sábado, 21 de março de 2026

SAUDADE DAQUELAS BARRACAS


Já reclamei neste mesmo jornal e nas redes sociais da

 falta que nos faz um museu de cultura popular. Sem o

 mínimo resultado. Inventaram um museu de arte

 contemporânea que, além de incomodar a vizinhança

 com barulheiras festivas, nada acrescentou. Não hesita

 em expor antigas joias de escravizadas enquanto a obra

 de Beatriz Milhazes é exposta no Museu de Arte da

 Bahia.  Este, o mais antigo museu da Bahia (1918),

 relegou o acervo organizado pela finada Sylvia Athayde a

 um espaço entre a reserva técnica e o subsolo. Para que

 serve hoje o Museu de Arte Moderna senão atrair

 multidões para shows populistas?

Desde Brasília até Cachoeira nossa cultura vai mal, muito

 mal. Monumentos arruinados aguardam décadas para

 serem recuperados. O TCA, o Instituto do Cacau, a

 capela de Nossa-Senhora da Pena no Paraguaçu,

 Nossa-Senhora do Vencimento, perto de São Francisco

 do Conde, o Convento dos Humildes em Santo Amaro ...

 Memória espezinhada. A pirâmide inteira precisa de uma

 boa varredura para dar o devido espaço a profissionais

 gabaritados. Basta de amadores e apadrinhados. Por

 enquanto, o único critério é a cor partidária, seja a nível

 federal, estadual ou municipal.

Combatendo esta cultura da amnésia, tento fazer a minha

 parte, editando mais um livro - com pesadíssimo

 sacrifício para meu bolso - sobre as antigas e

 maravilhosas barracas de festas de largo do verão

 soteropolitano. Nem me lembrei de concorrer ao edital da

 Fundação Gregório de Matos. Além de aparecer de caju

 em caju, caso improvável vença, não teria o mínimo

 controle sobre o projeto gráfico. Quanto aos outros

 editais, meu receio é de ser barrado no baile por nunca

 ter feito parte de nenhuma bolha.


Como ocorreu com o livro sobre os carros de cafezinho

 publicado em 2020, pedi a competente Maria-Helena

 Pereira da Silva levar a bom porto o projeto editorial.

A despeito de um espaço físico que conserve a memória

 da criatividade do povo baiano, minha modesta

 contribuição salvará do esquecimento algo da tão rica e

 tão maltratada cultura popular da Bahia.

Neste segundo livro, além de texto meu, outro do

 arquiteto Wesley Pontes e uma análise do acadêmico

 professor Ordep Serra. Como no livro anterior, o cordel

 não podia ficar ausente, agora pelo talento da Gildete

 Virgens. Após pesquisas no Instituto Moreira Salles,

 Fundação Pierre Verger e MAB, o livro será fartamente

 ilustrado com 84 fotos dos melhores autores - Lúcia

 Guanaes, Isabel Gouvêa, Voltaire Fraga, Ameris Paolini,

 Marcel Gautherot, Márcio Lima, Pierre Verger, Valéria

 Simões - e mais três ilustrações de Carybé.


Lhe guardamos para o lançamento e bate-papo na

 quarta-feira 11 de março às 17h00 na Aliança Francesa,

 avenida 7 de setembro 401(Ladeira da Barra). 

Preço do livro: R$100,00.


Dimitri Ganzelevitch

sábado 21 de março 2026

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