8 em cada 10 mulheres que recebem auxílio-moradia em Campinas têm filhos
Programa municipal concedeu 337 benefícios desde 2023; 297 mulheres atendidas são mães e somam 718 filhos ou dependentes.
Por Yasmin Castro,
Campinas concedeu 337 auxílios-moradia para vítimas de violência doméstica de 2023 a agosto de 2026. Do total de atendidas, 88,1% têm pelo menos um filho.
O número de benefícios pagos de janeiro a agosto de 2026 já superou o total registrado nos 12 meses do ano passado.
O benefício municipal temporário paga R$ 951 mensais por até 6 meses consecutivos. O valor deve ser utilizado exclusivamente para o pagamento de aluguel.
A maioria das beneficiárias tem entre 30 e 39 anos. Além disso, 60,2% das 337 mulheres atendidas no período são negras.
O governo estadual também oferece auxílio-aluguel de R$ 500. Na região de Campinas, 19 municípios aderiram à iniciativa e concederam 448 benefícios.
Violência contra a mulher — Foto: © Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
A Prefeitura de Campinas (SP) concedeu 337 benefícios de auxílio-moradia para vítimas de violência doméstica desde a criação do programa, em 2023, até agosto de 2026.
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, do total de mulheres atendidas no período, 88,1% tinham ao menos um filho, sendo que a maioria era menor de 6 anos.
Os dados revelam que a oferta do benefício tem crescido nos últimos anos. O número de auxílios pagos de janeiro a agosto de 2026 superou os 12 meses do ano passado.
- 2023: 20 benefícios
- 2024: 75 benefícios
- 2025: 107 benefícios
- 2026: 135 benefícios (até agosto)
🏡 O auxílio-moradia é um benefício temporário emergencial concedido às vítimas que precisam deixar o lar por motivo de violência doméstica. As mulheres recebem R$ 951 por mês, por até seis meses consecutivos, e o valor deve ser usado exclusivamente para pagar aluguel.
Quem são as mulheres atendidas
Das mulheres que receberam o auxílio desde a criação do programa, 297 são mães e totalizam 718 filhos/dependentes registrados – dos quais 83% são menores de 18 anos.
- 0 a 6 anos: 254
- 7 a 12 anos: 215
- 13 a 17 anos: 127
- 18 anos ou mais: 122
O levantamento também indica que a maior parcela do benefício se concentra entre mulheres de 30 a 39 anos (34,4%). A faixa de 20 a 49 anos representa 88,1% do total de atendidas.
No recorte por cor, 60,2% das 337 beneficiadas ao longo do período são negras (pretas e pardas).
- Pardas: 149
- Brancas: 124
- Pretas: 54
- Amarelas: 2
- Sem informação: 8
Como acessar o auxílio-moradia em Campinas
O benefício é exclusivo para mulheres em situação de violência acompanhadas pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e o Abrigo Sara-M.
Para receber, é necessário:
- apresentar boletim de ocorrência;
- comprovar vulnerabilidade social;
- ser encaminhada pela rede socioassistencial.
São necessários também documento de identidade com foto e CPF, além de comprovante de endereço.
Outras cidades
A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) também disponibiliza auxílio-aluguel às vítimas de violência doméstica. O programa oferece uma ajuda de custo mensal de R$ 500 por seis meses, com possibilidade de renovação por igual período.
Na região de Campinas, 19 municípios aderiram ao programa. Desde a criação do programa, em fevereiro de 2025, até agosto de 2026, foram concedidos 448 benefícios na região, de acordo com informações enviadas pela pasta.
"Romper o ciclo da violência doméstica exige mais do que coragem, é necessário apoio real e condições concretas para um recomeço seguro. O auxílio-aluguel, além de um importante suporte financeiro, é uma ferramenta de autonomia e dignidade para que essas mulheres possam reescrever suas histórias longe do medo", afirma a secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém.
Auxílio-aluguel para vítimas da violência na região de Campinas
| MUNICÍPIO | MULHERES ATENDIDAS |
| Americana | 38 |
| Artur Nogueira | 4 |
| Campinas | 1 |
| Espírito Santo do Pinhal | 30 |
| Holambra | 1 |
| Hortolândia | 44 |
| Indaiatuba | 46 |
| Itapira | 20 |
| Jaguariúna | 45 |
| Louveira | 11 |
| Mogi Guaçu | 55 |
| Pedreira | 22 |
| Pinhalzinho | 3 |
| Santo Antônio de Posse | 23 |
| Santo Antônio do Jardim | 3 |
| Serra Negra | 18 |
| Socorro | 16 |
| Sumaré | 57 |
| Tuiuti | 11 |
Para solicitar o benefício, é necessário apresentar:
- CPF;
- comprovante de residência atualizado no Estado de São Paulo;
- cópia da medida protetiva de urgência expedida pelo Poder Judiciário (Lei Maria da Penha);
- comprovantes de renda que demonstrem que a renda familiar, até a separação, era de até dois salários mínimos;
- comprovação de vulnerabilidade social (como o número do CadÚnico atualizado ou relatório psicossocial).
O cadastramento é feito pela rede municipal de assistência social nos municípios participantes. Após análise e aprovação, o valor é disponibilizado por meio de Poupança Social no Banco do Brasil, diretamente às beneficiárias.
Além do suporte financeiro, o programa articula outras políticas públicas municipais, ampliando o acesso a serviços de proteção social, orientação e acompanhamento às mulheres atendidas em todo o estado. Veja onde buscar atendimento:
- Assistência Social: CRAS, CREAS e Centros de Referência de Atendimento à Mulher;
- Saúde: Unidade Básica de Saúde (UBS), pronto-socorro e hospitais;
- Segurança Pública: Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), distrito policial, batalhão da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros;
- Sistema de Justiça: Ministério Público, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil;
- Canais de orientação e denúncia: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e 190, para emergências.
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