Inhotim é uma experiência única e pessoal. É importante ter isso em mente antes de agendar o passeio. Para o turista que vem de fora, combinar a capital mineira com Inhotim e Ouro Preto é um programa quase obrigatório. Vale a máxima: é como ir a Roma e não ver o papa.

Se você mora na Região Metropolitana, a dica é descobrir como uma região devastada pela mineração renasceu da lama e criou experiências diversificadas. Combine Inhotim com as vivências do Catálogo Céu de Montanhas.

Prestes a completar 20 anos, em outubro de 2026, o Inhotim vai começar o ano ampliando o horário de visitação, como sempre faz nos períodos de férias escolares: a partir do dia 2 de janeiro, os portões serão abertos também às terças-feiras, no horário das 9h30 às 17h30.

Vista aérea da obra de Simon Starling, "The Mahogany Pavilion (Mobile Architecture nº 1)" (2004) _ Foto:  Brendon Campos / Divulgação

O espaço terá ainda novidades na programação, entre elas o retorno da exposição “The Murder of Crows” (2008), de Janet Cardiff e George Miller, a requalificação da Galeria Cildo Meireles (@cildomeireles) e uma escultura monumental de Lais Myrrha (@laismyrrha) ao ar livre.

Aplicativo

Visitar 140 hectares requer muitas decisões e planejamento. Quantos dias visitar? O que ver? Como otimizar o roteiro? Desde 2017, há um aplicativo, disponível para iOS e Android, que ajuda o turista a organizar a visita, com programação mensal e dicas de roteiros temáticos. 

Tunga, "Palíndromo Incesto" (1990-1992), Galeria Psicoativa - Foto: Daniel Mansur / Divulgação

Depois da decisão sobre a data, é hora de comprar o ingresso pelo aplicativo, pela plataforma Sympla ou na bilheteria. A partir de janeiro, os preços mudam para R$ 65 a inteira e R$ 32,50 a meia (entrada gratuita na última quarta e domingo do mês). Há combos para dois e três dias.

O mais importante: lembre-se de que o Inhotim é um destino em si e deve ser visitado com tempo. Para ser sincero, é uma overdose de arte. E quando olhos e cérebro ficam sobrecarregados por tanta beleza e informação, acabam por ficar anestesiados. Por esse motivo, é importante dividir a visita em dois ou três dias.

A área de lazer do Clara Resorts - Foto: Clara Resorts / Divulgação

Para evitar o bate e volta, o conselho é se hospedar em uma pousada em Brumadinho ou no Clara Resorts, inaugurado em dezembro de 2024. Para quem está disposto a desembolsar diárias de R$ 2.864,77 (valor para reservas em janeiro), o Clara Resorts inclui tour guiado na segunda e terça-feira pelo museu, em horários diferenciados e com equipe de monitoria.

Como fazer a visita

Obra de Robert Irwin, sem título, 2019 - Foto: Brendon Campos / Divulgação

Uma coisa que me chamou a atenção no Inhotim é que não há necessidade de conhecer sobre arte para aproveitar a visita. Ao contrário, quanto menos conhecer ou ler sobre o museu, maior será seu encantamento. Se resolver não entrar nas galerias, com certeza vai “tropeçar” em uma obra de arte.

No acervo do Inhotim, são mais de 800 obras de arte contemporânea distribuídas em 24 galerias, das quais 18 são permanentes. Essas galerias têm projetos arquitetônicos que são um atrativo por si só: impressionam pela beleza, pela forma ou pela harmonia com a natureza.

Entre uma galeria e outra, a natureza como "respiro" - Foto: João Marcos Rosa / Divulgção

Entre uma galeria e outra, há um “respiro” de natureza: o visitante pode contemplar toda a beleza do jardim botânico com mil espécies de plantas oriundas de biomas brasileiros, como Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, e de outros continentes. Esse é um passeio à parte. 

Uma das espécies mais fotografadas é a agave-polvo, mas há outras curiosas, como o antúrio-ninho-de-passarinho e a tataré, introduzidas no Brasil pelo paisagista Burle Marx; a aricuri, palmeira rara só encontrada no Vale do Jequitinhonha; o belíssimo cipreste do brejo; uma palmeira azul, de coloração exótica; a extravagante pata-de-elefante (é só ver para descobrir o porquê).

Vista externa da Galeria Yayoi Kusama (2023) - Foto: Daniel Mansur / Divulgação

O Inhotim tem construídas três rotas demarcadas por cores: a  rosa e amarela pode ser trilhada no primeiro dia;  a rota laranja, no segundo dia. Assim você poderá entrar em todas as galerias e curtir cada pedacinho do espaço, além de fazer pausas para apreciar a natureza e suas espécies. 

Nesta matéria, elegemos dez obras a céu aberto e dez galeriaspara você incluir no seu roteiro, priorizando, é claro, os artistas.

Obras externas:

Obra de Chris Burden, "Beam Drop Inhotim" (2008) - Foto: William Gomes / Divulgaç~~ao

Carapiá: O artista propõe em dos lagos a instalação "Apenas depois da chuva", trazendo o labor cotidiano da torção do ferro para o ateliê de serralheria do museu.

Chris Burden: "Beam Drop Inhotim" (2008) é a recriação da obra de 1984 no Art Park (EUA). Na versão para o Inhotim, são 71 vigas de 45 m de altura em uma piscina de concreto.

Jarbas Lopes: "Troca-troca" (2002) é composta por três fuscas coloridos, originalmente amarelo, azul e vermelho, que tiveram suas latarias trocadas, resultando em três carros multicoloridos.

Dan Graham: "Bisected Triangle, Interior Curve" (2002) é parte da série "Pavilion", do final dos anos 1970. São obras que se colocam entre a arquitetura, a escultura e o site-specific: nas estruturas, os espelhos, em formas simples, curvas, provocam distorções nos reflexos.

"Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe", obra de Hélio Oiticica (1977) - Foto: Julia Lanari / Divulgação

Chris Burden: Instalada em um dos pontos mais altos do Inhotim, "Beehive Bunker" (2006) simula uma espécie de posto de vigilância. O fortim solitário (para uma pessoa) é uma estrutura militar que se popularizou com a Segunda Guerra Mundial (1939/1945).

Giuseppe Penone: Em "Elevazione" (2001), castanheira centenária encontrada caída nos jardins do Palácio de Versalhes (França) foi moldada e fundida em bronze, sendo suspensa a três metros do solo, apoiada pelas raízes em suportes de aço, próxima de cinco Guaritás.

Hélio Oiticicaca: "Invenção da Cor, Penetrável Magic Square" (1977) foi construída postumamente, a partir das instruções deixadas por Hélio Oiticica. Nove paredes em alvenaria, tinta acrílica, tela de arame e vidro, atravessadas pela luz natural, sofrem mudanças ao longo dos dias.

Obra de Yayoi Kusama, "Narcissus Garden", (1966/2009) -. Foto: João Marcos Rosa / Divulgação

John Ahearn & Rigoberto Torres: Os artistas retratam os costumes e as tradições de comunidades próximas ao Inhotim. Tanto "Abre a porta" (2006) quanto "Rodoviária de Brumadinho" (2005) são resultado de processo de imersão da dupla no cotidiano da cidade.

Olafur Eliasson: Em "By Means of a Sudden Intuitive Realization" (1996), apresentado na Manifesta Biennale I (1996), em Roterdã (Holanda), o artista tem como ponto de partida a arquitetura utópica e visionária de Richard Buckminster Fuller, inspirada em formas geodésicas da natureza para projetar construções simples e sustentáveis.

Yyoi Kusama. "Narcissus Garden" reúne 750 esferas de aço inoxidável sobre o espelho d'água, em referência ao mito de Narciso, que se encanta pela própria imagem refletida na água. Apresentada na Bienal de Veneza (1966), o artista colocou à venda 1.500 esferas com duas placas com os dizeres: "Seu narcisismo à venda” e “Narcissus Garden, Kusama”.

Galerias:

Galeria Adriana Varejão ou o "edifício cego" - Foto: William Gomes / Divulgação

Adriana Varejão: Em "Celacanto provoca maremoto"  (2004-2008, a artista tem como ponto de partida a azulejaria barroca portuguesa. Quatro paredes com 184 azulejões, com a superfície craquelada como se tivessem sofrido a passagem do tempo, são montados de maneira desordenada, a produzir a aparência de uma grande onda, um maremoto.

Andréa Varejão: O “edifício cego”, como denominou o arquiteto Rodrigo Cerviño, é uma grande caixa de concreto suspensa sobre um espelho d’água, propondo um diálogo entre arquitetura e paisagem. A galeria reúne algumas obras da artista Adriana Varejão.

Obra de Cildo Meireles, "Desvio para o Vermelho II: Entorno (1967/1984) - Foto: William Gomes / Divulgação

Claudia Andujar: O espaço reúne mais de 400 obras da fotógrafa suíça radicada no Brasil, que, de 1950 a 2010, fez registros do universo Yanomami, povo indígena que vive no norte da Floresta Amazônica. 

Cildo Meireles. Assinada pelo arquiteto Paulo Orsini, a galeria passa por uma revitalização. Atualmente, estão expostas três obras do artista: "Através" (1983-89), "Desvio para o vermelho: Impregnação; Entorno; Desvio" (1967-1984) e "Glove Trotter" (1991). 

Doug Aitken, Sonic Pavilion, 2009 - Foto: João Kehl / Divulgação

Doug Aitken: No centro do espaço, há um orifício de 202 metros de profundidade, por onde passam um conjunto de microfones que captam os sons da terra. Transmitido em tempo real, os ruídos emitidos ocupam todo o ambiente.

Galeria Galpão: O espaço foi pensado inicialmente para abrigar a obra "The Murder of Crows" (2008) de Janet Cardiff e Georges Bures Miller, uma das maiores instalações sonoras já criadas pela dupla. A obra retorna este ano à galeria. As exposições têm caráter de curta e média duração, como o trabalho O Barco (2021), de Grada Kilomba, uma obra escultórica composta por 134 blocos de madeira queimada estendem-se por 32 metros.

Vista aérea da Galeria Cosmococa, da Arquitetos Associados (2010) - Foto: Brendon Campos / Divulgação

Hélio Oiticica e Neville D’Almeida. Inaugurada em 2010, a Galeria Cosmococa possui o seu projeto arquitetônico assinado pelos Arquitetos Associados. Nela, está abrigado um conjunto de cinco ambientes desenvolvidos por Hélio Oiticica e Neville D’Almeida.

Miguel Rio Branco: Com o projeto assinado pelos Arquitetos Associados, a Galeria Miguel Rio Branco tem um projeto construtivo que dialoga com a referência barroca presente na obra do artista. Aproveitando o terreno em declive, a arquitetura se divide em um bloco suspenso e outro subterrâneo.

Galeria True Rouge - Foto: Ana Clara Martins / Divulgação

Tunga: A instalação "True Rouge" (1997) reúne recipientes suspensos, em posições irregulares, que lembram o universo de um laboratório. Dentro de cada peça de vidro há um líquido vermelho que, dependendo da inclinação, derrama sobre outros recipientes.

Valeska Soares: Do lado de fora, o visitante observa uma estrutura que remete a um coreto, com as paredes espelhadas refletindo a vegetação do entorno. Do lado de dentro, as paredes, cobertas por espelhos, recebem a projeção de "Tonight" (2002), que retrata pessoas dançando no antigo Cassino da Pampulha, atual Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte), ao som da canção "The Look of Love" (1967), de Burt Bacharach.

Vista aérea da Galeria Valeska Soares - Foto: Brendon Campos / Divulgação

Serviço:

Como chegar:
De carro: Acesso pela Rodovia BR-381 (passando por Mário Campos) ou pela Rodovia BR-040 (passando por Piedade do Paraopeba). Estacionamento gratuito.
De ônibus: Transfer Belvitur, às 8h (chegar até às 7h45). Hotel Holiday Inn. Rua Professor Moraes, 600, Savassi.

Horário de visitação:
Quarta a sexta-feira: 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriado, das 9h30 às 17h30.
Nos meses de janeiro e julho, o Inhotim funciona às terças-feiras, das 9h30 às 16h30.

Como comprar ingressos:
Compre na plataforma Sympla, na bilheteria on-line oficial ou na bilheteria do parque.

Preços dos ingressos (a partir de 1º de janeiro de 2026):
1 dia (R$ 65 inteira e R$ 32,50 meia), 2 dias (R$ 114 a inteira e R$ 57 meia) e 3 dias (R$ 150 inteira e R$ 75 meia).
Observação: Toda quarta-feira e ultimo domingo do mês têm entrada gratuita.

Transporte interno:

Carros elétricos podem ser alugados das 10h às 16h, e fins de semana e feriado, das 10h às 17h, ao preço de R$ 45 por pessoa (a partir de 2026), na agência oficial do Inhotim, Belvitur (inhotim@belvitur.com.br) ou pela plataforma Sympla, junto à compra do seu ingresso, por três horas de visitação, das 10h às 13h ou das 13h às 16h. Para o dia todo, deverá contratar dois períodos. Limite de 5 ou 7 pessoas por carrinho, com valores entre R$ 900 a R$ 2.500)

Visitas mediadas: Acesse o site oficial do Inhotim. Há visitas panorâmicas, temáticas, em grupo e escolares.

Conheça Brumadinho: Combine a visita com uma das experiências do Catálogo Céu de Montanhas./