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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

ANINHA PROTESTA

 



E tentando entender as políticas públicas que ignoram as casas vazias, abandonadas e maltratadas no Centro Histórico.




sábado, 26 de setembro de 2026

COBRANDO MUSEU

 

Família cobra museu para acervo doado à PUC Goiás que pode ser o maior de ornitologia do Brasil

Herança do professor José Hidasi é mantida em salas da PUC Goiás, enquanto apenas uma pequena parte dos exemplares está exposta ao público
Roberto Hidasi em exposição do acervo do pai | Foto: Arquivo pessoal

A família do professor José Hidasi cobra da PUC Goiás a criação do museu que permita o acesso público ao que pode ser o maior acervo de ornitologia do Brasil, que foi reunido pelo pesquisador ao longo da vida. Doado à universidade há mais de dez anos, o material reúne mais de 100 mil exemplares de animais, além de pedras preciosas e outros itens relacionados à história natural.

Segundo os familiares, a instituição mantém parte do acervo em salas do complexo do Memorial do Cerrado, mas apenas uma quantidade reduzida está disponível para visitação. A estimativa é de que menos de 500 exemplares estejam atualmente expostos.

O Jornal Opção entrou em contato com a PUC Goiás por meio de sua assessoria de imprensa mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Neto de José Hidasi, o advogado Pedro Hidasi afirma que o objetivo da doação nunca foi apenas transferir a guarda do material para uma instituição de ensino, mas garantir que a coleção permanecesse reunida e pudesse ser conhecida pela sociedade.

“O sonho do meu avô era que o museu não ficasse na família para que ele pudesse ser aberto ao público. Porque, se ficasse na família, ia acabar que as obras se dispersariam”, afirmou ao Jornal Opção.

Pedro Hidasi explica que a família confiou à universidade a preservação da coleção justamente pela possibilidade de manter o acervo de forma integrada. De acordo com ele, a PUC Goiás teria se comprometido a dar continuidade ao Museu de Ornitologia criado por Hidasi em Campinas, em Goiânia.

“Desde que foi doado, a família tem essa expectativa de que o museu seja construído pela PUC Goiás”, disse. “A universidade sempre nos honrou muito, honrou meu avô em vida. Nós temos uma amizade e uma confiança. Porém, a universidade está em falta com essa construção do museu.”

O familiar ressalta que a cobrança não envolve uma reivindicação financeira. O que está em discussão, segundo ele, é o acesso da população ao trabalho desenvolvido pelo professor José Hidasi.

“A obra está incompleta porque ela não expõe para a população os animais. Muitos deles estão seriados, engavetados. Poucos cientistas têm acesso e a comunidade geral não tem”, afirmou. “A sociedade perde como um todo por não ter esse museu ativo, esse museu exposto.”

Acervo permanece em salas da universidade

Roberto Hidasi, filho do professor, também defende que a PUC Goiás tire do papel o Museu de História Natural Professor José Hidasi. Segundo ele, não houve, no momento da doação, um prazo formal estabelecido para a construção do espaço.

“Não tinha data, não tinha previsão. Nenhum prazo”, afirmou. Apesar disso, Roberto considera que a universidade precisa ser cobrada porque existe um projeto para o museu, mas a estrutura ainda não foi construída.

Ele também disse que a família não recebeu uma explicação formal sobre a demora. A última conversa com representantes da instituição, conforme relatou, ocorreu de maneira informal, cerca de dois ou três anos antes da morte de seu pai, que faleceu aos 95 anos. “Hoje, para te falar a verdade, eu acho que não vai sair. Só vai ficar no papel por enquanto”, disse Roberto.

De acordo com ele, a maior parte do acervo está armazenada em grandes gavetas, em salas localizadas em outra ala do complexo do Memorial do Cerrado. O material é organizado de forma seriada, mas não fica disponível para visitação ampla.

O acervo é considerado pela família o maior conjunto de ornitologia do Brasil e, segundo os relatos, reúne exemplares de diferentes grupos da biodiversidade, como aves, mamíferos e répteis. Também fazem parte da coleção pedras preciosas e outros elementos relacionados à história natural.

Legado de José Hidasi

Roberto destaca que o acervo representa o resultado de décadas de trabalho do pai, que chegou ao Brasil vindo da Hungria e escolheu Goiás para desenvolver sua trajetória como pesquisador.

“É um legado fantástico, porque ele veio da Hungria sem falar português direito, construiu esse acervo no peito e na raça, sozinho”, afirmou. Segundo ele, José Hidasi não contou com apoio dos governos estadual ou municipal para formar a coleção.

O professor também deixou três livros publicados. Para Roberto, a criação do museu seria uma forma de preservar não apenas os exemplares, mas a memória de um pesquisador que dedicou a vida à biodiversidade.

“Ele deixou um legado bacana, um propósito de vida”, disse. “Às vezes, ele deixava de pôr comida em casa da família para pôr no museu dele, no projeto dele. Comprar passarinho, comprar alguma coisa para o museu.”

Roberto afirmou esperar que a universidade cumpra o compromisso de criar o espaço. “Eu espero que construa esse, mais do que justo, Museu de História Natural Professor José Hidasi”, declarou.

A família informou que pretende localizar uma cópia do contrato de doação para verificar as condições estabelecidas no acordo. Pedro Hidasi também se colocou à disposição para continuar o diálogo sobre o assunto e afirmou que a cobrança busca garantir que o acervo seja disponibilizado à sociedade.

domingo, 20 de setembro de 2026

MIL ANOS DE UNICIDADE

 

Tapeçaria de Bayeux: por que a obra medieval atrai multidões

Katharina Abel
11 de setembro de 2026

Peça de cerca de 70 metros de comprimento e retratando 58 cenas é exibida no Museu Britânico após grande expectativa. Ela é considerada por muitos como um símbolo da identidade do Reino Unido.

Obra-prima da Alta Idade Média: a Tapeçaria de Bayeux (detalhe)
Obra-prima da Alta Idade Média: a Tapeçaria de Bayeux (detalhe)

Antes de tudo, é preciso esclarecer um ponto: tecnicamente, não se trata de uma tapeçaria. Tapeçarias são tecidas, enquanto esta obra é um bordado feito sobre linho. Apesar disso, ela é tradicionalmente conhecida por esse nome.

Com cerca de 70 metros de comprimento, essa narrativa visual retrata os acontecimentos que cercaram a Conquista Normanda da Inglaterra, em 1066, culminando na Batalha de Hastings e na vitória de Guilherme, o Conquistador, sobre Haroldo 2º.

A Conquista Normanda mudou radicalmente a Inglaterra: política, leis e cultura passaram a ser influenciadas pelo domínio normando. A Tapeçaria de Bayeux testemunha esse acontecimento e, ao mesmo tempo, é um exemplo extraordinário da habilidade artesanal inglesa na Idade Média. Por isso, muitos britânicos a consideram um dos mais importantes símbolos da identidade nacional, ao lado das obras de Shakespeare ou de Stonehenge.

Acredita-se que a tapeçaria tenha sido encomendada pelo bispo de Bayeux, meio-irmão de Guilherme e presente na batalha, a bordadores do sul da Inglaterra, para a inauguração de sua catedral, em 1070. Na época, os bordadores anglo-saxões eram famosos em toda a Europa por sua habilidade. Posteriormente, a obra foi levada para a França, onde permaneceu por quase mil anos, até agora.

Por que a Tapeçaria de Bayeux é tão importante?

A Tapeçaria de Bayeux é considerada um dos mais importantes monumentos pictóricos da Alta Idade Média. Muitos pesquisadores a veem como uma sofisticada peça de propaganda, criada para mostrar e explicar a vitória de Guilherme, o Conquistador, ao público da época. Sua mensagem, ainda alvo de debates acadêmicos, é que Haroldo Godwinson, então conde de Wessex, havia feito um juramento sagrado sobre relíquias, prometendo apoiar a reivindicação de Guilherme ao trono inglês. Ao quebrar esse juramento e coroar-se rei, teria justificado a guerra que se seguiu, retratada como uma punição legítima. O fato de Haroldo provavelmente não ter feito esse juramento por livre vontade é irrelevante para a narrativa apresentada no bordado.

A obra faz parte do Registro Memória do Mundo da Unesco e, devido às suas 58 cenas ilustradas, às vezes é chamada de "a história em quadrinhos mais antiga do mundo".

Acompanhada por inscrições em latim, a narrativa visual mostra os horrores da guerra, incluindo massacres, cabeças rolando e a morte de um rei.

Mas a tapeçaria também é um valioso documento histórico para os pesquisadores. Ela retrata com detalhes surpreendentes a construção naval, o equipamento militar e aspectos do cotidiano medieval. Até mesmo o Cometa Halley aparece na obra. O cometa foi visível nos céus em 1066 e é interpretado na narrativa visual como um mau presságio para os anglo-saxões.

Detalhe da Tapeçaria de Bayeux mostra Haroldo prestando juramento solene
Haroldo prestando juramento soleneFoto: Pascal Deloche/Godong/picture alliance

Por que demorou tanto para a tapeçaria ser emprestada?

A tapeçaria pertence ao Estado francês e estava sob custódia da cidade de Bayeux, onde era exibida no Museu da Tapeçaria de Bayeux.

O Reino Unido já havia tentado obter a obra emprestada para a coroação de Elizabeth 2ª, em 1953, além de outras ocasiões históricas posteriores, mas a França sempre recusou. O artefato era considerado frágil demais, e a viagem, arriscada demais.

Por fim, no ano passado, o presidente francês, Emmanuel Macron, autorizou a exposição no Museu Britânico, contrariando as preocupações manifestadas por especialistas.

Em setembro do ano passado, a tapeçaria foi então retirada de exibição, embalada e colocada em armazenamento em uma operação altamente complexa que durou seis horas.

Em 9 de julho, ela finalmente chegou a Londres em uma operação de transporte mantida em sigilo. A obra foi acondicionada em um contêiner de alta tecnologia capaz de protegê-la de vibrações, além de manter temperatura e umidade constantes.

O governo britânico também contratou um seguro de 800 milhões de libras esterlinas para a obra, o equivalente a cerca de R$ 5 bilhões.

Trabalhadores e voluntários removem cuidadosamente a Tapeçaria de Bayeux, do século 11, de seu local de exibição na França.
Remoção da obra de seu local de exibição na França exigiu um esforço meticulosamente coordenado que durou horasFoto: Lou Benoist/AP Photo/picture alliance

Onde conseguir ingressos?

O Museu Britânico dividiu a venda de ingressos em três fases. A primeira, para visitas entre setembro e dezembro, começou em 1º de julho. Todos os ingressos se esgotaram rapidamente, com relatos de até 80 mil pessoas tentando garantir uma vaga ao mesmo tempo. Muitos enfrentaram esperas de até nove horas.

Para quem perdeu essa oportunidade, haverá novas chances em breve: os ingressos para o período de janeiro a março serão colocados à venda em 21 de outubro, e os ingressos para abril a julho estarão disponíveis em janeiro.

A exposição está sendo promovida como um evento raro, "de uma vez por geração", e um amplo programa educacional pretende envolver escolas de todo o país.

O Museu Britânico acredita que a Tapeçaria de Bayeux poderá ajudá-lo a estabelecer um novo recorde de público. Até hoje, a exposição mais visitada da história da instituição continua sendo "Os Tesouros de Tutancâmon", realizada em 1972, que atraiu quase 1,7 milhão de visitantes.

Ficou sem ingresso? Existe uma alternativa

Se você está animado para ver a tapeçaria, mas não tem certeza de que conseguirá um ingresso, pode visitar a cidade de Reading, cerca de duas horas a oeste de Londres. Lá está exposta uma réplica fiel da obra, que por si só já tem 140 anos.

Mesmo naquela época, havia um forte desejo de ter essa obra na Inglaterra. Em 1885, 35 bordadores iniciaram um trabalho que durou cerca de um ano. Utilizando fotografias colorizadas como referência, reproduziram a tapeçaria em escala real.

No entanto, eles alteraram um detalhe. Algumas figuras presentes na borda do original aparecem nuas e em poses sugestivas. Pelo visto, isso foi considerado escandaloso demais para a moral vitoriana inglesa. Uma das figuras foi retocada na fotografia correspondente, e os bordadores copiaram essa alteração. Como resultado, a personagem passou a aparecer usando roupa íntima.

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DA CRUZ VERMELHA FOI DESTRUIDO.



Estação de metrô no Campo Grande terá shopping e praça de alimentação

Ampliação do modal em Salvador conta com uma estação principal com mais de 10 mil m²

Leo Almeida
Por
Complexo terá estacionamento e serviços de apoio - Foto: Imagens obtidas pelo portal A TARDE

A chegada do metrô para a região do Campo Grande se tornou uma realidade em Salvador e promete ser uma das estações mais movimentadas da cidade. Isso ocorre porque, conforme informações obtidas pelo portal A TARDE, a parada do modal também deve contar com um “complexo multiuso”, modelo mall/shopping integrado.

A reportagem apurou que a estação principal do Campo Grande — chamada de “Acesso 01” — abrigará lojas, praça de alimentação, áreas de circulação, serviços de apoio e estacionamento para usuários. A estrutura está prevista para ser construída na lateral da Praça Castro Alves, onde atualmente está localizada a Fundação João Fernandes da Cunha (JFC

A construção do complexo ainda depende do aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Companhia de Transportes da Bahia (CTB) enviou um requerimento à entidade nesta terça-feira, 15, solicitando autorização para a elaboração do shopping.

"Solicitamos a anuência deste Instituto para a construção e implantação da Estação e do Complexo Multiuso (Mall) Campo Grande, referentes ao Tramo 4 da ampliação do metrô, localizados no Largo do Campo Grande, em área a ser desapropriada para tal finalidade. A intervenção é essencial para viabilizar a implantação da nova estação metroviária e suas áreas operacionais e comerciais, configurando-se como uma obra de infraestrutura de transporte público e de relevante interesse coletivo", diz o requerimento da CTB.

Estrutura

O empreendimento comercial será construído diretamente sobre o poço da estação e contará com dois pavimentos — térreo e pavimento superior — além de um estacionamento no subsolo. Para maximizar a área de superfície destinada ao shopping, a maioria das salas técnicas da estação metroviária do Campo Grande foi projetada no subsolo.

As estimativas apontam que o Acesso 01, localizado na esquina da Rua Forte de São Pedro com o Largo do Campo Grande e integrado ao edifício do Mall comercial, terá cerca de 117 m². No entanto, a estação metroviária, contando todos os pavimentos, consta com uma área total construída de mais de 10 mil m².







O Acesso 02 fica localizado do outro lado da rua, dentro da Praça Castro Alves, e terá 69,61 m².

Área interna

A reportagem também obteve imagens do local onde será a praça de alimentação do complexo multiuso e das passagens subterrâneas para o acesso aos trens do metrô.

Destaca-se que a Estação Campo Grande terá 9 níveis no total, atingindo uma profundidade máxima de aproximadamente 46,16 metros abaixo da superfície, sendo a paragem metroviária mais profunda de Salvador.



segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A ASCENSÃO DO REPOLHO

A ascensão de um simples repolho: como uma relíquia imperial se tornou um dos tesouros mais emblemáticos

 da Cidade Proibida e agora está em Taiwan

Obra de arte tem apenas 18 centímetros de altura e atrai milhões de visitantes todos os anos

A “Mona Lisa” do Louvre, a Pedra de Roseta do Museu Britânico, “A Noite Estrelada” de Van Gogh do MoMA. Todos os grandes museus costumam ter um item imperdível que, por si só, atrai visitantes do mundo todo. Mas em Taiwan, o grande tesouro milenar da região é um simples repolho.

Exposta no National Palace Museum, na capital Taipei, a escultura de jadeíta branca e verde brilha como se tivesse sido colhida recentemente do campo. Dois gafanhotos espreitam nas folhas, esculpidas com base nas imperfeições naturais do material para criar a sensação de realismo ao longo dos talos.

O repolho tem apenas 18 centímetros de altura, mas é tão popular que ocupa uma sala de exposições própria. Além disso, a popularidade do repolho muitas vezes faz com que ele seja considerado um "tesouro nacional" de Taiwan, embora a escultura não seja oficialmente designada como tal. 

Origem do repolho de Taiwan

O repolho de jadeíta, assim como a maior parte da coleção do National Palace Museum, é uma relíquia imperial que outrora esteve na Cidade Proibida, em Pequim, na China, antes de ser transferida para Taiwan durante a Guerra Civil Chinesa.

Hsu Ya-hwei, professora de história da arte na Universidade Nacional de Taiwan, diz que, possivelmente, a escultura parte de um dote pago ao Imperador Guangxu da China por uma consorte na década de 1880. O artefato também é associado à pureza feminina, fertilidade e abundância.

Embora alguns historiadores tenham questionado a crença antiga de que o gafanhoto e o grilo representam crianças — e se o item era de fato um presente de dote — a ideia, no entanto, cativou a imaginação das pessoas, acrescentou Hsu.

Apesar da popularidade do repolho de jadeíta entre o público, alguns historiadores de arte e curadores de museus permanecem indiferentes quanto a sua origem. Para olhos treinados, ele apresenta qualidade semelhante a muitas outras esculturas realistas em jade, bastante comuns durante a dinastia Qing.

Os pesquisadores também afirmam que a falta de registros escritos sobre o artefato — incluindo informações sobre quem o encomendou, fabricou e possuía — deixa o contexto histórico do item em grande parte desconhecido.

“Data do final do século XIX. Mas é um exemplo perfeito da mais alta qualidade artística que se pode alcançar com jade”, disse Ondřej Crhák, curador de uma exposição na República Tcheca que recebeu o repolho emprestado em 2014, à Rádio Praga Internacional na época, classificando o empréstimo como “uma oportunidade rara”.