terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O CARNAVAL NA BARRA


Amabarra - SOS Barra

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Desde ontem alguns sites de notícias e jornais estão publicando matérias sobre o carnaval no bairro.
Resolvemos fazer esse post para esclarecer alguns pontos, que foram omitidos pelos entrevistadores, e que geraram uma polêmica desnecessária em função dos títulos das chamadas.
De qualquer maneira, entendemos que o debate sobre esse assunto é positivo, precisamos discutir opções para o modelo atual, suas consequências a curto, médio e longo prazo, os os impactos negativos e jogar luz sobre os problemas da carnavalização do bairro durante o ano todo para os moradores, comerciantes e frequentadores da Barra.
Muitas pessoas costumam opinar sem o conhecimento da causa e criam uma imagem irreal dos moradores, que estão apenas solicitando aos poderes públicos, o respeito das leis e que tenham seus direitos preservados.
Pensamos no bairro como um todo e estamos cientes de sua importância para a cidade e para todos os soteropolitanos, por isso lutamos para a da preservação do meio ambiente, do Parque Marinho da Barra, dos monumentos históricos e seus entornos, da saúde da população, da inibição/redução da poluição sonora e a visual, do comprometimento da mobilidade e da ocupação do espaço público por empresas privadas sem compensações para o local explorado.
Então vamos lá!
Em primeiro lugar a AMABARRA não quer acabar com o carnaval!!!
O carnaval não se acaba, é uma manifestação cultural, espontânea ou induzida mas não vai acabar. A Associação quer o oposto disso, quer incentivar o carnaval de bandas, fanfarras e blocos, sem cordas de preferência.
No início do ano passado, através de uma Sessão itinerante da Câmara Municipal de Salvador e de uma Audiência Pública, realizadas no bairro, muitos moradores, comerciantes e amigos do bairro se posicionaram contrários ao modelo atual do carnaval na Barra. Naquela ocasião muitas provas documentais foram disponibilizadas sobre os efeitos negativos da festa, que cresceu além da capacidade do bairro suportar.
Diante dos fatos, a AMABARRA montou um dossiê e protocolou no Ministério Público do Estado da Bahia. A promotora da 5ª Vara do meio ambiente passou a conduzir a ação. Depois de audiências de oitivas com os órgãos que executam a festa, a Marinha e com o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador (Comcar) alguns ajustes ficaram de ser realizados e outras audiências ocorrerão para decidir o prosseguimento do processo.
Seguindo...
Não queremos o fim de trios e camarotes!
Queremos que o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador (Comcar) e seus membros, a comissão do carnaval da Câmara Municipal de Salvador, os empresários do carnaval e todos envolvidos no tema, comecem a discutir novas opções de circuitos para trios e camarotes. Não aceitamos que devem ser em bairros residenciais ou áreas que afetem o meio ambiente.
Os executivos da festa precisam entender que os danos a médio e a longo prazo, comprometem os bairros afetados.
Mais um ponto...
Não queremos copiar ou usar como modelo o carnaval de Recife ou qualquer outro lugar! Respeitamos nossas manifestações culturais e elas devem ser preservadas, sem que a indústria tenha que impôr o local, a camisa, o que você vai beber/comer, ouvir e pular. Bloco de carnaval é bloco de carnaval e ponto.
Quem quiser participar de carnaval de trios/camarotes podem ir sem problemas, desde que esses locais sejam os adequados para a montagem dessas estruturas.
Outro esclarecimento....
Não queremos transferir os problemas daqui para outros locais, seria incoerente! Queremos que esse modelo encontre um local que não afete negativamente seu entorno. Não somos nós que decidimos se vai para o CAB, BR, "Axedódromo no Cia", como foi colocado em algumas matérias. Essa é uma discussão que precisa ser debatida com todos os envolvidos... Se resolverem mudar esse modelo de carnaval do bairro.
Por fim, queremos esclarecer que os moradores do bairro não são melhores ou piores do que os outros moradores da cidade. Temos aqui pessoas que se importam com a região, tem o cuidado com o bem estar, conhecem seus direitos e deveres, assim como temos os que não se importam ou discordam de vários temas debatidos em reuniões, e isso não é nenhum problema, todos tem o direito de se manifestar!.
Quase todos querem o bem dos espaços públicos da cidade, o respeito com os monumentos, com o meio ambiente e com a qualidade de vida dos que moram, trabalham e frequentam o bairro.
A AMABARRA é uma associação que luta pelo bairro e tem plena consciência dos problemas da cidade, por isso somos solidários com outras associações que, também, querem o melhor para seus moradores, comerciantes e frequentadores.
AMABARRA

A PRIMEIRA ESPOSA DE JORGE AMADO

Baú de ex-mulher revela a poesia de Jorge Amado


da Folha de S.Paulo, no Rio 

Uma parte da biografia do escritor baiano Jorge Amado, morto há uma semana aos 88 anos, não ficou nem na casa do Rio Vermelho, onde morou com Zélia Gattai por mais de 30 anos, nem na fundação que leva o seu nome, em Salvador.

Folha localizou no Rio os familiares de Matilde Garcia Rosa, a primeira mulher do escritor, morta em 1986, e descobriu uma relíquia: um livro de versos escrito à mão por Amado em homenagem àquela que se tornaria mãe de sua primeira filha, Lila. Com Zélia, o escritor teria outros dois filhos, João Jorge e Paloma.

Mais do que o valor estritamente literário dos poemas de juventude, porém, a descoberta do livro tem a virtude de lançar alguma luz sobre um período desconhecido da vida do escritor: os 11 anos -entre 1933 e 1944- em que esteve casado com Matilde.

Nos pertences da primeira mulher de Amado também aparecem fotos da filha do casal, nascida em 1935 e que recebeu o nome da mãe do escritor, Eulália. Lila, como era chamada, morreu aos 15 anos -segundo a família, vítima de leucemia.

Jorge e Matilde se conheceram bem jovens. Ele tinha 21 anos, ela, 17. "Minha avó contava que eles tiveram de fugir para se casar, porque meu avô era contra", conta o sobrinho de Matilde, Osiris Garcia Rosa, que herdou a casa na Urca, zona sul do Rio, onde morou o casal, e, junto com ela, alguns documentos, fotos e o livro.

Osiris nasceu na casa de quatro quartos onde moravam Jorge, Matilde, os pais e a irmã dela, Ivone, com o marido (pais de Osiris). Em uma das poucas menções que faz à primeira mulher em suas memórias, no livro "Navegação de Cabotagem", Jorge Amado conta que a casa da Urca também serviu algumas vezes de refúgio para os amigos comunistas.

Sobre a filha, diz apenas: "Mal a conheci, não houve tempo e ocasião". Quando Lila nasceu, os avós dela construíram para a família Amado uma casinha nos fundos da propriedade.

Muita coisa se perdeu das lembranças de Matilde, mas foi preservado o manuscrito intitulado "Cancioneiro", com pequenos poemas que Amado dedicou à então pretendente. São poemas juvenis e apaixonados, divididos em 14 capítulos e com os textos escritos sempre ao pé das páginas, em caligrafia caprichada.

A sensualidade característica no escritor já está presente nas declarações de amor que Amado, então com 21 anos, faz a Matilde: "Vejo os teus seios pequenos de menina", escreve. Ou: "Eu gosto de ti por interesse /para possuir o dote do teu corpo".

Sedutor, mostra saber também ser romântico: "O teu beijo purifica os meus lábios", diz, no capítulo intitulado "Purificação". Em "Poesia", escreve: "A poesia vem de ti". No final, chama: "Companheira: Vem/ eu te amo".

Não foi um livro feito para posterior publicação. Nas primeiras páginas, Jorge Amado escreve que é uma edição "de um único exemplar manuscrito", que dedica a Matilde Garcia Rosa. À guisa de esclarecimento, diz também que havia sido feito para ser lido "unicamente" por ela, "em honra de um grande e puro amor".

Durante o tempo em que estiveram juntos, Amado publicou alguns romances importantes, como "Cacau" (1933), "Jubiabá" (1935), "Mar Morto" (1936) e "Capitães da Areia" (1937). A fase mais politizada se intensificaria depois da separação, já com Zélia.

Matilde não se casou novamente, e, após a morte da filha do casal, só voltou a ter algum contato com o escritor em 1978, durante o processo de divórcio que possibilitou a Jorge e Zélia oficializarem sua união. Na época, chegou a dar uma entrevista ao extinto jornal "Última Hora", na qual mostrava certo ressentimento em relação à separação, mas tudo acabou sendo feito amigavelmente.

Na entrevista, a mãe dela, Dalila, criticava Jorge Amado porque não teria comparecido ao enterro da filha. A menina morreu em 1950, dois anos depois de Amado, eleito deputado federal pelo PCB, ser cassado e ter ido viver na Europa, primeiro na França e depois na então Tchecoslováquia.

A família de Matilde diz que não pretende doar o manuscrito ou os outros documentos para a Fundação Casa de Jorge Amado, que reúne a maioria dos originais do escritor. Mas não descarta que a relíquia se torne atração de um futuro leilão, a exemplo do que vem acontecendo com manuscritos deixados por autores famosos.

Leia a seguir um poema inédito do escritor: 

"Meus olhos vêem no copo de whisky a tua miragem 

Quando virás derramar a taça de whisky e me dar o vinho bom dos teus lábios e o gosto saboroso do teu corpo?"

"Bar", do livro "Cancioneiro", dedicado por Jorge Amado à sua primeira mulher, Matilde Garcia Rosa.


COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO
Porque nunca se fala da primeira esposa de Jorge Amado e da filha que tiveram?

UM ATO LAMENTÁVEL

Seg , 03/11/2008 às 22:15

Espólio de Jorge Amado vai a leilão no Rio de Janeiro

Liana Rocha, do A TARDE

Resultado de imagem para FOTOS DE JORGE AMADO

Agora dá para ter um Jorge Amado na parede, além dos muitos das estantes. Quem quiser garantir uma das 578 peças que fizeram parte da coleção particular do autor e de sua esposa, Zélia Gattai, pode participar do leilão que vai ser promovido pela família do dia 18 a 21 de novembro, através de Soraia Cals Escritório de Arte, no Rio de Janeiro.

O número de obras a ser negociado corresponderia a cerca de um terço do acervo deixado em herança. Segundo a escritora Paloma Amado, filha do casal, o acervo total seria de cerca de 1.500 peças. O restante delas continua com a família. Muitas das obras em leilão foram presenteadas pelos próprios artistas ao casal – e quase todas têm dedicatória. É o caso de um retrato de Jorge pintado por Flávio de Carvalho, cujo lance mínimo é de R$ 750 mil.

As peças de maior destaque serão leiloadas no primeiro dia, segundo informa a relações públicas Marcella Cals. Há obras de Djanira, Floriano Teixeira, Segall, Carybé, Carlos Scliar, Volpi, Anita Malfatti, Pancetti, Antonio Bandeira, Diego Rivera e até Picasso, dentre outros. Os itens mais baratos, entretanto, são decorativos: um conjunto com seis potinhos de cristal, cujo lance mínimo é de R$ 125.

PROPRIEDADE – “As pessoas nos julgam como se estivéssemos usurpando um bem público para benefício próprio, mas se esquecem que estamos fazendo isso com o que é de nossa propriedade”, diz a escritora Paloma Amado, filha dos escritores.

Consciente do direito da família de dispor de seus bens particulares como melhor lhes aprouver, Paloma explica que uma parte do dinheiro arrecadado com o leilão será revertida para a Fundação Casa de Jorge Amado.

Outra parte será utilizada para reformas na casa onde seus pais viveram, no Rio Vermelho. “Mas que fique bem claro que não tomamos a decisão de vender as obras em função da casa. Foi por vários motivos e um deles foi poder recuperar nossa casa. Não o memorial, mas a casa do Rio Vermelho, que está se acabando”.

TOMBAMENTO – A idéia de transformar a casa em Memorial, está temporariamente arquivada pela família. Tanto que o tombamento da casa, que no início do mês passado acabara de receber finalmente a aprovação da Câmara de Patrimônio do Conselho de Cultura, não foi levado adiante, a pedido da própria família ao governador Jacques Wagner, que acatou a vontade dos Amado.

Paloma, que se mostra um pouco desgostosa com o assunto, diz que o tombamento não seria mais do interesse da família por agora. “O que achávamos que seria simples, em função do acervo e do que implica o memorial, não foi simples, nem factível”, lamenta.

Sem tombamento, entretanto, ela aponta ser muito mais fácil reformar a casa. “Com o resultado do leilão, vamos poder consertar. Se ela fosse tombada, provavelmente cairia”, considera, afirmando que a prioridade é deixar a casa em ordem.

O projeto do memorial, por ora engavetado, não impede, entretanto, que o espaço possa ser conhecido pelos amantes da literatura amadiana. “A gente vai arranjar uma maneira para quem quiser fazer uma visita, visitar”, antecipa Paloma.

Muito além das considerações de bom tom – afinal, será que fica feio vender o que amigos presentearam a seus pais? – o leilão da coleção de Jorge Amado e Zélia Gattai, produz polêmica pela grande associação do escritor com a Bahia.

PALPITES – A sensação de “posse” é tão forte que, segundo Paloma Amado, ela está escutando críticas e palpites sobre algo que só diz respeito à família mesmo. Mas se desconhecidos se indignam com a decisão tomada, quem tem laços emocionais com algumas das peças que vão a leilão tem visão mais equilibrada.

“Acho que é uma pena não ficar com a família mas, se é para ser aplicado na Fundação Casa de Jorge Amado, a finalidade é útil”, acredita Alice Teixeira, viúva de Floriano Teixeira, cuja aquarela original para capa de A morte e a morte de Quincas Berro D’Água, vai a leilão.

Já Nancy Bernabó, viúva de Carybé, só lamenta não ter dinheiro suficiente para arrematar alguma obra do marido. “Se eu pudesse, comprava. Soube que há muita coisa que Carybé deu a Jorge que eu gostaria de levar para o instituto que estou criando para preservar a memória dele”, afirma a viúva.

AQUÍFERO A VENDA

Temer se encontrou com dono da Nestlé para discutir privatização do aquífero Guarani, maior reserva de água potável do mundo









No Fórum Econômico Mundial uma nova elite burguesa, não mais apenas européia, mas agora mundial, se reúne em Davos para celebrar a si mesma, suas realizações e sua visão de mundo

A pequena aldeia de Davos na Suíça, muito antes de tornar-se célebre por hospedar o Fórum Econômico Mundial, já era internacionalmente conhecida através do romance ‘A Montanha Mágica’ de Thomas Mann, publicado em 1924 e imediatamente saudado como uma das grandes obras literárias do século XX.

É em Davos, ‘A Montanha Mágica’, que Thomas Mann situa o sanatório Berghof onde, no romance, a elite da burguesia européia do início do século XX busca a cura para suas doenças pulmonares, principalmente a tuberculose. Nesta obra complexa, Thomas Mann retrata uma burguesia adoentada que, em Davos, progressivamente perde o contato com a realidade da ‘vida na planície’, a vida real. O ‘encanto’ da vida na ‘Montanha Mágica’ é quebrado, no final do romance, pela irrupção da Primeira Guerra Mundial. Thomas Mann mostra que foram a irresponsabilidade e a alienação da burguesia da época, isolada, distante e protegida na ‘Montanha Mágica’, que causaram a guerra.

No Fórum Econômico Mundial uma nova elite burguesa, não mais apenas européia, mas agora mundial, se reúne em Davos para celebrar a si mesma, suas realizações e sua visão de mundo. O Fórum é um outro sanatório Berghof a abrigar a elite do capitalismo internacional acometida desta doença mental chamada neoliberalismo. Exatamente como as personagens de Thomas Mann na ‘Montanha Mágica’, os participantes do Fórum Econômico Mundial também perderam todo o contato com a ‘vida na planície’, com a realidade da crescente desigualdade econômica mundial e sua conseqüente devastação social e ambiental. Em Davos defende-se – claro sintoma de doença mental – que cabe fundamentalmente ao mercado não somente encontrar as soluções para os diversos problemas atuais, mas organizar as bases mesmas da sociedade no século XXI, reduzindo o Estado a um papel meramente administrativo.

O Presidente Temer não poderia deixar de participar deste evento, afinal foi com o apoio de grande parte da elite internacional que se encontra anualmente em Davos que foi possível realizar no Brasil o golpe que o levou ao poder. A participação de Temer no evento oficial foi tímida, resumiu-se a uma única conferência de menos de 20 minutos em um auditório onde, devido a pouca audiência, biombos procuravam esconder as cadeiras vazias. A frase fundamental e reveladora do discurso de Temer foi:

‘Hoje, os principais atores no Brasil, políticos e econômicos, convergem em que não há alternativa à agenda de reformas que estamos promovendo’. (grifo meu)

‘Não há alternativa’ é a famosa frase dita por Margaret Thatcher ao promover a privatização de grande parte do setor público do Reino Unido, incluindo as empresas públicas de água e saneamento. Hoje, a maioria da população do Reino Unido quer a nacionalização dos serviços privatizados na era Thatcher, principalmente os de água. As parcerias público-privadas introduzidas pelo governo Thatcher se revelaram um desastre.

O que Temer chama de ‘reformas’ são o seu programa de privatizações, complementado por medidas que procuram retirar quaisquer barreiras à expansão do capital, sejam elas leis de proteção ambiental ou de direitos de trabalhadores. Como programa político estas ‘reformas’ não tem – nem poderiam ter - nenhum apoio da população e por isso devem ser apresentadas como uma inevitabilidade histórica – ‘não há alternativas’.

Com algumas décadas de atraso, a frase de Temer revela não apenas sua filiação ao neoliberalismo da era Thatcher, mas também algo ainda mais perturbador. Por ironia, o discurso de Temer foi dito no mesmo dia em que o ex-presidente Lula foi condenado por 3 votos a 0 no TRF-4. Ao afirmar que ‘os principais atores políticos e econômicos’ no Brasil convergem em que ‘não há alternativa’ , parece que Temer já sabia que o tribunal em Porto Alegre se encarregaria de acabar com a única alternativa viável para as próximas eleições. Em seu discurso Temer foi bem claro quanto a este ponto. A frase seguinte do discurso foi:

“O espaço para uma volta atrás é virtualmente inexistente.” (Grifos meus).

É preciso ler este discurso à luz desta condenação do ex-presidente Lula para compreender a amplitude do golpe e o poder REAL por trás dele. Por ser fundamentalmente antidemocrático, o neoliberalismo só pode se manter por meio de mentiras ou de violência. O Fórum Econômico Mundial faz parte de toda uma estratégia global de construção de uma realidade virtual – uma mentira – onde o neoliberalismo é apresentado como o único modelo ‘racional’ e ‘eficiente’ de organização econômica.

Mas como em todo o mundo aumentam as contradições entre as promessas neoliberais e sua realidade, a mentira neoliberal se sustenta com cada vez mais dificuldade. É neste ponto que entra a violência, física ou simbólica, como contraparte da mentira necessária à manutenção da ideologia neoliberal. O discurso de Temer em Davos exprimiu sua completa adesão aos objetivos do neoliberalismo – o que já sabemos – porém mais ainda o discurso revelou, para alívio da elite econômica em Davos, que há no Brasil poderes organizados capazes de utilizar diversas formas de violência para sustentar o seu governo e as suas propostas, eliminando a possibilidade de qualquer alternativa.

Estranhamente, o segundo evento oficial anunciado pelo Fórum em que o presidente Temer participaria – um debate público com a participação do Prefeito de São Paulo João Dória, do Presidente do Bradesco, do CEO do Itaú-Unibanco e do CEO da Nestlé Paul Bulcke - desapareceu da agenda do Fórum.

Mas em um evento fora do programa oficial, um jantar fechado para convidados onde Temer fez a abertura do painel ‘Dando Forma à Nova Narrativa Brasileira’, o CEO da Nestlé estava entre os convidados, como informou a Folha de São Paulo.

Ao que tudo indica decidiram que o presidente Temer e o CEO da Nestlé não deveriam aparecer juntos em público. Afinal, a Nestlé é bem conhecida pelo seu apoio à privatização da água e que negociações sobre este tema já existem entre a empresa e o presidente Temer é de conhecimento público. A rejeição da maioria da população brasileira à privatização da água parece ter influído em tornar mais discreto o encontro entre Temer e o CEO da Nestlé em Davos.

A agenda de Temer em Davos, porém, revela a importância do tema água: Temer teve encontros privados com o Presidente Global da Ambev, Carlos Brito e com o CEO da Coca-Cola, James Quincey. Temer também encontrou o CEO da Dow Chemical, Andrew Liveris. A água é a principal matéria prima utilizada pela Coca-Cola e pela Ambev. E ‘por coincidência’, Andrew Liveris faz parte do ‘Governing Council’ do Water Resources Group –WRG – a iniciativa da Nestlé, Coca-Cola e Pepsi para privatizar a água através de parcerias público-privadas. No site oficial do WRG, Andrew Liveris aparece ao lado do ex-CEO da Coca-Cola Muhtar Kent - outro membro do ‘Governing Council’ do WRG.(https://www.2030wrg.org/who-we-are/governance/)

Já a Diretora de Comércio e Política de Investimentos da Dow Chemical, Lisa Schroeter, aparece como membro do ‘Steering Board’ do WRG, junto com Dominic Waughray, que é membro também do Comitê Executivo do próprio Fórum Econômico Mundial.

A Ambev é parte da AB InBev, grupo que comprou a sua grande rival SABMiller por 107 bilhões de dólares numa mega fusão que concentrou ainda mais o mercado das grandes empresas engarrafadoras de água, cerveja e refrigerantes. A SABMiller é uma das empresas fundadoras do WRG…O maior acionista individual do grupo AB InBev é o brasileiro radicado na Suíça, Jorge Paulo Lemann.

O tema água parece ter sido parte da agenda do Prefeito de São Paulo João Dória em Davos. Ele não só também teve um encontro com Carlos Brito, Presidente da Ambev, mas também com a CEO da Pepsi , Indra Nooyi, que aliás também é membro do ‘Governing Council’ do WRG.

Nestlé, Coca-Cola, Pepsi, Ambev, Dow Chemical, WRG, toda esta rede de relações em torno do Fórum Econômico Mundial, revela como o big business se organiza para promover e executar sua agenda de apropriação das riquezas do planeta.

Temer e grande parte dos que vieram com ele, como a Senadora Marta Suplicy e o Deputado Beto Mansur, ficaram hospedados do hotel ‘Park Hyatt’ em Zurique. Segundo informação do hotel, a diária da suíte presidencial – que seria a escolha lógica para a hospedagem de Temer – neste período é de 5.220,00 francos suíços, cerca de R$ 17.640,00. Ou seja, o que foi provavelmente gasto em UM DIA de hotel equivale ao que um trabalhador recebendo um salário mínimo no Brasil levaria quase um ano e meio para ganhar.

Através deste simples dado entramos no mundo da ‘Montanha Mágica’. Como podemos imaginar, este tipo de viagem comporta muitos outros gastos, como segurança, diárias com pessoal militar e diplomático, aviões, aluguel de transporte terrestre local, de salas, tradução, etc. Não creio que o Palácio do Planalto tornará público o total de pessoas e de gastos envolvidos neste passeio de Temer pela Suíça.

A concentração de riqueza e de poder político nas mãos de menos de 1% da população, o grupo representado pelo Fórum Econômico Mundial, na sua busca patológica de mais e mais lucro, só pode causar mais conflitos, destruição do tecido social e do meio ambiente. Thomas Mann já havia alertado: a ‘Montanha Mágica’ termina com a Primeira Guerra Mundial. Cabe a nós mudar este final.

* Franklin Frederick é ativista ambiental




DESPEJOS

Lisboa. 'Ocupas' já começaram a ser despejados


Grupo já informou que vai fazer tudo para recuperar o edifício
A polícia iniciou esta terça-feira o processo de desocupação de um prédio em Arroios, em Lisboa, que tinha sido ocupado em setembro por um grupo de cidadãos que protestavam contra o avanço da especulação imobiliária.
O edifício pertence à Câmara de Lisboa e estava a ser ocupado por estas pessoas, que tinham como objetivo criar um polo de “habitação de urgência” no coração da cidade, como explicaram recentemente ao i.
Entretanto, a Assembleia de Ocupação de Lisboa – AOLX usou a sua página no Facebook para revelar os últimos acontecimentos: “A polícia municipal despejou os habitantes da casa ocupada da Rua Maques da Silva 69, não dando qualquer alternativa para assegurar o direito à habitação das pessoas em causa. Perante este despejo, a assembleia de ocupação de Lisboa tem pensadas várias acções para reivindicar o direito à cidade e à habitação. Entre elas uma petição que reclama um projecto de habitação comunitário”.
Os ativistas decidiram ocupar a casa não apenas para a “retirar das malhas da especulação”, como descrevem, mas também para “fazer dela um espaço de usufruto social”, lê-se na publicação de apresentação da ocupação na rede social Facebook.
Com esta ocupação, a AOLX pretende também mostrar que “há alternativas às formas predefinidas de gestão de espaços e de comunicação”, explicou ao i Joana, estudante de Belas Artes, há cerca de duas semanas. “Em termos de questões de ocupação e resistência a problemáticas sociais, é muito fácil as pessoas sentirem-se sozinhas e não conseguirem mudar as coisas”, acrescenta.
Porém, a realidade parece estar a mudar aos poucos, com alguns exemplos de reivindicação. “Nos últimos meses temos visto que, mesmo aqui em Lisboa, como em Alfama ou na Mouraria, as pessoas, juntas, conseguem resolver os problemas”, continua. “Enquanto há espaço e vontade, as pessoas podem juntar-se para questionar e criar espaços sociais” num “sentido de comunidade”, conclui Joana.

AGROTÓXICO MATA!

Dados da Fiocruz e do Ministério da Saúde revelam no país o aumento do número de suicídios e de intoxicações ligadas a esses produtos, informa O Globo.  De 2007 a 2017, os casos de intoxicação cresceram de 2.093 para 4.004, enquanto as tentativas de suicídios subiram de 730 para 1.449 no mesmo período.


ARTISTAS CONTRA ACM NETO

Bahia Notícias

Artistas nacionais se manifestam para que ACM Neto pague direitos autorais em Salvador

por Jamile Amine

Artistas nacionais se manifestam para que ACM Neto pague direitos autorais em Salvador

A eterna bronca de Manno Góes com a gestão municipal por causa do não pagamento de direitos autorais aos artistas que se apresentam na capital baiana (clique aqui e saiba mais) agora ganhou contornos nacionais e militantes de peso. 
É que a campanha pelo pagamento dos direitos ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) foi abraçada por nomes como Marisa Monte, Marina Lima, Caetano Veloso, Paula Lavigne, Djavan, Xande de Pilares, Mart'nália, Lan Lan, Mauricio Mattar, Paula Burlamaqui, Diogo Nogueira, Leo Gandelman, Mosquito, Flávio Renegado e Nando Reis.
 “Carnaval é alegria, é dança, é música. Música. Imagina um carnaval sem música. Quando não se paga direitos autorais só quem dança é o autor. A prefeitura de Salvador não paga direitos autorais, você concorda com isso?”, este é o texto que está rodando a internet em um vídeo promocional do manifesto. 
“Salvador foi eleita a ‘cidade da música’ pela Unesco e é a capital brasileira que mais promove festas e eventos ao longo do ano. Porém, a prefeitura da cidade é desrespeitosa e prejudicial com os autores, pois os direitos autorais de eventos públicos, como o Carnaval e o Réveillon, não são pagos devidamente”, diz parte do texto replicado pelos artistas e compartilhado amplamente nas redes socais, segundo o qual o débito da prefeitura há dois anos já somava cerca de R$ 30 milhões. 
“Em 2014, foi proposto que a prefeitura pagasse R$ 8 milhões, mas a proposta foi recusada pelo prefeito ACM Neto”, destacam nominalmente o gestor municipal. 
“O Ecad já moveu inúmeras ações e continua acionando a cidade e tentando um diálogo. Porém, a prefeitura não se dispõe a negociar. Precisamos nos mobilizar para enfrentar esse absurdo”, convoca o manifesto. 

UM CARNAVAL SEM MÚSICA