domingo, 21 de junho de 2026

DO SOFT POWER AO PORRETE


Paulo Ormindo de Azevedo



Os ianques sempre tentaram colonizar a América do Sul. Durante a II Guerra com a Política de Boa Vizinhança, por exibir Carmem Miranda na Broadway, nos surrupiaram muita areia monazítica, mica e cristais de rocha. O Programa Corpos da Paz (Peace Corps), de 1961, serviu para infiltrar agentes no Cone Sul e preparar os golpes militares do Chile, Brasil, Uruguai e Argentina, quando 34.000 pessoas foram mortas ou desaparecidas nos quatro países e milhares foram torturadas sob orientação da Operação Condor. A isto eles chamavam de Soft Power, ou Força Amaciada, de dominação colonial sem entrar numa guerra.
Eles nunca pararam o Soft Power na região em cooperação com instituições e políticos locais. Em 1972, Henry Kissinger alertou Nixon de que a Igreja Católica com a Teologia da Libertação ameaçava os interesses americanos na América Latina. A partir daí, os EUA começaram a minar o catolicismo na região e impor o protestantismo americano. Segundo alguns demógrafos, até 2050 os pentecostais se igualarão aos católicos no país. Os evangélicos já são uma das maiores forças políticas no Congresso.
A partir de 1964, a Globo se agigantou quando se associou ao grupo Time/Life e passou a ser a porta-voz do regime militar. Ainda hoje sua programação de TV é um espelho da americana com programas como: The Big Bros, The Voice, The Masked Singer. Por esse trabalho subliminar de aculturação a Globo é a campeã na América Latina de prêmios da americana Emmy Internacional ganhando, pasmem, 20 estatuetas Golden Globe Awards, o Oscar da TV. Sua última campanha é substituir a rica cultura sertaneja pela country. No programa Circuito Sertanejo e na novela Coração Acelerado, cantores e atores se vestem como cowboys com chapéu country.
Trump abandonou o Soft Power e adotou a política do Big Stick, ou Porrete (1901-1909), disfarçado de pacifista. Bombardeou sem motivo o Irã, expandindo a guerra no Oriente Médio e criando uma crise mundial que favoreceu a Rússia na guerra contra a Ucrânia, que ele dizia acabar em um dia. Sem saber como sair da enrascada em que se meteu, capitula às exigências do Irã e promete pagar USD$300 bilhões de indenização num acordo de paz que não dura uma semana.
Enfrentando inflação e vaias ele tenta cantar de galo no seu quintal desmilitarizado, se apropriando do petróleo venezuelano, bombardeando barcos não comprovados de drogas, garroteando Cuba e tentando intervir nas eleições do país líder da região, o Brasil, com um tarifaço e classificando o PCC e o CV como forças terroristas para intervir no sistema financeiro do país e criminalizar o Pix. Naturalmente mancomunado com uma família quinta-coluna ligada aos EUA e que desfila na Avenida Paulista com a sua bandeira. Em 1945, para comemorar a queda de outro falso king, Francisco Alves cantava:
Eu assisti de camarote o teu fracasso/ Palhaço, palhaço...
SSA: A Tarde, 21/06/2026

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