sábado, 11 de julho de 2026

UM CONVITE MUITO ESPECIAL

PARA A QUINTA-FEIRA 16 DE JULHO



Nesta data querida (sic) completarei noventa anos.

Não, por favor, não me venham com chavões. Velho é o tempo, velho por fora, jovem por dentro e outras baboseiras de mesmo teor. Já tem tempo que entrei para o time dos idosos, diria até que para a quarta idade. A única vantagem é não pagar o transporte público que nem uso mais.

Você não está me lendo para aguentar uma lista de queixas sobre minha digestão, as dores no joelho ou as manchas violetas resultado de leves pancadinhas nas pelancas. Foram nove décimos de século muito bem vividos garimpando costumes, paisagens, cheiros e sabores. Andei de trem, de barco, de jipe, de helicóptero e de monomotor. Você conheceu o tempo dos aviões de hélice?  Claro que não.  Pois eu, sim. Tinha quinze anos e foi entre Tanger e Casablanca. Mas o mesmo trajeto de trem é muito mais gostoso e nem gastará muito mais tempo. Onde queria chegar, mesmo? Ah! Sim... Hoje, esta crônica é um deslavado intervalo comercial. Plim! Plim!

Convido-lhe para, na próxima quinta-feira 16, comemorar meu níver na Aliança Francesa, onde estarei expondo duas dúzias ou três de fotos sobre o povo da Bahia – aquele que nunca será colunável -  documentando pelo menos os últimos vinte anos de minha vivência nesta estranha terra de santos, orixás, demônios e anjinhos.

Ao mesmo tempo apresentarei meu livro sobre uma das inúmeras manifestações de cultura popular baiana, cultura pungente e única, nesta colcha de retalhos que é este país de dimensões continentais, cultura que o Estado teima burramente em ignorar. O Carnaval de Maragogipe, que andei fotografando durante seis anos, é uma das últimas expressões autênticas de uma manifestação que de resto foi abocanhada pelo rolo compressor das indústrias multinacionais e a cobiça de um punhado de políticos gangrenados.

Pois é... mesmo a caminho do século, continuo com a mente decapante - e para muitos chatérrima - de quem apoia Greenpeace, a Palestina e Flávio Dino. Já falei em outras páginas que espero viver o suficiente para ver o Netanyahu e corja apodrecendo enjaulados pelo mal que fizeram a humanidade do século XXI.

Mas na próxima quinta-feira estaremos todos reunidos numa bolha de felicidade paz e amor pois ninguém é de ferro, prestigiando o prazeroso transplante de minhas raízes franco-marroquinas. E para quem nunca esteve no belíssimo edifício de estilo neoclássico do século XIX da Aliança Francesa, finalmente bem administrada pela cineasta Sandrine, será a melhor oportunidade.

Pode chegar sem receio. O governador e o prefeito não virão, nem qualquer secretário de estado ou municipal, nem bolsominion nem sionista pois a festa é só para gente de cultura e sensibilidade, para quem respeita o ser humano. Qualquer que seja ele.

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