quinta-feira, 30 de julho de 2026

O RETRATO OFICIAL


 

A CHUVA QUE VEM DO SAHARA

Poeira do deserto africano semeia nuvens responsáveis por parte a precipitação na Amazônia


Reinaldo José Lopes




Sobre o Atlântico: ventos carregam poeira do Saara para a América do SulEUMETSAT

Num paradoxo intrigante do sistema climático da Terra, uma das regiões mais áridas do planeta parece exercer um papel importante na formação da chuva que rega uma das áreas mais úmidas. Experimentos feitos durante a época mais chuvosa do ano em um trecho de floresta preservada na Amazônia Central, próximo a Manaus, indicam que a poeira do deserto do Saara, transportada por milhares de quilômetros pelos ventos sobre o oceano Atlântico tropical até a América do Sul, ajuda a formar as nuvens responsáveis por 80% da chuva nessa região amazônica. Sobre a floresta, os grãos de poeira do Saara funcionam como núcleos de gelo, plataformas microscópicas em torno das quais a água no estado sólido se agrega e origina as nuvens altas, muito carregadas de chuva.

Os resultados desse trabalho, publicados na edição de maio da revista Nature Geoscience, são surpreendentes e ainda precisam ser aprimorados, ressalta o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores do estudo. “Precisamos descobrir, por exemplo, se essa influência da poeira do Saara ocorre também em outras regiões da Amazônia. Também precisamos de medidas de longo prazo, registradas ao longo de anos, para compreender como esse efeito varia com as estações do ano”, diz o pesquisador. De qualquer maneira, os dados obtidos perto do pico da estação chuvosa na Reserva Biológica do Cuieiras, a 60 quilômetros ao norte de Manaus, sugerem uma contribuição um bocado relevante da poeira do Saara para a concentração de núcleos de gelo na Amazônia Central.

Artaxo e pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha coletaram amostras de ar nessa região da floresta de 9 de fevereiro a 9 de março de 2008 e encontraram essas partículas de poeira em até 80% dos núcleos de gelo.  A poeira parece alternar sua função de principal semeadora de nuvens de gelo com as chamadas partículas biológicas primárias (bactérias, grãos de pólen, esporos e fragmentos de folhas e de insetos), emitidas pela própria floresta. Ora uma, ora outra era a responsável majoritária pela formação dos núcleos de gelo. Somadas, as duas fontes geraram 99% das sementes de nuvens – nenhuma delas contribuiu com menos de 15% dos núcleos.

A analogia com sementes é útil. Na Amazônia, as nuvens que se formam a grandes altitudes têm entre 15 e 18 quilômetros de espessura e são constituídas por cristais de gelo. São elas que geram as chuvas mais intensas e abundantes, essenciais para o ciclo hidrológico da região. Nuvens mais rasas, com 3 a 5 quilômetros de espessura, surgem mais próximo ao solo a partir de gotas líquidas e contribuem menos para as chuvas da Amazônia.

Nesse estudo, os pesquisadores coletaram as partículas em suspensão – também chamadas de aerossóis – no ar da floresta ao nível do solo e as injetam em uma câmara que permite simular a formação das nuvens profundas convectivas. “Usamos uma câmara que reproduz as condições da atmosfera a até 18 quilômetros acima do solo e até 70 graus Celsius negativos”, diz o físico. É em um ambiente semelhante a esse, com baixa pressão e baixa temperatura, que se formam as nuvens profundas convectivas, justamente as que brotam a partir de núcleos de gelo e respondem pelo grosso da precipitação amazônica. “Estamos planejando experimentos com aviões para o período 2010-2011, para fazer medições em regiões da atmosfera em que as nuvens de gelo se formam. Medir essas partículas em altas altitudes não é trivial”, comenta Artaxo.

A contribuição da poeira do Saara para a chuva amazônica nunca tinha sido flagrada, embora a jornada dos grãos pelo Atlântico fosse relativamente bem conhecida. Dados da agência espacial norte-americana (Nasa) sugerem que 4% da poeira de cada tempestade do deserto atravesse o oceano até as Américas – uma proporção maior, quase 20%, se perde no caminho, depositando partículas de ferro que fertilizam a água do oceano e aumentam a capacidade das algas de absorver carbono da atmosfera. Não são as ventanias no Saara que, isoladamente, trazem o pó até aqui. Parece haver um reservatório constante de partículas flutuando sobre o norte da África, que só é empurrado rumo às Américas quando as condições do vento são apropriadas.

Um grau de mistério significativo ainda envolve os processos físicos da atuação dos aerossóis – sejam os de poeira, sejam os de origem biológica – como núcleos de gelo. “Esses processos ainda não são bem compreendidos”, reconhece Artaxo. A presença de certos metais – ferro no caso da poeira do Saa­ra e zinco no das partículas produzidas pela floresta – parece ser importante para a formação dos núcleos de gelo. Aliás, a presença e a proporção de elementos químicos como alumínio, silício, manganês e ferro permitem confirmar a origem saariana da poeira analisada por Artaxo e colaboradores.

“A proporção desses elementos nas partículas de Manaus é a mesma encontrada na poeira do Saara. E há a correlação entre a presença desses aerossóis e o movimento das massas de ar, o que mostra que não se trata de poeira levantada por um caminhão em uma estrada próxima ao local da coleta, mas de transporte atmosférico de longa distância”, explica Artaxo.

Para o físico, ainda que a contribuição do Saara para a chuva se revele um fenômeno geral para a Amazônia, é difícil dizer o que isso significará num contexto de mudanças climáticas. Num planeta mais quente, chegará mais ou menos poeira até aqui? “Por enquanto precisamos obter mais dados experimentais para tentar responder isso com previsões quantitativas”, afirma.

Em outra publicação recente, desta vez na Science, Artaxo deixou de lado o contexto específico da Amazônia para, com pesquisadores de outros países, se debruçar sobre os efeitos do fogo sobre o clima e a biosfera do planeta ao longo do tempo. Incêndios grandes e pequenos ajudaram, por exemplo, a forjar as várias áreas da savana do mundo ao longo de milhões de anos. E parecem estar se intensificando, diz Artaxo. “É possível ver um aumento da incidência de queimadas no mundo todo nos últimos anos”, afirma.

A equipe calculou que os efeitos dos gases estufa produzidos pelas queimadas correspondem a 19% da contribuição humana para o aquecimento global desde a época pré-industrial. “As queimadas no Brasil geram cerca de 30% dos gases emitidos por queimadas no planeta”, ressalta o físico.

Números à parte, é bem prático: em termos de custo e benefício, reduzir ou eliminar as queimadas é provavelmente um dos melhores investimentos imediatos contra o aquecimento global causado pelo homem, superando planos como a ampliação da rede de usinas nucleares ou a troca da atual frota de automóveis movidos a combustíveis derivados de petróleo por veículos a biocombustíveis ou a hidrogênio. “Com o controle das queimadas, teríamos um retorno rápido em termos de redução de emissões de gases estufa com um investimento muito baixo. Também haveria outros benefícios, como a preservação da biodiversidade amazônica”, ressalta o físico. “A construção acelerada de usinas nucleares ou a renovação global da frota de carros demorariam décadas para reduzir significativamente as emissões de gases estufa.”

Segundo Artaxo, há uma relação indireta entre o crescente descontrole do fogo no planeta e a hipótese da savanização da Amazônia. Essa possibilidade, que aparece com certa frequência em modelos climáticos que tentam prever o futuro da floresta, é consequência da transformação de vastas áreas de mata fechada em formas de vegetação mais abertas e ecologicamente empobrecidas, que lembram superficialmente o Cerrado do Brasil Central. “Com o avanço do desmatamento e a possível redução na taxa de precipitação, talvez surja uma vegetação mais suscetível ao fogo e aumente a incidência de queimadas”, diz Artaxo. “Isso geraria uma realimentação positiva que impulsionaria o processo de savanização da Amazônia.”

O ouro de tolo
Exploração intensa de recursos naturais da Amazônia gera prosperidade passageira  

O modelo de desenvolvimento econômico predominante hoje na Amazônia – que começa com desmatamento e exploração madeireira e culmina com o uso de vastas áreas para pecuária extensiva e agricultura – está mais para um gerador de pobreza do que para um motor de riqueza, ao menos no longo prazo. A conclusão resulta de uma análise conduzida por pesquisadores do Brasil, do Reino Unido, da Nova Zelândia e de Portugal, publicada na edição de 12 de junho da Science. Os municípios amazônicos onde não há desmatamento têm inicialmente um baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), indicador que leva em consideração a renda, a escolaridade e a expectativa de vida da população. Com a chegada da fronteira agrícola, esses municípios passam por uma onda de prosperidade e, quando seus recursos naturais se esvaem pela exploração intensa, voltam à situação inicial de IDH baixo.

A análise não avaliou a trajetória dos municípios ao longo dos anos, por não haver uma série temporal disponível, explica a bióloga portuguesa Ana Rodrigues, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva em Montpellier, França, uma das autoras do estudo do qual participaram os brasileiros Carlos Sousa Júnior e Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Ante essa impossibilidade, a equipe comparou locais ainda não engolidos pela fronteira agrícola com outros nos quais a fronteira está muito ativa, além de áreas onde o desmatamento e a ocupação estão quase concluídos. “Nessa classificação, usamos duas variáveis: a porcentagem de área desmatada até 2000, que dá uma ideia da extensão do desflorestamento; e a proporção de floresta derrubada entre 1997 e 2000, que indica se o município estava na fronteira ativa ou não”, diz Ana. O ano 2000 foi usado como referência para coincidir com o do Censo brasileiro, que permitiu calcular o IDH dos municípios.

Os registros mostram que os municípios que desmataram até 60% de sua área – e 0,5% da área total entre 1997 e 2000 – alcançaram um IDH equivalente ao índice médio brasileiro. Já o IDH dos locais em que a proporção de floresta derrubada foi ainda maior e a devastação quase completa foi semelhante ao de regiões da Amazônia em que a floresta está preservada – nessas duas situações, o IDH é inferior ao índice de desenvolvimento humano médio do Brasil. “É provável que haja modelos em que a decadência econômica possa ser evitada apesar do desmatamento, embora eu suspeite de que eles dependeriam de injeções frequentes de investimento vindo de fora da Amazônia”, diz Ana.  O desafio é criar um modelo de desenvolvimento com o mínimo de desmatamento. “Todos ganhariam: seria bom para as pessoas, para os ecossistemas e para reduzir as emissões de carbono responsáveis pela mudança climática global”, comenta. “A situação atual é ruim nessas três frentes.”

A POEIRA DO SAHARA

 

O Sahara está a mudar-se para a Europa e Portugal é um dos países mais afetados

Um estudo na Nature confirma que Portugal está entre os países europeus mais afetados pela poeira do Sahara, com concentrações crescentes e riscos documentados para a saúde.

O deserto do Sahara não está a avançar fisicamente sobre a Europa. Mas as suas partículas chegam ao continente em quantidades crescentes — e Portugal está entre os países mais afetados.

É a conclusão de um estudo publicado na revista Nature, liderado pelo Paul Scherrer Institute (PSI), na Suíça, com coautoria da investigadora Célia Alves, do CESAM da Universidade de Aveiro. O trabalho reuniu cerca de 18.500 medições diárias de concentrações de elementos químicos presentes em partículas atmosféricas, recolhidas em 103 locais rurais e urbanos europeus entre 2012 e 2021.

O que os dados mostram

No sul da Europa, a concentração média estimada de poeiras desérticas nas partículas atmosféricas foi de 5,28 microgramas por metro cúbico de ar — mais do dobro dos 2,09 registados no centro e norte do continente.

Em grande parte da Europa, os níveis aumentaram em média 0,055 microgramas por metro cúbico por ano ao longo da década analisada. Traduzido numa percentagem, isso representa uma subida entre 10% e 25% em dez anos.

Portugal é expressamente identificado pelos investigadores como uma das regiões particularmente afetadas, a par de Espanha, Itália e Grécia. Uma das razões está na trajetória habitual das massas de ar: as poeiras do Sahara podem avançar sobre o Atlântico e infletir para norte, atingindo a Península Ibérica. No sector ocidental do sul da Europa, as concentrações atingem o máximo em julho e agosto.

Episódios menos frequentes, mas mais concentrados

Um dado que contraria a intuição: entre 2012 e 2021, o número de dias classificados como intrusões de poeiras não aumentou de forma generalizada — nalguns casos até diminuiu. O que aumentou foi a concentração média de fundo.

Os episódios tornaram-se mais intensos sobretudo no sul de Itália, no Adriático, no Egeu e em partes dos Balcãs. Em Portugal, os mapas do estudo apontam principalmente para um crescimento da concentração média, sem demonstrar uma subida da frequência das intrusões.

Os riscos para a saúde

As consequências vão além do céu esbranquiçado e da camada de pó sobre automóveis e edifícios. Para o sul da Europa, os autores estimam que a exposição durante estes episódios está associada a um aumento de 0,67% da mortalidade diária e de 0,73% dos internamentos respiratórios em pessoas com mais de 15 anos. Nas crianças até aos 14 anos, a subida estimada dos internamentos respiratórios é de 2,55%.

São valores regionais, calculados com base em estudos epidemiológicos anteriores — não uma contagem específica para Portugal. Mas indicam que os episódios de poeiras do Sahara representam um risco sanitário real, especialmente para populações vulneráveis.

O impacto na produção de energia solar

A poeira reduz a radiação solar que chega ao solo e acumula-se nos painéis fotovoltaicos, diminuindo a produção de eletricidade. Uma previsão mais rigorosa destes episódios permitiria aos operadores energéticos antecipar quebras de produção e contribuir para a estabilidade da rede — especialmente relevante num país como Portugal, com crescente peso da energia solar.

A ligação às alterações climáticas

Os autores associam o agravamento recente das intrusões sobretudo a alterações na circulação atmosférica. O aumento de longo prazo registado nos gelos alpinos está relacionado com a crescente aridez e degradação dos solos no Norte de África.

“Ainda não é claro em que medida o aquecimento de origem humana contribuiu para esta evolução, embora a compreensão atual sugira que o fenómeno é, pelo menos, facilitado pelas emissões de gases com efeito de estufa”, afirma Kaspar Dällenbach, investigador do PSI e autor principal do estudo.

Como esta fonte de poluição não pode ser controlada pelos países atingidos, as principais medidas disponíveis são a previsão dos episódios e a emissão de alertas à população. A Agência Portuguesa do Ambiente avalia estas intrusões e disponibiliza informação e previsões através do portal QualAr.

POLIGAMIA

 

Fomos feitos para ter apenas um parceiro? A ciência tem uma resposta – e é mais complexa do que parece

A biologia e a história revelam que os humanos evoluíram para um sistema intermédio entre monogamia e poligamia - e que a agricultura mudou radicalmente as nossas regras de amor.

A pergunta parece simples: os seres humanos foram “desenhados” para ter um único parceiro, ou a exclusividade é uma invenção cultural? A biologia, a genética e a história têm respostas — e nenhuma delas é simples.

O que o corpo revela

A anatomia humana guarda registos das escolhas reprodutivas dos nossos antepassados. Em espécies onde um único macho domina muitas fêmeas, como os gorilas, os machos pesam o dobro das fêmeas. Nos humanos, os homens são apenas 15 a 20% mais pesados — um valor que nos coloca num espaço intermédio entre a poligamia extrema e a monogamia estrita.

O mesmo padrão aparece na biologia interna. O tamanho dos testículos humanos, comparado com o dos chimpanzés — altamente promíscuos — e o dos gorilas — onde um macho monopoliza várias fêmeas —, sugere que, embora existissem laços de par estáveis, ocorria alguma competição de esperma na nossa história evolutiva.

A conclusão dos investigadores é que o ser humano evoluiu num sistema de monogamia facultativa com variação: o laço de par é a base, mas a exclusividade nem sempre foi a regra absoluta.

Como a agricultura mudou tudo

Os nossos antepassados caçadores-recoletores tendiam para uma monogamia relativamente flexível — em grande parte porque não havia riqueza a acumular nem a transmitir. A transição para a agricultura mudou isto de forma radical.

Com a domesticação de animais e o cultivo de terras, surgiu a capacidade de acumular e herdar riqueza. A evidência genética no ADN antigo é clara: com a agricultura, a desigualdade reprodutiva masculina disparou.

Quando um homem podia possuir terras e gado, criava-se a base material para a poliginia estratificada — sistemas onde homens de alto estatuto sustentavam várias esposas enquanto muitos outros ficavam sem parceira.

Um estudo citado na literatura genética indica que um único homem da Idade do Bronze, nas estepes euroasiáticas, tem hoje entre 16 e 19 milhões de descendentes diretos — sinal de um sistema onde poucos homens monopolizavam a reprodução de forma extraordinária.

Porque a monogamia se tornou a norma

Se a agricultura abriu as portas à poligamia para as elites, porque é que a maioria das sociedades modernas impõe a monogamia? A resposta é estabilidade.

Sistemas altamente poligâmicos deixam um rasto de homens jovens sem parceiras e sem perspetivas — e isso gera violência, comportamentos de risco e instabilidade social. Os investigadores descrevem a monogamia como uma tecnologia social: uma norma inventada para resolver problemas de coordenação e cooperação.

As sociedades que adotaram normas monogâmicas conseguiram reduzir a violência interpessoal entre homens, aumentar o investimento paterno nas crianças e promover a cooperação de longo prazo necessária para construir civilizações complexas.

A monogamia não foi necessariamente o resultado do amor romântico — foi também, e talvez primeiro, uma solução para um problema político e demográfico.

O que a psicologia ainda carrega

A nossa psicologia reflete este equilíbrio frágil. O ciúme é um mecanismo evolutivo universal desenhado para proteger o laço de par — e as suas manifestações variam de forma previsível.

Os homens tendem a ser mais sensíveis à infidelidade sexual, por estar em jogo o risco de investir em filhos de outrem. As mulheres focam-se mais na infidelidade emocional, pelo risco de perda de recursos e proteção. São assimetrias que fazem sentido à luz da biologia reprodutiva — e que persistem mesmo em culturas muito diferentes entre si.

A existência do matrimônio em praticamente todas as culturas humanas prova que o laço de par é profundo. O facto de precisar de apoio social, legal e ritualístico em todas essas culturas sugere que também é suficientemente frágil para não se sustentar apenas por si mesmo.

O que somos, afinal

Não somos uma espécie de monogamia estrita nem de promiscuidade generalizada. Somos uma espécie com uma base biológica de ligação emocional profunda — sustentada por hormonas como a ocitocina e a vasopressina — mas que sempre negociou essa ligação com as circunstâncias culturais e económicas de cada época.

A agricultura potenciou a poligamia durante milénios. A necessidade de sociedades estáveis foi tornando a monogamia a norma. E o resultado é o que somos hoje: uma espécie que ama com profundidade, ciúme e uma enorme variabilidade cultural — tudo ao mesmo tempo.

O SAL

 

Quando é que a humanidade começou a consumir sal? E porquê?

O sal já foi mais valioso que o ouro e moldou impérios inteiros. Hoje é o mesmo instinto que nos salvava a colocar a nossa saúde em risco.