terça-feira, 7 de abril de 2026

ACERVO DE TIJOLOS

 

Arqueóloga organiza acervo de tijolos de São Paulo

Com 216 peças, arqueóloga lança a primeira tijoloteca do estado e revela detalhes inéditos sobre o passado das construções e olarias de São Paulo

Letícia Lima
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Tijolo histórico com marcação, possivelmente  possivelmente do Cometa Halley, presente no acervo da primeira 'tijoloteca' de São Paulo / Créditos: Reprodução / DPH-SMC / Centro de Arqueologia de São Paulo

A arqueóloga e historiadora Angélica Moreira da Silva desenvolveu a primeira “tijoloteca” do estado de São Paulo. Com o intuito de preservar a memória do início da industrialização paulista, a pesquisadora catalogou 216 peças históricas.

Esse trabalho minucioso resultou em dois catálogos 


Origem do acervo

De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, a  jornada de Angélica começou em 2017, quando ela encontrou mais de 2.000 tijolos guardados em caixas no Centro de Arqueologia de São Paulo.

Inicialmente, o material derivado de escavações das décadas de 1980 e 1990 estava sem o devido tratamento técnico ou identificação completa. Por isso, a especialista elaborou uma metodologia própria para descrever os artefatos a partir do peso, da cor e da dimensão.

As peças avaliadas vieram de sítios arqueológicos importantes da capital, como o conjunto arquitetônico Morrinhos e a área do atual parque Augusta. Dessa forma, a iniciativa evitou que esses itens de valor inestimável fossem parar no lixo comum. “Não quero tijolo em caçambas, mas contando história”, ressalta Angélica.

Símbolos e marcas urbanas de São Paulo

Além das medidas físicas, a pesquisa focou em decifrar letras e desenhos impressos nas cerâmicas. Através da consulta a antigos livros de impostos, foi possível identificar olarias pioneiras da várzea dos rios Tietê e Pinheiros, como a marca Sacoman Frerès. Consequentemente, as inscrições revelaram as identidades dos artesãos e dos proprietários que ajudaram a erguer a cidade.

Nesse contexto, a pesquisadora destaca a relevância arqueológica desses itens, que frequentemente passam despercebidos no ambiente urbano. “Tijolo pode ser um arroz de festa e passamos batido por ser recorrente, mas é um artefato histórico como qualquer outro, como as cerâmicas indígenas”, explica Silva ao jornal Folha de S.Paulo.

Histórias não contadas

Por fim, o estudo também evidenciou figuras curiosas cravadas nas peças, como meias-luas e uma estrela com cauda, possivelmente inspirada na passagem do cometa Halley em 1910. Segundo a autora do projeto, esses desenhos rústicos podem indicar o trabalho contínuo de operários analfabetos que precisavam marcar sua produção de alguma maneira.

Assim, o acervo inédito resgata não apenas as técnicas construtivas de épocas passadas, mas também memórias sociais que foram silenciadas pelo tempo. “O tijolo é um artigo reproduzível e precisa de marcas para diferenciar a origem da produção. A partir dessa análise podemos olhar para a cidade por meio dessas histórias não contadas”, conclui Angélica.

COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO.- Fiquei bastante sensível a esta notícia, já que também coleciono tijolos recuperados em ruinas do centro de Salvador, desde que tenham a marca da fábrica.

BYD E A ESCRAVIDÃO

 

 BYD entra na Lista Suja do Trabalho Escravo

Ministério do Trabalho divulgou a atualização do cadastro de empregadores responsabilizados por trabalho escravo

BYD foi responsabilizada após resgate de 163 trabalhadores em fábrica da montadora na Bahia

Alojamento em que foram resgatados trabalhadores chineses da obra da BYD na Bahia (Foto: GEFM)
Alojamento em que foram resgatados trabalhadores chineses da obra da BYD na Bahia (Foto: GEFM)

A BYD foi incluída na Lista Suja por ser considerada diretamente responsável pela submissão de 163 trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão durante a construção de sua fábrica em Camaçari, na Bahia. O número foi identificado na primeira operação de fiscalização, realizada por uma força-tarefa em dezembro de 2024. Posteriormente, com o avanço das apurações, o total de trabalhadores resgatados chegou a 224.

Os auditores fiscais do MTE não acataram a alegação da empresa de que os trabalhadores eram de uma terceirizada e, portanto, não estavam sob sua responsabilidade. Também apontaram a montadora chinesa como a empregadora dos trabalhadores resgatados e afirma que a companhia estabeleceu vínculo empregatício direto com eles.

Contratos analisados pela fiscalização previam jornada de dez horas por dia, seis dias por semana, com possibilidade de extensão — o que levaria a uma jornada semanal de 60 a 70 horas, muito maior do que o limite legal no Brasil de 44 horas.

Também foram constatadas condições degradantes nos alojamentos. Um deles contava com um único vaso sanitário para 31 trabalhadores. Segundo a fiscalização, muitos dormiam sem colchões. Também não havia armários: os alimentos se misturavam a roupas e pertences pessoais, criando um ambiente insalubre.

A BYD foi procurada nesta segunda-feira pela Repórter Brasil, mas não respondeu até o fechamento deste texto. O posicionamento da empresa será incluído assim que for recebido. Anteriormente, a montadora declarou, em nota, manter “compromisso inegociável com os direitos humanos e trabalhistas, pautando suas atividades pelo respeito à legislação brasileira e às normas internacionais de proteção ao trabalho”.

O que é a Lista Suja?

A Lista Suja é o cadastro oficial do governo federal que reúne os nomes de empregadores flagrados mantendo pessoas em condições análogas à escravidão. O cadastro é coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e funciona como uma forma de dar transparência à sociedade sobre quem já foi responsabilizado por esse tipo de violação. A cada atualização, empresas e pessoas físicas que tiveram decisões administrativas concluídas aparecem na relação.

Para que um nome entre na lista, é preciso que fiscais do trabalho tenham realizado uma operação, lavrado autos de infração e concluído o processo administrativo, assegurando o direito de defesa do empregador. Só depois desse trâmite é que o caso se torna público. O nome fica na lista por, no mínimo, dois anos, período em que a empresa ou a pessoa precisa cumprir todas as obrigações determinadas pelo governo, como pagamento de multas e indenizações aos trabalhadores resgatados.

A publicação da lista tem efeitos diretos no mercado. Bancos públicos e privados, além de grandes compradores de commodities, usam o cadastro como critério para restringir crédito e romper contratos com empregadores que aparecem na relação. Assim, além de informar a sociedade sobre casos de trabalho escravo, a lista também funciona como um instrumento de pressão econômica para que empresas e produtores adotem melhores práticas e respeitem a legislação trabalhista.

* Colaboraram Daniela Penha, Paula Bianchi, Hélen Freitas, André Campos, Igor Ojeda e Leonardo Sakamoto


COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO.- Sempre é bom lembrar que a China não é uma democacia, mas um regime autoriário onde o indivíduo não conta. Só a coletividade.

sábado, 4 de abril de 2026

A CIDADE MAIS NEGRA

 

Por g1 BA

  • Salvador não é a cidade mais negra fora da África, e nem mesmo do Brasil.

  • A informação é um mito, de acordo com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

  • Aniversariante do domingo (29), a capital baiana tem grande influência da população afro-brasileira, mas tem 3ª maior população preta ou parda do país.

  • Conforme o IBGE, em 2022, no último Censo, 2,011 milhões de pessoas pretas ou pardas moravam em Salvador, que completa 477 anos neste 29 de março.

Imagem ilustrativa — Foto: Divulgação Festival de Música Negra do Ilê Aiyê

Imagem ilustrativa — Foto: Divulgação Festival de Música Negra do Ilê Aiyê

Ao contrário do que se consolidou no imaginário das pessoas, baianas ou não, Salvador não é a cidade mais negra fora da África, e nem mesmo do Brasil. A informação é um mito, de acordo com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Aniversariante do domingo (29), a capital baiana tem grande influência da população afro-brasileira, mas tem a 3ª maior população preta ou parda do país, e está atrás das cidades de São Paulo (4,980 milhões de pessoas) e Rio de Janeiro (3,372 milhões).

Conforme o IBGE, em 2022, no último Censo, 2,011 milhões de pessoas pretas ou pardas moravam em Salvador, que completa 477 anos em 2026.

O número representa 83,2% da população do município, fato que coloca a capital baiana na terceira posição do ranking, em termos absolutos.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Quando se considera o dado de maneira proporcional, a participação de pessoas pretas ou pardas na população soteropolitana era apenas a 484ª entre os municípios brasileiros.

Nesse quesito, a liderança ficava com a cidade de Serrano do Maranhão, no estado do Maranhão, onde 97,2% dos habitantes eram pretos ou pardos. O ranking segue com Terra Nova e Teodoro Sampaio, ambas na Bahia, com 96,2% e 95,2% da população preta ou parda.

O IBGE aponta ainda que mesmo ao considerar só as pessoas pretas, que somam 825.509, e representam 34,1% da população do município, Salvador continua na 3ª posição em termos absolutos, atrás de São Paulo (1,160 milhão) e Rio de Janeiro (968,4 mil), e tem a 44ª maior proporção, num ranking liderado por Serrano do Maranhão (58,5%), Antônio Cardoso (55,1%) e Ouriçangas (52,8%), na Bahia.

Quando se considera as capitais do país, Salvador possui a maior proporção de pessoas pretas na sua população com um índice de 34,1%.