PAULO MARTINS
A UNE PASSANTE
La rue assourdissante autour de moi hurlait,
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d’une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l’ourlet;
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d’une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l’ourlet;
Agile et noble, avec sa jambe de statue,
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l’ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l’ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit! Fugitive beauté
Dont le regard m’a fait soudainement renaître
Ne te verrai-je plus que dans l’éternité?
Dont le regard m’a fait soudainement renaître
Ne te verrai-je plus que dans l’éternité?
Ailleurs, bien loin d’ici trop tard! jamais peut-être!
Car j’ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ò toi que j’eusse aimée, ò toi que le savais!
Car j’ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ò toi que j’eusse aimée, ò toi que le savais!
A UMA PASSANTE
A rua em torno era um frenético alarido.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido;
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido;
Pernas de estátua, era a imagem nobre e fina
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.
Que luz... ed a noite após! Efêmera beldade
Cujos olhos ma fazem nascer outra vez,
Não mais hei de te ver senão na eternidade?
Cujos olhos ma fazem nascer outra vez,
Não mais hei de te ver senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ò tu que bem o viste!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ò tu que bem o viste!
SONETO DA MULHER INAPREENSÍVEL
Nunca se curva. Ereta, vai e vem
Com um ar de deusa desfolhando o além
E um vítreo olhar de esfinge que alucina.
Passa e jamais me vê, não vê ninguém
Com seu andar de esnobe bailarina.
Tem um quê de nobreza, de divina
Beleza, de altivez... e de desdém.
Com seu andar de esnobe bailarina.
Tem um quê de nobreza, de divina
Beleza, de altivez... e de desdém.
Reina sobre cadáveres de amores
Sobre escombros de sonhos e de dores
No tresloucado apelo da paixão.
Sobre escombros de sonhos e de dores
No tresloucado apelo da paixão.
E é tamanho o poder de sua imagem
Que deixa um rastro cruento na passagem,
E a amargura do fel no coração.
Que deixa um rastro cruento na passagem,
E a amargura do fel no coração.
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