Quem se deslumbrou com os arranha-céus de Manhattan, voltando
à terrinha, dificilmente ousará pousar seu olhar nos edifícios da Pituba ou da
paralela. Não que a Bahia esteja carente de bons arquitetos, longe disso. Mas
as empreiteiras locais, algumas das mais importantes da América Latina, possuem
um reconhecido e enraizado mau gosto, aliado a um monolítico senso da economia.
A entrada dos condomínios pode ostentar os nomes pomposos de San Diego, Megève
ou Sierra Nevada em letras douradas, mas além do lustre de cristal da entrada,
os apartamentos, com ou sem terrazzo goumet, serão de uma banalidade para lá de
medíocre, com vista privilegiada sobre os terrazzi vizinhos.
No centro de Salvador, ciclicamente volta a polêmica
envolvendo a obra do arquiteto Lelé – João Filgueiras Lima- à prefeitura, executada
em 14 dias. Escândalo! Agressão ao bom gosto! Tem que ser demolida já! Destoa
do conjunto! Mas afinal qual é o conjunto da Praça Municipal? O Elevador
Lacerda (1950), o Paço Municipal (1660), a Associação dos Comerciários (1914)
de Baptista Rossi, o Palácio Rio Branco (1919) são edifícios que dialogam entre
se pelo único fato de estarmos acostumados a suas dissonâncias. O palácio Tomé
de Souza é um magnífico exemplar da arquitetura de seu tempo (1986). Leve,
generosamente aberto sobre seu entorno, apoia seus dois andares sobre colunas
que lembram as palafitas da Amazônia e dos Alagados. Permite que os turistas e
baianos possam usufruir do amplo belvedere para admirar a baía e eventuais
exposições e feiras. Pelo menos até 2012, quando o atual prefeito vedou o
acesso ao povão.
Mas o que esperar de governantes que não hesitaram em
destruir, sem qualquer motivo, a Fonte Nova, obra-prima do arquiteto modernista
Diógenes Rebouças?
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