sexta-feira, 2 de outubro de 2026

HUMOR INGLÊS

 



BAYERN

 




O Bayern está localizado no meio de uma das maiores rotas de migração para aves europeias

COMUNICADO DA SANTA LUZIA FILMES



Não fomos contemplados pelo edital SALCINE 2 na categoria “Ações Cineclubistas”. Nosso projeto era criar um cineclube no Comercio dedicado a região do Pilar (que a Prefeitura quer desenvolver como area residencial) para uma população carente que não tem acesso ao cinema.
Tudo bem, aceitamos e não iremos entrar com recurso.
Mas o que deixou a gente perplexa é o argumento central do parecer: “ a curadoria adota obras defasadas e com perspectivas externas ao território, em detrimento do audiovisual local clássico e contemporâneo”. Vale destacar que todos os filmes escolhidos tratam do tema portuário de mestres como R.Pires, Kaurismaki, Kazan, Von Sternberg, alem da nossa ultima produção “Porto de Origem”de 2024 que faz um retrato do Comercio.
Como não queremos acreditar que foi censura (apesar que edital não menciona que a lista de filmes propostos deve ser aprovada pela comissão de avaliação), questionamos: Kazan, Pires, Karuriskami, Von Sternberg “defasados”?, não “classicas”apesar que tratam da cultura, do racismo, da corrupção no porto , obras importantes para uma cidade como Salvador que conhece tão mal a a história do seu próprio porto ?
Não se trata de desqualificar a FGM que fez um trabalho primordial na área cultural nesses últimos anos sob o comando de @fernando.guerreiro61 . Mas acreditamos que é o dever do cidadão de apontar os erros e equivocados eventuais. Sucesso e boa sorte a todos os contemplados.
Bernard Attal

PANDORA E AS ELEIÇÕES

 

 ARMANDO AVENA


O diabo sabe citar as Escrituras quando lhe convém, diz o Evangelho. Por isso, quando se busca a mudança, é preciso ter cuidado para não dar o poder ao diabo travestido de anjo. É verdade que o fascínio pela mudança encanta homens e mulheres, mas vale lembrar: mudar pode ser bom, mas mudar para pior pode ser trágico.

Os gregos, por exemplo, contam a história de Faetonte, filho de Hélio, o deus que conduzia diariamente o Sol pelo céu. Orgulhoso da sua origem divina, Faetonte queria conduzir o carro do Sol, como fez seu pai.

Não é fácil, porém, para alguém inexperiente, que sempre andou por sítios sombrios, controlar os cavalos alados e manter o carro do Sol na trajetória correta. Contra todas as evidências, Faetonte afirma que está preparado e diz que vai conduzi-lo como ninguém jamais o fez.

Quando, todavia, assume o carro, percebe que não tem a mínima condição de controlar os cavalos. O carro solar sai de sua rota e aproxima-se demais da Terra, queimando campos e cidades. Depois sobe excessivamente e deixa regiões inteiras sob um frio terrível. A desordem ameaça o equilíbrio do mundo. Então, Zeus intervém e fulmina Faetonte com um raio, fazendo-o cair do céu.

Aquilo que parecia uma renovação grandiosa transformou-se em catástrofe porque a capacidade de conduzir o poder foi menor do que a ambição de exercê-lo. E o mundo descobriu, tarde demais, que, às vezes, mudar não é necessariamente mudar para melhor. Qualquer semelhança com o processo eleitoral brasileiro não é mera coincidência.

O ser humano tem fascínio pela mudança e é bom que seja assim, mas a mudança por si só não é garantia de avanço, pelo contrário, pode ser o signo do retrocesso.

Aliás, em se tratando de eleições, foi isso que aconteceu no Brasil no governo Bolsonaro, que fez o país retroceder e quase destruiu a Democracia. A mudança não pode ser um salto no escuro: é preciso saber quem a está propondo, qual é sua história, quais títulos acumulou, que experiência possui e o que já fez quando teve responsabilidades semelhantes, se é que as teve. A novidade pode ser sedutora, mas governar exige mais do que discurso de renovação. Antes de trocar o conhecido pelo desconhecido, é prudente examinar o passado de quem pretende conduzir o futuro.

São os gregos que novamente lembram aos que vão votar os perigos de abrir uma caixa sem saber o que existe dentro. Quando Pandora abre a caixa que recebeu de Zeus com a ordem explícita de não a abrir, ela liberta todos os infortúnios que podem afligir um povo. Quando percebeu o que havia feito e tentou fechá-la, os males já estavam soltos no mundo.

Diferente de Pandora, já sabemos o que existe na caixa que a família Bolsonaro nos apresenta. E não devemos abri-la esperando uma mudança que não virá.

O problema da mudança não é saber o que se pode ganhar com ela, mas saber o que se pode perder.

Publicado no jornal A Tarde em 02/10/2026

FARNACE


Cecilia Bartoli (Roma, 4 de junho de 1966) é uma cantora lírica mezzo-soprano italiana e uma popular intérprete de óperas e recitais.

Conhecida por seus papéis em óperas de Mozart e Rossini, Bartoli também é uma aclamada intérprete de cantos barrocos. Diferentemente da maioria de cantores de ópera, Bartoli tornou-se mundialmente célebre muito jovem, ainda com menos de vinte anos de idade. 

Entre os seus títulos, contam-se o de Cavalieri de Itália e de Chevalier des Arts et des Lettres, atribuído pelo governo francês. Cecilia Bartoli foi eleita Membro Honorário da Real Academia de Música em Londres e Accademico Effetivo di Santa Cecilia em Roma.


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

E TAMBÉM É ESTÚPIDA


 "A Maria é professora. E também é estúpida. Ela sabe que é estúpida porque o João, o seu marido, lho diz. Explica sempre tudo o que a Maria expressa. E o João sabe o que diz. O João não tem nenhuma formação específica e prefere o café ao trabalho. Mas o João não é estúpido porque é homem e homens não são estúpidos.

A Raquel tem 50 anos. A Raquel é velha. Ela sabe que é velha porque o Pedro, o seu companheiro, a esclarece com frequência. Aponta lhe os cabelos brancos, as rugas no rosto, a flacidez das mamas. O Pedro tem 55 anos. Tem cabelos grisalhos, duplo queixo e a barriga já lhe encobre a pouca masculinidade. Mas o Pedro não é velho porque é homem e homens não envelhecem.
A Filipa é estudante. E é puta. Ela sabe que é puta porque o Miguel, o seu namorado, lho explica. Às vezes com manifestações físicas: já lhe rasgou o decote de um top, já lhe esfregou o batom pelo rosto, já a proibiu de usar certas saias. O Miguel implora sexo a tudo o que mexe, oferece se em praça pública, exibe se em tronco nu. Mas o Miguel não é puta porque é homem e homens não são putas.
A Bárbara é uma mulher realizada. E é infeliz. Ela sabe que é infeliz porque a Joana, a sua mãe, a informa constantemente. Precisas de alguém que te faça feliz, repete. A Joana é casada com o Raul, pai da Bárbara. O Raul é um adúltero que se diverte a abusar psicologicamente da Joana. Continua casado por cobardia. Sente um desprezo natural pela inércia da companheira. Mas a Joana não é infeliz porque ‘tem’ um homem e quem ‘tem’ um homem não é infeliz."
Texto de Ruth Martins.
Foto de Diana Arbus

ANINHA PROTESTA

 



E tentando entender as políticas públicas que ignoram as casas vazias, abandonadas e maltratadas no Centro Histórico.