Já reclamei neste mesmo jornal e nas redes sociais da
falta que nos faz um museu de cultura popular. Sem o
mínimo resultado. Inventaram um museu de arte
contemporânea que, além de incomodar a vizinhança
com barulheiras festivas, nada acrescentou. Não hesita
em expor antigas joias de escravizadas enquanto a obra
de Beatriz Milhazes é exposta no Museu de Arte da
Bahia. Este, o mais antigo museu da Bahia (1918),
relegou o acervo organizado pela finada Sylvia Athayde a
um espaço entre a reserva técnica e o subsolo. Para que
serve hoje o Museu de Arte Moderna senão atrair
multidões para shows populistas?
Desde Brasília até Cachoeira nossa cultura vai mal, muito
mal. Monumentos arruinados aguardam décadas para
serem recuperados. O TCA, o Instituto do Cacau, a
capela de Nossa-Senhora da Pena no Paraguaçu,
Nossa-Senhora do Vencimento, perto de São Francisco
do Conde, o Convento dos Humildes em Santo Amaro ...
Memória espezinhada. A pirâmide inteira precisa de uma
boa varredura para dar o devido espaço a profissionais
gabaritados. Basta de amadores e apadrinhados. Por
enquanto, o único critério é a cor partidária, seja a nível
federal, estadual ou municipal.
Combatendo esta cultura da amnésia, tento fazer a minha
parte, editando mais um livro - com pesadíssimo
sacrifício para meu bolso - sobre as antigas e
maravilhosas barracas de festas de largo do verão
soteropolitano. Nem me lembrei de concorrer ao edital da
Fundação Gregório de Matos. Além de aparecer de caju
em caju, caso improvável vença, não teria o mínimo
controle sobre o projeto gráfico. Quanto aos outros
editais, meu receio é de ser barrado no baile por nunca
ter feito parte de nenhuma bolha.
Como ocorreu com o livro sobre os carros de cafezinho
publicado em 2020, pedi a competente Maria-Helena
Pereira da Silva levar a bom
porto o projeto editorial.
A despeito de um espaço físico que conserve a memória
da criatividade do povo baiano, minha modesta
contribuição salvará do esquecimento algo da tão rica e
tão maltratada cultura popular da Bahia.
Neste segundo livro, além de texto meu, outro do
arquiteto Wesley Pontes e uma análise do acadêmico
professor Ordep Serra. Como no livro anterior, o cordel
não podia ficar ausente, agora pelo talento da Gildete
Virgens. Após pesquisas no Instituto Moreira Salles,
Fundação Pierre Verger e MAB, o livro será fartamente
ilustrado com 84 fotos dos melhores autores - Lúcia
Guanaes, Isabel Gouvêa, Voltaire Fraga, Ameris Paolini,
Marcel Gautherot, Márcio Lima, Pierre Verger, Valéria
Simões - e mais três ilustrações de Carybé.
Lhe guardamos para o lançamento e bate-papo na
quarta-feira 11 de março às 17h00 na Aliança Francesa,
avenida 7 de setembro 401(Ladeira da Barra).
Preço do livro: R$100,00.
Dimitri Ganzelevitch
sábado 21 de março 2026

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