Ah, essa mania brasileira de contrariar a gravidade! No colégio de Belém de Cachoeira, um seminarista paulista fez a água subir 40 metros e criou o primeiro objeto voador do mundo, a Passarola, ou balão de ar quente.

Chamava-se Bartolomeu de Gusmão, ou o padre voador. Demonstrou sua invenção a D. João V, no Paço Real de Lisboa, em 1709, e foi perseguido pela Inquisição por ser considerado feiticeiro e amigo de judeus, se exilando na Holanda, onde mendigava vendendo poções nas ruas. Morreu em Toledo aos 38 anos.

Mas a invenção do avião foi creditada aos irmãos Wright, construtores de planadores, que três anos antes empurrados do alto de uma colina em sua fazenda, com uma ventoinha nanica de 15 hp, plainou 260 m. Mas ninguém nega que o inventor do Zepelim e do avião moderno, com asas na frente e lemes atrás, como o Demoiselle, foi um brasileiro. Tachado de boiola, porque nunca se casou, e deprimido pelo uso militar do avião se suicidou em 1932. Em 1941 começamos a fabricar o Paulistinha, que equipou os aeroclubes criados por Chatô e difundiu a aviação esportiva no país.
O último sonho brasileiro de voar data de 1969, quando Ozires Silva dirigiu a Embraer, que desenvolveu o Tucano, já foi o terceiro fabricante de aviões do mundo e desenvolve um caça supersónico com os suecos. Como ameaçava crescer, está sendo comprada pela Boeing. De quebra, é alienado um naco do orgulho, da ciência e da tecnologia nacional. Voltamos a ser fornecedores de matérias primas baratas para o engrandecimento dos países ricos. Mas não se avexem não, porque “o que é bom para EUA é bom para o Brasil”, segundo o ex-embaixador Juracy Magalhães junto ao Tio San.
SSA: A Tarde, de 15/07/18
Obrigada Dimitri por publicar o artigo de Ormindo em s de um blog.
ResponderExcluir