sexta-feira, 19 de junho de 2026

ERA O QUE FALTAVA!

 

Por
Sarah Teófilo
— Brasília

 Atualizado

RESUMO

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O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo nesta quinta-feira de uma operação da Polícia Federal que apura se ele atuou a favor dos interesses do Banco Master no Congresso em troca de "vantagens indevidas". Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão e ainda não se manifestou.

A operação ocorreu por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF suspeita da atuação de Wagner a favor de projetos de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro, como a "emenda Master", em troca de benefícios como um apartamento de luxo de R$ 2,4 milhões em Salvador e repasses a uma empresa de sua nora. O inquérito também identificou o pagamento de ingressos para um show no exterior.

"A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagem econômica indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado", diz a decisão de Mendonça.

Como contrapartida, o ministro afirma que houve a verificação de indícios de atuação do parlamentar em temas de interesse do Banco Master, "especialmente em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB".

Os investigadores suspeitam da atuação de Jaques em três momentos:

  • a apresentação de emenda a uma Medida Provisória, editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda;
  • na tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
  • na fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB);

Além de determinar o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra Jaques Wagner, o ministro André Mendonça proibiu o senador de manter contato com o enteado e a nora, bem como com os responsáveis pelo empreendimento ligado ao apartamento de R$ 2,4 milhões. Mendonça também o proibiu de exercer atividades de gestão em empresas citadas na investigação, entre elas a companhia administrada por sua nora.

18 mandados de busca e apreensão

O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. Na época, o senador disse que não tinha "conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.

Além de Jaques Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima , ex-sócio de Vorcaro. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão são cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF afirmou em nota que a operação busca "apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional". Ainda segundo a corporação, os "fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro".

A Operação Compliance Zero

A última fase da Compliance Zero teve como alvo o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e apurava aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras do Master que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões.

Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero começou investigando a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master em um esquema de fraude bilionário. Com o avanço das apurações, outras figuras passaram a ser atingidas, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso,

A PF ampliou o foco da investigação e apura também uma suposta rede de corrupção e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além da existência de uma estrutura paralela de intimidação e espionagem, apelidada de "A Turma".

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