segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O ELEFANTE E A FORMIGA

Image may contain: one or more people and people sittingQuando meu filho estava começando a erguer o corpo, a deixar de engatinhar para caminhar (a virar homo erectus), falou-se na família, que era imensa e cheia de mulheres, em levá-lo ao zoológico da cidade. As tias, irmãs da mãe dele (eram três, as tias, e havia ainda a mãe delas, e as filhas das tias etc. Só havia mulher na família; o patriarca havia falecido), decidiram que meu minúsculo filho precisava ver o elefante, famoso naquele zoológico, o zoológico do Distrito Federal. Uma das tias, a mais velha, gostava de contar uma história de elefante para ele, e jurava que seu ouvinte não só entendia como gostava bastante.
E lá estávamos no zoológico: eu, a mãe de meu filho e as três tias. A matriarca, uma senhora já bem velhinha, mas empertigada e vivíssima, não pode ir pois estava com uns achaques da “idade”. Meu filho, com aquela gordura da “idade”, aquela coisa meio baby beef, roliço e cheio de dobrinhas, muito branco e quase inteiramente careca, usava apenas uma camiseta branca de algodão, uma fralda descartável que lhe aumentava a bunda drasticamente, a ponto de dificultar o movimento das pernas gorduchas, e um par de alpercatas de couro, ou algum material imitando o couro.
Subitamente, e não sei com que força espiritual suicida, me impus em meio à cidade das mulheres e peguei em uma das mãos de meu filho, enquanto a mãe dele pegou a outra e, juntos, fomos andando, quase agachados para manter nossas mãos atadas, em direção à jaula do elefante. Estávamos próximos e o bramido era mais que audível: era quente. Era possível ouvir o som até do roçar das pernas grossas, ou das orelhas imensas caminhando de um lado a outro da prisão.
Ensaiamos deixar nosso filho andar sozinho, mais ou menos como se faz com a criança que está aprendendo a andar de bicicleta sem rodinhas: ele andou por dez segundos e de repente perdeu o equilíbrio, e logo tomamos suas mãos novamente.
E eis que o elefante, imenso e pesado, a um só tempo rente ao chão e batendo a cabeça no teto, nos chega pelas pernas vacilantes de nosso filho. Lá estava a fera, inquieta, e ainda maior por isso. E lá estava a criança de um ano e três meses, em pé, diante de um elefante inteiro.
Demorou um pouco até percebermos que nosso filho, em verdade, não estava diante do elefante, mas tão somente em pé, e cismado. Só tivemos certeza mesmo de que ele sequer percebera o animal enorme a sua frente quando se agachou, cambaleante, e pegou uma formiga escura que caminhava elétrica sobre o chão de concreto, cheio de plantinhas nascidas do pouco de areia entre os sedimentos, do zoológico. Ergueu o corpo recente, formiga à mão feito o King Kong com a Jéssica Lange, e deu as costas ao elefante, ainda olhando o inseto, intrigado com o tamanho do bicho.
HENRIQUE WAGNER

domingo, 25 de fevereiro de 2018

CARO GOVERNADOR RUI COSTA

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Claudio Leal ao governador da Bahia, Rui Costa, DEFESA DA BIBLIOTECA PÚBLICA DA BAHIA


Caro governador Rui Costa,
Trago-lhe notícias da decadência da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, criada em 1811 e instalada em 1970 nos Barris, centro de Salvador, sob a responsabilidade do governo do Estado. Sem querer contrariar a irrelevância da cultura em seu governo, informo-lhe que a velha biblioteca continua a não receber nenhuma assinatura de jornais locais e nacionais. A seção de consulta a periódicos, antes repleta de frequentadores, sofre um processo de desertificação. Visitantes retornam para a rua ao verificar que não há jornais do dia. São quase dois anos de incúria, de estúpida austeridade e de grosseria contra leitores e pesquisadores. Um ato de desprezo à memória histórica da Bahia. De acordo com os funcionários, desde junho de 2016 a remessa de publicações foi cortada em razão de estranhas burocracias, inéditas em quase dois séculos de serviços públicos, agora humilhados pelo desinteresse oficial de solucionar esse impasse.
Conforme apurei, usuários e funcionários chegam a doar seus jornais para corrigir parte da lacuna do acervo da biblioteca. Esta história é comovente, mas deveria lhe indignar tanto quanto a mim, porque o dinheiro para a manutenção é mínimo. Uma assinatura do jornal “A Tarde” custa R$ 65 por mês (felizmente, a maior parte do acervo está digitalizada). O “Correio” custa uma pechincha: pode sair R$39/mês. Como se vê, nada que ofenda o erário.
Na Biblioteca dos Barris, realizei pesquisas em 2016 e 2017 e posso descrever o zelo de funcionários jogados em ambientes sem ar condicionado, outro atentado contra o acervo. O calor reduzia a capacidade de resistência, o tempo de pesquisa se reduzia. E cabe uma pequena atualização: a sala de consultas a periódicos se encontra outra vez sem ar condicionado. Quebrou. Em 22 de fevereiro de 2018, crescia a esperança de um conserto.
Os banheiros da biblioteca são sujos, fedem a urina e dezenas de vasos seguem interditados. Os mictórios são podres. Não há motivo para vanglória: isto não é um feito de sua gestão. O desrespeito à higiene dos usuários atravessa décadas e não exclui governantes de esquerda ou direita. 
O PT, defensor das minorias, deveria proteger a saúde de raros leitores. Há pouco tempo, houve cortes indecentes na limpeza e na segurança, mesquinharia revertida dentro da lentidão habitual de tudo que se refere à preservação histórica no Brasil. Em 2016, a biblioteca fechou por 20 dias. Os vigilantes não eram pagos, como denunciou a imprensa.
Antes do fim, vamos rapidamente ao subsolo. A Sala Walter da Silveira, antes uma referência da cinefilia baiana, dispõe de um excelente programador, mas recebe recursos pífios para realizar mostras e retrospectivas de filmes. Seja mais generoso com a sala que leva o nome de um dos maiores críticos do Brasil.
Apesar do meu desencanto, espero que o senhor corrija o descaso de seu governo com a Biblioteca Pública. Esta carta, naturalmente, será encaminhada a outros destinatários dedicados à memória histórica.
Cordialmente, Claudio Leal, jornalista e pesquisador.

JEANINE DE BIQUE, SOPRANO

  Jeanine de Bique est une grande chanteuse lyrique soprano originaire de Trinité et Tobago qui détient un master de la Manhattan school of music, elle reçoit de nombreux prix et de nombreuses récompenses, elle fait ensuite partie de la troupe du Wiener Staatsoper, on la retrouve à l'opéra national de Montpellier et en tournée avec la philarmonie de russie, puis avec le Sinfonia Rotterdam au concertgebow et aussi dirigée par Kristjan Järvi.
On la retrouve avec un plaisir certain avec Lorin Maazel avec qui elle chante la 8ème symphonie de Mahler à New-York, elle fait ses débuts aux BBC proms avec le Chineke! orchestra, parmi ses engagements récents "De la clemenza di Tito" au festival de Salzbourg, "Le Messiah" avec le Boston Baroque, "Roméo et Juliette" à l'opéra de Saint-Pétersbourg et aussi "Porgy and Bess" à l'opéra royal du Danemark, une voix d'une exceptionnelle qualité au service d'une vraie présence dramatique.



ENSAIANDO... E BRINCANDO.


INTERPRETANDO HANDEL

UMA ÓTIMA NOTÍCIA!

Homens só se tornam adultos aos 54 anos



A vida começa aos 54 anos para homens. O número bastante preciso foi apontado por uma pesquisa como a idade em que eles finalmente crescem e começam a aproveitar a vida como “adultos de verdade”. O estudo com 1000 homens descobriu que esta era a idade em que eles se sentiam “resolvidos e seguros”, segundo o jornal “Telegraph”.
Ele sugere que os homens levam mais tempo do que as gerações passadas para atingir este estágio, principalmente devido às pressões financeiras e à paternidade adiada. Hoje, dois terços dos bebês nascem de pais com mais de 30 anos, com a média de 32 anos para o primeiro filho nos EUA.
A pesquisa sugere que os homens de 54 anos de idade, como Simon Cowell, Hugh Laurie e Kevin Spacey estão apenas no início de sua vida bem resolvida. Realizado pelo Centro Crown Clinic, em Manchester, o estudo mostra que aos 40, os homens ainda não deixaram para trás suas inseguranças juvenis.

COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO
Que bela notícia!  Assim que hoje voltei aos 30 anos. A vida é bela!

A GARGANTA DA BALEIA


Paulo Ormindo de Azevedo

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Com financiamento do BNDS, as três maiores construtoras brasileiras e a japonesa Kawasaki investiram R$2,8 bilhões na construção de um estaleiro de navios-sondas para o pre-sal em São Roque do Paraguaçu. Esse poderia ser uma nova alavanca para a economia baiana, mas a empresa Enseada Industria Naval está atolada num passivo bilionário depois que o contrato de R$4,8 bilhões para construção de seis navios-sonda foi cancelado pela Petrobrás com o envolvimento da Odebrecht, OAS e UTC na Lava Jato e mudança da política da empresa de não privilegiar a indústria nacional.
Mas o que tem a ver a baleia com esse fato? Há dois tipos de baleias, uma que se alimenta de plâncton e krill e tem na boca um filtro, a outra que tem dentes, mas só engole peixes pequenos porque tem uma garganta apertada. Pois é, a nossa baia, que tem uma boca enorme pode virar uma baleia dentada, mediante uma delicada operação chinesa que vai botar uma dentadura na sua boca e estreitar sua garganta por onde só passarão navios pequenos para os portos de Aratu, Temadre, estação de regaseificação e estaleiro do Paraguaçu, aguardando o semáforo de entrada e saída se abrir. 
A pretexto de baratear seu custo, os chineses bateram o martelo reduzindo a altura de seu vão central de 125 para 85 m (A Tarde, 8/2/18).
Ou seja, adeus o estaleiro do Paraguaçu, e os 2,8 bilhões nossos do BNDS, pois com essa altura não passarão as plataformas e navios de exploração de petróleo, nem cábreas e guindastes STS de contêineres para os portos da baia. 
A ponte Rio-Niterói tem 72 m de altura e por isso não se pode construir plataformas e navios-sonda na Bahia da Guanabara. Como não há outro local igual na costa brasileira, vamos comprar esses equipamentos onde? 
Em Shangai, isto sim é um negócio da China. 
Não há limite para o crescimento em altura dos navios e plataformas de petróleo. No campo de Troll na Noruega há uma plataforma navegável com 472 m. Para evitar restrições à navegação, a Inglaterra e a França construíram o túnel ferroviário da Mancha e a Suécia e a Dinamarca, o túnel ferro-rodoviário no estrito de Oresund. 
O pedágio de um carro nesse último custa 36 euros, ou R$ 145,00.
Não precisamos gastar R$ 290,00 para passar um domingo em Itaparica. 
Como alternativa à ponte tenho defendido a construção de uma envolvente ferro-rodoviária à BTS, podendo-se chegar a Itaparica em trens rápidos em 40 minutos. 
Em Salinas da Margarida poderia ser construído um hub-porto com calado de 25 m para os conteineres gigantes, que articulado à Fiol poderá ser o terminal atlântico da ferrovia transcontinental ligada ao porto de Ilo, no Peru. 
Por Salinas poderiam passar as exportações e importações do Chile, Perú, Bolívia, Paraguai e do nosso planalto central. Quanto ganharia a Bahia com isto?

SSA: A Tarde de 25/02/18

O GATO DO MINISTRO

Ministro interino do Trabalho é réu por furto de energia

Ministro interino do Trabalho é réu por furto de energia

O ministro interino do Trabalho, Helton Yomura, é réu em uma ação da Justiça do Rio que apura uma ligação clandestina de energia elétrica, o famoso "gato". 
Quem descobriu o caso foi a emissora GloboNews. O crime teria acontecido em 2014, na empresa em que Helton é sócio. 
Yomura foi o novo nome indicado pelo PTB para assumir de vez a pasta depois que o presidente do partido, Roberto Jefferson, desistiu de vez da indicação da filha, Cristiane Brasil.

CARTA DE UM ADVOGADO AMIGO

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Meu Camarada, A violência sonora foi uma das razões que me fez sair da casa do Matatu e aportar no principado do Bela Vista.

Som alto, brigas de vizinhos, comentários de futebol e até, a impositiva convivência canina se tornou algo insuportável!!
Ainda que não quisesse brigar, -hoje em dia procuro ser seletivo - sabia que " Perturbar o sossego alheio (mediante gritaria, algazarra, abuso de instrumentos musicais, sinais acústicos, dentre outras situações) é crime, nos moldes do artigo 42 do Decreto-Lei Nº 3.688/41, passível de prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa."
Além disso, a Lei de Meio Ambiente prevê como crime, no Art. 54, a conduta de "causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora, atribuindo a pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Qualquer representação feita na promotoria de meio ambiente teria força para resolver a "pendenga", da forma mais fácil do mundo, multa no malandro!!
Não me esqueço, da D. Edith da Tamboleiro, dando por meio do MP, boas cacetadas no pessoal do Reggae... Estou aqui para elaborar a peça se preciso for; preciso se fatos e testemunhas!! Sugiro que dê um espiada na relação de algumas leis e normas aplicáveis, quando o assunto é barulho: - DECRETO LEI Nº 3.688/41 – LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS - NBR 10.152/87 ABNT – NÍVEIS DE RUÍDO PARA CONFORTO ACÚSTICO - RESOLUÇÃO 1/90 – CONAMA - LEI Nº 11.501/94 – CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DE ATIVIDADES - DECRETO Nº 34.569/94 – PSIU - PROGRAMA SILÊNCIO URBANO - LEI Nº 11.944/95 – BARES, CASAS NOTURNAS, CANTINAS, ETC..