quarta-feira, 8 de julho de 2026
THOMAS JEFFERSON E A ESCRAVIDÃO
A sombria história de Thomas Jefferson com a escravidão

A estátua de bronze de um homem esguio em casaca do século 18 olha para a distância. Ela fica em Washington, a capital dos Estados Unidos, e representa o terceiro presidente do país, Thomas Jefferson – para os americanos, uma figura histórica monumental. Seu rosto também foi esculpido na rocha do famoso Monte Rushmore, no estado da Dakota do Sul, ao lado de outros três presidentes, George Washington, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt.
Como autor da Declaração de Independência, Jefferson tornou-se um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos. Ele foi jurista, proprietário de plantações e político. Atuou como o primeiro secretário de Estado da jovem república e segundo vice-presidente antes de ocupar a Presidência.
O seu mandato presidencial ficou sobretudo marcado pela Compra da Louisiana: com a aquisição de um vasto território da França, a jovem nação praticamente dobrou seu território. Porém, como quase todo ícone histórico, Jefferson também tinha um lado sombrio, que só passou a ser abordado abertamente há algumas décadas: sua relação com a escravidão. Ao longo da sua vida, Jefferson (1743-1826) foi o senhor de mais de 600 escravizados.
Um dos aspectos desse lado obscuro de sua biografia está intimamente ligado a Tadeusz Kościuszko. O oficial polonês é uma das figuras mais importantes da Guerra de Independência dos Estados Unidos. Muitas ruas, praças e pontes nos EUA hoje levam seu nome, difícil de pronunciar para os americanos. O mesmo ocorre na Polônia: ali ele é venerado sobretudo como líder da fracassada revolta de 1794 contra a Rússia czarista.
Humanista e proprietário de escravizados
Jefferson encontrou Kościuszko pela primeira vez em 1780, durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos. O futuro presidente Jefferson era então governador da Virgínia. O oficial polonês Kościuszko já havia se destacado na Armada Continental como engenheiro militar extraordinariamente talentoso.
Uma amizade mais estreita entre os dois, porém, só surgiu em 1797. Após sua libertação do cativeiro russo, Kościuszko chegou à Filadélfia, então capital dos Estados Unidos. Na Europa e na América, ele já era considerado um símbolo da luta pela liberdade de duas nações.
Kościuszko, marcado por ferimentos e pelas consequências da prisão russa, encontrava-se regularmente durante sua estadia com Jefferson, que naquela época era vice-presidente dos Estados Unidos.
Em uma carta ao general Horatio Gates, Jefferson escreveu: "Eu o vejo frequentemente, com grande alegria, misturada com compaixão. Ele é o filho mais puro da liberdade que já conheci — liberdade para todos, e não apenas para alguns ou para os ricos."
Quando Kościuszko, na primavera de 1798, decidiu deixar definitivamente os EUA, pediu a Jefferson um favor extraordinário. Ele deixou sua fortuna adquirida no país e determinou que, após sua morte, ela fosse usada para comprar a liberdade e financiar a educação dos escravizados de Jefferson.
Kościuszko era um firme opositor da servidão e da escravidão. Não foi por acaso que, como oficial do exército americano, escolheu ostensivamente um soldado negro como ajudante de ordens. Teria o testamento sido uma tentativa de constranger seu amigo americano? Ou Kościuszko queria lembrar os Estados Unidos dos ideais pelos quais havia arriscado sua vida?
A hora da verdade
Dois anos após a morte de Kościuszko, em maio de 1819, Thomas Jefferson compareceu ao tribunal do condado de Albemarle, na Virgínia, e apresentou o testamento. Declarou que não era capaz de cumprir a última vontade de seu amigo. Pediu ao tribunal que nomeasse outro executor testamentário.
Ainda em fevereiro de 1810, Jefferson havia assegurado a Kościuszko em uma carta: "Se algo lhe acontecer, o uso beneficente do capital por você determinado não será adiado."
Por sua vez, Kościuszko lembrou Jefferson, em sua última carta a ele, apenas algumas semanas antes da sua morte em outubro de 1817, do destino da fortuna. Ainda assim, sua vontade jamais foi cumprida.
Após décadas de disputas judiciais, em 1852, a Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu a fortuna aos herdeiros europeus de Kościuszko.
Hipócrita ou realista?
A história da promessa não cumprida do autor da Declaração de Independência ocupa historiadores americanos até hoje. Após a descoberta de uma relação sexual de anos entre Jefferson e sua escravizada Sally Hemmings, este é o segundo grande abalo na legenda monumental do Pai Fundador dos Estados Unidos.
"O texto do testamento de Kościuszko me comove profundamente”, afirma Henry Wiencek, autor de uma biografia crítica de Jefferson. Para ele, é claro: ao contrário de George Washington, Jefferson não quis libertar escravizados, "porque eles eram mais valiosos para ele do que o dinheiro do testamento do general polonês". A execução desse testamento teria destruído seu estilo de vida luxuoso e sua posição entre a elite econômica do estado escravocrata, avalia o historiador norte-americano.
A historiadora e jurista de Harvard Annette Gordon-Reed vê a questão de outra forma. Em sua opinião, os críticos subestimam as dificuldades jurídicas. Ela observa que, após deixar os EUA, Kościuszko havia redigido outros testamentos na Europa. Na sua visão, o ex-presidente, como jurista experiente, reconheceu que longos processos judiciais seriam inevitáveis.
"Ele tinha cerca de 75 anos na época. Já era um homem idoso e não queria carregar problemas adicionais. Por isso, transferiu a tarefa a outra pessoa", afirma Gordon-Reed.
O biógrafo de Kościuszko, Alex Storozynski, por sua vez, está convencido de que a existência de outros testamentos forneceu sobretudo uma desculpa conveniente para Jefferson. A execução do legado de Kościuszko teria, de fato, colocado-o na liderança do nascente movimento abolicionista. O ex-presidente teria recuado diante disso.
O monumento em frente à Casa Branca
Kościuszko hoje observa a Casa Branca do alto de um pedestal. Ele é retratado com o uniforme de um oficial americano, com os planos das fortificações de Saratoga nas mãos.
Foram suas habilidades de engenharia que contribuíram de forma decisiva para a vitória americana em uma das batalhas decisivas da Guerra de Independência.
O primeiro ocupante da Casa Branca foi Jefferson. A ele, Kościuszko escreveu certa vez: "Eu te amo, você é a única esperança da humanidade, e gostaria que você fosse um modelo para os séculos vindouros."
No rosto da estátua há seriedade. Henry Wiencek está convencido de que há nisso uma ironia histórica: medido por sua fidelidade intransigente aos ideais de liberdade e igualdade, Kościuszko acabou sendo um americano maior do que o próprio Thomas Jefferson.
O autor agradece ao International Center for Jefferson Studies em Monticello (EUA) pelo apoio na pesquisa.
VIOLÊNCIA GLOBAL
Por que América Latina lidera ranking de violência global
há 12 horas
Em 2025, a capital do Haiti, Porto Príncipe, foi a cidade recordista de homicídios em todo o mundo. Foram aproximadamente 198 assassinatos por 100 mil habitantes, de acordo com a organização não governamental mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal.
No relatório mais recente da instituição, consta ainda que a grande maioria das 20 cidades mais violentas do mundo se concentra em dois países da América Latina: Equador e México.
O Brasil possui seis cidades listadas neste ranking: Fortaleza (na 32ª posição), Feira de Santana (33ª), Recife (36ª), Maceió (38 ª), Salvador (44ª) e Porto Velho (48ª).
As disputas territoriais, sobretudo pelas rotas de tráfico de cocaína, continuam sendo a principal causa de insegurança na América Latina e no Caribe, explica Juliana Manjarrés, pesquisadora da InSight Crime. "A fragmentação de grupos armados, seja pelo assassinato ou pela captura de seus líderes, costuma desencadear ondas de violência entre facções que competem pelo controle de uma área."
A expansão de mercados ilícitos como o de metanfetamina, extorsão, agiotagem (com taxas de juros abusivas e prazos de pagamento muito curtos), mineração ilegal e roubo de combustível acentua essas dinâmicas de violência e morte.
As respostas mais comuns ao problema, que são a militarização e a imposição de um estado de exceção (quando o governo amplia seus poderes durante situações de crise, podendo restringir direitos civis), acabam contribuindo para a insegurança na região. Seus efeitos costumam ser "limitados ou até contraproducentes", afirma a especialista da InSight Crime.
Cadeia do narcotráfico se sofistica
Na avaliação de Elizabeth Dickinson, vice-diretora do Programa para América Latina e Caribe do International Crisis Group, outro fator que contribuiu para o aumento da violência é "o nível de fragmentação da cadeia do narcotráfico".
Hoje, o crime organizado se apoia em redes transnacionais. Nos numerosos elos do narcotráfico – da produção da droga até sua distribuição ao consumidor final – podem participar entre seis e dez organizações diferentes.
Com isso, explica Dickinson, aumentam as possibilidades de grupos locais participarem do negócio ilícito e controlarem um determinado elo da cadeia.
Aumento dos desaparecimentos
O aumento da violência se traduz ainda em desaparecimentos cada vez mais frequentes, em vários países da região, pontua a pesquisadora Manjarrés.
"Isso pode ser explicado por um esforço deliberado das organizações criminosas, a mudanças nas metodologias governamentais de registro, ou a ambos os fatores; mas o resultado é que simplesmente não sabemos quantas das pessoas desaparecidas foram vítimas de homicídio", afirma.
Isso impede determinar em que medida uma mudança na taxa de homicídios se deve realmente a uma variação efetiva no número de assassinatos.
As cidades mais seguras
No outro extremo, há o Índice de Segurança, que lista as melhores cidades nesse quesito na América Latina e no Caribe a partir de informações fornecidas por moradores para a base de dados colaborativa Numbeo. Não é um índice estatístico oficial, portanto.
No ranking de 2026, as dez cidades mais seguras são: Querétaro (México), Cuenca (Equador), Florianópolis (Brasil), Cidade do Panamá (Panamá), Monterrey (México), Medellín (Colômbia), San José (Costa Rica), Montevidéu (Uruguai), Brasília (Brasil) e Belo Horizonte (Brasil).
Raízes da violência
Independentemente do grau de segurança de um país, Elizabeth Dickinson, do International Crisis Group, lembra que o crime organizado penetrou áreas que costumavam ser consideradas blindadas contra esse tipo de ameaça.
"Um grande exemplo é o Equador, que há alguns anos tinha uma das menores taxas de homicídio da região andina e agora, em apenas dois ou três anos, passou a ocupar o primeiro lugar em homicídios" na América Latina, comenta a especialista.
Por isso, Dickinson defende uma ação com foco nas raízes da violência, nos aspectos dos quais o crime organizado se aproveita para se expandir, como a falta de oportunidades para os jovens, a desigualdade e o descontentamento social.
Embora em países como Haiti e Equador a situação da violência pareça se agravar continuamente, Juliana Manjarrés também observa uma tendência positiva na América Latina: "Apesar de desafios como a falta de dados confiáveis por parte de países com governos autoritários, os homicídios parecem estar diminuindo na região, mesmo levando em conta o aumento dos desaparecimentos".
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Menina palestina de 15 anos fugiu da guerra em Gaza, aprendeu português no Brasil e conquistou ouro em Olimpíada de Matemática em São Paulo, transformando a sala de aula em símbolo de recomeço e agora emociona professores, colegas e brasileiros nas redes sociais
A trajetória ganhou repercussão porque a menina palestina não se destacou apenas pela história de deslocamento, mas pelo desempenho acadêmico. Em São Paulo, ela participou da Olimpíada Paulista de Matemática de 2026 e conquistou a medalha de ouro, resultado que emocionou professores, colegas e leitores nas redes sociais.
Aprender português virou parte decisiva da adaptação
Ao chegar ao Brasil, Tala precisou aprender português para acompanhar as aulas. Segundo a publicação, professores destacaram a dedicação da estudante e a facilidade com que ela passou a lidar com o novo idioma em poucos meses.
O domínio da língua foi uma etapa importante para que ela pudesse participar da vida escolar com mais segurança. A adaptação também envolveu convivência com colegas, integração à comunidade escolar e construção de uma rotina de estudos longe do país onde nasceu.
Ouro na Olimpíada Paulista de Matemática de 2026
A medalha veio na Olimpíada Paulista de Matemática de 2026, competição conhecida pela participação de estudantes de diferentes escolas e cidades paulistas. De acordo com a fonte, Tala competiu com milhares de alunos da rede estadual e particular.
A conquista da menina palestina ganhou força simbólica porque aconteceu em uma área que exige concentração, raciocínio lógico e domínio da linguagem escolar. Mais do que um resultado individual, o ouro mostrou como acolhimento e oportunidade podem ajudar uma estudante refugiada a reconstruir caminhos dentro da sala de aula.
Uma história de recomeço após mudança de país

A mudança de Gaza para o Brasil colocou Tala diante de uma nova rotina escolar, outro idioma e colegas que ela ainda estava conhecendo. Em São Paulo, a menina palestina passou a acompanhar as aulas enquanto aprendia português e se adaptava ao funcionamento da nova escola.
Nesse processo, a matemática apareceu como uma área em que ela conseguiu se destacar. A participação na Olimpíada Paulista de Matemática de 2026 terminou com medalha de ouro e chamou atenção de professores e colegas pelo desempenho acadêmico da estudante.
Educação, acolhimento e redes sociais ampliaram a repercussão
A publicação informa que a história emocionou brasileiros nas redes sociais e passou a ser vista como símbolo de esperança para outras crianças refugiadas. Esse tipo de repercussão costuma crescer quando o público identifica uma conquista objetiva, como uma medalha, ligada a uma trajetória humana de adaptação.
No caso da menina palestina, o interesse não está apenas no prêmio, mas no caminho até ele: a chegada ao Brasil, o aprendizado do português, a integração à escola e o desempenho em uma competição de matemática. É uma história de sala de aula, mas também de pertencimento.
O que essa conquista faz pensar
A medalha de Tala não resolve as marcas deixadas por uma guerra nem resume a experiência de pessoas refugiadas. Ainda assim, mostra como a escola pode se tornar um ponto de apoio quando há acolhimento, continuidade e oportunidade real para aprender.
Agora, a história da menina palestina abre uma conversa importante: quantos talentos podem aparecer quando estudantes deslocados pela guerra encontram uma comunidade disposta a recebê-los? Você acha que as escolas brasileiras estão preparadas para acolher melhor crianças e adolescentes refugiados? Deixe sua opinião nos comentários.
O VINHO DO FUNDO DO MAR
Mergulhei até o fundo do mar em Portugal para conhecer a adega subaquática onde turistas buscam o próprio vinho!
Uma nova forma de envelhecer o vinho está ganhando cada vez mais adeptos na costa portuguesa e se tornando uma nova atração turística. Na região do Alentejo, onde a vida segue um ritmo próprio, os vinicultores encontraram um local perfeito para o envelhecimento do produto.
Na terra de Vasco da Gama, os produtores fizeram como o famoso navegador português: deixaram um pouco de lado a terra lusa e encontraram no mar um campo fértil para aumentar a produção de vinhos, buscar uma nova complexidade aromática e até monetizar com o turismo.
Embarquei para Portugal, a convite do Turismo do Alentejo, para ver de perto esta novidade. Em Sines, na Costa Vicentina, a cerca de 2 horas de viagem de Lisboa, desafiei os meus medos e mergulhei para buscar lá no fundo do mar cristalino a minha garrafa de vinho envelhecida no Oceano Atlântico. O que não fazemos por um bom vinho!

Briefing de segurança antes do mergulho (foto Apeno)
Em 2013, surgiu a Adega do Mar, uma empresa ligada à escola de mergulho científico Ecoalga, que deposita as garrafas no fundo do oceano para o seu envelhecimento e a prática do enoturismo. “Neste momento, num universo de 26 produtores, temos perto de 16 mil garrafas depositadas em quatro locais do Porto de Sines, com profundidades entre os 8 e os 40 metros”, destaca Joaquim Parrinha.
Em um destes lugares, realizei o meu batismo de mergulho. Antes de entrar na água, é hora de um briefing de segurança, de colocar a roupa de neoprene, a qual é bem difícil de entrar devido à aderência à pele, e vestir todo o equipamento de mergulho.
Para quem, como eu, nunca havia feito isto antes, vale pontuar que o cinto de lastro, colete e cilindro de oxigênio pesam bastante e, ao entrar na água, a sensação é de que vamos afundar como uma âncora. Mas o colete infla e o acompanhamento direto dos mergulhadores profissionais te deixa bem tranquilo para explorar o fundo do mar.

- Foto Apeno
Desci a uma profundidade de 8 metros para buscar minha garrafa. Como eu, você com experiência ou sem, pode também se aventurar na Costa Vicentina. A Ecoalga realiza mergulhos na Ilha do Pessegueiro, em Porto Covo, ao longo do verão europeu.
“O turista, vem ter conosco, recebe a formação de adaptação à atividade de mergulho, o equipamento, as noções básicas de mergulho e as normas de segurança; após vamos para a Ilha do Pessegueiro de barco, realizamos a atividade e a recolha de garrafas a 8 m de profundidade”, comenta Joaquim Parrinha, instrutor de mergulho e empreendedor da Adega do Mar.
Ficou interessado e quer buscar a sua garrafa lá no fundo do mar? O serviço pode ser contratado, com antecedência, em qualquer adega que tenha enoturismo subaquático (veja abaixo) ou diretamente com o pessoal da Ecoalga e Adega do Mar. O custo total da experiência com mergulho, equipamento e a garrafa de vinho é a partir de 150 euros por pessoa, cerca de R$ 880.

Mergulho com retirada de garrafa envelhecida no mar
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Vinho subaquático
Você já havia ouvido falar sobre vinhos subaquáticos? Eu nunca, até o momento de ser convidado para esta viagem pelo Turismo do Alentejo. Mas acreditem, é uma prática bem antiga com vestígios milenares. Na Europa, um dos atuais pioneiros foi Pierluigi Lugano, proprietário da Bisson Società Agricola. Em 2009, na região italiana da Ligúria, ele começou a mergulhar suas garrafas de espumantes a 60 metros de profundidade.
O que começou como um experimento e principalmente como a busca de mais espaço para expandir a produção, hoje se tornou um dos carros-chefes e diferenciais da vinícola italiana. A Bisson mergulha somente espumante, nada de vinho, e agora até uma cerveja em parceria com empresários brasileiros das Cervejarias Freising Bier & Cia. Razera – experimentei e fiquei apaixonado pela cerveja subaquática, encorpada, muito saborosa e de coloração única!
Em Portugal, a Adega do Mar foi a pioneira e hoje abriga no fundo do Oceano Atlântico produções de diversas vinícolas, entre elas: Quinta da Ferreira de Baixo, Brejinho da Costa, Black Pig, Quinta da Casa Boa, Quinta da Lata, Adega do Cantor, Periquita, Quinta do Canhoto, Adega Cooperativa de Pegões, Torre de Palma, entre outras. Em todas estas adegas é possível fazer degustação do vinho subaquático e adquirir o seu tour marinho.
Você ainda está curioso para entender qual é a diferença entre o vinho envelhecido em terra e o de mar? O debate do tema é relativamente recente. Durante a 2ª Edição do Wine Tourism Experience, especialistas debateram o assunto com muita degustação e comparação de vinhos.
“O próprio estilo do vinho é determinante. Há perfis vínicos que beneficiam de maior suavidade e arredondamento, enquanto outros preservam melhor a frescura e a acidez. Em alguns casos, houve perda de certos aromas primários; noutros, observou-se um ganho de complexidade aromática… entre outros fatores”, analisa Maria João de Almeida, jornalista e presidente da Apeno (Associação Portuguesa de Enoturismo).

2ª Edição do Wine Tourism Experience realizado em Sines
Já para Joaquim Parrinha, os vinhos submersos apresentam reduções do tanino, acidez e açúcar, aumentando a intensidade das percepções dos diversos paladares e até a redução da assimilação do álcool. “As diferenças entre vinhos submersos e vinhos envelhecidos em terra são, de fato, evidentes, e algumas delas já foram comprovadas por meio de análises físico-químicas”, reforça Maria João.
Eu fiz a degustação de muitos vinhos de terra e mar. Mesmo não sendo nenhum enólogo, deu para perceber a grande diferença. Alguns vinhos, principalmente os brancos, a percepção do paladar muda muito e os submersos ficaram mais gostosos e suaves. Já no vinho tinto, a diferença perceptível foi menor. Além da qualidade da produção, a profundidade, pressão, luminosidade, temperatura da água e até o movimento das correntes influenciam o sabor do vinho.
Dificilmente estes vinhos chegarão aos mercados comuns devido ao alto custo. Em média, uma garrafa envelhecida no mar pode chegar a custar 5 vezes mais do que a envelhecida em terra. Então, se você quer provar estes vinhos subaquáticos, procure as adegas ou Ecoalga na região do Alentejo, em Portugal.
Rafael Castilho
Há 7 anos trabalhando no MD diretamente com promoções e oportunidades para te ajudar a viajar mais gastando menos! Sou um viajante contumaz, apaixonado em dar dicas e amante do jornalismo. Formado em 2000 e com vasta experiência em edição de textos e escrevendo para TV e Internet. É dentro de um avião, atrás de passagens baratas ou desvendando um novo destino que me realizo e trago em meus textos toda esta vivência de conhecer 78 países!







