segunda-feira, 20 de julho de 2026
domingo, 19 de julho de 2026
O PIX DA PROFESSORA
Professora diz ter inventado o Pix e processa Banco Central por R$ 1 milhão
Anette Vernaschi Toppan afirma que registrou sistema similar em 2014 e cobra royalties por suposta violação de direitos autorais
Na petição, a autora afirma ter registrado o projeto "Tá Pago" na Biblioteca Nacional no ano de 2014. A metodologia propunha transferências instantâneas para substituir o dinheiro físico, mas utilizando créditos de celular. O modelo teria sido apresentado ao BC por um sócio entre 2015 e 2016, coincidindo exatamente com o período em que os estudos sobre a atual plataforma começaram.
A defesa solicita o reconhecimento da propriedade intelectual, além de danos morais, materiais e o pagamento vitalício de royalties. Em contrapartida, a autarquia federal nega qualquer plágio e argumenta formalmente que sistemas de pagamento móveis semelhantes já existiam no mercado antes do registro da professora.
Trâmites na Justiça Federal
O juiz Arthur Pinheiro Chaves, da 18ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, negou recentemente um pedido de perícia técnica que avaliaria a similaridade entre os códigos das plataformas. A defesa da empresária já apresentou um recurso contestando a decisão, que aguarda nova análise.
Paralelamente, o magistrado exigiu a tradução juramentada de provas documentais apresentadas pelo Banco Central em língua estrangeira. A instituição financeira solicitou a reconsideração dessa exigência, argumentando que a tradução seria desnecessária para a compreensão técnica do caso.
Pressão internacional e política
O advogado da autora, José Luís Mazuquelli, admite que o caso ganha contornos de alta complexidade política por envolver o principal sistema financeiro brasileiro. A situação ocorre em um momento de críticas internacionais severas à eficiência e abrangência da ferramenta de pagamentos.
No início de junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs tarifar em 25% as exportações brasileiras a partir de 15 de julho. A minuta norte-americana cita o Pix de forma recorrente, classificando-o como um instrumento estatal de bloqueio à livre concorrência de empresas estadunidenses.
PATRIMÔNIO E DIREITO A MORADIA
Arquitetura e Serviço Social se unem para transformar patrimônio cultural em direito à moradia
Projeto Ybipitanga apoia famílias de baixa renda na preservação e promove conscientização

Kharen Stecca
Na Cidade de Goiás, patrimônio cultural da Unesco desde 2001, um projeto da Universidade Federal de Goiás (UFG) está redefinindo o que significa preservar um patrimônio mundial. O projeto de extensão Ybipitanga, que integra o programa federal Conviver (Canteiro Modelo de Conservação), destaca-se nacionalmente por um diferencial único: a parceria entre os cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Serviço Social. Enquanto cerca de 30 projetos semelhantes operam no Brasil, o escritório de Goiás é o único que possui essa convergência interdisciplinar para atender famílias de baixa renda em áreas tombadas.
A integração desses dois cursos nos debates sobre patrimônio, acompanha uma virada epistemológica no campo nos últimos anos. Como explica a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo e coordenadora do projeto, Karine Oliveira, quando se trata de arquitetura e preservação do patrimônio, historicamente as práticas de preservação focam quase exclusivamente na "materialidade" das edificações e monumentos. "A nova visão foca na vida que acontece dentro dessas casas, tratando o patrimônio como algo próximo da realidade cotidiana e do afeto".
Segundo a professora, existia uma visão muito punitiva – "não pode fazer isso, não pode fazer aquilo" – e uma fiscalização rígida, afetada pelo "poder de polícia" do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). "Essa nova abordagem propõe que a preservação seja feita por meio da sensibilização e do apoio técnico, em vez de apenas normas de gabinete", complementa Tálita Nogueira, também coordenadora do projeto.
Estudos mostram que quase 80% da população moradora da área tombada de Goiás vive em situação de vulnerabilidade e não tem recursos para manter os imóveis conforme as exigências normativas. O diretor do Campus Cidade de Goiás, Álison Cleiton de Araújo, professor do curso de Serviço Social e também coordenador do projeto, explica que a entrada da área no Ybipitanga em 2023 permitiu enxergar a preservação à luz das políticas públicas e da afirmação de direitos, como o direito à moradia e à cidade.
A presença do Serviço Social contribui com um dos maiores desafios da preservação: o trato direto com famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O Serviço Social atua na mediação de expectativas, traduzindo a linguagem técnica para os moradores e auxiliando na triagem socioeconômica através de critérios ancorados nas políticas públicas nacionais.

Tecnologias sociais e diálogo
Para facilitar a compreensão dos projetos de restauro e reforma, a equipe desenvolveu tecnologias sociais inovadoras. Um dos projetos realizados pelo projeto é o atendimento a uma família de mulheres da cidade. Segundo Álison, a moradora é uma pessoa envolvida com a Folia de Reis no município e sua casa também é um local de participação coletiva. "O projeto foi pensado de acordo com as peculiaridades da vida dessa moradora", explica.
Segundo o professor, uma grande dificuldade era que ela entendesse o projeto. Para isso, eles criaram uma maquete física flexível de mais de um metro. Com ela, a moradora pôde visualizar onde as paredes seriam movidas e como o espaço seria adaptado para suas necessidades comunitárias, superando a dificuldade de leitura de plantas técnicas.
Além disso, o projeto elaborou duas cartilhas educativas de forma a auxiliar os moradores a acessar o programa. A primeira detalha as etapas burocráticas para receber o auxílio técnico e a segunda explica que o foco do Ybipitanga é a realização de pesquisas e produtos técnicos como levantamentos arquitetônicos, mapas de danos, inventários, projetos arquitetônicos, já que o programa federal muitas vezes carece de orçamento imediato para a execução física das obras.
Preservação de saberes e futuro

O projeto também atua na capacitação e no resgate de técnicas construtivas vernaculares, como o adobe e a taipa, que são as técnicas utilizadas nesses casarões. A grande questão, segundo Karine, é que essa técnica é incompatível com o uso do cimento comum. Ao mesmo tempo, os trabalhadores que conhecem esses saberes são cada vez mais raros. A proposta da Universidade é reconhecer esses saberes, estudá-los e aprimorá-los de forma a formar pessoas capacitadas para essas reformas, mas também resgatar esse conhecimento.
As coordenadoras contam que elas e os estudantes colocam a mão na massa literalmente, para aprender sobre o sistema. Isso porque o curso de Arquitetura em Goiás oferece três disciplinas obrigatórias de Canteiro Experimental, o que permite esse contato com a prática. Com isso, também acabam criando mecanismos para que a técnica seja repassada a trabalhadores da área, por meio de oficinas, perpetuando a técnica e possibilitando a restauração desses casarões.
Uma das iniciativas do projeto foi a realização de uma série de documentários produzida para homenagear os mestres artífices locais, detentores desses saberes tradicionais que correm o risco de desaparecer. O documentário realizado com recursos do Iphan mostra a trajetória de Edson de Camargo (carpinteiro), Aristides Peres Filho (oleiro) e Francisco de Deus Oliveira (tijoleiro de adobe). Em um dos episódios, um dos mestres destaca que, embora o adobe seja um material excelente e resistente – "segura até uma bala" –, o trabalho é muito pesado e cansativo, o que dificulta a passagem da tradição para as novas gerações.
Uma linha do projeto também realiza oficinas com as crianças da educação básica em Goiás. Nas oficinas as crianças aprendem a fazer tijolos de adobe e tintas de terra. "Isso cria consciência sobre a preservação deste patrimônio da forma correta desde a infância", afirma Tálita.
Apesar dos desafios, como a falta de uma política pública permanente com dotação orçamentária fixa, o projeto Ybipitanga em Goiás serve como um caso de sucesso para o restante do país. O objetivo final, segundo Álison, é que essa experiência se consolide como uma política de Estado, garantindo que a preservação do patrimônio histórico caminhe de mãos dadas com a dignidade humana e a qualidade de vida dos moradores.
COMENTÂRIO DO BLOGUEIRO.- Engraçado... Ninguém até oje tinha pensado nisso... Ou, melhor dito, bem se fizeram discursos e mais discursos sobre esta nobre iniciativa mas até hoje nunca foi colocada em prática. Esta é a razão pela qual o Pelourinho, o Comércio, a Baixa dos Sapateiros etc... continuam em total decadência.
MAIS TOMBAMENTOS!
... E VÃO SER REALMENTE PRESERVADOS?
Bahia avança em processo de tombamento de igrejas e conjuntos urbanísticos
Por Victor Hernandes
O Instituto do Patrimônio Artístico Cultural (Ipac) anunciou a abertura de um processo licitatório para a realização pesquisas e inventários detalhados sobre diversos bens culturais materiais na Bahia. O estudo servirá como base técnica para fundamentar o tombamento histórico de monumentos específicos, a exemplo de igrejas, capelas e conjuntos urbanísticos em cidades como Palmeiras e Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina.
A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quarta-feira (15). O objetivo é realizar o processo de tombamento nesses equipamentos históricos e culturais do estado. De acordo com a medida, o instituto visa atender às demandas de preservação do órgão, para garantir a proteção formal do patrimônio artístico baiano.
Segundo o aviso de licitação do Ipac, os locais que passarão por pesquisa e inventário para instrução dos processos de tombamento são:
Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, em Valença;
Conjunto Arquitetônico, Paisagístico e Urbanístico da cidade de Palmeiras;
Cidade das Pedras (Igrejinha), na cidade de Igatu;

SOB O GELO DA ANTÁRTIDA
Robô enviado sob o gelo da Antártida encontra uma colônia gigantesca com 60 milhões de ninhos de peixes distribuídos por uma área de 240 quilômetros quadrados
Uma descoberta sob o gelo da Antártida revela uma gigantesca colônia de peixes no fundo do marPublicado
em
18/07/26 06:09Por
Larissa Hisashi
Um robô enviado sob o gelo da Antártida revelou uma colônia gigantesca de peixes no fundo do Mar de Weddell, com cerca de 60 milhões de ninhos distribuídos por uma área estimada de 240 quilômetros quadrados. A descoberta chamou atenção porque mostra uma concentração de vida marinha muito maior do que se imaginava em uma região fria, escura e difícil de alcançar.
Por que essa descoberta surpreendeu os cientistas?
A Antártida costuma ser associada a gelo, isolamento e condições extremas. Mesmo assim, abaixo da superfície congelada existe um ambiente marinho ativo, com correntes, nutrientes e espécies adaptadas a temperaturas muito baixas. O que surpreendeu os pesquisadores foi a escala da colônia encontrada.
Os ninhos estavam espalhados por uma área equivalente a uma cidade grande, formando um campo contínuo no fundo do mar. Até então, registros de reprodução de peixes naquela região eram muito menores. Encontrar milhões de estruturas organizadas no mesmo trecho mudou a percepção sobre a importância ecológica do Mar de Weddell.
Que tipo de peixe constrói esses ninhos no fundo do mar?
A colônia é formada por uma espécie conhecida como peixe-gelo de Jonah, chamada cientificamente de Neopagetopsis ionah. Esses peixes vivem em águas antárticas e fazem parte de um grupo adaptado ao frio extremo, com características biológicas incomuns para sobreviver no Oceano Austral.
Confira abaixo alguns pontos que ajudam a entender por que essa espécie chamou tanta atenção na pesquisa:
- Os peixes constroem ninhos circulares no sedimento do fundo marinho.
- Cada ninho pode ser ocupado por um adulto protegendo os ovos.
- A espécie vive em águas geladas próximas ao continente antártico.
- A reprodução concentrada indica uma área importante para o ciclo de vida.
- A presença de tantos ninhos sugere oferta constante de alimento e condições favoráveis.

Como o robô conseguiu registrar a colônia?
A descoberta foi possível graças a um sistema de observação submarina usado a partir de um navio de pesquisa. O equipamento foi levado para baixo do gelo e registrou imagens do fundo do mar, permitindo que os cientistas identificassem os ninhos, contassem padrões e estimassem a extensão da área ocupada.
Esse tipo de tecnologia é essencial porque mergulhadores não conseguem trabalhar com segurança em grandes profundidades, sob gelo marinho e em águas tão frias. Câmeras, sensores e veículos subaquáticos permitem observar regiões que permaneceriam invisíveis em uma expedição comum.
O que significa uma área de 240 quilômetros quadrados?
Quando se fala em 240 quilômetros quadrados, a imagem pode parecer abstrata. Na prática, trata-se de uma área enorme para uma colônia reprodutiva de peixes. O campo de ninhos não era um ponto isolado, mas uma extensão contínua do fundo marinho com sinais repetidos de ocupação.
Veja abaixo formas simples de dimensionar a descoberta:
Por que essa área de reprodução de peixes é tão relevante?
- 1A área é maior do que muitos municípios pequenos brasileiros.
- 2Os ninhos aparecem distribuídos em grande densidade pelo fundo do mar.
- 3A colônia foi considerada uma das maiores áreas de reprodução de peixes já registradas.
- 4O número estimado de ninhos ativos chega à casa das dezenas de milhões.
- 5A biomassa associada indica grande relevância para a cadeia alimentar local.
Por que essa colônia pode mudar a proteção do Mar de Weddell?
Uma descoberta desse porte fortalece o debate sobre áreas marinhas protegidas na Antártida. Se milhões de peixes usam a região para reprodução, qualquer alteração no equilíbrio local pode afetar não apenas a espécie, mas também predadores, correntes de nutrientes e a dinâmica do ecossistema antártico.
O Mar de Weddell já era considerado uma área importante para estudos climáticos e oceanográficos. A presença dessa colônia acrescenta um argumento biológico forte, pois revela um berçário natural em escala rara. Proteger esse tipo de ambiente ajuda a preservar processos que ainda são pouco compreendidos pela ciência.
A vida sob o gelo ainda guarda respostas importantes
A colônia de 60 milhões de ninhos mostra que o fundo do oceano antártico não é um espaço vazio. Mesmo em condições de frio extremo, pouca luz e acesso difícil, espécies especializadas encontram formas de se reproduzir, ocupar o território e sustentar parte da vida marinha do Oceano Austral.
O achado também reforça a importância dos robôs, câmeras subaquáticas e navios de pesquisa em regiões polares. Cada imagem captada sob o gelo pode revelar comportamentos, habitats e conexões ecológicas que ainda não aparecem nos mapas. No caso do Mar de Weddell, uma área escondida sob a Antártida se revelou um dos maiores berçários de peixes já observados.
