Quando eu digo que existe um processo de imbecilização abrigado no identitarismo, me refiro a esse tipo de pensamento. Além de ser uma idiotice arrematada, baseada em pressupostos fajutos e dementes de purismo, há algo ainda mais absurdo e perigoso dentro disso: essa carniça está infiltrada e disseminada na área de Humanas, levando a uma colossal contradição dentro dos estudos culturais: tudo que se sabe e se estuda sobre a gênese da cultura advem do caráter essencial das trocas, das misturas.
Cultura se produz por fricção, tensão, fusão, diálogo, embate, troca, mistura, conflito, negociação, influência etc. Não existe PUREZA na cultura. Não existe genuíno no cultural.
Tudo o que somos é a soma de tudo que nos antecede, em processos dialógicos e dialéticos. A cultura é impositivamente um caldeirão de heranças e aportes que vem de todos os lugares com os quais aquele povo daquele território tem estado em contato. O humano migra e ao se mover no tempo e no espaço ele leva, lega, deixa e traz.
Portanto, quem estuda cultura não tem o direito de se perfilar ao lado de uma barbaridade dessas e se o faz, padece de indigência cognitiva ou falta de caráter!

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