PARA A QUINTA-FEIRA 16 DE JULHO
Nesta data
querida (sic) completarei noventa anos.
Não, por
favor, não me venham com chavões. Velho é o tempo, velho por fora, jovem por
dentro e outras baboseiras de mesmo teor. Já tem tempo que entrei para o time
dos idosos, diria até que para a quarta idade. A única vantagem é não pagar o
transporte público que nem uso mais.
Você não
está me lendo para aguentar uma lista de queixas sobre minha digestão, as dores
no joelho ou as manchas violetas resultado de leves pancadinhas nas pelancas.
Foram nove décimos de século muito bem vividos garimpando costumes, paisagens,
cheiros e sabores. Andei de trem, de barco, de jipe, de helicóptero e de
monomotor. Você conheceu o tempo dos aviões de hélice? Claro que não.
Pois eu, sim. Tinha quinze anos e foi entre Tanger e Casablanca. Mas o
mesmo trajeto de trem é muito mais gostoso e nem gastará muito mais tempo. Onde
queria chegar, mesmo? Ah! Sim... Hoje, esta crônica é um deslavado intervalo
comercial. Plim! Plim!
Convido-lhe
para, na próxima quinta-feira 16, comemorar meu níver na Aliança Francesa, onde
estarei expondo duas dúzias ou três de fotos sobre o povo da Bahia – aquele que
nunca será colunável - documentando pelo
menos os últimos vinte anos de minha vivência nesta estranha terra de santos,
orixás, demônios e anjinhos.
Ao mesmo
tempo apresentarei meu livro sobre uma das inúmeras manifestações de cultura
popular baiana, cultura pungente e única, nesta colcha de retalhos que é este
país de dimensões continentais, cultura que o Estado teima burramente em
ignorar. O Carnaval de Maragogipe, que andei fotografando durante seis anos, é
uma das últimas expressões autênticas de uma manifestação que de resto foi
abocanhada pelo rolo compressor das indústrias multinacionais e a cobiça de um
punhado de políticos gangrenados.
Pois é...
mesmo a caminho do século, continuo com a mente decapante - e para muitos
chatérrima - de quem apoia Greenpeace, a Palestina e Flávio Dino. Já falei em
outras páginas que espero viver o suficiente para ver o Netanyahu e corja
apodrecendo enjaulados pelo mal que fizeram a humanidade do século XXI.
Mas na
próxima quinta-feira estaremos todos reunidos numa bolha de felicidade paz e
amor pois ninguém é de ferro, prestigiando o prazeroso transplante de minhas raízes
franco-marroquinas. E para quem nunca esteve no belíssimo edifício de estilo neoclássico
do século XIX da Aliança Francesa, finalmente bem administrada pela cineasta Sandrine,
será a melhor oportunidade.
Pode chegar
sem receio. O governador e o prefeito não virão, nem qualquer secretário de
estado ou municipal, nem bolsominion nem sionista pois a festa é só para gente
de cultura e sensibilidade, para quem respeita o ser humano. Qualquer que seja
ele.

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