sexta-feira, 30 de maio de 2025

RACHMANINOF PIANO CONCERTO N°2

THE MOON REPRESENTS MY HEART

LIBERTANGO

ABUNA YEMATA GUH

A Igreja mais inacessível do mundo


https://www.facebook.com/brunalombardioficial/videos/voc%C3%AAs-j%C3%A1-ouviram-falar-de-abuna-yemata-guh%C3%A9-uma-igreja-esculpida-nas-alturas-cra/671431755896643/ 

FREEDOM AND I


 

Freedom and I have been together 11 years this summer. She came in as a baby in 1998 with two broken wings. Her left wing doesn't open all the way even after surgery, it was broken in 4 places. She's my baby. When Freedom came in she could not stand and both wings were broken. She was emaciated and covered in lice. We made the decision to give her a chance at life, so I took her to the vets office. From then on, I was always around her. We had her in a huge dog carrier with the top off, and it was loaded up with shredded newspaper for her to lay in. I used to sit and talk to her, urging her to live, to fight; and she would lay there looking at me with those big brown eyes. We also had to tube feed her for weeks.
This went on for 4-6 weeks, and by then she still couldn't stand. It got to the point where the decision was made to euthanize her if she couldn't stand in a week. You know you don't want to cross that line between torture and rehab, and it looked like death was winning. She was going to be put down that Friday, and I was supposed to come in on that Thursday afternoon. I didn't want to go to the center that Thursday, because I couldn't bear the thought of her being euthanized; but I went anyway, and when I walked in everyone was grinning from ear to ear. I went immediately back to her cage; and there she was, standing on her own, a big beautiful eagle. She was ready to live. I was just about in tears by then. That was a very good day. We knew she could never fly, so the director asked me to glove train her. I got her used to the glove, and then to jesses, and we started doing education programs for schools in western Washington . We wound up in the newspapers, radio (believe it or not) and some TV. Miracle Pets even did a show about us.
In the spring of 2000, I was diagnosed with non-Hodgkin's lymphoma. I had stage 3, which is not good (one major organ plus everywhere), so I wound up doing 8 months of chemo. Lost the hair - the whole bit. I missed a lot of work. When I felt good enough, I would go to Sarvey and take Freedom out for walks. Freedom would also come to me in my dreams and help me fight the cancer. This happened time and time again.
Fast forward to November 2000, the day after Thanksgiving. I went in for my last checkup. I was told that if the cancer was not all gone after 8 rounds of chemo, then my last option was a stem cell transplant. Anyway, they did the tests; and I had to come back Monday for the results. I went in Monday, and I was told that all the cancer was gone.
So the first thing I did was get up to Sarvey and take the big girl out for a walk. It was misty and cold. I went to her flight and jessed her up, and we went out front to the top of the hill. I hadn't said a word to Freedom, but somehow she knew. She looked at me and wrapped both her wings around me to where I could feel them pressing in on my back (I was engulfed in eagle wings), and she touched my nose with her beak and stared into my eyes, and we just stood there like that for I don't know how long . That was a magic moment. We have been soul mates ever since she came in. This is a very special bird.
On a side note: I have had people who were sick come up to us when we are out, and Freedom has some kind of hold on them. I once had a guy who was terminal come up to us and I let him hold her. His knees just about buckled and he swore he could feel her power course through his body. I have so many stories like that.. I never forget the honor I have of being so close to such a magnificent spirit as Freedom
Credit Goes To The Respective Owner ~

MALDONADO, O NIILISTA

 ARMANDO AVENA


O mundo anda tão absurdo que outro dia lembrei-me de um amigo guatemalteco que conheci, já faz muitos anos, na Cepal – Comissão Econômica para a América Latina, em Santiago do Chile. Seu nome era Maldonado, Carlos Engels Maldonado, como dizia empostando a voz. O Carlos e o Engels eram herança da grande admiração que seu pai, comunista convicto, tinha pelo marxismo. Ele, no entanto, embora gostasse do nome, não acreditava em nada, era um cético empedernido.

Dizia-se um niilista e, com uma fluência impressionante, sempre aos borbotões, como se vomitasse as palavras, investia contra tudo e contra todos.

Detestava os “ismos”, quaisquer que fossem. Dizia, citando a piada polonesa, que o capitalismo era a exploração do homem pelo homem e o comunismo, o contrário. Quanto ao anarquismo, afirmava que os homens não são capazes de viver “sem deuses e sem senhores”. E lembrava que até Bakunin, no fim da vida, afirmou: nada permanecerá a não ser a música de Beethoven.

E, enquanto isso, praguejava contra o imperialismo americano e a violência ianque na América Central, e dizia que a Revolução Russa não foi feita para o povo, mas para as vanguardas. Reclamava ferozmente contra a Igreja Católica, que considerava a responsável histórica pelas injustiças sociais. Dizia impropérios contra a riqueza e a pompa da antiga Roma, recordando a Inquisição e a venda de indulgências. E contra a Roma moderna, que se tornou progressista, mas não distribuiu a riqueza do Vaticano entre os pobres. Era contra tudo, até a Revolução Francesa, que definia com uma frase:

« Liberté, égalité, fraternité : les Français en calèche, et nous à pied. »

Penso que, se Maldonado visse o mundo atual, com um arremedo de Napoleão, sem cultura ou estratégia, governando a Rússia e invadindo a Ucrânia; um bastardo de Hitler matando crianças em Gaza e um valentão, ignorante e boquirroto, governando a América, ele demonstraria seu pessimismo, dizendo mais uma vez: “Tengo la sensación de que el mundo se va a acabar breve!”. Para então voltar a praguejar contra russos, americanos, o Papa e tudo mais.

Lembro que certa vez ele presenciou uma acirrada discussão sobre esquerda e direita, fascistas e capitalistas, Marx e todo o arco ideológico. Manteve-se em silêncio o tempo todo, olhando para todos de modo circunspecto e misterioso, como se tivesse algo importante para dizer. Quando a discussão ia descambar para as vias de fato, Maldonado pediu a palavra, e o silêncio foi absoluto, pois todos esperavam um comentário definitivo ou uma frase brilhante. Foi então que ele se levantou e disse pausadamente: “Marx ha muerto, Freud ha muerto, Nietzsche ha muerto y yo mismo no me siento nada bien.” A velha frase, repetida milhares de vezes nos pátios universitários, fez gargalhar a todos. E a discussão deu lugar à confraternização e ao riso. 

Publicado no jornal A tarde em 30/05/2025

LE GRAND PRIX


Quatro noites praticamente sem conseguir fechar o olho. A escuridão que ainda se arrasta no céu gélido de março me vê sentado na sacada de minha suíte do Hotel de Paris, assistindo ao aparecer do azul do Mediterrâneo.

Quando o diretor do banco me telefonou pessoalmente para me dar a notícia, não consegui responder. Precisaria ir a Monte-Carlo para assinar os papeis e resolver o que fazer com seiscentos milhões de euros. Pois é. Isso tudo. Tinha ganhado o Grand Prix des Princes de Mônaco. Mandaria reservar no próximo avião para Paris e de lá, táxi aéreo. A hospedagem seria por conta do banco. Lembrando um velho ditado árabe: “Só se dá aos ricos” não pude reprimir uma risadinha. Eu, modesto galerista do Mercado Modelo, um quase pé-de-chinelo, dois dias antes nem me teriam deixado entrar no saguão do palace. Felizmente tenho bagagens discretas que escapam a praga das samsonites. Adivinhe quem pegou o mesmo elevador? Naomi Campbell. Linda, mas muito enjoada. Vou ter que me acostumar a conviver com ricos e famosos.

Agora vem the question. O que fazer com mais de oitenta anos de vidinha nem sempre fácil, mas bem gostosa? Não vou poder continuar com minha velha casa do Santo Antônio onde todos me conhecem. Posso adivinhar a longa fila de velhos, caros e íntimos amigos que, de repente, se lembrarão de mim. A propósito, estou com um projeto que você vai adorar. E barato! Detesto lhe cobrar, mas você tem que me ajudar: minha filha está com câncer, hanseniase, HIV, tuberculose, meu pai foi preso injustamente e precisamos de um bom advogado, você tem que levantar o cinema baiano, quero editar um livro de poesia com vídeo acoplado e talvez uma peça de teatro. Você não vai me dar aquela casinha em Interlagos?!! Isso sem contar com figuras estranhas que sem demora começarão a rondar o bairro. Não pretendo acabar sequestrado. E vou perder o pastel do outro lado da rua e a pizza do Gustavo?

Para ir morar aonde? Numa destas torres que sempre abominei? Só se for uma cobertura, perdão um rooftop, mas com entrada separada e elevador particular. Pretendo continuar usando minhas camisetas surradas e meus velhos jeans sem afrontar os olhares enviesados dos homens de bem. Terá que ser bem grande e com condições para plantar árvores frutíferas. Não vou deixar de conviver com pássaros e borboletas. E, evidente, a mesma vista sobre a baia. Ou então, como no “Gog” de Giovanni Papini quando um ricaço compra um quarteirão em Manhattan, indemniza regiamente todos os moradores, manda destruir tudo, cerca com um muro bem alto, constrói uma casinha muito simples e deixa a natureza invadir o resto do terreno. Acho que vou fazer o mesmo no Corredor da Vitória ou no Horto Florestal. 

Serei feliz, mesmo?

 Dimitri Ganzelevitch

A Tarde, Sábado 31 de maio 2025