sábado, 23 de maio de 2026

PIOR QUALIDADE DE VIDA

 

Salvador é a 4ª capital brasileira com pior qualidade de vida, aponta relatório

Levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (20).

Por Da Redação
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Atualizado
Salvador é a 4ª capital brasileira com pior qualidade de vida, aponta relatório

Foto: Farol da Bahia - Valter Pontes / Secom PMS

O relatório do Índice de Progresso Social (IPS) de 2026, divulgado nesta quarta-feira (20), mostra que Salvador é a 4ª capital brasileira com pior qualidade de vida. Os dados mostram que a capital baiana ficou atrás apenas de Porto Velho, em Rondônia; Macapá, no Amapá; e Maceió, em Alagoas.

A capital baiana aparece no ranking com um IPS médio geral de 62,18, considerado abaixo da média nacional, que registra 63,40. As reduções no índice de Salvador acontecem devido aos critérios como nutrição, cuidados médicos, saneamento, moradia e segurança pessoal.

Salvador, inclusive, foi a capital com a maior alta no preço médio de imóveis residenciais no Brasil em 2025, segundo dados do Índice FipeZAP. O aumento expressivo contribui para queda do IPS, devido ao maior custo de vida.

O último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quatro a cada 10 habitantes (42,7%) de Salvador moravam em favelas em 2022. A proporção era a terceira maior entre as capitais.

Ainda em 2022, o IBGE divulgou que, entre as capitais brasileiras, Salvador teve o pior índice de evasão, devido à alta de preços e violência, que fazem com que as pessoas deixem a cidade.

Confira ranking completo:

1. Curitiba (PR) - 71,29
2. Brasília (DF) - 70,23
3. São Paulo (SP) - 70,64
4. Campo Grande (MS) - 69,77
5. Belo Horizonte (MG) - 69,66
6. Goiânia (GO) - 69,47 
7. Palmas (TO) - 68,91
8. Florianópolis (SC) -    68,73
9. João Pessoa (PB) - 67,73
10. Cuiabá (MT) - 67,22
11. Rio de Janeiro (RJ) - 67,00
12. Porto Alegre (RS) -    66,94
13. Natal (RN) - 66,82
14. Aracaju (SE) - 66,35
15. Vitória (ES) - 66,02
16. Teresina (PI) - 66,02
17. São Luís (MA) - 65,64
18. Fortaleza (CE) - 65,15
19. Boa Vista (RR) - 64,49
20. Manaus (AM) - 63,91
21. Belém (PA) - 63,90
22. Rio Branco (AC) - 63,44
23. Recife (PE) - 63,22
24. Salvador (BA) - 62,18
25. Maceió (AL) - 61,96
26. Macapá (AP) - 59,65
27. Porto Velho RO) - 58,59


Como o índice foi feito?

O índice é composto por um total de 57 indicadores, distribuídos entre três grupos principais: necessidades humanas básicas; fundamentos do bem-estar; e oportunidades. Confira a descrição de cada:

• Necessidades Humanas Básicas: avalia se o brasileiro tem acesso à comida, saúde, moradia, segurança;

• Fundamentos do Bem-Estar: analisa acesso à educação fundamental, vida saudável, contato com a natureza;

• Oportunidades: analisa os dados a respeito de direitos individuais e acesso ao ensino superior.

O levantamento utilizou os indicadores para medir e classificar a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros. O estudo é produzido pelo Instituto IPS, Social Progress Imperative, Imazon, Amazônia 2030, Fundación Avina e Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

quarta-feira, 13 de maio de 2026

ARÁBIA SAUDITA NA JUSTIÇA!

 Embaixada terá imóvel penhorado para pagar trabalhador 36 anos sem CLT

Trabalhador descobriu que não recebeu o depósito de verbas como FGTS, INSS e outros benefícios obrigatórios no momento em que foi demitido

Jéssica Ribeiro 09/05/2026

 

 


 

Após oito anos de disputa judicial, um ex-motorista da Embaixada da Arábia Saudita no Brasil conseguiu na Justiça o reconhecimento de seus direitos trabalhistas. Em decisão unânime, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a penhora de um terreno pertencente ao órgão para pagamento da dívida, que se aproxima de R$ 1 milhão.

Segundo o processo, ao qual o Metrópoles teve acesso, o trabalhador – contratado em 1982 – foi dispensado em 2018, sem qualquer compensação. No momento do desligamento, ele descobriu que, ao longo de 36 anos de trabalho, não recebeu o depósito de verbas como FGTS, INSS, hora extra e outros honorários obrigatórios. Desenganado, ele ingressou na Justiça para cobrar os valores devidos.

O terreno penhorado pela Justiça fica no Lago Sul, em Brasília, e foi avaliado em R$ 2,7 milhões. Na ação, a embaixada alegou que o lote teria função consular, servindo como suporte para segurança e infraestrutura de outros imóveis. No entanto, uma vistoria constatou que o local estava abandonado, com mato alto e sem uso efetivo.oading

A relatora do caso, ministra Maria Helena Mallmann, destacou que a imunidade de execução de Estados estrangeiros não é absoluta. Ou seja, bens que não estejam diretamente ligados às atividades diplomáticas podem ser alvo de medidas judiciais para pagamento de dívidas.

O Metrópoles tentou contato com a Embaixada da Arábia Saudita, mas o órgão diplomático não havia se posicionado até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para possíveis manifestações.

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Para a defesa do motorista, composta pelo advogado Aldenor de Souza e Silva, a decisão é significativa e pode beneficiar outros trabalhadores que se encontram em situação semelhante. Conforme o defensor, o entendimento da Corte é importante para auxiliar na evolução de jurisprudências referentes à “imunidade de execução de Estado estrangeiro”.

“Existem diversos processos de trabalhadores contra Estados estrangeiros que não têm acesso à efetiva prestação jurisdicional diante do equivocado entendimento de diversos tribunais inferiores, que dificultam que novas ações cheguem ao STF. As poucas [ações] que são ali julgadas [nos tribunais] esbarram na falta de argumentação jurídica adequada”, pontuou Aldenor.

“É lamentável que o trabalhador nacional fique submetido a diversos abusos dos Estados estrangeiros, que se aproveitam de equivocada interpretação jurídica da imunidade de execução prevista na Convenção de Viena”, finalizou o advogado.

“Sem função consular”

Durante as fases do processo, depoimentos de vizinhos reforçaram que representantes da embaixada apareciam no endereço apenas ocasionalmente para limpeza, geralmente após reclamações.

Com base nesses elementos, a Justiça concluiu que o imóvel não estava vinculado às atividades essenciais da missão diplomática. Assim, não se aplicaria a proteção prevista na Convenção de Viena para esse tipo de bem.

A Embaixada da Arábia Saudita ainda tentou reverter a decisão por meio de recurso, mas sofreu nova derrota no fim de abril de 2026. O tribunal entendeu que não houve violação direta à Constituição que justificasse a revisão do caso, mantendo, assim, a penhora do imóvel.

A decisão também seguiu o entendimento consolidado tanto no TST quanto no Supremo Tribunal Federal (STF) de que a imunidade de execução é relativa e pode ser afastada em casos que envolvam dívidas de natureza alimentar, como as trabalhistas.

 

UM MILHÃO DE CRIANÇAS...

 Carta de Thiago Ávila a sua filha: ‘Um milhão de crianças estão sofrendo um genocídio’

Preso em Israel, o ativista brasileiro ditou a seus advogados uma carta na qual pede que sua filha não se esqueça dos palestinos

 04/05/2026 




Sequestrado de seu barco no final da semana passada, o ativista brasileiro Thiago Ávila está preso em Israel e será interrogado nos próximos dias.

Ele liderava uma flotilha que tinha, como objetivo, chegar até Gaza com ajuda humanitária. Apesar do apelo do governo brasileiro e da acusação do Itamaraty de que ele foi sequestrado em águas internacionais, Ávila teria sido alvo de maus-tratos.

Apesar de preso, o ativista ainda aguarda para saber por qual acusação ele será processado. Israel argumenta que ele seria filiado a uma organização terrorista e contato com agentes estrangeiros.

No domingo, as advogadas de defesa argumentaram perante o tribunal que o processo contra os ativistas era “falho e ilegal”. Para ela, não há base legal para a “aplicação extraterritorial dessas infrações às ações de cidadãos estrangeiros em águas internacionais”.

Segundo um comunicado da defesa, o processo é “uma medida retaliatória contra líderes ativistas humanitários”.

Enquanto aguarda para saber seu destino, Thiago Ávila publicou nesta segunda-feira uma carta para sua filha, Teresa, que vive no Brasil com sua mãe.

Leia a íntegra da mensagem, ditada pelo brasileiro a seus advogados:

 

Querida Teresa,

Sinto muito por não estar em casa com você agora. Infelizmente, seu pai, sua mãe e tantas pessoas ao redor do mundo entenderam a tarefa histórica que temos a responsabilidade de cumprir.

Hoje, mais de um milhão de crianças estão sofrendo um genocídio, sendo levadas à morte pela fome, sendo amputadas sem anestesia e sofrendo com ideias horríveis e cheias de ódio, mesmo sem saber o que são sionismo e imperialismo.

Tenho certeza de que você sente muita saudade de mim, e todos os pais e mães de crianças palestinas também sentem muita saudade delas e dariam qualquer coisa para viver uma vida de amor, felicidade e alegria que todo ser humano merece, independentemente de raça, religião, etnia ou qualquer outra característica.

O seu mundo será mais seguro porque muitos pais decidiram dar tudo para construir esse mundo melhor para você.

Espero que um dia você entenda que, por eu te amar tanto, não havia nada mais perigoso para você e para outras crianças do que viver em um mundo que aceita o genocídio.

Por favor, lembre-se do seu pai como a pessoa que cantava para você e tocava violão para você dormir.

E, quando você crescer, sua mãe também contará que seu pai foi um revolucionário e que, mesmo enfrentando as pessoas mais horríveis vivas — Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir — ele permaneceu firme na crença de construir um mundo melhor.

Por favor, não se esqueça da Palestina!

Com todo o meu amor,

Thiago Ávila

segunda-feira, 4 de maio de 2026

ATÉ ONDE PODE IR A OSTENTAÇÃO?

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Luxo, heliponto e balada: inspirado em iate, novo prédio de SC terá 70 andares

O projeto milionário terá 70 andares e ficará localizado em Itapema

Camila Lutfi

29/04/2026 


O litoral de Santa Catarina vai receber um novo prédio em Itapema, inspirado em um iate de luxo, que deve ter mais de 70 andares. O empreendimento vai contar com garagem para embarcações e um heliponto no topo do prédio de cerca de 255 metros de altura.

Chamado de Charles II Yacht Royal Home, é inspirado no iate OKEAN 80, que já foi premiado internacionalmente. O projeto possui um Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 700 milhões, em um dos metros quadrados mais caros do Brasil.


domingo, 3 de maio de 2026

LUANA PIOVANITEM TODA RAZÃO

 Por trás da briga entre Virginia e Luana Piovani há um alerta sobre saúde mental e financeira

Em artigo para VEJA, psicóloga examina cenário preocupante impulsionado pelas plataformas de apostas

Por Karen Scavacini* 30 abr 2026, 15h57 | Atualizado em 30 abr 2026



Virgínia Fonseca durante depoimento na CPI das Bets, no Senado (Andressa Anholete/Agência Senado)


A recente troca de críticas entre duas influenciadoras conhecidas no mundo da internet – Virginia Fonseca e Luana Piovani – ultrapassa o ruído típico das redes sociais para iluminar uma transformação silenciosa (e preocupante) no comportamento financeiro dos brasileiros.

O crescimento acelerado das chamadas “bets” não é apenas um fenômeno econômico ou tecnológico. Trata-se, sobretudo, de uma mudança cultural, impulsionada pela naturalização da aposta como entretenimento cotidiano e, em muitos casos, como promessa implícita de solução financeira.

Os dados recentes da Confederação Nacional do Comércio são contundentes: em pouco mais de três anos, os gastos mensais com apostas saltaram para além de R$ 30 bilhões, em paralelo à deterioração de indicadores de inadimplência.

Essa coincidência não parece trivial. Ao contrário, sugere um deslocamento relevante no uso da renda, especialmente em contextos de vulnerabilidade econômica. Quando a aposta deixa de ocupar um espaço marginal e passa a competir com despesas essenciais, o que está em jogo não é apenas o orçamento, mas a própria percepção de risco.

Do ponto de vista psicológico, esse movimento é ainda mais sensível. A exposição constante a conteúdos de apostas, frequentemente mediados por influenciadores, contribui para reduzir barreiras cognitivas e emocionais. Ao ver figuras públicas associando ganhos rápidos a experiências positivas, o indivíduo tende a reinterpretar a aposta não como um jogo de probabilidade desfavorável, mas como uma alternativa viável diante de dificuldades financeiras.

Esse processo pode transformar o ato de apostar em uma estratégia ilusória de enfrentamento, especialmente em momentos de pressão econômica.

O impacto se materializa de forma concreta. O aumento significativo no número de famílias incapazes de pagar suas dívidas entre apostadores revela que o problema não se limita a excessos pontuais, mas indica um padrão de comportamento. Mais do que isso, o prolongamento do tempo de atraso das contas sugere uma inversão de prioridades: antes de quitar compromissos básicos, parte da renda é direcionada às plataformas de aposta. Esse dado é particularmente relevante porque aponta para a persistência da inadimplência, e não apenas para episódios isolados.

Outro aspecto que desafia leituras simplistas é o perfil dos afetados, pois embora famílias de menor renda permaneçam mais vulneráveis, o avanço entre adultos acima de 35 anos e indivíduos com maior escolaridade evidencia que o fenômeno atravessa diferentes camadas sociais.

A maior familiaridade com o ambiente digital e o acesso facilitado a serviços financeiros ampliam não apenas a entrada, mas a recorrência no consumo. Entre os mais ricos, o efeito assume outra forma: a chamada “despoupança”, na qual recursos próprios são direcionados às apostas, comprometendo a estabilidade financeira no médio prazo.

Diante desse cenário, a discussão sobre regulação e publicidade se torna inevitável, mas insuficiente se isolada. É preciso reconhecer que estamos diante de um fenômeno que combina tecnologia, comportamento e contexto socioeconômico. A forma como as apostas são comunicadas (muitas vezes dissociadas de seus riscos reais) contribui para distorcer a tomada de decisão.

Mais do que proibir ou restringir, o desafio está em reconstruir a percepção de risco e fortalecer a educação financeira e emocional da população. Porque, no fim, a linha que separa o entretenimento do prejuízo não é definida pela plataforma, mas pela forma como cada indivíduo percebe, ou deixa de perceber, o que está realmente em jogo.

* Karen Scavacini é doutora em psicologia pela USP e fundadora do instituto de pesquisa em saúde mental Vita A