sexta-feira, 14 de agosto de 2026

UNICEF

 


A BRAZILIAN CAFÉ

 


OS NOMES DE NOSSAS RUAS

 O que dizem os nomes de nossas ruas

Paulo Ormindo de Azevedo 


Os nomes das ruas de Salvador descrevem muitas coisas. Para o escritor Luiz Eduardo Dorea elas contam a história da cidade. Para outros, os costumes sociais e para os poetas, como Bandeira, suas lembranças de infância. Salvador tem nomes lindos de ruas, que seus pré-feitos não conseguiram trocá-los para Dr. Fulano de Tal.

Nomes de estados da alma, como Aflitos, Preguiça, Paciência, Soledade, Piedade, Perdões e Misericórdia. Quando cresci descobri que estes nomes amargos eram de conventos que vendiam sequilhos e pastéis doces e licores. Outros logradouros evocam locais de preces, como a Rua da Oração, Cruzeiro de São Francisco, Cruz do Pascoal, Canto da Cruz, Cruz da Redenção, Quinta das Beatas, hoje Cosme de Farias, Rosário e Largo dos 15 Mistérios, um nome poético. Também ligados às igrejas há praças mais alegres, como Boa Viagem, Graça, Saúde, Vitória, e até Paraíso.    

Também tivemos aqui os reflexos da Inquisição, com um Aljube para punir padres liberados e um gueto, a Mouraria, onde se segregava juntos mouros e judeus, como nas pequenas vilas portuguesas, embora Cid Teixeira afirma, sem provas, que o bairro era um acampamento de ciganos. E temos o Desterro, onde não por acaso viviam os judeus. A presença dos islâmicos foi muito forte em Salvador com os escravos Malês, que lideraram uma revolta libertária em 1835. Conservamos ainda nomes como as Mesquitas dos Barris e do Tororó e Rua dos Algibebes, no Comércio, de alforriados que negociavam brechós e quinquilharias baratas.

Muitos logradouros e bairros de Salvador têm nome de acidentes naturais, como Alagados, Alto do Cabrito, em Plataforma, Barroquinha, Lapa, Conceição da Praia, rua da Vala, Dique do Tororó e seu Sangradouro, Ribeira, Rio Vermelho, Ponta do Padrão, Porto da Barra e nomes de plantas, como Rua das Flores, Gravatá, Pitangueiras, Tamarindeiros, Jenipapeiro, Mangueira, Cajazeiras e Dendezeiros.  

Nomes pitorescos dos logradouros estavam ligados à sua função como, Baixa dos Sapateiros; Becos dos Calafates, no Comércio, e do Mingau, no Sodré; bairro dos Barris, ligado à fonte do Tororó; Caminho de Areia; Campo da Bola, em Cosme de Farias, Cova da Onça; ladeiras da Montanha, das Hortas, em São Bento, do Quebra Bunda, em Nazaré, da Lenha, no Bonfim, e do Molambo, em Brotas; largos dos  Dois Leões, da Quitandinha do Capim, em S. Antônio de Além do Carmo, Sete Portas; rua do Carro em Nazaré e, no Centro Histórico, as ruas do Açouguinho, do Mocambinho, do Tijolo, das Vassouras e do Tira Chapéu. 

O velho Juventino Silva e seu cunhado, Manoel Dias da Silva, compraram, no início do século passado, a Fazenda Pituba com a intenção de lotear e esboçaram o Plano Cidade-Luz. Para o seu desenvolvimento contrataram o Eng. Teodoro Sampaio que levantou a área e desenhou suas ruas em 1919 e as aprovou em 1932. Às transversais da Avenida Manoel Dias da Silva, espinha dorsal do bairro, foram dados nomes dos estados. De quem foi a ideia? É um dos 15 mistérios.

SSA: A Tarde, 19/07/2026


A ERA DO FAKE

 ... E DO CULTO AO EGO


Décio Torres Cruz*

 


É impressionante observar a transformação da ficção e das teorias acadêmicas em formas concretas que passam a afetar a realidade cotidiana. George Orwell, Aldous Huxley, Ray Bradbury, Philip K. Dick, Jean Baudrillard, Guy Debord e outros escritores descreveram, em suas obras do século passado, nossos atuais dias “pós-modernos”, nos quais a realidade se torna ficção, a história é reescrita e a ciência é transformada em narrativa.

Dados cientificamente comprovados e antes universalmente aceitos, como o formato geoide da Terra, passaram a ser questionados e difundidos por pessoas sem o mínimo conhecimento científico. Convencionou-se que mentira e verdade são apenas faces de uma mesma moeda, prevalecendo a versão de quem conta a melhor história e tem mais adeptos nas redes sociais.

Gourmertizando o vazio

Antes do atual milênio, para se ter uma profissão, eram necessários muitos anos de estudo e prática, seja com quem já era profissional na área, seja frequentando aulas em escolas, cursos e universidades. Para se exercer uma profissão (fora da área política e familiar, onde prevalecem indicações), era necessário conhecimento prévio e/ou um diploma. Hoje, qualquer um inventa uma profissão e se autointitula especialista naquilo que nunca estudou ou aprendeu na vida.

E como não se pode ser pós-moderno sem ser internacional, brasileiros com mentes colonizadas adotam palavras em inglês para esconder a real intenção do vazio de algumas profissões recém-inventadas, como os tais influencers e coaches (treinadores de esportes, palavra usada agora para designar um profissional que ajuda as pessoas a atingir um objetivo profissional ou pessoal com orientação, conselhos e treinamento).

Com o atual declínio da aura em torno da educação como fator transformador e com o surgimento de celebridades que não precisaram estudar muito para atingir a fama e a riqueza, muitas pessoas acham que podem se tornar tudo o que quiserem sem nunca ter frequentado um curso ou universidade. Acreditam que não necessitam de uma profissão ou formação, bastando apenas possuir um imenso número de seguidores fiéis e engajados nas redes sociais para virar influencer ou creator (criador) — um profissional que produz conteúdo na internet e que é capaz de influenciar seus seguidores a partir do seu comportamento (no dia a dia, nos produtos que consome, na forma de ver o mundo, nos eventos que possam gerar popularidade ou publicidade, na formação profissional etc.) e ganhar muito dinheiro com o marketing de empresas que contratam seus serviços. Os influenciadores funcionam como uma espécie de vitrine dos produtos e marcas que promovem, buscando criar o desejo por aquilo que oferecem a seus seguidores.

 

Mercado de diplomas

Embora parte da população simule um desprezo por formações acadêmicas, muitos querem obter um diploma a qualquer custo para não parecerem idiotas perante seus seguidores. Além dessas novas profissões da era digital, o número de compras de diplomas falsos parece ter aumentado. Há diversas empresas fabricando e vendendo títulos de doutor honoris causa, inventando faculdades que nunca existiram. Nesta lista de compras, encontram-se as ditas “pessoas de bem”, diversos profissionais (juízes, advogados, professores e escritores) comprando esses diplomas e recebendo-os em solenidades em câmaras de vereadores e até em algumas academias de Letras do interior.

Muita gente ostenta esses diplomas mesmo sabendo que são falsos. Coloque nessa lista os títulos de melhor prefeito, melhor comerciante, melhor empresário ou empreendedor e até de melhor escritor. Tudo está à venda para satisfazer o ego de pessoas medíocres que sempre desprezaram os estudos acadêmicos e nunca conseguiram se sobressair em nada. Agora, elas possuem a possibilidade não só de ser o que não são, mas também de ser as melhores em habilidades que nunca tiveram ou em profissões para as quais nunca foram habilitadas. Tivemos exemplos de ministro da Educação e até mesmo de membro da mais alta corte que procuraram turbinar currículos com cursos ou estágio pós-doutoral que nunca fizeram.

Escrita sem leitura e livros artificiais

A proliferação de profissões inexistentes abunda na mesma quantidade em que surgem diversas editoras que cobram para publicar qualquer coisa, não importa a qualidade. A rede está cheia de gente que nunca teve o hábito da leitura e da escrita e escreve muito mal, cometendo erros de toda espécie; pessoas que deveriam voltar aos estudos de gramática e redação antes de pensar em escrever. De repente, esses indivíduos se autointitulam escritores e se transformam em tais da noite para o dia, pagando para ter livros publicados até mesmo em outros países. Outros, que nunca escreveram ou publicaram um livro sequer, oferecem cursos, ensinando incautos a como se tornar um escritor.

E pior: tem muita gente usando Inteligência Artificial e publicando livros sem ter escrito uma única palavra; e alguns ganham prêmios literários, outros usam falsamente nomes de escritores reais, como o da escritora Jane Friedman, ex-presidente e diretora-executiva da famosa editora Harper Collins, cujo nome foi usado sem seu conhecimento por terceiros que ganham dinheiro com livros escritos por IA, vendidos na Amazon como se fossem dela.

A epidemia de desinformação nas bolhas ideológicas

Durante a pandemia, houve muitos casos de médicos ideologicamente fanáticos que prescreveram remédios e tratamentos contra a Covid-19 que eles sabiam (ou preferiam não saber) que eram totalmente ineficazes. Várias pessoas que nunca adentraram uma sala de aula de cursos de jornalismo ou comunicação, nem trabalharam em redações de jornais, revistas e televisão, subitamente se alçaram ao nível de jornalistas e blogueiros para disseminar informações falsas como se fossem dados reais.

Veículos sérios de comunicação passaram a ser evitados ao apresentarem a realidade dos fatos, sendo perseguidos por uma determinada camada da população que preferia acreditar nas versões mentirosas inventadas por um grupo político que pagava alguns veículos para disseminar suas mentiras como verdade. Criaram uma bolha, tornando seus seguidores completamente alienados do estado real dos acontecimentos. Alguns deles, quando confrontados com a realidade factual, ainda hoje se recusam a aceitá-la ou entram em devaneios.

Esse grupo fabricador e disseminador de mentiras aproveitou-se do desconhecimento escolar da população e criou um imenso séquito de seguidores desinformados, que acompanhavam falsos historiadores e filósofos terraplanistas que nunca estudaram história ou filosofia, mas escreveram livros e comentários com visões dos fatos totalmente deturpadas e erradas, distorcendo a verdade histórica de forma escabrosa, criando e espalhando mentiras funestas. Isso provocou uma perseguição a professores de história e geografia. Alguns foram ameaçados por alunos e seus pais, perdendo seus empregos por ensinarem a história do que realmente aconteceu no tempo da ditadura militar.

Intimidade exposta

O desenvolvimento da eletrônica, da tecnologia computacional e das redes sociais facilitou a expansão do fake e da idolatria ao ego. Todas as redes propiciam uma necessidade ilimitada de publicações, forçando as pessoas a fazerem propaganda de si mesmas. E, quando elas não têm o que falar de si, inventam, inclusive profissões que nunca exerceram, com o intuito de atrair a atenção de amigos e seguidores. Os apps de melhoramento de imagem ou de montagem de imagens fake estão disponíveis em todas as câmeras de celular.

As redes sociais incentivam esse culto exagerado do ego, quase forçando as pessoas a postarem o tempo todo sobre tudo o que estão fazendo, não importando o conteúdo ou o ridículo da ação. Tem gente que chega ao ponto de postar fotos de eventos privados que antes se limitavam ao meio familiar, desrespeitando a intimidade de pessoas doentes em hospitais ou de pessoas mortas em cerimônias fúnebres. Há, até mesmo, fotos de pessoas que, sem se preocuparem com reflexos da imagem no espelho, fotografam-se durante a realização de necessidades físicas nos banheiros e só se dão conta depois que as imagens viralizam.

Parece que a nossa contemporaneidade inaugurou uma nova espécie de ética aética, onde prevalece o vale-tudo para que as pessoas aumentem sua autoestima com o clique de likes e coraçõezinhos a cada nova postagem, sem qualquer compromisso com a ética, a empatia, ou com a veracidade do conteúdo exposto,. As redes criam a falsa ilusão de que não estamos sós por estarmos rodeados de “amigos” virtuais, como se cada curtida satisfizesse o ego e preenchesse o vazio da solidão nossa de cada dia.

E, quando as curtidas não vêm espontaneamente, alguns, que possuem condições para tal, compram seguidores para falsificar sua imagem perante os seguidores reais. Quando as curtidas não acontecem de modo algum, as pessoas inventam mentiras para se sentirem menos infelizes.

O preço da validação

Isso tem causado muitas doenças entre a população jovem. De acordo com a Agência Câmara de Notícias e o Panorama da Saúde Mental, estudos sobre a saúde mental de jovens demonstram o desenvolvimento de transtornos físicos e mentais em usuários de plataformas digitais, causados pelo abuso de compartilhamento de fotografias manipuladas de rosto e corpo, visando o estabelecimento de padrões estéticos inatingíveis. Hoje, é possível fabricar quase tudo digitalmente, seja falso ou verdadeiro. Fotografias de adolescentes e pessoas famosas estão sendo manipuladas para criar nudes falsos ou filmes pornôs expostos nas redes.

Os profissionais de saúde mental vêm emitindo alertas sobre a exposição dos jovens às redes sociais. Muitos adolescentes que não conseguem alcançar um determinado número de curtidas ou que são expostos indevidamente de forma comprometedora adquirem transtornos mentais devido à preocupação extrema com sua aparência e com a exposição de sua imagem, sendo acometidos de anorexia, ansiedade, autoflagelação, bulimia e depressão — doenças que podem levar ao suicídio.

Já passou da hora de a sociedade global debater a fundo os perigos que criamos para nós mesmos e estudar os meios de amenizar os danos causados pelo uso indiscriminado de tecnologias. Não podemos desprezar sua interferência e suas consequências nas relações humanas. O que antes parecia ser um sonho de ficção científica, que gerava o medo de máquinas controlarem os seres humanos, já se tornou realidade com o surgimento da IA.

Algoritmos moldam nossos desejos e nossas escolhas, selecionando os produtos, sonhos e a felicidade que devemos comprar, os espetáculos e filmes que devemos ver, além de sugerirem o que devemos fazer e de quem gostar ou odiar. Robôs (bots) transformam notícias falsas em verdadeiras e modificam o resultado de eleições em várias partes do mundo. Quando as fronteiras que separam a realidade da ficção e o falso do real se dissolvem, chega a hora de reavaliarmos onde fracassamos como espécie humana, analisarmos o que ainda nos reserva e nos resta no futuro e repensarmos se tudo isso vale a pena.

 



* Escritor, membro da Academia de Letras da Bahia e da Academia Contemporânea de Letras de São Paulo. Autor de Histórias roubadas, Viagens & travessias e A poesia da matemática, dentre outros.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

UM EXEMPLO PARA SALVADOR

 

Casas e terrenos abandonados serão tomados dos donos pela prefeitura para programa de moradias populares

Casas, terrenos e outros imóveis abandonados serão tomados pela prefeitura.
Casas e terrenos abandonados prefeitura
Casas, terrenos e outros imóveis abandonados serão tomados pela prefeitura. Crédito: Divulgação

Donos de casas, prédios e terrenos abandonados poderão perder definitivamente as propriedades caso ignorem notificações e permaneçam sem demonstrar interesse em recuperar os imóveis.

A medida alcança construções em ruínas, áreas tomadas por mato, imóveis com lixo acumulado, portas arrombadas, danos estruturais e outras situações que indiquem falta de conservação. O acúmulo de impostos durante cinco anos também poderá reforçar a suspeita de abandono.

Depois de cumprir uma série de procedimentos administrativos, a prefeitura poderá utilizar esses espaços em programas de moradias populares, projetos comerciais, serviços públicos e ações de recuperação urbana.

As regras fazem parte do Programa de Reabilitação da Área Central, chamado de ReAC, criado pela Prefeitura de Vitória por meio do Decreto nº 27.034. Inicialmente, a medida ficará concentrada no Centro Histórico e em outros pontos da região central da capital.

Prefeitura poderá assumir imóvel que estiver abandonado

A nova regulamentação permite que o município arrecade provisoriamente propriedades urbanas privadas quando houver sinais claros de abandono.

No entanto, a prefeitura não poderá simplesmente entrar no imóvel e retirar a propriedade do dono. Antes disso, precisará abrir um processo administrativo individual, realizar vistorias, reunir provas e tentar localizar o responsável.

A fiscalização deverá confirmar que o imóvel está materialmente abandonado, não possui outra pessoa exercendo a posse e não recebe qualquer cuidado ou utilização por parte do proprietário.

Durante a vistoria, os servidores poderão registrar problemas como entulho, pichações, mato alto, janelas quebradas, portas abertas, ausência de manutenção e risco para imóveis vizinhos.

Além disso, ordens municipais de limpeza, fechamento, segurança ou conservação que forem ignoradas poderão ser utilizadas como evidência contra o proprietário.

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Dívidas de IPTU poderão indicar desistência de casas e terrenos

A falta de pagamento de tributos municipais também terá peso durante a análise.

De acordo com as regras, o acúmulo de impostos durante cinco anos, combinado com a ausência de posse e de manutenção, poderá indicar que o dono abandonou o patrimônio.

Entretanto, a dívida sozinha não provocará a perda automática da propriedade. A prefeitura ainda precisará comprovar os outros requisitos, notificar o proprietário e garantir o direito de defesa.

Cada casa, prédio ou terreno terá um processo próprio. Portanto, o município não poderá adotar uma decisão geral para todos os imóveis fechados ou com impostos atrasados.

Dono terá prazo para contestar a decisão sobre casas e terrenos

Após reunir os primeiros indícios, a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação deverá comunicar oficialmente o proprietário registrado no cadastro municipal.

O responsável terá 30 dias para apresentar uma contestação. Nesse período, poderá comprovar que utiliza o imóvel, realiza obras, mantém a conservação ou possui um projeto para recuperar a propriedade.

Quando o município não encontrar o dono, a comunicação poderá ocorrer por meio de edital publicado no Diário Oficial e no portal da prefeitura.

Caso a defesa não seja apresentada ou não consiga afastar os indícios, o município poderá publicar um decreto e assumir provisoriamente a posse direta do imóvel.

Proprietário ainda terá três anos para recuperar o bem

Mesmo após a arrecadação provisória, o dono não perderá imediatamente a propriedade.

O decreto estabelece um prazo de três anos para que o responsável manifeste interesse em recuperar o imóvel. Para retomá-lo, deverá regularizar as pendências, demonstrar que pretende conservar o patrimônio e ressarcir eventuais gastos realizados pela prefeitura.

Somente depois desse período, caso nenhuma providência seja adotada, o imóvel poderá ser incorporado definitivamente ao patrimônio municipal.

Na prática, o proprietário terá diferentes oportunidades para evitar a perda. Porém, precisará responder às notificações e comprovar que pretende dar uma destinação adequada à propriedade.

Imóveis poderão virar moradias populares

Uma das principais destinações previstas para as propriedades arrecadadas será a implantação de projetos habitacionais.

Casas, prédios e terrenos poderão integrar 

programas
de Habitação de Interesse Social, destinados principalmente a famílias de menor renda. Imóveis antigos também poderão passar por reformas para receber novas unidades residenciais.

No entanto, nem toda propriedade arrecadada se transformará em moradia popular. A prefeitura poderá utilizar os espaços em repartições públicas, atividades comerciais, projetos privados ou iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico.

A destinação dependerá das condições do imóvel, da localização, do tamanho do terreno e das necessidades identificadas pelo município.

Programa vai criar 11 mil moradias

A Prefeitura de Vitória estima que o programa poderá viabilizar entre 8 mil e 11 mil novas moradias na região central.

A administração municipal também projeta a chegada de até 27,5 mil novos moradores e a atração de mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados.

A estratégia busca repovoar uma área que já possui transporte coletivo, escolas, unidades de saúde, comércio, serviços públicos e equipamentos culturais.

Nas últimas décadas, parte do Centro perdeu moradores enquanto prédios vazios, construções degradadas e terrenos sem utilização passaram a ocupar áreas com infraestrutura urbana instalada.

Com o novo programa, a prefeitura pretende aproximar moradia, trabalho, comércio, cultura e lazer. O plano reúne tanto a recuperação de imóveis antigos quanto a construção de novos empreendimentos.

Terrenos vazios poderão pagar IPTU cada vez mais caro

O programa também cria pressão sobre imóveis que não estão completamente abandonados, mas permanecem vazios ou sem cumprir uma função social.

Inicialmente, a prefeitura poderá exigir que o proprietário construa, divida ou utilize a área. A medida recebe o nome de Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios.

Caso a determinação seja ignorada, o município poderá aplicar o IPTU progressivo no tempo. Nesse sistema, a alíquota do imposto aumenta gradualmente enquanto a propriedade continuar sem utilização.Invista 200ais em Petróleo e ganhe até 14 mil semanalmentSe nem mesmo o imposto mais alto provocar uma mudança, a prefeitura poderá iniciar um processo de desapropriação. Ainda assim, terá de respeitar todas as etapas, notificações e prazos previstos na legislação.

Reformas poderão receber licenciamento mais rápido

Para estimular a recuperação da região, o programa também simplifica a aprovação de determinados projetos.

Obras de restauração, retrofit, reabilitação, construção de moradias e novos empreendimentos poderão entrar em um sistema especial de licenciamento.

Em algumas situações, a entrega correta dos documentos poderá permitir a emissão automática do Alvará de Execução de Obras.

O profissional responsável assumirá tecnicamente as informações apresentadas e deverá seguir as regras urbanísticas, ambientais e de proteção ao patrimônio histórico.

A simplificação, entretanto, não elimina a fiscalização. Proprietários e responsáveis técnicos poderão responder por informações incorretas ou pelo descumprimento das obrigações assumidas.

Donos de prédios históricos poderão vender potencial construtivo

Outra ferramenta prevista pelo ReAC poderá ajudar a financiar a restauração de imóveis históricos ou degradados.

O proprietário que preservar ou recuperar uma construção poderá receber um certificado correspondente à área que teria autorização para construir, mas deixou de utilizar naquele terreno.

Esse direito poderá ser vendido a outros empreendedores. Com isso, o dinheiro obtido poderá ajudar a pagar as obras realizadas no imóvel protegido.

No Centro Histórico, o programa permite transformar até 100% do potencial construtivo do lote em certificado, desde que o projeto cumpra as exigências municipais.

Monumentos históricos continuarão protegidos

Apesar dos incentivos para novas construções, o decreto mantém regras de proteção para igrejas, monumentos, paisagens urbanas e prédios históricos.

A prefeitura poderá criar áreas especiais ao redor dos bens tombados. Estudos técnicos definirão limites de altura, ocupação e construção dentro desses perímetros.

O objetivo é impedir que novos empreendimentos escondam monumentos, prejudiquem a paisagem ou descaracterizem imóveis de importância histórica.

Antes de receber autorização, cada projeto deverá respeitar as normas específicas estabelecidas para a área onde será construído.

Regras sobre casas e terrenos começam pela região central

As novas medidas não valem automaticamente para todos os bairros de Vitória. Neste primeiro momento, o programa alcança a Zona Especial de Interesse Urbanístico 1, que reúne o Centro Histórico e outros trechos da região central.

Também não basta manter uma casa fechada para perder a propriedade. A prefeitura precisará provar o abandono, abrir um processo, notificar o dono e aguardar todos os prazos de defesa.

Ainda assim, o decreto cria uma política mais rigorosa contra prédios deteriorados, casas em ruínas e terrenos mantidos sem utilização.

Ao mesmo tempo, oferece incentivos para proprietários que decidirem reformar, construir ou transformar os imóveis em moradias, comércios e novos empreendimentos.


COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO.- É curioso que o prefeito de Salvador que tem uma noção ajuda da questão imobiliária, nunca tenha pensado fazer o mesmo no centro histórico e no Comércio.

Aqui vão uns exemplos...








































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