quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

ART SPIEGELMAN E JOE SACCO

 

Art Spiegelman e Joe Sacco preparam obra sobre a Faixa de Gaza

Art Spiegelman está de blazer, chapéu e olha para a câmera. sozinho na foto. Seu trabalho sobre Gaza está em produção.

Art Spiegelman por Nadja Spiegelman.

Os renomados quadrinistas Art Spiegelman, autor de “Maus”, e Joe Sacco, conhecido por “Palestina”, vão se unir para produzir uma obra HQ que aborda Gaza e o conflito Israel-Palestina. O produtor do documentário biográfico Art Spiegelman: Disaster is My Muse! confirmou a informação ao jornal espanhol elDiario.es.

“Vou terminar isso ou morrer tentando. Nunca tive uma briga maior dentro da minha cabeça”, disse o artista americano, referindo-se à história em quadrinhos sobre Gaza que já está produzindo. “Meu superego diz: ‘Você tem que fazer isso se quiser viver consigo mesmo’, mas meu eu interior questiona: ‘Quem quer a dor de ser cancelado por todo o planeta?’” 

Uma parceria de peso

A união de Spiegelman e Sacco representa um encontro significativo entre dois mestres da narrativa gráfica que, ao longo de suas carreiras, têm explorado temas complexos e politicamente carregados.

Spiegelman é amplamente reconhecido por “Maus”, uma representação poderosa do Holocausto que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer em 1992. Sacco é celebrado por “Palestina”, uma obra que documenta suas experiências e entrevistas na Cisjordânia e Faixa de Gaza no início dos anos 1990.

Art Spiegelman e Joe Sacco preparam obra sobre a Faixa de Gaza 1

Marco na história das narrativas gráficas, Palestina, de Joe Sacco, é o livro que redefiniu as bases do gênero “jornalismo em quadrinhos”. Publicado originalmente em nove gibis, entre 1993 e 1995, a HQ ganhou uma edição completa em 1996, e ganhou alguns dos mais importantes prêmios tanto dos quadrinhos quanto do mundo literário, como o American Book Award. É já um clássico e está entre as principais histórias em quadrinhos dos últimos 50 anos. Confira aqui.

Art Spiegelman e Joe Sacco preparam obra sobre a Faixa de Gaza 2

Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. Confira aqui.

A colaboração entre os dois artistas promete trazer uma perspectiva única e aprofundada sobre a realidade de Gaza, combinando o estilo autobiográfico e reflexivo de Spiegelman com o jornalismo gráfico investigativo de Sacco.

Genocídio em Gaza

A Faixa de Gaza, frequentemente descrita como uma das áreas mais densamente povoadas e politicamente tensas do mundo, tem sido palco de conflitos recorrentes e crises humanitárias. Recentemente, a região foi cenário de um genocídio praticado por bombardeios e outras ações militares israelenses.

A ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza matou pelo menos 45.028 palestinos e feriu 106.962 desde 7 de outubro de 2023, informou o Ministério da Saúde do território. Em novembro de 2024, o Escritório de Direitos Humanos da ONU disse que quase 70% das vítimas na guerra de Gaza eram mulheres e crianças, e condenou o que chamou de violação sistemática dos princípios fundamentais do direito humanitário internacional.

A abordagem de Spiegelman e Sacco, conhecida por sua profundidade e sensibilidade, sugere que a graphic novel buscará humanizar as experiências dos indivíduos afetados pelo conflito, oferecendo uma visão que vai além das narrativas simplistas frequentemente apresentadas pela mídia convencional.

Ainda não há detalhes sobre o projeto, mas em recente entrevista, Spiegelman foi cauteloso ao dar mais detalhes sobre uma obra para a qual considera que “não será fácil encontrar uma editora nos Estados Unidos”.

Documentário

Art Spiegelman irá para a tela grande com Art Spiegelman: Disaster is My Muse! , documentário que será lançado mundialmente ao longo de 2025 e terá como foco a vida e a trajetória artística do cartunista, algo que sempre esteve intimamente relacionado.

O portal The Hollywood Reporter viu o filme: “Estreando no DOC NYC antes de um eventual lançamento na PBS sob a bandeira American Masters , Art Spiegelman: Disaster Is My Muse é muitas vezes um documentário amavelmente maçante, ou pelo menos seco. É o retrato de um homem cuja maior realização artística (Maus) foi uma história em quadrinhos autobiográfica, que passou décadas imerso na produção dessa realização e depois discutindo-a na mídia, que acompanhou a realização com outro livro explicando-a (MetaMaus) e que, devido a circunstâncias infelizes do mundo real, teve que continuar discutindo a realização, porque ela continua se tornando cada vez mais relevante.”

NOTÍCIAS DO CENTRO HISTÓRICO

Você acha que "isso" pode ser permitido no centro histórico de Salvador, 
tombado pela UNESCO?


Com estatutos, CNPJ e uma diretoria altamente competente, o bairro de Santo Antônio acaba de ganhar uma associação de moradores, preenchendo uma lacuna de 30 anos. Vamos torcer para que os poderes públicos entendam que a comunidade tem hoje representatividade oficial e concreta. A AMSA chega em bom momento para que o bairro não continue terra de ninguém, onde quem tem padrinho tudo pode, como é o caso de certo restaurante indiferente às limitações do patrimônio tombado pela UNESCO. 

Em carta de 18/12/2024 à Prefeitura, ficou claro que os moradores discordam quando a gestão Bruno Reis se permite invadir o bairro com uma programação descabida. O Festival Som do Sabor pode ser benvindo em amplo espaço, como a Fonte Nova ou a Feira dos Municípios, mas não no reduzido Largo de Santo Antônio. Significa que, como na época quando o Forte era sede de grupo carnavalesco, teremos rios de mijo nas portas, depredações, xingamentos, engarrafamentos, isopores desordenados, excesso de lixo e gritaria quando não algo pior.                                                                                                       Sempre é bom lembrar que a palavra Democracia significa que o poder vem do povo.

O vizinho bairro do Pelourinho acaba de festejar a inauguração da Vila Nova Esperança, proposta imatura de recém-eleito secretário de Cultura em 2007. Ou seja: levou 17 anos para virar realidade. Minha opinião, se me permitirem, é que pouco tem a festejar. Com tantos imóveis abandonados, caindo aos pedaços, não havia razão nenhuma para gastar tanta grana – e tão mal -  ocupando um dos poucos espaços verdes do centro histórico. Podia abrigar uma bela creche, que tanta falta faz a comunidade, no meio de um paisagismo bem tropical. 

Porque demorou dezessete anos para se construir um conjunto tão desprovido de identidade com o patrimônio? Resposta: por puro e exclusivo desinteresse dos governantes. E mais: ao princípio, o projeto era para ser realizado pelo arquiteto Marcelo Ferraz, responsável pela adaptação do Palacete das Artes e discípulo de Lina Bô Bardi. Mesmo sem o gênio da italiana, teria feito algo menos desesperadamente medíocre que “isso”. Mesma safra que os deprimentes “Minha casa, minha vida” denunciados no filme “Central do Brasil”. Os bons arquitetos da Bahia continuam engavetados. Como o professor Pasqualino Magnavita, autor do projeto Palco Móvel do Largo do Pelourinho, amplamente divulgado em revistas especializadas pelo mundo afora. O projeto não foi executado nos anos 90 porque ACM recusou o “esquerdista”. Três décadas depois, com outra opção política, Pasqualino permanece mofando na gaveta. Nossos governantes têm medo de qualidade. Mediocridade é mais confortável.

Dimitri Ganzelevitch

A Tarde, 4 janeiro 2025

 

O CORRUPTO HOMEM DE CONFIANÇA

 

Chefe do DNIT responsável por ponte que caiu já foi preso por corrupção

Ponte que desabou era responsabilidade do subordinado de Renan Filho

ACESSIBILIDADE:
Renan Bezerra foi preso em 2017, é réu por corrupção e superintendente do DNIT desde 2023. (Foto: Reprodução)

A chefia do descaso na infraestrutura da ponte que caiu e matou ao menos quatro entre os estados do Tocantins e do Maranhão, no último domingo (22), foi conduzida, desde 2023, por Renan Bezerra de Melo Pereira, que já foi preso pela Polícia Federal por suspeita de corrupção e é réu em ação decorrente da Operação Ápia, deflagrada em 2017.

Renan ocupa a chefia do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Tocantins, responsável pela ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, sob o aval do presidente Lula (PT) e do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), hoje sob os holofotes, posando como solucionadores do problema, que foi ignorado por cerca de dois anos das gestões dos envolvidos.

Vão central da ponte entre o Maranhão e o Tocantins desabou e matou 4 pessoas.








A ficha policial do gestor do DNIT do Tocantins foi divulgada pelo colunista Diogo Schelp, da Gazeta do Povo, com o alerta sobre a necessidade de análise profunda das responsabilidades pela falta de manutenção da ponte, que até agora tem quatro vítimas fatais e 15 desaparecidos, além do dano ambiental da carga de 76 toneladas de ácido sulfúrico e 22 mil litros de defensivos agrícolas de três caminhões que afundaram no Rio Tocantins, no acidente.

Renan Bezerra foi alvo da prisão e é réu no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, no âmbito da investigação da Ápia que resultou em denúncia do Ministério Público Federal por peculato, corrupção passiva, crime do colarinho branco e lavagem de dinheiro. A operação apurou responsabilidades por fraudes em licitações e em contratos de obras com suspeitas de desvios de mais de R$ 200 milhões do BNDES.

À época, Renan Bezerra era superintendente da Agencia de Transporte e Obras Públicas do Tocantins (AGETO-TO). E o Ministério Público Federal o denunciou junto com os ex-governadores José Wilson Siqueira Campos e Sandoval Cardoso, o deputado José Eduardo Siqueira Campos, o ex-secretário de Infraestrutura do Tocantins, Alvicto Ozores Nogueira e o empresário Wilmar Oliveira Bastos.

“Em 2020, o juiz federal do caso decidiu dar baixa no processo no âmbito criminal e enviá-lo para a Justiça Eleitoral, por entender que o dinheiro supostamente desviado serviu para financiar ilegalmente campanhas eleitorais. O caso está no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins e Renan Bezerra de Melo, o atual superintendente do DNIT do Tocantins, segue sendo um dos réus”, relatou o colunista da Gazeta do Povo, que atribui a indicação de Renan para o DNIT ao deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO).

O Diário do Poder telefonou para o gabinete do superintendente do DNIT no Tocantins para solicitar um posicionamento de Renan Bezerra sobre a ação resultante da Operação Ápia. Quem atendeu respondeu não ter recebido informações para repassar sobre o caso. E a reportagem fica à disposição para divulgar a defesa do chefe do denunciado.

 


CIDADE DA MÚSICA?

 

Salvador: cidade da música ou da poluição sonora?

Esses dias vi dois caras saindo da praia com uma caixa JBL do tamanho de um trem

Salvador: cidade da música ou da poluição sonora?

Foto: Reprodução

Por: James Martins no dia 27 de dezembro de 2024 às 06:51

Está aberta a temporada de caça... ou melhor, está oficialmente inaugurado o verão de Salvador. Como se precisasse. Mas, o fato é que, apesar de o clima ser parecido o ano inteiro, a cidade espera o verão. Proclamada "Cidade da Música" pela Unesco em 2016, nesta época Salvador parece exercitar sua vocação de forma ainda mais potente. Para mim, porém, fica uma certa dúvida: qual é exatamente essa vocação? Claro que temos um potencial musical enorme, com um talento em cada esquina. Mas uma "cidade da música", por definição, saberia gerir melhor a atividade musical, por exemplo, pagando direitos autorais e reconhecendo o valor dos compositores. Coisa que Salvador não faz, nas mais variadas instâncias. Nem sempre nos atentamos ao óbvio, mas música é a combinação de som e silêncio. E, por outro lado, é impossível encontrar um cantinho silencioso em Salvador, especialmente no verão.

Eis a pergunta que faço: Salvador é a cidade da música ou da poluição sonora? No porto da Barra, mais do que coolers, pranchas ou cangas, o acessório predominante são as famigeradas caixinhas de som. Assim também em Patamares ou na Boa Viagem. E como todo mundo é o DJ de si mesmo, a cacofonia é infernal. Em certos bares, o tal som ambiente é tão alto que não dá para conversar no ambiente. Nem sequer para ouvir o garçom. Na porta de casa, de repente, para um desgraçado e abre o porta malas libertando dali todos os demônios do inferno. E assim por diante. Agora, vejam, na Concha Acústica do TCA, local propício para apreciação de música, essas mesmas pessoas passam metade do show conversando outra metade mexendo no celular. Repito: cidade da música?

Esses dias vi dois caras saindo da praia com uma caixa JBL do tamanho de um trem. Se fosse um desfibrilador, urgente para salvar a vida de uma velhinha na areia, aposto que eles não levariam, alegando ser pesado demais. E o mais chocante: 95% das playlists só toca neo-sertanejo de Goiás. Ou pagodão "vou brocar sua xerec*". Enquanto isso, permanece sem sinalização a casa onde viveu Dorival Caymmi na Ladeira do Carmo. Bem vindos à cidade da música.  

FRAUDES NAS FORÇAS ARMADAS

 



“Rastro de fraudes milionárias nas Forças Armadas: pensões militares do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil somam prejuízo de R$ 54 milhões, enquanto a FAB oculta informações!”

"Criado em 1890 para amparar famílias de militares falecidos, o sistema de pensões militares acumula prejuízos de R$ 54 milhões no Exército Brasileiro e na Marinha do Brasil, com dados incompletos da Força Aérea Brasileira (FAB)."