sexta-feira, 31 de julho de 2026

O CANICHE

 


Como uma grande potência econômica e militar como a América tornou-se o CANICHE de um bando de criminosos sionistas?

NAS PROFUNDEZAS DO OCEANO

 

Criatura marinha de 47 metros segue viva nas profundezas desde a época de Napoleão

Uma criatura colossal de 47 metros foi encontrada vagando pela escuridão do oceano, provando que gigantes históricos ainda vivem entre nós. A sifonóforo gigante cresce silenciosamente nas profundezas desde a época de Napoleão, desafiando tudo o que sabemos sobre longevidade no planeta.

Como a sifonóforo gigante consegue atingir esse tamanho?

Diferente de qualquer animal comum, a sifonóforo gigante é um organismo colonial composto por milhares de clones especializados que funcionam como um único corpo. Encontrada por pesquisadores do Schmidt Ocean Institute na costa da Austrália, sua estrutura em espiral captura presas nas profundezas abissais.

Cada parte da criatura tem uma função específica, como reprodução ou alimentação, permitindo crescimento contínuo por séculos. A baixa temperatura e a pressão das profundezas reduzem seu metabolismo, viabilizando uma sobrevivência tão longa e estável.

Criatura marinha de 47 metros segue viva nas profundezas desde a época de Napoleão
Criatura marinha de 47 metros segue viva nas profundezas desde a época de Napoleão

O que o canal CGTN revelou sobre essa descoberta?

O canal CGTN, com 5,21 milhões de inscritos, destacou a descoberta como um dos achados oceanográficos mais impressionantes das últimas décadas. O conteúdo mostrou como a expedição utilizou tecnologia de ponta para registrar a criatura sem causar danos ao seu corpo delicado.

A cobertura reforçou a urgência de proteger os oceanos profundos, ambientes que guardam tesouros biológicos que levaram séculos para se desenvolver. A sifonóforo gigante se tornou símbolo dessa biodiversidade invisível e ameaçada.

Quais são as características biológicas desse ser milenar?

A sifonóforo pertence ao gênero Apolemia e se assemelha a uma corda luminosa e translúcida flutuando nas correntes abissais. Ela não possui cérebro central, operando como uma rede viva altamente eficiente e coordenada.

Veja como sua estrutura colonial funciona na prática:

  1. Milhares de unidades chamadas zooides atuam de forma coordenada para mover o corpo e digerir alimentos.
  2. Células urticantes poderosas são distribuídas ao longo dos 47 metros para paralisar crustáceos e peixes.
  3. Cada zooide é geneticamente idêntico, mas se especializa em uma única função para o benefício do conjunto.

Essa divisão de tarefas torna a sifonóforo um dos exemplos mais extremos de cooperação celular já estudados pela ciência.

Leia também: Um satélite em órbita está testando agora o motor que quebra a Terceira Lei de Newton e os primeiros dados estão deixando cientistas sem resposta

Onde e como a criatura foi descoberta e mapeada?

A expedição explorou os cânions de Ningaloo, uma região de águas profundas e pouco conhecidas, utilizando ROVs para filmar a criatura em alta resolução. O mapeamento revelou que o animal estava posicionado em forma de anel gigante para maximizar sua área de caça.

Confira um comparativo do tamanho da sifonóforo com outras criaturas e estruturas conhecidas:

Criatura marinha de 47 metros segue viva nas profundezas desde a época de Napoleão
Criatura marinha de 47 metros segue viva nas profundezas desde a época de Napoleão

Esses números deixam claro que a sifonóforo gigante é, de longe, o animal mais longo já documentado pela oceanografia moderna.

O que essa descoberta revela sobre os oceanos profundos?

A existência de um organismo tão antigo prova que o fundo do mar é um reservatório de biodiversidade muito mais resiliente do que se imaginava. Ela funciona como um indicador de saúde dos ecossistemas abissais, que permanecem estáveis e produtivos há centenas de anos.

Entender como esses seres sobrevivem por tanto tempo pode oferecer pistas sobre regeneração celular e adaptação a ambientes extremos. Preservar esse gigante é essencial para que futuras gerações estudem os limites da vida biológica em nosso próprio planeta.

O CATADOR DOUTOR

 

Alex Cardoso, o primeiro catador doutor do mundo

Foto: Arquivo Pessoal/Alex Cardoso
Foto: Arquivo Pessoal/Alex Cardoso

Na primeira vez em que o Alex Cardoso conversou com a redação do Sul 21, ele já cumpria um feito quase inacreditável: depois de mais de 20 anos longe da educação, com o ensino fundamental incompleto e três filhos para sustentar, o catador concluiu o ensino básico através do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e foi aprovado em Ciências Sociais no vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tudo isso em apenas três anos.

Lá se vão oito anos. E se antes a conquista parecia extraordinária, motivo de notícia, como definir o capítulo mais recente dessa história? “Uma das maiores alegrias da minha vida”, é como Alex descreve a sensação de entregar a sua tese de doutorado à banca avaliadora.

Prestes a se tornar o que acredita ser o primeiro catador doutor do mundo, ele conta que a conquista não é individual, mas representa o coletivo de trabalhadores e de trabalhadoras da reciclagem, classe que na academia costuma ser objeto – e não sujeito – de estudo.

O contato com o ambiente universitário não é tão recente. Apesar de ter ingressado enquanto aluno somente em 2018, aos 38 anos, ele já passou por inúmeras instituições de ensino como militante social pelos direitos dos catadores. Representando o Fórum de Catadores de Porto Alegre (FCPOA) e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Alex participou de palestras em universidades em diversos cantos do Estado, do Brasil e do mundo.

Mesmo quase doutor, Alex nunca abandonou a catação. “Geralmente, se entra para a academia, se aprende a teoria e depois se vai a campo para pesquisar. No meu caso, eu já estive no campo desde quando sequer pensava que iria entrar na academia”, conta ele. E é justamente desse ambiente que surge a tese de doutorado intitulada “Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis Enfrentam a Máquina de Moer Mundos: Território Vivo e Reciclagem Popular na Cooperativa Unicca”, que será defendida no dia 2 de setembro durante o Encontro Estadual do MNCR realizado em Cruz Alta, cidade em que fica a cooperativa Unicca e onde Alex reside hoje.

“O título de doutor não cria um catador pesquisador; apenas reconhece uma caminhada forjada no trabalho, na organização popular, na educação e na luta dos catadores e catadoras por direitos, dignidade e pelo reconhecimento da reciclagem popular como um projeto de transformação da sociedade”, declara o catador.

Confira a conversa completa com o Alex abaixo:

Sul 21: A primeira vez que tu esteve aqui com o Sul 21, fazia um pouquinho mais de um mês que tu tinha passado em Ciências Sociais na UFRGS. Agora, oito anos depois, tu estás prestes a se tornar um doutor. Qual é a sensação?

Alex Cardoso: Pois é. Eu acho que não é uma questão individual. Eu acho que, por eu ser o primeiro no Brasil – no mundo, na verdade, porque não tem nenhum outro companheiro que conseguiu atingir isso –, é muito mais a universidade reconhecendo um conhecimento que já existe. Porque o título de doutor reconhece uma contribuição científica dada. E essa contribuição não é individual. Ela é fruto da organização coletiva, do trabalho diário da categoria e também dessa universidade pública que, a partir das cotas sociais, passou a incluir pessoas que antes serviam só como objetos de pesquisa e que hoje estão produzindo ciência.

Sul 21: Esse conhecimento a que tu te referes é o conhecimento da profissão do catador de reciclagem?

Alex Cardoso: Exato. A gente consegue identificar, quando a gente olha para a figura do catador e para uma empresa de reciclagem, uma grande distinção entre os dois sujeitos. O primeiro, o catador, aparece como um sujeito vulnerável, altamente precarizado. Uma pessoa que está fazendo esforço físico extremo, usando o seu corpo como força motriz principal do trabalho. Ele está sujeito às intempéries do trânsito e ambientais, ao calor excessivo, à chuva, ao frio. Enfim, está com o seu corpo exposto na rua. Enquanto o empresário, aquele que opera dentro da indústria recicladora, é um sujeito muito bem pago, muito bem vestido, que tem uma estrutura de vida. O seu trabalho é feito com alta tecnologia; as máquinas fazem o trabalho. E aí a gente consegue ver, então, uma questão simbólica extremamente forte. Tanto que as pessoas tendem a chamar os catadores de recicladores. Justamente porque impera essa lógica. Mas os catadores são os que fazem a maior parte do trabalho.

E para conseguir fazer o trabalho enfrentando tudo isso e, mesmo assim, ser responsável por 90% de todo o trabalho que é feito, é porque existe um grande conhecimento. Existe uma inteligência coletiva que faz com que esse trabalho continue. A exemplo de Porto Alegre, que tenta proibir, desde 2005, a circulação dos catadores. Ou seja, há mais de 20 anos se resiste à extinção da profissão do catador. Significa que tem uma inteligência muito grande.

É preciso conhecer, antes de mais nada, o local onde os resíduos estão, os horários, os roteiros. É preciso saber qual é o equipamento adequado, a força que vai ser utilizada, a quantidade de resíduos gerados. É preciso saber como separar esses resíduos, classificar eles, armazenar, preparar para comercializar, quanto que custa cada resíduo, onde vender. Ou seja, é necessária uma inteligência para esse trabalho acontecer. Isso não é fruto do acaso. Não é qualquer um que consegue fazer isso. É preciso que se tenha uma inteligência. Não vou ser eu, que nunca vi isso, que vou sair um dia a catar e vou conseguir fazer o trabalho.

Sul 21: Tu introduziste um pouco da temática da tua tese de doutorado. Se tu pudesses resumir, qual é a questão levantada por essa tese?

Alex Cardoso:  O título já fala muito da pergunta antropológica que é feita: “Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis Enfrentam a Máquina de Moer Mundos: Território Vivo e Reciclagem Popular na Cooperativa Unicca”. Boa parte da pesquisa é desenvolvida aqui em Cruz Alta, onde eu moro, e na cooperativa Unicca, onde eu trabalho. A pergunta é: como que os catadores conseguem fazer esse enfrentamento, sobreviver a isso, viver, ganhar, sustentar a sua vida mesmo diante de todas as dificuldades impostas? Seja pela questão simbólica – os catadores como marginais, excluídos, pobres, iletrados, enfim –, quanto pela questão material, em que há pouca estrutura, em que os preços são muito baixos. Como que se consegue organizar a cooperativa, incluir pessoas, gerar trabalho, dar oportunidades e fazer a reciclagem?

Essa tese busca responder como que a gente faz esse enfrentamento, sendo que a máquina de moer mundos é entendida como o sistema capitalista. O sistema não é só econômico. É um sistema político, social e, claro, um sistema econômico. Ele não busca só mais recursos, poder, status: ele busca ser único. Esse sistema vai operar dentro da lógica da acumulação de riqueza e da destruição ambiental e, por outro lado, da distribuição da pobreza. Porque se tem concentração de um lado, tem pobreza do outro. Se distribuem também os problemas ambientais, a crise ambiental que a gente tá vivendo. Aqueles que poluem não pagam o preço da crise climática, né?

E a resposta vem a partir da organização do trabalho coletivo. Da organização da cooperativa, que tem como viés a inclusão social, a distribuição da riqueza de forma coletiva, a distribuição do conhecimento a partir da formação e da participação das pessoas, a luta para que o Estado reconheça e pague pelo trabalho que os catadores e as catadoras fazem.

Sul 21: Alex, tu mencionaste os resultados que essa pesquisa aponta. Me recordo que uma das últimas contribuições que tu fizeste aqui para o Sul 21 foi através de um texto opinativo sobre o PPP da concessão das reciclagens para a iniciativa pública. Tu acreditas que, de algum modo, a tua tese possa orientar a formação de uma política pública voltada aos catadores que seja mais adequada do que aquela apresentada pela Prefeitura de Porto Alegre?

Alex Cardoso: Eu acho que ela tem toda a condição de trazer isso. Um dos objetivos era o de estabelecer um marco civilizatório que mude a sociedade como um todo. A tese toda tem 520 páginas. Ela é extremamente robusta e busca trazer todos os detalhes em torno da construção da figura do catador, da organização e do processo constitucional legal que vai reger as cooperativas, os princípios e objetivos que regem a organização, e vai apontar isso como um modelo para as cidades.

Por exemplo, não tem como tu ter uma cooperativa em que se consiga trabalhar e que consiga gerar resultados positivos se ela não tiver um contrato de prestação de serviços (com a prefeitura), porque toda cooperativa precisa retirar 20% de contribuição de cada catador, que é a Seguridade Social. Toda cooperativa precisa gerar, no mínimo, um salário mínimo por catador, por cooperado, e, geralmente, os catadores ganham menos de um salário mínimo. Significa que a venda do material reciclável sozinha não sustenta uma cooperativa. Se os catadores dependerem só da venda do material, eles não conseguem sequer ter uma cooperativa organizada.

É preciso ter o contrato e esse contrato não é um pedido de ajuda ao município, é uma obrigação. O município precisa ter coleta seletiva justamente por todo o impacto ambiental que os resíduos trazem à sociedade contemporânea. Quando não se contrata catadores, possivelmente há uma empresa privada fazendo o trabalho, que é muito bem paga. Então, por que não pagar os catadores? Aqui em Cruz Alta, por exemplo, tinha uma empresa que fazia coleta anteriormente. A tese faz a comparação entre os dois sistemas, e o sistema da cooperativa gera resultados 350% melhores, considerando a renda, a quantidade de material e a quantidade de pessoas incluídas no trabalho.

Sul 21: Pensando um pouco agora não só sobre a tese, que é um marco da conclusão desse período de estudos, pelo menos até esse momento, mas refletindo sobre todo esse processo. Desde 2015, quando tu voltaste a estudar, completaste o ensino fundamental, o ensino médio e, como a gente comentou, entrou na universidade em 2018… Refletindo sobre todo esse processo, o que tu dirias sobre o que o acesso à educação te permitiu conquistar?

Alex Cardoso: Primeiro, a educação deve ser gratuita, universal, garantida para todo mundo que queira estudar. Não dá para a gente pensar que só quem estudou na universidade vale e aqueles que não estudaram não valem. A universidade não deve ser ligada à questão da meritocracia. Ela precisa ser uma construção coletiva.

É preciso que a gente dê garantias para os estudantes, principalmente aqueles iguais a mim, que já são pais, que são da periferia, que enfrentam a jornada de trabalho, que têm uma série de responsabilidades e, além disso, ainda voltam a estudar. Tem um contexto ali que precisa ser acolhido pela universidade, e eu não estou dizendo com “acolhido” como “vamos pegar mais leve com ele”. Não é a isso que eu estou me referindo. Digo sobre uma estrutura que dê condições para que o estudante possa, de fato, estudar. Eu acho que a graduação não garante isso. É por isso que grande parte dos estudantes que desistem é justamente porque não conseguem garantir os estudos, seja por questão financeira, por não terem transporte, por não terem alimentação.

Na pós-graduação, geralmente se consegue uma bolsa, e por isso a desistência é muito menor se comparada com a graduação, em que a bolsa é de valor extremamente baixo. O estudante tem que cumprir 20 horas semanais para conseguir ter uma bolsa que era de 400 reais na minha época; hoje é 700. Como é que tu vai ter o fulano, pai de três crianças, que vai voltar a estudar e que tem que pagar aluguel, comprar comida e tudo mais, ganhando uma bolsa que vai pagar 400 reais e que vai exigir 20 horas do fulano? Isso é irreal, não existe. A não ser na universidade antiga, né, que era o playboyzinho, filho da classe média alta que tinha tudo garantido e que usava esses 400 reais para tomar cerveja ali na vilinha.

Aí vale para esse tipo de estudante. Mas para o estudante, que é para quem as cotas sociais abrem as portas, que está engajado nos movimentos sociais, na sua comunidade, aquele que já tem sua família, que produz conhecimento a partir do seu próprio local… é preciso que a universidade tenha uma perspectiva diferente de inclusão e manutenção desse estudante.

Eu consegui concluir a graduação nos primeiros quatro anos e, logo depois, já consegui ingressar no mestrado. O mestrado me deu mais dinheiro do que eu ganhava na reciclagem. Só para se ter ideia, eu ganhava R$2.200 por mês, e hoje eu ganho R$3.100 por mês. Ou seja, tu entendes que a bolsa realmente faz uma diferença na vida do estudante como eu?

Sul 21: Agora, pensando esse mesmo processo de maneira contrária: como que a experiência de mais de duas décadas trabalhando como catador influenciou o teu trabalho enquanto um acadêmico?

Alex Cardoso: Eu acho que eu tenho uma relação diferente com a academia. Geralmente, se entra para a academia, se aprende a teoria e depois se vai a campo para pesquisar. No meu caso, eu já estive no campo desde quando sequer pensava que iria entrar na academia. Desde criança, na catação, na organização da cooperativa. Depois, na construção e militância do movimento em defesa da pauta dos catadores e das catadoras. Isso foi credenciado a partir de um conhecimento empírico.

A academia, por sua vez, me deu a metodologia, ou seja, como olhar para isso, as perguntas a fazer, o que responder. Uma problematização, ou seja, o que eu busco resolver com isso, quais são os resultados apresentados, a conclusão. Então, a academia é um processo que traduz o conhecimento já existente. Ela vai traduzir o conhecimento prático de uma forma metodológica, construída teoricamente e que vai se transformar, depois disso, num conhecimento científico.

Sul 21: Alex, antes de a gente finalizar, quais os próximos passos depois da finalização do doutorado?

Alex Cardoso: Bom, na minha perspectiva, o meu final na academia chegou. Eu não pretendo ir para um pós-doutorado. A minha ideia é contribuir com a organização do movimento. Agora eu consigo fazer elaboração e coordenação de projetos, construção de políticas públicas. A minha contribuição para o movimento está muito maior do que anteriormente. Mesmo que eu tivesse uma contribuição boa, ela muda a partir do momento em que se consegue interpretar melhor a sociedade, as relações sociais, institucionais e políticas.

O meu desejo é continuar na catação como gestor de cooperativa, mobilizador dos catadores, formador e construtor – através da representatividade dos catadores – de políticas públicas que possam, de fato, melhorar, mudar a nossa sociedade, garantindo a inclusão dos catadores como sujeitos de direito. Que sejam reconhecidos, valorizados, ou seja, pagos pelo seu trabalho.

VI NO MASP

UM MEXICANO GENIAL

Damián Ortega



Nascido em 1967, Cidade do México.

Damián Ortega nasceu na Cidade do México em 1967. Ele não possui formação artística formal, mas foi influenciado por Gabriel Orozco , que ministrou um curso de arte experimental na Cidade do México no final da década de 1980 e início da de 1990. Ortega iniciou sua carreira como cartunista político, e a mistura de humor e crítica incisiva inerente a essa função continua a permear suas instalações, performances, esculturas e vídeos de cunho conceitual.


 



As obras de Ortega destacam a poesia latente dos objetos do cotidiano, bem como suas complexas implicações sociais e políticas. Para Ortega, o significado não pertence a formas singulares, mas sim é produzido pelas relações que surgem entre múltiplas coisas. Recombinando e desmontando artefatos produzidos em massa e vernaculares, ele mapeia as constelações de forças sociais, econômicas e políticas que subjazem à cultura material. Em Movimento Falso (Estabilidade e Crescimento Econômico) (1999), por exemplo, três tambores de óleo empilhados uns sobre os outros giram como planetas em miniatura, seu equilíbrio precário e exteriores erodidos sugerindo a fragilidade subjacente e talvez o colapso iminente de uma economia de consumo.




Em Controlador do Universo (2007), dezenas de machados, cinzéis, martelos e serras estão suspensos do teto em uma composição meticulosa que evoca a explosão orquestrada de uma caixa de ferramentas cósmica. Aqui, as ferramentas podem ser entendidas como símbolos do desejo da humanidade de moldar e controlar o mundo, mas esse propósito é, em última análise, subvertido pela ordenação subjetiva dos componentes da obra. Em Coisa Cósmica (2002), Ortega desmontou um Fusca de 1989 e suspendeu cada peça do teto por meio de fios. O resultado evoca um momento perfeito da explosão do carro, transformando o automóvel em um universo expansivo composto por suas muitas partes. Embora a desintegração do Fusca em Coisa Cósmica revele inegavelmente a inclinação do artista pela destruição criativa, ela também é um ato de dissecação, convidando o espectador a olhar sob o capô em busca da história secreta dessa máquina. Ao apresentar o veículo em pedaços, a obra alude aos processos pelos quais o modelo surgiu e perdura até hoje. Originário da Alemanha nazista como "o carro do povo" e fabricado apenas recentemente no México e no Brasil, o onipresente e popular Fusca revela-se um emblema da ideologia política e do alcance inescapável do capital global.




Ortega realizou exposições individuais no Instituto de Arte Contemporânea da Filadélfia (2002); Kunsthalle Basel (2004); Tate Modern, Londres (2005); Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (2007); Centro Georges Pompidou, Paris (2008); Instituto de Arte Contemporânea de Boston (2009); e Museu Freud, Londres (2013). Participou das exposições coletivas Made in Mexico , Instituto de Arte Contemporânea de Boston (2003) e Mexico: Expected/Unexpected , Museu de Arte Contemporânea de San Diego (2011), bem como da Bienal de Veneza (2003 e 2013); Bienal de São Paulo (2006); e Bienal de Havana (2012). Foi nomeado para o Prémio Hugo Boss (2005) e para o Preis Der Nationalgalerie für Junge Kunst (2007), e completou uma residência na Deutscher Akademischer Austausch Dienst, Berlim (2006). Ortega vive e trabalha na Cidade do México e em Berlim.





SE FOSSE EM SALVADOR...

 

... A JUSTIÇA SERIA CEGA E SURDA

Justiça manda demolir andares de prédio de luxo 

e condena construtora e prefeitura

 a pagar R$ 500 mil de multa


Construtora diz que demolição é “desproporcional” e pode prejudicar compradores; prefeitura sustenta legalidade dos atos,  |   Bnews - Divulgação


A Justiça do Maranhão determinou a demolição de dois andares de um condomínio com torres gêmeas construídas às margens da Lagoa da Jansen, na Península da Ponta d’Areia, em São Luís, por exceder o limite máximo permitido na área.

A decisão é do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, proferida no último dia 9 e divulgada nesta quinta-feira (31). O magistrado atendeu a pedido do MP-MA (Ministério Público do Maranhão), que apontou irregularidades no licenciamento da obra. Ainda cabe recurso.

 cidade da Bahia

Construtora e prefeitura foram condenadas ainda ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, valor que será destinado ao Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos.


Construção acima do permitido
O empreendimento alvo da ação é o Lagoa Corporate, erguido pela Sá Cavalcante Incorporações Imobiliárias. Segundo o MP-MA, os prédios foram construídos com dez pavimentos em uma área cujo limite máximo é de oito andares.

Na sentença, o juiz afirmou: “A demolição dos dois pavimentos excedentes constitui medida necessária e adequada para o restabelecimento da legalidade urbanística”.

O Ministério Público apontou que o licenciamento utilizou parâmetros de uma zona residencial, ignorando que a fachada principal do imóvel está voltada para a área classificada como CC1 (Corredor Consolidado 1), onde as regras são mais restritivas.

“Houve acréscimo construtivo decorrente da aplicação de parâmetros urbanísticos incompatíveis com o zoneamento correto”, afirmou o MP.

Ganho com pavimentos extras
De acordo com a ação, os dois andares excedentes permitiram a construção de mais 44 salas comerciais. No mercado imobiliário, unidades de 33 m² são anunciadas por mais de R$ 600 mil.

O juiz também destacou que a lei de zoneamento deve prevalecer sobre interesses individuais e rejeitou a chamada “teoria do fato consumado”.

“A ilicitude urbanística não se convalida pelo decurso do tempo”, pontuou Martins, ao afirmar que a construtora iniciou as fundações prevendo dez andares antes mesmo de obter autorização.

Defesa da construtora e da prefeitura
No processo, a construtora alegou que, por se tratar de um terreno de esquina, haveria uma “dupla afetação” e que caberia à prefeitura definir o índice urbanístico aplicável. Também argumentou que a demolição seria “desproporcional” e prejudicaria compradores de boa-fé.

Já a Prefeitura de São Luís sustentou a legalidade dos atos administrativos e afirmou que não há critério objetivo na legislação para lotes de esquina. O município também tentou afastar a condenação por danos morais coletivos.Os argumentos não foram aceitos pelo juiz.

“A incorporadora e o município contribuíram para a produção do dano urbanístico. A primeira executou e explorou economicamente a construção irregular. O segundo praticou atos administrativos ilegais e deixou de exercer adequadamente o poder de polícia urbanística. Configurada a responsabilidade solidária pela reparação dos danos”, diz trecho da decisão.

Prazo para demolição e indenização
A decisão estabelece que a construtora deve demolir os pavimentos excedentes no prazo de 180 dias após o trânsito em julgado. Caso não cumpra, a Prefeitura de São Luís deverá executar a demolição de forma subsidiária.

O juiz também determinou a elaboração de um estudo técnico para viabilizar a medida. Caso a demolição seja considerada inviável por risco estrutural, a empresa deverá pagar indenização equivalente ao valor de mercado dos dois andares.

TEM SAUDADE DESTE TEMPO?...

 ... ENTÃO PELO MILICIANO!



Ele foi morto dentro de uma base militar. A mãe passou anos procurando o corpo. E depois também apareceu morta em um “acidente”.
Essa é uma das histórias mais dolorosas da ditadura militar brasileira.
Em 14 de maio de 1971, Stuart Edgar Angel Jones, de 25 anos, estudante de Economia da UFRJ, militante do MR-8 e filho da estilista Zuzu Angel, foi preso no Rio de Janeiro e levado para a Base Aérea do Galeão.
Stuart não era apenas um nome em uma ficha da repressão. Antes de entrar para a clandestinidade, havia sido atleta, remador do Flamengo e um jovem com uma vida inteira pela frente.
Mas, naquele dia, ele se tornou alvo do CISA, o Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica.
Segundo relatos de presos políticos e testemunhas reunidos em investigações posteriores, Stuart foi torturado para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca. Ele não revelou.
O que aconteceu depois virou uma das cenas mais brutais atribuídas à repressão.
Preso a uma viatura militar, Stuart teria sido arrastado pelo pátio da base. Em certos momentos, era forçado a respirar os gases do escapamento do veículo. A tortura teria provocado sua morte por asfixia e intoxicação.
Seu corpo nunca foi entregue à família.
Para a ditadura, Stuart virou apenas mais um “desaparecido”. Para Zuzu Angel, ele continuava sendo seu filho. E ela decidiu fazer o que o regime mais temia: falar.
Zuzu transformou sua dor em denúncia. Escreveu cartas, procurou autoridades, levou o caso ao exterior e usou até a moda como protesto. Em seus desfiles, surgiram anjos, tanques, grades e manchas vermelhas. Era uma mãe usando tecido, agulha e coragem para denunciar um crime que tentavam apagar.
Antes de morrer, Zuzu chegou a deixar um aviso assustador: se algo acontecesse com ela, a culpa seria dos mesmos assassinos de seu filho.
Em 14 de abril de 1976, cinco anos depois da morte de Stuart, Zuzu morreu em um suposto acidente de carro no Rio de Janeiro. Décadas depois, o Estado brasileiro reconheceu que sua morte foi violenta e causada no contexto da perseguição política da ditadura.
Stuart nunca teve um enterro digno.
Zuzu nunca pôde se despedir do filho.
E o Brasil nunca deveria esquecer essa história.
Porque quando um corpo desaparece, não desaparece apenas uma pessoa. Desaparece também o direito de uma família chorar, enterrar e saber a verdade.
Você acha que histórias como essa deveriam ser ensinadas com mais força nas escolas?
Fontes:
1.Comissão Nacional da Verdade : Relatório preliminar de pesquisa sobre o caso Stuart Angel. O relatório registra a prisão de Stuart em 14 de maio de 1971, sua condução à Base Aérea do Galeão e os relatos sobre a tortura com viatura e gases do escapamento.
Memórias da Ditadura / Instituto Vladimir Herzog — Verbete “Stuart Edgar Angel Jones”. A página reúne dados biográficos, atuação no MR-8, investigação da CNV e a conclusão de que Stuart foi vítima de desaparecimento forçado por agentes do Estado brasileiro.
2.Memórias da Ditadura / Instituto Vladimir Herzog — Verbete “Stuart Edgar Angel Jones”. A página reúne dados biográficos, atuação no MR-8, investigação da CNV e a conclusão de que Stuart foi vítima de desaparecimento forçado por agentes do Estado brasileiro.
3.Gov.br / Memórias Reveladas — Artigo “Zuzu Angel”. Fonte oficial que detalha a luta de Zuzu, o uso da moda como denúncia política, as cartas, as ameaças e a retificação da certidão de óbito reconhecendo morte violenta causada pelo Estado brasileiro.
4.Agência Brasil — matéria sobre Zuzu Angel. A reportagem resume a trajetória de Zuzu, sua busca por Stuart durante cinco anos e o reconhecimento do atentado forjado como acidente.