatórios policiais também indicaram o envolvimento do capataz em homicídios, incluindo a morte de um trabalhador em janeiro de 2023. O capataz teria levado a vítima para uma consulta médica, mas o corpo foi encontrado no dia seguinte na zona rural de Mutum/MG.

Para o juiz, tais eventos reforçam a periculosidade do capataz e a gravidade das práticas ilegais na propriedade.  

Durante a fiscalização, relatos indicaram a ocorrência de "rituais" religiosos liderados pelo capataz e sua esposa, que incluíam agressões como chicotadas. Um dos trabalhadores afirmou ter sido marcado nas costas com um símbolo em forma de "Z", associado à entidade Zé Pelintra, como parte dos rituais.  

A equipe encontrou um crânio e outros objetos relacionados às cerimônias no espaço utilizado para esses "rituais". Embora não tenha sido confirmada a origem do crânio, sua presença impactou os investigadores.  

Essas práticas, combinadas com agressões e humilhações, intensificaram o controle sobre os trabalhadores, criando um ambiente de terror físico e psicológico, que caracterizou a submissão dos empregados a condições análogas à escravidão.  

Dependência econômica e psicológica  

O relatório da força-tarefa revelou que os trabalhadores estavam presos em um ciclo de dependência gerado por dívidas e condições precárias. Salários prometidos raramente eram pagos integralmente, sendo reduzidos por descontos abusivos. Itens básicos, como botas e sabonetes, eram vendidos a preços altos e descontados dos pagamentos.  

Produtos como bebidas alcoólicas e drogas eram oferecidos como pagamento ou vendidos para manter os trabalhadores presos à fazenda.

“Chama a atenção, ainda, que alguns trabalhadores informaram ser dependentes químicos, condição que potencializava em demasia o endividamento deles, criando-se uma situação de servidão por dívida”, afirmou o juiz.  

O magistrado destacou que essa prática é proibida, conforme o art. 458 da CLT, e que as dívidas, somadas à violência psicológica e física, impediam os trabalhadores de sair da propriedade.  

“Teoria do avestruz” e responsabilidade dos réus  

Os réus negaram envolvimento, alegando que o capataz era o único responsável. Entretanto, o juiz concluiu que os proprietários frequentavam a fazenda e tinham pleno conhecimento das condições de trabalho.  

Na sentença, foi aplicada a “teoria da cegueira deliberada”, segundo a qual aqueles que, podendo saber da ilicitude, optam por ignorá-la são igualmente responsáveis.

“Caso o réu possuísse condições de saber se participava de atividade ilícita, mas optou por fechar os olhos à descoberta, seria tão culpável quanto se possuísse o conhecimento pleno”, explicou o magistrado.  

Condenações

O juiz confirmou a tutela de urgência e determinou que os réus fossem condenados solidariamente a cumprir obrigações de fazer e não fazer, sob pena de multa. Além disso, fixou indenizações por danos morais coletivos em R$ 2 milhões, a serem revertidos para instituições filantrópicas, e R$ 50 mil para cada trabalhador resgatado.  

A sentença também apontou que as práticas configuraram violação ao art. 149 do Código Penal e a diversas normas constitucionais e internacionais. O magistrado enfatizou que os empregadores são responsáveis por garantir condições dignas de trabalho e prevenir futuras violações.  


Família que submeteu empregada a trabalho escravo tem bens bloqueados

Magistrada considerou a gravidade dos fatos e o risco de dilapidação patrimonial.

28/1/2025

A juíza do Trabalho Lucimara Schmidt Delgado Celli, da 2ª vara de Praia Grande/SP concedeu liminar para bloquear os bens de empregadores acusados de exploração de trabalho análogo à escravidão.

Decisão teve como base a gravidade dos fatos e o risco de dilapidação patrimonial.

A medida atende a pedido do Ministério Público do Trabalho em ação civil pública movida pela instituição.

De acordo com os autos, uma trabalhadora doméstica prestou serviços à família dos réus por mais de 20 anos, em condições precárias, em troca de alimentação e abrigo. Além disso, ela era submetida a jornada excessiva, sem registro em carteira e sem pagamento regular de salário.

Na decisão, a juíza pontuou que o relato da vítima, prestado perante autoridade policial, bem como outras provas colhidas durante o inquérito e anexadas ao processo, “confirmam a gravidade da situação, configurando-se flagrante irregularidade trabalhista, e a violação dos direitos da trabalhadora pelos reclamados”.

Para a magistrada, diante da gravidade dos fatos e da possível dilapidação do patrimônio dos reclamados, a não concessão da medida cautelar pode inviabilizar o cumprimento da condenação, caso o pedido seja acolhido.

“É a medida que se impõe para garantir a efetividade da reparação e a compensação das verbas devidas à trabalhadora”, avaliou.

O tribunal não divulgou o número do processo.

Com informações do TRT-2.


O ESTELOINATÁRIO

 MP denuncia pastor que prometia reconstruir seios e fazer nascer dentes

Pastor evangélico de Bebedouro teria, segundo a denúncia, cobrado R$ 1.680 de uma fiel para curar uma cicatriz na perna

Por Isab... 

Pastor David Tonelli Mainarte, em um vídeo de suas curas em igrejas evangélicas (YouTube/Reprodução) 



O CAGUETE

'Nem falam inglês': professor denuncia imigrantes para agentes em escola nos EUA

Segundo o CBS News Texas, 93% dos alunos do distrito se identificam como hispânicos ou latinos

Redação Terra

Professor chamou agentes de migração para uma escola quase inteiramente de alunos latinos Foto: Reprodução

Um professor substituto do Texas, nos Estados Unidos, está sob investigação após publicar uma mensagem na rede social X (antigo Twitter), sugerindo que agentes da Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) visitassem a escola onde trabalhava. A postagem, que mencionava o número de operações recentes da agência, gerou uma onda de protestos e preocupações entre pais, alunos e ativistas.

Em sua publicação, ele escreveu: "Agentes da ICE deveriam ir à escola NorthSide, em Fort Worth, para encontrar imigrantes ilegais", acrescentando críticas ao sistema educacional: "Tenho muitos alunos que nem falam inglês e estão na 10ª ou 11ª série. Eles têm que se comunicar comigo pelo tradutor do iPhone. O [Departamento de Educação dos EUA] deveria reformular totalmente nosso sistema escolar, no Texas também."

A postagem, feita na última sexta-feira, 24, desencadeou uma rápida reação da comunidade escolar e gerou protestos no domingo, 26, em Fort Worth, onde manifestantes pediram a proteção das crianças nas escolas.

"Na sexta-feira, três dos meus pais disseram que não mandariam mais os filhos para a escola porque estavam com medo. Eles estão apenas tentando obter educação. As crianças não devem ter medo", lamentou a professora Jeanette Martinez em entrevista à FOX News local.

O Distrito Escolar de Fort Worth emitiu um comunicado em inglês e espanhol para tranquilizar a comunidade, reafirmando seu compromisso em "manter um ambiente positivo e de apoio para todos os alunos". Atualmente, 93% dos alunos do distrito se identificam como hispânicos ou latinos, segundo dados da CBS News Texas.

Segundo balanço divulgado nesta terça-feira, 28, a agência prendeu 4.521 imigrantes desde o início das ações na última quinta-feira, 23. O ICE afirma que suas operações são "direcionadas", focando em imigrantes ilegais com histórico criminal.

"Estamos fazendo exatamente o que o presidente Trump prometeu ao povo americano --tornar nossas ruas seguras", declarou a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, ao compartilhar imagens de uma das prisões.



OLIGARCHY