terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

MAIS UMA AGRESSÃO!

 

Demolição para linha do metrô causará o fim da Fundação João Fernandes da Cunha

Determinado a fazer daquele sobrado do século XIX o abrigo definitivo da Fundação João Fernandes da Cunha, o professor realizou uma reforma que restaurou a beleza do imóvel, preservando-lhe as características arquitetônicas


Tribuna da Bahia, Salvador
23/02/2026 
Foto: Divulgação/Reprodução

Dirigentes, frequentadores e funcionários da Fundação João Fernandes da Cunha foram surpreendidos em dezembro com notícias na televisão de decreto de utilidade pública, desapropriação e demolição da sede da instituição, juntamente com outros prédios vizinhos, para que se construa aí a estação do metrô Campo Grande (Tramo IV - linha 1). Todas as pessoas que estão se vendo envolvidas na situação lamentam que o governo estadual não tenha enviado uma notificação, intimação ou convite para uma reunião com os proprietários dos imóveis em questão. Apenas ficaram sabendo pela imprensa que a decisão – Decreto de Utilidade Pública - foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 18 de dezembro de 2025.

A Fundação João Fernandes da Cunha (localizada no Largo do Campo Grande, nº 8) é uma entidade cultural que presta relevante serviço à comunidade soteropolitana. Possui uma biblioteca com 18 mil livros e que recebe diariamente estudantes das redes pública e particular, que fazem pesquisas utilizando também a rede de computadores do local. O prédio tem um auditório sempre utilizado em eventos culturais e educativos, inclusive, em diversas oportunidades, em parceria com órgãos do governo estadual. A Fundação JFC abriga também em sua sede outros grupos de cultura: a Academia Baiana de Educação (ABE) e o Grupo de Ação Cultural da Bahia (GACBA).

História

Durante muitos anos o prédio pertenceu ao Clube Carnavalesco Cruzeiro da Vitória, mais conhecido como Clube Cruz Vermelha, detentor de muitas premiações no Carnaval de Salvador. O clube teve como seu primeiro fundador o comerciante português, José de Oliveira Costa, que realizou desfiles de muita pompa e luxo nas ruas de Salvador. É uma construção do século XIX (ano 1884).

A Fundação João Fernandes da Cunha foi criada em 1992 e funcionava na Rua do Politeama, número 140. Em 1996, o Professor João Fernandes da Cunha, percebendo os problemas de espaço existente para os usuários da biblioteca e para realização de outras atividades socioeducativas, decidiu dar início a uma longa e bem-sucedida negociação de compra do imóvel do Clube Cruz Vermelha, que se encontrava em ruínas.

Determinado a fazer daquele sobrado do século XIX o abrigo definitivo da Fundação João Fernandes da Cunha, o professor realizou uma reforma que restaurou a beleza do imóvel, preservando-lhe as características arquitetônicas. A sua reforma fez com que os poderes públicos reformassem também a Praça do Campo Grande. Em 21 de maio de 2001 a nova sede da Fundação JFC foi inaugurada e se encontra aí instalada há 25 anos. Demolir um prédio, possuidor de tais beleza e história, que é a sede da Fundação João Fernandes da Cunha, é de se lamentar. Uma das últimas relíquias arquitetônicas na Praça do Campo Grande, que engrandece o patrimônio histórico da cidade do Salvador e dá nobreza ao bairro. A diretoria da instituição entende que a mobilidade de transporte é importante, mas não deve atropelar a História e a Educação. 

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