segunda-feira, 5 de outubro de 2026
terça-feira, 1 de setembro de 2026
UM ÓTIMO PROJETO!
Projeto que obriga restaurantes a oferecer cardápio impresso é aprovado
Proposta determina que estabelecimentos disponibilizem versões físicas para clientes no atendimento presencial
Esther Morais
Publicado em 24 de agosto de 2026

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que obriga restaurantes, bares, lanchonetes e estabelecimentos semelhantes a oferecer cardápios impressos durante o atendimento presencial
Pelo texto, os cardápios físicos deverão apresentar informações claras e legíveis e estar disponíveis em quantidade compatível com a capacidade do estabelecimento. Os restaurantes poderão continuar oferecendo versões digitais como alternativa.
A proposta também estabelece que o acesso ao cardápio, seja físico ou digital, não poderá depender da criação de cadastro ou de banco de dados do consumidor.
Além disso, informações obtidas durante o atendimento não poderão ser utilizadas para o envio de publicidade sem a autorização expressa do cliente.
O relator da proposta, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), apresentou parecer favorável ao texto aprovado anteriormente pela Comissão de Defesa do Consumidor.
A principal alteração feita por ele prevê uma exceção: estabelecimentos que funcionem exclusivamente por autoatendimento e disponibilizem o cardápio em dispositivos eletrônicos não serão obrigados a oferecer a versão impressa.
Segundo o relator, a medida busca facilitar
o acesso às informações para idosos, pessoas com dificuldade de utilizar recursos digitais e consumidores que não possuem celular ou têm aparelhos com limitações tecnológicas.O projeto tramitou em caráter conclusivo na Câmara e poderá seguir diretamente para o Senado, caso não haja recurso para que seja analisado pelo Plenário.
Se aprovado também pelo Senado e posteriormente sancionado, o descumprimento das regras poderá resultar nas sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor, incluindo multa e suspensão das atividades.
quarta-feira, 8 de julho de 2026
O VINHO DO FUNDO DO MAR
Mergulhei até o fundo do mar em Portugal para conhecer a adega subaquática onde turistas buscam o próprio vinho!
Uma nova forma de envelhecer o vinho está ganhando cada vez mais adeptos na costa portuguesa e se tornando uma nova atração turística. Na região do Alentejo, onde a vida segue um ritmo próprio, os vinicultores encontraram um local perfeito para o envelhecimento do produto.
Na terra de Vasco da Gama, os produtores fizeram como o famoso navegador português: deixaram um pouco de lado a terra lusa e encontraram no mar um campo fértil para aumentar a produção de vinhos, buscar uma nova complexidade aromática e até monetizar com o turismo.
Embarquei para Portugal, a convite do Turismo do Alentejo, para ver de perto esta novidade. Em Sines, na Costa Vicentina, a cerca de 2 horas de viagem de Lisboa, desafiei os meus medos e mergulhei para buscar lá no fundo do mar cristalino a minha garrafa de vinho envelhecida no Oceano Atlântico. O que não fazemos por um bom vinho!

Briefing de segurança antes do mergulho (foto Apeno)
Em 2013, surgiu a Adega do Mar, uma empresa ligada à escola de mergulho científico Ecoalga, que deposita as garrafas no fundo do oceano para o seu envelhecimento e a prática do enoturismo. “Neste momento, num universo de 26 produtores, temos perto de 16 mil garrafas depositadas em quatro locais do Porto de Sines, com profundidades entre os 8 e os 40 metros”, destaca Joaquim Parrinha.
Em um destes lugares, realizei o meu batismo de mergulho. Antes de entrar na água, é hora de um briefing de segurança, de colocar a roupa de neoprene, a qual é bem difícil de entrar devido à aderência à pele, e vestir todo o equipamento de mergulho.
Para quem, como eu, nunca havia feito isto antes, vale pontuar que o cinto de lastro, colete e cilindro de oxigênio pesam bastante e, ao entrar na água, a sensação é de que vamos afundar como uma âncora. Mas o colete infla e o acompanhamento direto dos mergulhadores profissionais te deixa bem tranquilo para explorar o fundo do mar.

- Foto Apeno
Desci a uma profundidade de 8 metros para buscar minha garrafa. Como eu, você com experiência ou sem, pode também se aventurar na Costa Vicentina. A Ecoalga realiza mergulhos na Ilha do Pessegueiro, em Porto Covo, ao longo do verão europeu.
“O turista, vem ter conosco, recebe a formação de adaptação à atividade de mergulho, o equipamento, as noções básicas de mergulho e as normas de segurança; após vamos para a Ilha do Pessegueiro de barco, realizamos a atividade e a recolha de garrafas a 8 m de profundidade”, comenta Joaquim Parrinha, instrutor de mergulho e empreendedor da Adega do Mar.
Ficou interessado e quer buscar a sua garrafa lá no fundo do mar? O serviço pode ser contratado, com antecedência, em qualquer adega que tenha enoturismo subaquático (veja abaixo) ou diretamente com o pessoal da Ecoalga e Adega do Mar. O custo total da experiência com mergulho, equipamento e a garrafa de vinho é a partir de 150 euros por pessoa, cerca de R$ 880.

Mergulho com retirada de garrafa envelhecida no mar
Encontre aqui o menor valor de passagens aéreas para Portugal
Vinho subaquático
Você já havia ouvido falar sobre vinhos subaquáticos? Eu nunca, até o momento de ser convidado para esta viagem pelo Turismo do Alentejo. Mas acreditem, é uma prática bem antiga com vestígios milenares. Na Europa, um dos atuais pioneiros foi Pierluigi Lugano, proprietário da Bisson Società Agricola. Em 2009, na região italiana da Ligúria, ele começou a mergulhar suas garrafas de espumantes a 60 metros de profundidade.
O que começou como um experimento e principalmente como a busca de mais espaço para expandir a produção, hoje se tornou um dos carros-chefes e diferenciais da vinícola italiana. A Bisson mergulha somente espumante, nada de vinho, e agora até uma cerveja em parceria com empresários brasileiros das Cervejarias Freising Bier & Cia. Razera – experimentei e fiquei apaixonado pela cerveja subaquática, encorpada, muito saborosa e de coloração única!
Em Portugal, a Adega do Mar foi a pioneira e hoje abriga no fundo do Oceano Atlântico produções de diversas vinícolas, entre elas: Quinta da Ferreira de Baixo, Brejinho da Costa, Black Pig, Quinta da Casa Boa, Quinta da Lata, Adega do Cantor, Periquita, Quinta do Canhoto, Adega Cooperativa de Pegões, Torre de Palma, entre outras. Em todas estas adegas é possível fazer degustação do vinho subaquático e adquirir o seu tour marinho.
Você ainda está curioso para entender qual é a diferença entre o vinho envelhecido em terra e o de mar? O debate do tema é relativamente recente. Durante a 2ª Edição do Wine Tourism Experience, especialistas debateram o assunto com muita degustação e comparação de vinhos.
“O próprio estilo do vinho é determinante. Há perfis vínicos que beneficiam de maior suavidade e arredondamento, enquanto outros preservam melhor a frescura e a acidez. Em alguns casos, houve perda de certos aromas primários; noutros, observou-se um ganho de complexidade aromática… entre outros fatores”, analisa Maria João de Almeida, jornalista e presidente da Apeno (Associação Portuguesa de Enoturismo).

2ª Edição do Wine Tourism Experience realizado em Sines
Já para Joaquim Parrinha, os vinhos submersos apresentam reduções do tanino, acidez e açúcar, aumentando a intensidade das percepções dos diversos paladares e até a redução da assimilação do álcool. “As diferenças entre vinhos submersos e vinhos envelhecidos em terra são, de fato, evidentes, e algumas delas já foram comprovadas por meio de análises físico-químicas”, reforça Maria João.
Eu fiz a degustação de muitos vinhos de terra e mar. Mesmo não sendo nenhum enólogo, deu para perceber a grande diferença. Alguns vinhos, principalmente os brancos, a percepção do paladar muda muito e os submersos ficaram mais gostosos e suaves. Já no vinho tinto, a diferença perceptível foi menor. Além da qualidade da produção, a profundidade, pressão, luminosidade, temperatura da água e até o movimento das correntes influenciam o sabor do vinho.
Dificilmente estes vinhos chegarão aos mercados comuns devido ao alto custo. Em média, uma garrafa envelhecida no mar pode chegar a custar 5 vezes mais do que a envelhecida em terra. Então, se você quer provar estes vinhos subaquáticos, procure as adegas ou Ecoalga na região do Alentejo, em Portugal.
Rafael Castilho
Há 7 anos trabalhando no MD diretamente com promoções e oportunidades para te ajudar a viajar mais gastando menos! Sou um viajante contumaz, apaixonado em dar dicas e amante do jornalismo. Formado em 2000 e com vasta experiência em edição de textos e escrevendo para TV e Internet. É dentro de um avião, atrás de passagens baratas ou desvendando um novo destino que me realizo e trago em meus textos toda esta vivência de conhecer 78 países!
terça-feira, 3 de março de 2026
CHOCOLATE
GASTRONOMIA
A HISTÓRIA
De onde vem o chocolate?
Da América Latina, até aos dias de hoje, o chocolate percorreu um longo caminho. Curioso? Junta-te a nós e embarca numa viagem através da fascinante história de um dos produtos favoritos do mundo...

Tudo começou na américa latina
Os 4000 anos de história do chocolate começaram na Mesoamérica antiga, o atual México. Foi aqui que as primeiras plantas de cacau foram encontradas. Os Olmecas, uma das primeiras civilizações da América Latina, foram os primeiros a transformar a planta de cacau em chocolate. Estes bebiam o chocolate durante rituais e usavam-no como remédio.
Séculos mais tarde, os Maias apelidaram o chocolate como a bebida dos deuses. O chocolate Maia era uma venerada bebida feita de sementes de cacau torradas e moídas misturadas com malaguetas, água e milho. Os Maias deitavam essa mistura de um pote para outro, criando uma espessa bebida espumosa chamada "xocolatl", que significa "água amarga".
No século XV, os Astecas usavam os grãos de cacau como moeda de troca. Acreditavam que o chocolate era um presente do deus Quetzalcoatl, e bebiam-no como uma bebida refrescante, um afrodisíaco, e até mesmo para se prepararem para a guerra.
O chocolate chega a Espanha
Ninguém sabe ao certo quando o chocolate chegou a Espanha. A lenda diz que o explorador Hernán Cortés trouxe o chocolate para sua terra natal em 1528.
Acredita-se que Cortés tenha descoberto o chocolate durante uma expedição às Américas. Quando buscava ouro e riquezas, encontrou uma chávena de cacau oferecida pelo imperador Asteca.
Quando Cortés voltou para casa, introduziu as sementes de cacau em Espanha. Embora ainda servido como bebida, o chocolate espanhol foi misturado com açúcar e mel para adoçar o seu sabor naturalmente amargo.
O chocolate rapidamente se tornou popular entre os ricos e abastados. Mesmo os monges católicos adoravam o chocolate e bebiam-no para ajudar nas práticas religiosas.


O chocolate seduz a Europa
Os espanhóis mantiveram o chocolate em segredo durante muito tempo. Demorou quase um século até esta maravilha chegar à vizinha França e ao resto da Europa.
Em 1615, o rei francês Luís XIII casou-se com Ana de Áustria, filha do rei espanhol Filipe III. Para celebrar a união, trouxe amostras de chocolate até à corte francesa.
Seguindo o exemplo francês, rapidamente o chocolate chegou à Grã-Bretanha a "casas de chocolate" especiais. À medida que a tendência se espalhava pela Europa, muitas nações começaram as suas próprias plantações de cacau, em países ao longo do Equador.
A revolução do chocolate
O chocolate permaneceu imensamente popular entre a aristocracia europeia. Os Reis e as classes superiores consumiam o chocolate devido aos seus benefícios para a saúde, bem como pelo prazer.
O chocolate ainda era nesta altura produzido à mão, o que queria dizer que era um processo lento e laborioso. Mas, com a Revolução Industrial quase a chegar, tudo estava prestes a mudar.
Em 1828, a invenção da máquina de prensar revolucionou a produção de chocolate. Este dispositivo inovador permitia espremer a manteiga de cacau dos grãos torrados, deixando um pó de cacau fino.
O pó foi então misturado com líquidos e colocado num molde, onde solidificou numa barra comestível de chocolate.
E assim, nasceu a era moderna do chocolate.








