sábado, 14 de janeiro de 2017

REFUGIADOS E EMIGRANTES

Resultado de imagem para FOTOS DO FILME DA GUERRA CIVIL NO RUANDa

Em véspera de Natal recebi de um amigo francês um livro de Gael Faye, autor totalmente desconhecido para mim. O título “Petit pays” nada anunciava. Ao princípio, leve e até divertido, fala da infância de um estudante no Burundi. Mãe africana, pai francês. De repente, a terça parte daquilo que parecia algo como amáveis memórias, mergulha no horror da guerra civil em Ruanda (1990), guerra que iria em breve também massacrar grande parte do povo burundiense (1993), levando, até hoje, milhares de refugiados pelos incertos caminhos do Congo e da Tanzânia.
Sem cair na armadilha da demagogia, que tal lembrarmos, entre os primeiros festejos do ano novo e o carnaval que se aproxima, do drama vivido por milhões de seres humanos que vagam pelo planeta à procura da mais precária sobrevivência?


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Turcos, paquistaneses ou haitianos, sírios, afegãos ou bolivianos, mal nutridos senão esfomeados, doentes senão moribundos, vêm bater ás portas do Primeiro Mundo na louca esperança de um teto, de um trabalho, de uma vida digna. A Alemanha, a França, a Inglaterra e outras prósperas bandeiras de cada lado do Oceano Atlântico tremem ante a eventualidade de perder um pouco de seu espaço, um pouco de sua cultura, ambos contaminados por elementos inesperados.

Resultado de imagem para FOTOS DE REFUGIADOSMal sabem o bem que poderá advir destas pacíficas invasões. Nem a violência do Estado Islâmico pode esconder a legitimidade destes tristes errantes. Do alto de meus 80 anos, é pouco provável que testemunhe as novas sociedades, aquelas que deverão maturar durante duas ou três gerações, peles mais coloridas, idiomas ampliados, culturas mais exóticas e renovadoras. 

Quando estive na França em maio passado, certa noite observei um impressionante prefácio para esta reflexão. Convidado a jantar num restaurante basco, dividi a mesa com uma argelina, um marroquino, um filho de espanhol, dois franceses da gema e uma argentina, todos do meio da imprensa e da televisão. Muito papo, muita risada e uma prazerosa cumplicidade. Quem costuma assistir ao Festival de cinema Varilux, no Glauber Rocha, por favor, analise com atenção a ficha técnica dos filmes. 

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Entre os atores encontrará senegaleses, vietnamitas, portugueses e tunisianos. E nos bastidores, o coquetel de etnias e culturas será ainda maior. O socialista Hollande como o reacionário Sarkozy nomearam ministros de nome claramente africano ou ibérico. Não tem dinastia Le Pen que impeça. Temos que nos conscientizar de que um novo mundo está a se formar, modelando nossa mente para outros valores, outras verdades.

E como pensaria de outra forma, tendo eu mesmo nascido francês em Marrocos, de nome e avô russo, ascendência suíça, italiana e até mongol, hoje escrevendo em português para leitores baianos? 

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