Museu do Pontal celebra 50 anos com exposição e festa gratuita com shows de Lia de Itamaracá, Siba e outros
Com shows, atividades infantis e nova mostra, evento marca o aniversário do centro cultural, principal instituição dedicada à arte popular do país, e os cinco anos da nova sede
Quando se encantou por esculturas de Mestre Vitalino e de outros artistas de Caruaru (PE) em 1951, o pintor francês Jacques Van de Beuque (1922-2000), recém-chegado ao Brasil, não poderia imaginar o que se tornaria a coleção de arte popular que começava ao adquirir algumas obras do grupo. Em 1976, o acervo — então já com cerca de quatro mil obras — estava abrigado num sítio no Recreio e passou a ser visitável, dando início ao Museu do Pontal, que neste fim de semana comemora 50 anos de História e cinco da nova sede, na Barra, com mais de dez mil peças de 300 artistas de 23 estados brasileiros.
Para celebrar o duplo marco, os diretores e curadores Lucas Van de Beuque e Angela Mascelani (neto e nora de Jacques), preparam um grande festival gratuito — como tudo que acontece no espaço —, com shows de nomes como Lia de Itamaracá, Siba e Mestre Solano; apresentação de grupos de expressões populares, do bumba meu boi a bate-bolas; visitas guiadas, entre outras atividades, além da inauguração de mostra de Véio (Cícero Alves dos Santos), premiado escultor sergipano.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/B/7/ClMjWSQq2Hi5FFafJgRw/103224764-ri-rio-de-janeiro-rj-01-06-2023-museu-do-pontal-centenario-de-jacques-van-de-beuque-colec-1-.jpg)
— A gente está chamando internamente de “festival dos festivais” — conta Lucas. — Esse vai ser o 17º em cinco anos. Já tivemos festival circense, indígena, amazônico... Vamos reunir um pouco disso tudo.
Visitada por mais de 400 mil pessoas, a nova sede foi pensada justamente para receber eventos. Após anos de lutas contra inundações que passaram a acometer o museu antigo a partir de 2011, os diretores decidiram ampliar o projeto inicial de Jacques. Mantendo a convergência entre arte e natureza, Angela e Lucas apostaram num conceito de museu-praça, tornando a bonita área externa, bem maior na Barra, em um espaço de convivência com agenda intensa de manifestações culturais.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/D/H/u8kAs0RwCzESXctLoJqQ/38732795-0311.2004-ana-branco-rs-museu-de-arte-popular-brasileira-casa-do-pontal.jpg)
— Temos três vezes mais visitantes do que na antiga sede. Com os eventos, demos um jeito de fazer com que as pessoas frequentem sempre o museu — conta Lucas, que celebra a relação afetiva do público com o espaço. — Na última festa junina, uma pessoa nos contou que nomeou a filha de Lia porque assistiu à Lia de Itamaracá no nosso primeiro arraiá, em 2022.
Homenageada da festa junina inaugural, que depois virou tradição, a cirandeira pernambucana é um dos destaques do “festival dos festivais”. Outra atração, que também faz referência à trajetória do museu, é a nova exposição “Véio – A escuta do sertão” (abertura sábado, às 15h30, com presença do artista). Presente na coleção de Jacques desde a década de 1970, o artista de 79 anos ganha uma de suas maiores retrospectivas, dividida em cinco núcleos que abrangem 60 anos de produção, que vai de esculturas figurativas a abstratas, feitas com troncos, raízes e galhos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/A/t/DJI4mrQM6EsMGOTAAkHQ/whatsapp-image-2026-08-20-at-11.57.44.jpeg)
Para chegar à seleção de 300 peças, os curadores fizeram um mapeamento, que revelou mais de 650 obras em 50 coleções. O extenso processo de pesquisa está aliado ao objetivo de exaltar trajetórias dos artistas de camadas populares. Em 2024, o Pontal realizou a primeira exposição panorâmica do xilógrafo e poeta J. Borges pouco antes de sua morte, aos 88 anos. Também já foram celebradas produções de nomes como Sérgio Vidal, Jair Gabriel, Roxinha e Marcelo Conceição.
— Esses artistas precisam ter esse registro. Às vezes suas obras até são conhecidas, mas sua visão artística não. O museu também foca nesse reconhecimento de autoria. Como grupos invisibilizados, esses artistas foram apropriados. Hoje, são reverenciados. Esse é um papel importante que o museu vem cumprindo há 50 anos — comenta Angela.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/k/K/1M19ZVSZWdRuDTjIwUgA/design-sem-nome-24-.png)
Além de mapeamento e aquisição de obras, os curadores também produzem filmes — dois deles, “Artistas cazumbas” e “José Bezerra, artista”, estão na programação do festival. Até então, já foram 23 exposições, dentre elas o sucesso “Festas, sambas e outros carnavais”, a maior já feita, vista por mais 100 mil visitantes desde o ano passado e prorrogada por tempo indeterminado. E a ideia é seguir nesse ritmo.
— Um museu de arte dedicado a artistas das camadas populares, um museu vivo, museu-praça. Essas são as características principais do Pontal — finaliza Lucas.
Linha do tempo
Aniversário 50 anos do Museu do Pontal
Destaques da programação
Sábado (29)
- 11h30: Capoeira com Mestre Feinho
- 14h30: Exibição de “José Bezerra, artista”
- 15h: Show de Zé Bezerra + Trio Pernambucano
- 15h30: Abertura da exposição “Véio”
- 17h30: Bate-bolas Brilhetes de Anchieta
- 18h: Show de Siba
- 19h30: Edmilson dos Teclados
- 20h15: Lia de Itamaracá com Quarteto da Ciranda
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/T/d/sPEojoTJmg8YbsKwNaxg/lia-de-itamaraca-foto-ytallo-barreto-5-.jpg)
Domingo (30)
- 11h: Artista circense Horácio Storani
- 13h15: Exibição de “Artistas cazumbas”
- 13h45: Boi Muleque Garboso
- 15h30: Mestre Solano com Noites do Norte
- 17h: Aturiá
- 18h30: Trio Forrozão
Os dois dias terão visitas musicadas e oficinas, sujeitas a lotação.
Para chegar: O estacionamento estará fechado. Haverá vans gratuitas de ida e volta, saindo do metrô Jardim Oceânico (acesso A - Lagoa), com paradas no New York City Center (ponto dos condomínios) e no estacionamento do Terminal Alvorada. Saídas entre 10h e 19h30 (sáb) e 10h e 18h30 (dom).
Serviço
Onde: Av. Célia Ribeiro da Silva Mendes 3.300, Barra. Festival: Sáb (29), das 10h às 22h. Dom (30), das 10h às 20h. Visitação: Qui a dom, das 10h às 18h. Quanto: grátis, com contribuição voluntária.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/q/4/0d1rV1QBiSCkyTZs6ubQ/arte-20-.png)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/X/O/ejLA1UT4eO2RoBBFlVXQ/fachada-nova-sede-do-museu-do-pontal.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2023/Z/d/bOFZ09T3GxvzFZebPrrA/20230506-museudopontal-rtdiniz-rtd2719-1-.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/E/n/JdaHrsRUmgPzjddIqrcQ/103224764-ri-rio-de-janeiro-rj-01-06-2023-museu-do-pontal-centenario-de-jacques-van-de-beuque-colec.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário