"O que viram no vídeo foi a parte boa. Fomos torturados, espancados": médicos detidos por Israel contam tudo na chegada a Portugal
A ativista sublinhou também que o que foi tornado público, através de um vídeo publicado pelo ministro da Defesa de Israel, não reflete toda a realidade
“Houve muita violência, fomos torturados, fomos espancados. Contamos pelo menos 35 pessoas com membros partidos. As pessoas foram alvejadas, foi horrível.” É assim que, já no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, Maria Beatriz descreve o momento vivido pelos ativistas detidos por Israel.
A ativista integrou uma missão humanitária que seguia para Gaza quando a embarcação foi intercetada em águas internacionais por Israel.
“Fomos raptados em águas internacionais, estivemos num barco de prisão, sem contacto com o mundo”, descreveu, acrescentando que terão sido levados para uma prisão no deserto, perto de Gaza. “Fomos espancados sistematicamente, fomos obrigados a estar de joelhos durante horas”, disse, referindo ainda que houve pessoas feridas com gravidade.
A ativista sublinhou também que o que foi tornado público, através de um vídeo polémico publicado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, não reflete toda a realidade. “O que viram no vídeo foi a parte boa, eles estão constantemente a fazer propaganda”.
De recordar que esta semana o Governo português condenou "veementemente" o vídeo publicado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, no qual é possível ver dezenas de ativistas que viajavam da flotilha para Gaza, ajoelhados, com as mãos atadas atrás das costas e a cabeça encostada ao chão.
No vídeo, divulgado com a legenda "bem-vindos a Israel" e que pode ver na imagem associada ao artigo, ouve-se o hino nacional israelita e vê-se o governante ligado à extrema-direita, que parece divertir-se com a situação, a incentivar os militares e a acenar uma bandeira de israelita.
Antes de contar a sua esperiência no Médio Oriente, Maria Beatriz descreveu aos jornalistas o impacto emocional do regresso “emocionante” a casa, mas lamentou que esta solidariedade só surja quando cidadãos estrangeiros são expostos à violência. “Esta violência acontece muito pior todos os dias em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano”, afirmou, defendendo que é necessário repensar a relação dos Estados com Israel.
Questionada sobre a reação do Governo português, Maria Beatriz deixou duras críticas. “Espero há muitos anos que realmente haja um impacto no corte de relações diplomáticas, económicas, e que realmente se sancione este Estado genocida. É o mínimo que se pode fazer”, afirmou a ativista.



