Mostrando postagens com marcador NO MEU PRATO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador NO MEU PRATO. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

FAÇA JÁ SUA RESERVA!

 Clube de luxo de Alex Atala promove jantar em galeria de arte em Salvador; mensalidade chega a R$ 15 mil

Redação Alô Alô Bahia


Publicado em 22/10/2025 


O chef Alex Atala está por trás de uma experiência exclusiva, que une alta gastronomia, cultura e hospitalidade de luxo na Bahia. Sócio do Resid Club & Hotels, o premiado cozinheiro acompanha o jantar principal da imersão ViajaR SalSau, assinado pelo chef Ricardo Silva, do Silva Cozinha, na próxima sexta-feira (24), na galeria Galatea, na Rua Chile.

A noite especial faz parte de uma programação promovida pelo clube entre os dias 22 e 26 de outubro, em Salvador e na Costa do Sauípe. A proposta, voltada para membros do Resid, combina o ritmo vibrante da capital baiana à energia do litoral norte em um roteiro que traduz o novo conceito de luxo com propósito da marca.

Fundado por Paulo Henrique Barbosa e tendo como sócios Alex Atala, Claudia Ribeiro Bernstein, Rafael Caiado e Francisco Costa Neto, o Resid nasce como um clube privado de hospitalidade que oferece vivências transformadoras em destinos exclusivos. O grupo atua em duas frentes: Resid Destinations, com hotéis próprios, e Resid Experience, que organiza viagens, eventos e experiências culturais e gastronômicas em diferentes partes do mundo.

Em Salvador, a jornada começa no Centro Histórico, onde os convidados vivenciam uma curadoria que celebra a arte, a arquitetura e a culinária contemporânea local. O jantar propõe uma experiência sensorial que conecta a arte visual ao sabor, reforçando o olhar do Resid sobre gastronomia como expressão cultural.

Após a imersão na capital, o grupo segue para a Costa do Sauípe, onde acontece o ATP Challenger 125, torneio que marca o retorno do tênis internacional ao Brasil. Os membros do Resid terão acesso privilegiado às partidas, hospedagem em estrutura exclusiva e programação de bem-estar e entretenimento com a assinatura da marca.

Mais do que uma viagem, o ViajaR SalSau traduz a filosofia do Resid de oferecer experiências personalizadas que unem hospitalidade, cultura e pertencimento, transformando o tempo e o deslocamento em formas de conexão. O nome do projeto reflete essa proposta: “Sal” de Salvador, “Sau” de Sauípe e o “R” maiúsculo que simboliza movimento, exclusividade e pertencimento, pilares do Resid.

O Resid Club & Hotels é um clube privado exclusivo que oferece experiências de luxo a seus membros, com acesso a hotéis próprios, destinos únicos, eventos culturais, shows, workshops e vivências gastronômicas e naturais. A adesão ao clube envolve um investimento de R$ 380 mil e taxas anuais de R$ 15 mil, com a possibilidade de transferência para futuras gerações, consolidando um legado de hospitalidade e pertencimento.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

DA ALAMADA ANTUNES...

... AO HORTO FLORESTAL



Leio com estranhamento no noticiário de que o Almacén Pepé estaria com graves problemas financeiros. Como nada entendo de economia, abstrair-me-ei de qualquer palpite senão confessar muita tristeza. Como não se solidarizar com um homem que começou por uma padaria nos anos 80, salvo erro, e marcou uma época no campo da gastronomia em Salvador? Ainda tenho saudade das fatias de floresta negra da Alameda Antunes.

Fui cliente da Perini da Barra, da Vasco da Gama, do Comércio, do Baiano de Tênis e muito lamentei a decadência deste templo da gula nas mãos de chilenos mal preparados.

Minha rotina na loja do Horto Florestal inicia-se com a compra de três ou mais pães. Por gosto pessoal, prefiro aqueles sem recheio, cujo sabor não competirá com queijos e presuntos, mel e ensopados. Das generosas cestas de pães, passo para a pequena mas farta mesa de croissants. Aqui também prefiro os puros, que aceitarão a manteiga sem sal e geleias caseiras. Elaborei uma receita de laranja amarga que ficou famosa entre meus amigos. Para o café da manhã do dia seguinte, escolho alguns grandes e outros bem pequenos. Declaro desde já que nada deixam a desejar comparados com os da Flûte Enchantée na Avenue Mozart em Paris. A preço igual.

Do departamento dos queijos, vou me permitir uma sugestão: montar uma mesa somente com os queijos nacionais, cada um com sua etiqueta de proveniência. Facilitaria muito a escolha dos apreciadores. Também me parece que a exposição de queijos importados é muito confusa. Nunca encontro os produtos preferidos no mesmo lugar. Sempre tenho que dar uma de detective.

Tenho, repetidas vezes, pedido ao gerente para providenciar arroz Carolina que é de longe o mais adequado para o arroz doce à portuguesa, bem cremoso. Sem sucesso.

Esperava muito do novo espaço no shopping Barra. Devo admitir que fiquei bastante frustrado quando descobri um monte de mesas invadindo a maior parte de uma imensa sala, o balcão dos queijos numa ponta e os pães na outra, o conjunto nesta abominável cor bege que dizem ser a “tendência” do momento. Num país tropical cuja principal caraterística é justamente a orgia de cores, pretender que estamos em Montevidéu ou Bruxelas é total contrassenso. Excesso de gentrificação acaba afastando uma boa parte de quem tem poder aquisitivo.

Ainda está a tempo de inverter a marcha e dar um banho de alegria na casa, seu Pepe! Tire as mesas, bote bancadas de frutas e verduras, outras de charcutaria, de doces caseiros, de biscoitos e geleias, nozes, tâmaras, amêndoas, castanhas, pinhões, figos e, pelo amor a todos os orixás, não esqueça os quindins!

Nunca se deve esquecer que comida é vida. Aliás, não só: é alegria, é gula, é festa e o mais delicioso pecado capital.

 Dimitri Ganzelevitch

A Tarde,sábado 20 de setembo 2025 

 

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O VALE DA GASTRONOMIA

 A arte de saborear o sul da França através do vale da gastronomia

História, pinturas e gastronomia marcam a charmosa região do país


Aix-en-Provence: celebração dos 120 anos de morte de Cézanne (Carolina Gehlen/Exame)

Diz a lenda que um dos pontífices que viveram no Palácio dos Papas, em Avignon, só comia alimentos de cor clara — talvez por precaução, talvez por hábito. Se fosse hoje, isso não seria problema, pois os queijos-alvos são um produto sagrado na mesa dos franceses e parte essencial de sua culinária.

Avignon fica na região da Provence-Alpes-Côte d’Azur, no sul do país, local com uma das tradições gastronômicas mais ricas da França, marcada por ingredientes frescos e sabores que refletem a luz e o clima do Mediterrâneo. Mas as tradições da região, muito além da mesa, estão recheadas de história e arte.


MAIS:

https://exame.com/casual/a-arte-de-saborear-o-sul-da-franca-atraves-do-vale-da-gastronomia/amp/



terça-feira, 17 de junho de 2025

CAFÉ SEM AÇÚCAR

 Pessoas que tomam café preto sem açúcar costumam ter essas 9 atitudes em comum


Clarice MunizPor  Clarice Muniz  | Redatora


Tomar café preto pode dizer mais sobre você do que imagina; veja o que dizem os estudos

Pessoas que tomam café preto sem açúcar costumam ter essas 9 atitudes em comum
A psicologia aponta os traços em comum entre as pessoas que preferem beber o café puro (Foto: Shutterstock)

O que sua preferência por café preto diz sobre sua personalidade? Pode parecer apenas um hábito trivial, mas a escolha pelo café puro e sem açúcar revela muito mais do que um simples gosto pelo amargo.

Segundo estudos em psicologia comportamental, o modo como você consome café pode refletir traços marcantes da sua personalidade, como autodisciplina, independência, foco e até consciência ambiental.

Descubra o que a ciência tem a dizer sobre os traços de personalidade mais comuns entre quem prefere o café puro e entenda por que essa bebida intensa pode estar ligada a um estilo de vida igualmente forte e autêntico.

9 atitudes em comum entre as pessoas que prefere beber café puro

A pequena decisão de beber um café puro, para além dos benefícios à saúde, muitas vezes esconde um perfil psicológico mais profundo. Saiba quais são:

1. Simplicidade é o lema

Quem bebe café preto costuma buscar o essencial em tudo. Sem adições, sem distrações, apenas o sabor puro da bebida.

Essa predileção pela simplicidade também se reflete em outros aspectos da vida: escolhas objetivas, rotina organizada e menor tolerância a excessos.

2. Alto nível de disciplina

Pessoas que optam por café sem açúcar demonstram, segundo pesquisas, um maior grau de autodisciplina e foco. É o tipo de indivíduo que valoriza a eficiência, a pontualidade e tem uma clara orientação para metas.

Esse hábito está alinhado com um estilo de vida mais consciente, em que cada escolha tem propósito.

3. Persistência que impressiona

Beber café amargo exige uma adaptação do paladar e isso diz muito. Quem aprecia esse sabor tende a demonstrar mais tolerância ao desconforto inicial em troca de benefícios a longo prazo.

É a clássica mentalidade de “trabalhar duro agora para colher depois”.

4. Abertura ao amargo da vida

Embora não signifique algo negativo, o gosto pelo café preto pode estar ligado a uma maior tolerância ao estresse e a experiências mais intensas.

Algumas pesquisas até apontam uma leve correlação com uma frieza emocional estratégica, aquela necessária para enfrentar situações difíceis com clareza.

5. Consciência nutricional

Quem evita açúcar no café costuma ter uma preocupação maior com a saúde. O café preto, por ser praticamente livre de calorias e rico em antioxidantes naturais, encaixa-se bem em dietas equilibradas.

Essa escolha também costuma estar associada à leitura de rótulos, controle de ingestão calórica e busca por hábitos alimentares mais limpos.

6. Independência de pensamento

Em um mundo repleto de tendências e modismos, especialmente no universo dos cafés gourmet, os apreciadores do café puro nadam contra a corrente.

Eles sabem o que gostam e não precisam de validação externa para fazer suas escolhas. Isso demonstra uma autonomia de julgamento e um forte senso de identidade.

7. Equilíbrio emocional

A cafeína, quando consumida de forma moderada e sem o açúcar que causa picos de energia, ajuda a manter o foco e a estabilidade emocional ao longo do dia.

Pessoas que optam por café preto costumam ter maior controle sobre suas reações, mais paciência e resiliência diante das pressões cotidianas.

8. Estímulo com responsabilidade

O café preto oferece uma dose potente de energia, sem os excessos de doces ou cremes. Isso combina com um perfil que gosta de se manter ativo e motivado, mas com responsabilidade.

É comum encontrar nesses indivíduos o gosto por atividades que exigem concentração, como leitura, esportes leves ou trabalho criativo.

9. Escolhas éticas e sustentáveis

Muitas vezes, optar pelo café puro é também um gesto ecológico. Sem aditivos, há menos lixo, menor consumo de recursos e menor impacto ambiental.

Além disso, consumidores conscientes tendem a escolher cafés de origem justa, preferem canecas reutilizáveis e se preocupam com a procedência dos produtos que consomem.

O café preto para além do paladar

Escolher café preto não é apenas uma questão de gosto, mas um reflexo de valores. Simplicidade, disciplina, independência, cuidado com o corpo e com o planeta são características que frequentemente acompanham essa preferência.

Da próxima vez que você saborear seu café sem açúcar, lembre-se que esse hábito pode estar alinhado com uma versão mais consciente, determinada e autêntica de você mesmo.

MINGAU DE AVEIA

 "Ela come todos os dias": aos 77 anos, a rainha Camila da Inglaterra continua fiel a um prato específico, segundo o filho

Trata-se de uma receita simples e muito popular no café da manhã dos brasileiros

Por:

Elissandra Silva


Se no Brasil ficamos curiosos sobre o que pessoas famosas - e ricas — comem para se manterem saudáveis e joviais, os britânicos podem ficar obcecados com a dieta da família real. Se a falecida Elizabeth II comia o mesmo sanduíche todos os dias, a atual rainha consorte, Camilla do Reino Unido, também é fiel a um prato específico que parece ser o segredo de sua boa saúde.

Isso é revelado por seu próprio filho primogênito, Tom Parker Bowles, que construiu uma carreira popular na mídia, longe da realeza, no mundo da culinária e dos programas de televisão.

Em um de seus últimos livros de culinária, Cooking and the Crown: Royal recipes from Queen Victoria to King Charles III, ele nos conta detalhes cotidianos da vida dos monarcas e pequenos segredos do casamento, especialmente sobre as rotinas e gostos de sua mãe.

Leia também: 10 dicas de alimentação saudável para quem mora sozinho

O que Camila costuma comer todos os dias?

Camilla tem agora 77 anos e a imprensa britânica destacou sua excelente saúde, que não mostra sinais de enfraquecimento, apesar de sua agenda lotada, repleta de compromissos monárquicos típicos com os quais uma rainha consorte tem que lidar. E uma das chaves pode estar em sua dieta, especificamente no mingau de aveia que Tom Parker diz comer diariamente há anos.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

ENTRE ROMA E MARRAKESH

 


Tia Neilar mora em Itaberaba. Fez 65 anos a semana retrasada. Convidei-a para passar o dia na capital, aventura rara para ela. Fomos almoçar no recém-inaugurado palácio do Tira-Chapéu. Bela realização. Tinha reservado uma mesa no restaurante francês do último andar, o Pala 7. O espaço é ótimo, na justa medida, nem muito grande nem muito pequeno. Bem luminoso e o ar condicionado na perfeita temperatura. Cadeiras confortáveis, mesa nem tanto por causa do pé central. Estranhei a falta de jogo americano debaixo de meu prato e os guardanapos de papel, tipo Mc Donald. Para um estabelecimento que pretende receber a crême de la crême soteropolitana, algodão me pareceria mais adequado. Estranhamos também o número de empregados, sempre muito atenciosos, que nos atenderam. Sete ao total. Que tal limitar a só um ou dois?

Cardápio enxuto, o que é bom sinal, mas sem menu executivo nem vinho em taça. Meia garrafa só para mim, já que a tia não bebe, significa que iria dormir no consultório. Limitamos a farra a coquetéis de frutas, aliás muito bem temperados. Analisando as propostas do reputado chefe Claude Troisgros, notei que a intenção era mais para culinária italiana que francesa. Nada contra. Em matéria de gastronomia, toda a Europa tem uma colossal dívida com a bota que colonizou e trouxe a civilização a redor do Mar Mediterrâneo e além.

Nossas escolhas coincidindo, vieram filetes de pescada amarela com um tempero a base de passas que me lembrou os tajines de Marrakesh. Delicioso. Na hora da sobremesa, o mousse de chocolate chegou dentro de uma grande travessa. Duas generosas colheres cada um, com um molhinho branco que não identifiquei e finas fatias desidratadas de amêndoas. Café expresso de qualidade, como a lei manda.

Paguei o que me pareceu um preço justo para a qualidade da refeição e minha tia ficou encantada.

Willy de Oliveira Neto

 

domingo, 11 de agosto de 2024

MESAS DE PARIS

 Vamos começar pelo negativo. A multinacional McDonald´s está encantada com a receptividade do público francês e fatura um dos mais altos benefícios desta firma na Europa. E em várias “brasseries” tidas como tradicionais, talvez lhe sirvam pratos congelados esquentados na hora no micro-ondas. Moral da história: o francês também é capaz de aceitar o pior quando senta á mesa.

Mas existem os que recusam o duvidoso e conhecem os bons endereços da cidade. Então, acompanhe-me. Vou lhe levar a alguns endereços famosos, outros mais secretos. 

Plazza-Athénée

Se você for político e quiser encontrar colegas do Senado ou até simples prefeitos do Acre ou do Amapá o endereço certo é o luxuoso restaurante do chefe Jean Imbert no suntuoso hotel Plazza-Athénée, avenue Montaigne, a dois passos de Dior, Chanel etc. Até há pouco tempo, também poderia dar um alô ao Cavendish, dono da empreiteira Delta, mas dizem que, ultimamente, anda sumido. O Paulo Maluf, também era freguês assíduo. Sugiro, para não ter surpresa, pegar o menu. Para 250,00 euros (ou mais),  sem contar as bebidas, você terá a certeza de provar uma das melhores cozinhas da capital.

 

Petrossian

Achou, talvez, a conta um pouco salgada? Então vamos atravessar o rio Sena em direção aos Invalides. Por perto está o Petrossian que tem, como todos sabem, os melhores caviares importados da Rússia e do Irã. Aqui o menu está muito mais em conta: somente 45 euros. Atenção: sem caviar nem vodca!


Le Grand Véfour

 Voltemos ao lado direito do Sena. Num dos cenários mais românticos de Paris, o Palais-Royal - onde também se hospedam os teatros da Comédie-Française e do Palais Royal, lá na ponta – empurre a porta do Grand Véfour. A decoração é simplesmente deslumbrante. Não mudou desde o século XVIII. Menu muito amigo: 57 euros. Sem bebidas. bien sûr! Com um pouco de sorte, você poderá sentar na “banquette” onde uma etiqueta lhe informa que era o lugar preferido de Napoleão, Maria Callas ou Victor Hugo. E o foie-gras, para os conhecedores, é o melhor de Paris. Faça sua reserva antecipada para o almoço. Assim poderá aproveitar a vista sobre o jardim, 


Bagatelle

É primavera, o dia está de cartão postal e você não pretende ficar fechado. Então proponho uma excursão até o Bois de Boulogne para descobrir um dos endereços que só os parisienses conhecem: o Jardin de Bagatelle e suas famosas roseiras. Melhor chegar cedo para ter tempo de passear, admirar e fotografar estas maravilhas da natureza. Depois é só sentar no “terrasse” do restaurante. Para 60 euros (sem bebidas) terá direito a um menu de qualidade ouvido o canto dos pássaros. 



Brasserie Bofinger - Paris 

Mas seu orçamento tem limites severos e você não pretende ultrapassá-los. Então vamos descendo no orçamento sem, porém, perder o charme. Vou lhe levar até a Bastille. Podemos pegar o metro. Aproveite para ver o belo trabalho de azulejaria antes de subir a superfície onde dará de caras para a moderníssima Opera-Bastille. No número 5 da pequena Rue de la Bastille está a encantadora Brasserie Bofinger, com sua decoração Art Nouveau original. Não se deixe convencer a subir até o andar superior. O espetáculo está na sala do térreo. Aqui o menus não vai lhe assustar. 28,50 euros, incluindo a incontornável choucroute, prato típico da Alsácia, beirando a culinária alemã. 

Bouillon Montparnassse

Por falar em brasserie, sugiro também outra, da mesma época, suntuosa decoração Art Nouveau incluindo um belíssimo vitral no teto, um pouco como a pastelaria Colombo, no Rio de Janeiro. O Bouillon Chartier Montparnasse, frente a  ferroviária do mesmo nome, propõe um cardápio a preços bem populares. Único inconveniente: terá que entrar na fila de espera. Quando estudante. costumava freqüentar este estabelecimento – nos dias de bonança - me deliciando com uma mousse de chocolate caseira. Ficava imaginando o público do princípio do século... 


Le Petit Saint Benoit

Mas, naquela época meus endereços habituais eram mais modestos, sem porem, abdicar do charme. Um deles ainda existe: o Petit Saint Benoit, na rua do mesmo nome, por trás do famoso café Les Deux Magots. Aberto em 1901, trata-se de um autêntico bistrô. Mesas minúsculas, muita gente com pressa, agitado, serviço sem tempo para perder, comida correta, sem grandes requintes e preços de fácil digestão. 


Bouillon Chartier Grands Boulevards

 Outro Bouillon Chartier, a pouca distancia das Galeries Lafayette, serviu, desde 1896, mais de cinqüenta milhões de refeições. A imensa sala é tombada como patrimônio nacional. Aqui não tem menu. O prato mais servido é a “Andouillette grillée” com batatas fritas e a sobremesa, muito gostosa, é o “baba au rhum” acompanhado de chantilly.  



Agora, se realmente você prefere investir em compras em vez de comida – o que eu lamentaria profundamente – compre um sanduíche na padaria na esquina e coma num banco de jardim público. Não fique acanhado, têm muita gente fazendo a mesma coisa. Mas para não perder a classe, compre uma garrafa da deliciosa água mineral de Chateldon. Era a água servida na mesa do rei Luis XIV em Versalhes.

 


 

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

QUEIJOS!

 

Quem são os baianos que fazem


 queijos que valem ouro



Variedade de produtos é um diferencial da Bahia. Crédito: Fazenda Licurizal/ Divulgação


Quando algum produtor do semiárido falava em fazer queijo, ouvia como resposta uma gargalhada. "O clima não é favorável, não vai ficar bom", diziam. Em julho, uma cooperativa que representa 42 produtores da região conquistou quatro medalhas de ouros, três pratas e um bronze no VII Prêmio Queijo Brasil. No ano passado, eles já tinham levado um bronze no Prêmio Mundial de Queijo, realizado em São Paulo. A Bahia é o estado mais bem colocado no Nordeste e o 6º do Brasil na premiação.


Em Curaçá e Jaguarari, dois municípios vizinhos, operavam dois laticínios. Cada um usava o leite de cabra dos produtores da região para fazer queijo coalho. Em julho de 2023, as duas empresas resolveram juntar forças, reunir os pecuaristas e apostar em novas receitas de queijos artesanais. Em um ano, eles desenvolveram 17 sabores, ganharam prêmios e ampliaram o mercado consumidor.


A cooperativa foi batizada de Capribéee. A presidente da entidade, Eugênia Ribeiro, conta que o irmão dela desenvolveu um queijo Capela e que eles experimentaram outras receitas com pimenta calabresa, orégano, pimenta rosa e iguarias, mas foi o Capela com Velame que caiu nas graças do público. O queijo recebeu uma medalha de prata em Campina Grande (PB), em 2023, e outra de ouro em Blumenau (SC), este ano. Velame é uma planta medicinal da caatinga.


"Temos 17 tipos de queijos, alguns com massa fresca e outros com maturação de 30 a 90 dias. Temos com massa embalada a vácuo, temos em conserva e produzimos iogurte. O Meia Cura, por exemplo, tem a maturação de sete dias e um processo de tempo de massa diferente do queijo fresco. Ele recebeu a medalha de bronze no Prêmio Mundial de Queijo, em São Paulo", revela.


O mundial envolveu produtores de 14 países e foi realizado em abril. A cooperativa produz cerca de 1,4 mil litros de leite por semana. A quantidade de queijos depende do tipo produzido, porque alguns demandam mais matéria-prima que outros. Em média, alterna entre oito e dez litros.


Diversidade

Outros queijos artesanais premiados foram o Flor de Xique Xique e Flor de Mandacaru, ambos produzidos pela queijaria Maria Bonita, em São Domingos, na região do Sisal. O primeiro é de muçarela e feito com leite de vaca. O segundo é coalho e feito com leite de cabra. Ambos receberam medalhas de bronze.


A criação é do mestre queijeiro Ângelo Araujo. A esposa dele, Oriana Araujo, recorda que a ideia surgiu depois de uma experiência vivida pela filha do casal e que tudo começou na cozinha, em 2017. Durante a pandemia, a demanda aumentou e eles inauguraram a queijaria, eleita a melhor da Bahia na premiação.


"Minha filha foi à casa de uma amiga para um churrasco e tinha alguém fazendo queijo na hora. Quando ela voltou para casa resolvemos fazer. O primeiro saiu torto e com o tempo fomos melhorando. A gente fornecia o leite para o estado, mas eles pagavam muito pouco. O queijo foi uma boa alternativa. Hoje, a dedicação é total a essa produção", afirma Oriana.


O casal morava em Feira de Santana quando resolveu voltar para a cidade natal. Eles venderam o carro da família, um Fiat Uno, compraram um pedaço de terra e deram início a criação de cabras. Dez anos depois começaram a produção de queijos e, hoje, fornecem os produtos para Feira de Santana e Salvador. "O diferencial é a qualidade. Para fazer o muçarela, por exemplo, nossa fermentação é natural, leva de três a cinco dias, enquanto na indústria a maquina faz isso entre 3h e 4h", explica Oriana.


Já o produtor João Campos, da Fazenda Licurizal, no município de Santanópolis, na região de Feira de Santana, usa ervas para fazer o queijo artesanal. Ele contou que nos concursos são avaliados o aroma, o sabor, a textura e a aparência do queijo, e frisou que as condições do pasto, a saúde do gado e a técnica de produção interferem diretamente no resultado. No VII Prêmio Queijo Brasil, realizado entre os dias 11 e 14 de julho, o estado conquistou 53 medalhas.


"A Bahia inova muito. Temos uma quantidade infinita de queijos que têm nomes próprios e técnicas desenvolvidas pelo próprio produtor. Tem uma moça que matura o queijo e dá um banho de dendê. Eu dou um banho de quixaba, que é uma fruta da caatinga, ou um banho de erva e essência com umbu. São inovações que são encontradas apenas na Bahia", diz.


João é presidente da Associação Queijo Baiano, cujos produtores conquistaram 36 medalhas na premiação. Ele explicou que o estado produz queijos artesanais clássicos, como parmesão, gorgonzola e muçarela, e faz produtos típicos da Bahia, como coalho e requeijão, além de iogurte, manteiga de garrafa, doce de leite, ambrosia e leite pastoso.

O desafio para o setor atualmente é a regularização. Apesar da produção ter uma fiscalização rígida do ponto de vista da proteção do rebanho contra doenças, da qualidade do leite e do queijo, das condições da água e da saúde dos funcionários, os produtores encontram dificuldade para conseguir a regularização por conta das exigências, como maquinário e infraestrutura de indústria.


A produção de queijo artesanal ocorre em todas as regiões do estado e o mercado consumidor desses produtos são os grandes centros urbanos, como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, e as prefeituras do interior. Segundo a associação, o mercado foi impulsionado pela crise econômica que obrigou os produtores a encontrarem uma alternativa para além da produção de leite, e pelas feiras e concurso, que possibilitaram troca de experiências e novas ideias.


A associação está fazendo um mapeamento para identificar o número exato de produtores e está montando uma rota do queijo na Bahia, com objetivo de explorar o potencial turístico do setor. Em setembro, pecuaristas de todo o estado vão participar de um evento na Ceasinha do Rio Vermelho, em Salvador, onde haverá troca de experiências e contato com as novidades do mercado.


O Agenda Bahia é uma realização do Jornal Correio com patrocínio da Unipar e Tronox, apoio institucional do Sebrae e apoio do Salvador Bahia Airport, Wilson Sons e Brasil Saúde e parceria da Braskem.

quarta-feira, 20 de março de 2024

RESTAURANTES NÃO SÃO SANTUÁRIOS

 Há algum tempo publiquei esta foto de um prato do Alex Atala, que, segundo ele, se chama "Talo de agrião, mostarda em grão, flor de coentro e flutuação".

Eu chamo de gafanhoto. Me lembrei disso porque hoje um amigo publicou esse texto do João Pereira Coutinho (acho que é antigo, mas está valendo):

Restaurantes Não São Santuários"
Este texto é dedicado ao "Chef" Avilez, que estragou dois magníficos restaurantes, o Tavares e, principalmente, o Belcanto. E como esta praga não é nacional apenas, dedicado também ao Alain Ducasse, que assassinou em tempos o magnífico Louis XV, o restaurante (emblemático) do Hotel de Paris, em Monte Carlo. Felizmente, neste caso, pelo menos continua a magnífica garrafeira.
Restaurantes não são santuários...
Estou cansado da religião dos chefs: restaurantes não são santuários...
O melhor restaurante do mundo?
Ora, ora: é o Eleven Madison Park, em Nova York.
Parabéns, gente.
A sério.
Espero nunca vos visitar.
Entendam: não é nada de pessoal.
Acredito na vossa excelência.
Acredito, como dizem os críticos, que a vossa mistura de "cozinha francesa moderna" com "um toque nova-iorquino" é perfeitamente comparável às 72 virgens que existem no paraíso corânico.
Mas eu estou cansado da religião dos chefs.
Vocês sabem: a elevação da culinária a um reino metafísico, transcendental, celestial.
Todas as semanas, lá aparece mais um chef, com a sua igreja, apresentando o cardápio como se fossem as sagradas escrituras.
Os ingredientes não são ingredientes.
São "elementos".
Uma refeição não é uma refeição.
É uma "experiência".
E a comida, em rigor, não é comida.
É uma "composição".
Já estive em vários desses santuários.
Quando a comida chegava, eu nunca sabia se deveria provar ou rezar.
Os meus receios sacrílegos eram acentuados pelo próprio garçom, que depositava o prato na mesa e, em voz baixa, confidenciava o milagre que eu tinha à minha frente:
– Pato defumado com pétalas de tomate e essências de jasmim.
Escutava tudo com reverência, dizia um "obrigado" que soava a "amém" e depois aproximava o garfo trêmulo, com mil receios, para não perturbar o frágil equilíbrio entre as "pétalas" e as "essências".
Em raros casos, sua santidade, o chef, aparecia no final.
Para abençoar os comensais.
No dia em que beijei a mão de um deles, entendi que deveria apostatar.
E, quando não são santos, são artistas.
Um pedaço de carne não é um pedaço de carne.
É um "desafio".
É o teto da Capela Sistina aguardando pelo seu Michelangelo.
Nem de propósito: espreitei o site do Eleven Madison Park.
Tenho uma novidade para dar ao leitor: a partir de 11 de abril, o Eleven vai fazer uma "retrospectiva" (juro, juro) com os 11 melhores pratos dos últimos 11 anos.
"Retrospectiva."
Eis a evolução da história da arte ocidental: a pintura rupestre de Lascaux; as esculturas gregas de Fídias; os vitrais da catedral gótica de Chartres; os quadros barrocos de Caravaggio; a tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm.
Gosto de comer.
Gosto de comida.
Essas duas frases são ridículas porque, afinal de contas, sou português.
E é precisamente por ser português que me tornei um ateu dos "elementos", das "composições" e das "essências".
A religião dos chefs, com seu charme diabólico, tem arrasado os restaurantes da minha cidade.
Um deles, que fica aqui no bairro, servia uns "filetes de polvo com arroz do mesmo" que chegou a ser o barômetro das minhas relações amorosas: sempre que estava com uma namorada e começava a pensar no polvo, isso significava que a paixão tinha chegado ao fim.
Duas semanas atrás, voltei ao espaço que reabriu depois das obras.
Estranhei: havia música ambiente e a iluminação reduzida imitava as casas de massagens da Tailândia (aviso: querida, se estiveres a ler esta crônica, juro que nunca estive na Tailândia).
Sentei-me.
Quando o polvo chegou, olhei para o prato e perguntei ao dono se ele não tinha esquecido alguma coisa.
"O quê?", respondeu o insolente.
"O microscópio", respondi eu.
Ele soltou uma gargalhada e explicou: "São coisas do chef, doutor."
"Qual chef?", insisti.
Ele, encolhendo os ombros, respondeu com vergonha: "O Agostinho".
O cozinheiro virou chef e o meu polvo virou calamares.
Infelizmente, essa corrupção disseminou-se pela pátria amada.
Já escrevi sobre o crime na imprensa lusa.
Ninguém acompanhou o meu pranto.
É a música ambiente que substituiu o natural rumor das conversas.
É a iluminação de bordel que impede a distinção entre uma azeitona e uma barata.
É o hábito chique de nunca deixar as garrafas na mesa, o que significa que o garçom só se apercebe da nossa sede "in extremis" quando existem tremores alcoólicos e outros sinais de abstinência.
Meu Deus, onde vamos parar?
Não sei.
Mas sei que já tomei providências: no próximo outono, tenciono aprender a caçar.
Tudo serve: perdiz, lebre, javali.
Depois, com uma fogueira e um espeto, cozinho o bicho como um homem pré-histórico.
O pináculo da civilização é tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm?
Então chegou a hora de regressar às cavernas de Lascaux..."