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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

FARNACE


Cecilia Bartoli (Roma, 4 de junho de 1966) é uma cantora lírica mezzo-soprano italiana e uma popular intérprete de óperas e recitais.

Conhecida por seus papéis em óperas de Mozart e Rossini, Bartoli também é uma aclamada intérprete de cantos barrocos. Diferentemente da maioria de cantores de ópera, Bartoli tornou-se mundialmente célebre muito jovem, ainda com menos de vinte anos de idade. 

Entre os seus títulos, contam-se o de Cavalieri de Itália e de Chevalier des Arts et des Lettres, atribuído pelo governo francês. Cecilia Bartoli foi eleita Membro Honorário da Real Academia de Música em Londres e Accademico Effetivo di Santa Cecilia em Roma.


 

domingo, 20 de setembro de 2026

AUTISTA E GRANDE MÚSICO

 

Por Beatriz Pereira, g1 Sorocaba e Jundiaí

O compasso que marca o tempo da bateria do músico Daniel Souza dos Santos Piscolaro, de 46 anos, também registra uma carreira de superação e conquistas. Autista, o músico de Sorocaba (SP) não encontrou apenas um instrumento, mas um caminho de vida: aprendeu a tocar, virou professor e chegou a dividir o palco com grandes nomes da música brasileira.

🥁 Conhecido como Daniel Batera, nome que até registrou em cartório, ele celebra neste Dia do Baterista (20 de setembro) uma trajetória marcada por disciplina, talento e paixão, que já rendeu participações em shows da banda de Roberto Carlos e gravações de trilhas para novelas da TV Globo.

Daniel foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte aos 43 anos, após identificar que a filha também é autista.

"Por causa dela (filha) que eu comecei a estudar sobre autismo, porque eu disse assim: 'Bom, já que minha filha tem isso, eu preciso entender melhor como que funciona, o que é essa parada". E no que eu comecei a estudar sobre autismo, sobre os estereótipos de autismo, eu comecei a ver e me identificar com as coisas", disse.

Daniel Batera até registrou o nome em cartório como marca e patente, em Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Daniel Batera até registrou o nome em cartório como marca e patente, em Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

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🥁Hiperfoco em bateria

Atualmente morador de Sorocaba, Daniel é natural de Porto Alegre (RS) e contou ao g1 que toca desde os oito anos. O início de tudo ocorreu na igreja, acompanhando o pai, que tocava durante os cultos batistas.

O instrumento, consolidado no início do século 20, reúne um conjunto de tambores e pratos com pedais que também precisam ser tocados em tempos diferentes, o que pode ser desafiador para iniciantes.

Mesmo assim, com o apoio da família, Daniel desenvolveu um "hiperfoco" no instrumento, característica relacionada ao autismo que, segundo ele, ajudou em seu desenvolvimento musical, na educação e a mantê-lo longe de problemas na juventude.

"Eu fui me desenvolvendo como autodidata. Aos 13 anos eu entrei numa escola, mas não deu muito certo porque o professor mais me enrolava do que qualquer outra coisa. Com 15 anos eu fui descobrir um grande músico, Argus Montenegro, que foi professor do Kiko Freitas, baterista do João Bosco, e ele (Argus) começou a me ensinar a ler partitura e tudo mais", disse.

O músico se profissionalizou aos 20 anos, ao cursar a faculdade e iniciar a carreira vivendo exclusivamente da música, época em que morava no Rio de Janeiro. Ele teve a oportunidade de integrar bandas e se apresentar em diversos lugares, chegando a abrir o show do Deep Purple no Riocentro, em 2006.

Daniel Batera e o professor Argus Montenegro — Foto: Arquivo pessoal

Daniel Batera e o professor Argus Montenegro — Foto: Arquivo pessoal

🧩Desafios e incentivo

Apesar de ter nível 1 de suporte, Daniel relata que só entendeu o motivo de passar por tantas dificuldades de socialização na infância e adolescência após receber o diagnóstico.

"Estava tudo explicado, tudo que eu passei na minha vida, o bullying, eu ser muito diferente, deslocado, em muitos momentos gostar muito da solitude e meu hiperfoco em bateria, na Bíblia, em e outras coisas também. Tudo fez muito sentido", afirmou.

Daniel é professor de bateria em Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Daniel é professor de bateria em Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Com a descoberta, o músico passou a se envolver ativamente com a conscientização sobre o autismo em Sorocaba. Ele já palestrou em conferências universitárias sobre o TEA voltadas a psicólogos e fonoaudiólogos e recebeu uma homenagem na Câmara dos Vereadores pelo seu trabalho com a música. Essa vivência refletiu diretamente em sua vocação como professor, aproximando-o de alunos com deficiência (PCDs).

No Rio de Janeiro, Daniel deu aulas para muitas crianças com Síndrome de Down, incluindo a participação de uma aluna, Paulinha Werneck, em um quadro da campanha "Ser Diferente é Normal", do Criança Esperança.

"Foi uma das maiores vitórias que eu tive como professor: colocar uma pessoa com Síndrome de Down para fazer um solo e tocar de verdade na televisão", relembra.

Atualmente, em sua escola de música, um de seus grandes orgulhos é o aluno autista Noah Costa Neto. Os pais do garoto procuraram o baterista justamente por saberem de seu diagnóstico.

"Ele começou do zero comigo e toca para caramba. Tira músicas muito rápido, é convidado para dar 'canja' em bandas cover de Metallica e Guns N' Roses na noite, e sempre chama muita atenção com a qualidade do que faz nos nossos recitais", diz o professor.
Aluno Noah Costa Neto começou a tocar bateria do 'zero' e teve aulas com Daniel Batera — Foto: Arquivo pessoal

Aluno Noah Costa Neto começou a tocar bateria do 'zero' e teve aulas com Daniel Batera — Foto: Arquivo pessoal

🎤 Parceria com artistas

Ao longo de sua carreira, Daniel acumulou experiências marcantes nos palcos. Uma das mais memoráveis aconteceu de forma inusitada durante um casamento em Itaipava (RJ), onde o cantor Roberto Carlos era padrinho. O "Rei" decidiu subir ao palco, acompanhado do maestro Eduardo Lages, e tocou cinco músicas de improviso com a banda de Daniel para homenagear a noiva.

"Foi o momento mais arrepiante da minha carreira musical. Já estive em grandes palcos tocando para milhares de pessoas, mas tocar com o Rei foi uma coisa muito diferente", relata.

Daniel Batera tocou com a banda de Roberto Carlos — Foto: Arquivo pessoal

Daniel Batera tocou com a banda de Roberto Carlos — Foto: Arquivo pessoal

Além do show improvisado com Roberto Carlos, o baterista já teve a oportunidade de gravar um clipe com Lenine e tocar com bandas consagradas como Barão Vermelho e Kid Abelha. Ele também conheceu diversos grandes nomes da música, como Carlinhos Brown, Marcelo D2 e Eloy Casagrande, atual baterista do Slipknot, com quem fez um workshop.

O talento de Daniel também chegou à televisão: ele participou da gravação de trilhas sonoras de novelas da TV Globo, como "Viver a Vida" e "Insensato Coração". Contudo, apesar do currículo extenso nos palcos e estúdios, é na sala de aula que ele encontra seu maior propósito.

"Hoje eu trabalho com a coisa que eu mais amo, que é ensinar. Amo transformar vidas através da música, e isso é algo que não tem preço. Ver crianças, adolescentes, adultos e idosos sendo transformados pela música é maravilhoso, não existe outra coisa igual", finaliza o músico.

Daniel Batera já conheceu artistas como Carlinhos Brown, Marcelo D2 e Eloy Casagrande, baterista do Slipknot — Foto: Arquivo pessoal

Daniel Batera já conheceu artistas como Carlinhos Brown, Marcelo D2 e Eloy Casagrande, baterista do Slipknot — Foto: Arquivo pessoal