domingo, 18 de janeiro de 2026

AS ÁRVORES DA ETIOPIA

 

Etiópia mobilizou um país inteiro, quebrou recorde mundial, plantou 350 milhões de árvores em 12 horas, reagiu ao colapso ambiental, enfrentou desertificação histórica, respondeu ao aquecimento global e mostrou como reflorestamento em massa virou estratégia nacional de sobrevivência climática

Escrito porBruno Teles

Etiópia bate recorde com Green Legacy: reflorestamento contra desmatamento e aquecimento global após 350 milhões de árvores em 12 horas.
Etiópia bate recorde com Green Legacy: reflorestamento contra desmatamento e aquecimento global após 350 milhões de árvo























































Em todo o território da Etiópia, voluntários aderiram 


ao programa Green Legacy lançado por Abiy Ahmed e plantaram mais de 350 milhões de mudas em 12 horas, ultrapassando a meta de 200 milhões. O governo afirma ter 2,6 bilhões já plantadas e mira 4 bilhões até outubro na estação chuvosa.

Na Etiópia, uma mobilização nacional colocou milhões de pessoas no plantio em massa e levou o país a registrar mais de 350 milhões de árvores em 12 horas. A ação ocorreu em todo o território etíope, com participação de voluntários, e foi incorporada pelo governo como resposta prática a degradação ambiental e pressão climática.

O esforço integra a iniciativa Green Legacy, lançada pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, com uma meta declarada de 4 bilhões de árvores até o fim da estação chuvosa, em outubro. A proposta é conectar reflorestamento, proteção do solo e resiliência econômica em um país onde a agricultura é base social e a instabilidade climática pesa no cotidiano.

O recorde em 12 horas e a meta superada no mesmo dia

Etiópia bate recorde com Green Legacy: reflorestamento contra desmatamento e aquecimento global após 350 milhões de árvores em 12 horas.

A Etiópia informou que plantou mais de 350 milhões de mudas em 12 horas, superando a meta original de 200 milhões em um dia.

O governo tratou o marco como algo maior do que performance pontual, colocando o resultado como parte de uma estratégia contínua, com campanhas de convocação em escala nacional.

O recorde anterior citado é o da Índia, em 2017, quando voluntários plantaram 66 milhões de árvores em 12 horas.

Ao ultrapassar esse número, a Etiópia reforçou a narrativa de que o plantio em massa pode ser organizado como ação pública recorrente, e não como evento isolado.

Green Legacy, Abiy Ahmed e a matemática de 4 bilhões até outubro

Etiópia bate recorde com Green Legacy: reflorestamento contra desmatamento e aquecimento global após 350 milhões de árvores em 12 horas.

O programa Green Legacy foi lançado por Abiy Ahmed com meta declarada de 4 bilhões de árvores até o final da estação chuvosa, em outubro.

O plano é apresentado como desafio coletivo: 40 mudas para cada pessoa no país, com convite explícito para participação popular.

O Ministério da Agricultura da Etiópia afirmou que 2,6 bilhões de novas árvores já foram plantadas, mais da metade do objetivo anunciado.

A continuidade depende de mobilização, logística de mudas, janela climática e manutenção posterior, porque reflorestamento não termina no ato de plantar.

Desmatamento histórico e queda da cobertura florestal

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A campanha é descrita como tentativa de reverter décadas de desmatamento associadas a falta de regulamentação sobre extração de madeira, liberação de terras e direitos de propriedade.

O resultado apontado é um declínio acentuado da cobertura florestal no país.

Um dado citado por pesquisa ligada à restauração florestal na África Oriental indica que, na virada do século XX, áreas florestadas correspondiam a quase um terço do território etíope, enquanto hoje esse índice estaria em apenas 4%.

Para a Etiópia, o reflorestamento em massa aparece como resposta direta a essa perda.

Clima, solo e agricultura sob pressão em áreas rurais

Os efeitos da mudança climática são descritos como especialmente fortes sobre a população agrária da Etiópia.

Agricultura em excesso e com poucas regras é apontada como fator de degradação da terra e erosão do solo, reduzindo produtividade e elevando vulnerabilidade.

Ao mesmo tempo, o aquecimento de temperaturas amplia a ameaça de eventos climáticos extremos, com referência explícita a secas e inundações.

Nessa leitura, reflorestamento deixa de ser simbólico e passa a ser ferramenta de sobrevivência territorial, com impacto esperado em estabilidade do solo, água e microclima.

Por que árvores entram na conta do carbono e do aquecimento global

Uma estimativa citada aponta que 15 bilhões de árvores são cortadas no mundo a cada ano, o que aumenta a pressão sobre o aquecimento global.

Outro dado citado indica que o desmatamento responde por mais de 15% dos gases de efeito estufa.

O mecanismo descrito é direto: o carbono retirado da atmosfera fica armazenado em galhos e troncos, e quando árvores são cortadas e queimadas, o carbono volta para o ar.

Nesse contexto, a Etiópia usa o reflorestamento como estratégia de redução de risco climático e recuperação ambiental.

Reflorestamento em massa como estratégia nacional de sobrevivência

A Etiópia trata a operação como política de escala, vinculando recorde, meta anual e reconstrução de cobertura vegetal.

O plantio em massa, ao mobilizar voluntários e governo, vira um instrumento para enfrentar desertificação histórica, responder ao aquecimento global e recuperar áreas degradadas.

O efeito final depende do que acontece depois do recorde: sobrevivência das mudas, manutenção, continuidade anual e capacidade de transformar números em floresta

Ainda assim, a mobilização já funciona como sinal de prioridade nacional, com metas públicas e contagem oficial de árvores plantadas.

Se a Etiópia conseguiu mobilizar milhões e plantar 350 milhões de árvores em 12 horas, o que impediria outros países de fazer algo parecido em escala nacional?


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