... ESTÁ MORTO OU MORRE EM DEFINITIVO
É preciso indicar algumas incorreções importantes na nota. Os rios são corpos hídricos, que assemelhado ao sangue humano define a saúde do corpo. Os rios representam a qualidade e a saúde dos lugares que banham, se o rio está doente, doente está o lugar que o abriga. A saúde de um rio depende de muitas questões concretas: carga de sedimentos, volume e tipo de efluentes lançados, volume/vazão, profundidade, tipo de leito, entre outros parâmetros.
A longa história da relação das sociedades com os rios normalmente não foi bela. Por vezes chegou-se a extremos de degradação, para depois com imensos esforços tecnológicos e financeiros estes rios outrora degradados, atingissem um padrão sanitário e de beleza adequados.
O Egito, país do imenso continente africano, controla as águas do rio Nilo com a barragem de Assuã. O Nilo de hoje, mal chega ao mar mediterrâneo, a dádiva do Nilo é agora para os egípcios. Os rios europeus citados no texto há pouco tempo atrás eram esgotos envenenados.
Mas deixemos o pensamento colonizado e partamos para uma reflexão sobre nossas condições reais e concretas e como possivelmente resolve-las. O programa de saneamento ambiental realizado em Salvador até o momento, não deu conta de resolver a grave situação dos rios urbanos.
Este problema precisa ser olhado de maneira séria, mas com certeza absoluta não é o tamponamento/sepultamento a solução. De longe resolverá o problema e potencializará problemas muito maiores que ainda não conhecemos as consequências.
Estes processos contaminantes, cujo veículo são os rios, chegarão ao mar e afetar a cadeia trófica marinha, retornando para a nossa mesa, através da indústria pesqueira. A acumulação de metano e outros gases, provenientes da decomposição em ambiente praticamente anaeróbio e afótico, pode gerar inúmeros outros problemas, além é claro do acumulo de sedimentos que continuarão a serem carreados e também acumulados.
Poderíamos discorrer sobre estes e outros
sérios inconvenientes e inconsistências sobre o tamponamento/sepultamento dos rios de Salvador, mas se quisermos valorizar esta linda cidade e figurar como referência no turismo ou outra área, temos que resolver o problema do saneamento ambiental e não o esconder, sepultando a esperança de sermos algo melhor por nós mesmos. Parafraseando dois poetas baianos, não podemos “varrer para debaixo do tapete persa uma possível estupidez”( Raul Seixas) e com todo o esforço necessário, devemos “purificar o Subaé” (Caetano) e todos os rios de Salvador e da Bahia.
Marco Antonio Tomasoni (Geógrafo)
Ricardo Fraga (Geólogo)
exatamente!
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