Mostrando postagens com marcador PATRIMÔNIO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PATRIMÔNIO. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de junho de 2026

QUEIXA AO MINISTÉRIO PÚBLICO



Mais uma vez venho protestar pelas omissões criminosas dos poderes púbicos que costumam resultar na constante descaraterização do Centro Histórico de Salvador, teoricamente classificado pela Unesco – a pedido do Governo Federal do Brasil – como Patrimônio Mundial.

Em 2026 denunciei em vão o perigo de obras apressadas na encosta atrás da Igreja do Nossa-Senhora do Boqueirão. 

Três anos passaram e nada foi resolvido.

Hoje, mesmo descrente de qualquer intervenção por parte do IPHAN como da Prefeitura -ambos cientes do problema - torno a questionar a deliberada indiferença por uma grave agressão ao Largo da Quitandinha do Capim.

Além da poética beleza da nomenclatura, este largo de curiosa forma triangular, possui uma maioria de edifícios de estilo colonial e eclético e se inscreve no bairro tombado.

Já tive oportunidade por duas vezes, há mais de um ano, de assinalar a agressão ao superintendente do IPHAN que, aliás, já era conhecedor do problema. No entanto qualquer um pode constatar que as obras continuam num pequeno imóvel de estilo eclético, sem numeração, localizado entre os imóveis 9 e 11.

Este pequeno imóvel está sendo PERIGOSAMENTE comprometido com o acréscimo de TRÊS ANDARES, com certeza sem nenhum alvará ou acompanhamento de técnico responsável.

Já protestei junto ao IPHAN. 

Já escrevi na minha coluna do jornal A Tarde, reclamei nas redes sociais... tudo sem o mínimo resultado.

Só me resta a esperança que o Ministério Público consiga aquilo que não consegui durante mais de um ano.

Dimitri Ganzelevitch

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A HISTÓRIA DO RINOCERONTE

 

A história do rinoceronte que deu origem à calçada portuguesa

A calçada portuguesa nasceu para um rinoceronte chamado Ganga não sujar as patas num cortejo real. A sua história inclui um naufrágio e gravuras de Dürer.


Em janeiro, no aniversário de D. Manuel I, a corte portuguesa preparava-se para um cortejo. Não um cortejo qualquer — um desfile com a família real e figuras da nobreza a exibir riquezas vindas do Oriente, numa Lisboa de inverno onde as ruas eram, na melhor das hipóteses, lama compactada. E entre os participantes estava Ganga, um rinoceronte branco com coleira de veludo verde decorada com rosas e cravos dourados.

Para que Ganga e o resto do cortejo não chegassem ao destino cobertos de lama, as ruas por onde passariam foram calcetadas.

Foi assim, segundo a tradição, que nasceu a calçada portuguesa.

Como um rinoceronte chegou a Lisboa

A história de Ganga começa em 1514, quando Afonso de Albuquerque, governador das Índias portuguesas, pediu ao rei de Cambaia autorização para construir uma fortaleza em Diu. O rei Modofar recusou o pedido — mas, em gesto de gratidão pelas ofertas que tinha recebido, deu a Albuquerque um rinoceronte.

Manter um rinoceronte em Goa não era prático. Albuquerque enviou-o como presente para D. Manuel I. Quando chegou a Lisboa, causou um alvoroço que ultrapassou as fronteiras portuguesas: era o primeiro rinoceronte vivo em solo europeu desde o século III. Mais de duas toneladas de animal enrugado que ninguém na Europa tinha visto em mil e duzentos anos.

D. Manuel instalou Ganga no parque do Palácio da Ribeira, junto a um elefante que já lá estava. Organizou, inevitavelmente, um combate entre os dois — perante o rei, a rainha e convidados importantes. O elefante, ao ver o rinoceronte aproximar-se, fugiu em pânico. O combate durou o tempo que um elefante demora a decidir que não quer lutar.

A morte de Ganga

Em dezembro de 1515, D. Manuel organizou uma embaixada a Roma para garantir o apoio papal à expansão portuguesa — e entre as ofertas para o Papa estava, de novo, Ganga, com a sua coleira de veludo verde. O navio que o transportava enfrentou uma tempestade violenta ao largo de Génova e afundou-se. Toda a tripulação morreu.

Ganga sabia nadar. Mas estava amarrado, e as amarras impediram-no de escapar. Afogou-se.

O corpo foi recuperado. D. Manuel mandou empalhá-lo e enviou-o para Roma de qualquer forma — uma oferta póstuma que não teve o impacto que o elefante vivo, enviado anteriormente, tinha causado. Um rinoceronte empalhado é, compreensivelmente, menos impressionante do que um vivo.

O que ficou

Ganga acabou imortalizado de formas que sobreviveram séculos. Está representado numa das guaritas da Torre de Belém. No Mosteiro de Alcobaça existe uma representação naturalista do seu corpo completo, usada como gárgula no Claustro do Silêncio.

E foi desenhado por Albrecht Dürer — a partir de uma carta de um mercador português que continha um desenho do animal, sem que Dürer alguma vez o tivesse visto pessoalmente.

A gravura de Dürer tornou-se uma das imagens mais reproduzidas da história da arte europeia, apesar de ter detalhes anatómicos incorrectos que qualquer biólogo identificaria hoje.

Quanto à calçada: as cartas régias de D. Manuel I, de 1498 e 1500, marcam o início do calcetamento de Lisboa, com granito trazido do Porto a um custo considerável. Mas a calçada que hoje reconhecemos — em calcário branco e negro, com o padrão irregular característico — só apareceu no século XIX.

Em 1842, presidiários calcetaram uma zona de Lisboa por ordem do governador do Castelo de São Jorge, e a obra foi suficientemente incomum para que cronistas da época escrevessem sobre ela — está mencionada no romance O Arco de Sant’Ana, de Almeida Garrett, e no poema Cristalizações, de Cesário Verde.

A ligação directa entre o rinoceronte de 1515 e a calçada de 1842 é mais simbólica do que documental — são três séculos de distância. Mas a história gosta de ligações como esta: um animal vindo da Índia, amarrado a um navio que afundou ao largo de Génova, deu o impulso simbólico para um pavimento que se tornou, séculos depois, uma das imagens mais reconhecíveis de Portugal no mundo.

domingo, 14 de junho de 2026

O PALÁCIO DO CARTEIRO

 

Um carteiro francês passou 33 anos erguendo sozinho um palácio com pedras que catava no caminho do trabalho


No fim do século XIX, um carteiro do interior da França guardou no bolso uma pedra na qual havia tropeçado e, sem imaginar, deu início a uma das obras mais improváveis de que se tem registro. Ferdinand Cheval passaria 33 anos catando rochas no trajeto do trabalho para erguer, com as próprias mãos, um palácio inteiro. O resultado virou monumento, sobreviveu ao tempo e ainda desafia quem tenta explicar como tudo aquilo saiu de um único homem.

Como uma pedra no caminho mudou a vida de um carteiro?

Em abril de 1879, aos 43 anos, Cheval fazia o percurso de sempre quando esbarrou em uma pedra de formato incomum. Em vez de seguir adiante, parou para observá-la e levou a rocha para casa. Ele atendia uma área rural de cerca de 30 quilômetros na comuna de Hauterives, no sudeste da França, e estava acostumado a longas caminhadas solitárias. Aquele tropeço, porém, ficou diferente na memória.

Havia anos que ele alimentava um sonho silencioso. Entregando cartas, via cartões postais de lugares distantes e revistas com castelos e templos que jamais visitaria. A pedra deu corpo a esse desejo antigo. Onde a maioria veria só um estorvo no caminho, ele enxergou a matéria-prima de um palácio.

O que levava um facteur a catar pedras todos os dias?

A partir daquele dia, a rotina ganhou uma segunda jornada. Depois de entregar a correspondência, Cheval voltava recolhendo tudo que chamava sua atenção pelo trajeto. Primeiro enchia os bolsos, depois passou a usar uma cesta e, por fim, um carrinho de mão para dar conta do volume. As referências que moldaram sua imaginação vinham de fontes bem concretas:

  • Os cartões postais de países distantes que ele mesmo entregava e nunca conheceria.
  • As primeiras revistas ilustradas, repletas de templos, castelos e paisagens exóticas.
  • A própria natureza, que oferecia conchas, rochas desgastadas pelo tempo e pedras com contornos de animais.
  • Passagens bíblicas e figuras místicas, que ele transformaria em esculturas pelas paredes.
Durante décadas, o carteiro recolheu pedras ao longo do trajeto de trabalho para dar forma ao projeto que imaginava.
Durante décadas, o carteiro recolheu pedras ao longo do trajeto de trabalho para dar forma ao projeto que imaginava.

Como o Palais Idéal foi erguido por uma só pessoa?

Sem nenhuma formação em arquitetura ou construção, Cheval aprendeu no improviso. Trabalhava à noite, depois do expediente, muitas vezes iluminado apenas por uma lâmpada a óleo. Unia as pedras com cal, cimento e arame, montando paredes, colunas e torres pouco a pouco. O que para os vizinhos parecia a obsessão de um louco era, para ele, uma missão de vida.

O resultado dessa paciência tem 12 metros de altura e 26 de comprimento. Numa das fachadas, Cheval gravou a soma da própria dedicação: 10.000 dias, 93.000 horas e 33 anos de trabalho. Em outro ponto, deixou esculpida a frase que resume tudo, Trabalho de um só homem. O Palais Idéal ficou pronto em 1912, quando ele já tinha 76 anos.


Que figuras habitam esse palácio de pedra?

Quem chega ao palácio encontra menos uma construção comum e mais um mundo inteiro condensado em pedra. As fachadas misturam um bestiário fantástico com uma volta ao mundo arquitetônica, tudo modelado à mão. Vale reparar nos detalhes espalhados pela obra:

  • Animais como polvo, elefante, urso e pássaros, esculpidos diretamente nas paredes.
  • Figuras mitológicas, fadas e gigantes que parecem saídas de um conto antigo.
  • Versões livres de um templo hindu, um chalé suíço, um castelo medieval e uma mesquita.
  • Conchas, caracóis e ostras incrustados na pedra, na parte que ele chamou de fonte da vida.


Por que Cheval passou mais oito anos construindo um túmulo?

Concluir o palácio não encerrou a história. Cheval queria ser enterrado dentro da própria obra, mas a lei francesa proibia sepultamentos fora dos cemitérios. Diante da recusa, ele simplesmente recomeçou. Já idoso, dedicou mais oito anos a erguer um mausoléu no cemitério de Hauterives, com o mesmo capricho minucioso aplicado às pedras do palácio.

Ferdinand Cheval morreu em 1924 e foi enterrado naquele túmulo que construiu para si. Os dois trabalhos, o palácio e a sepultura, somam quase toda a vida adulta de um homem que escolheu transformar caminhadas de trabalho em legado de pedra. Poucos artistas formais deixaram uma marca tão pessoal e tão inteira.



De excêntrico de aldeia a patrimônio reconhecido

Por muito tempo, o carteiro foi tratado como figura estranha na região, alvo de zombaria de quem não entendia o que ele fazia com tantas pedras. O reconhecimento veio depois, e veio grande. Artistas surrealistas se encantaram com a obra, e em 1969 o governo francês classificou o palácio como monumento histórico, colocando-o sob proteção oficial do Estado.

Hoje a construção segue de pé em Hauterives, aberta à visitação e admirada por quem chega de várias partes do mundo. O que começou como o capricho de um homem comum virou um marco preservado, prova de que uma vida inteira de teimosia pode atravessar gerações. A pedra que quase derrubou Cheval no caminho acabou sustentando seu nome muito além do tempo em que viveu.

terça-feira, 9 de junho de 2026

O NOVO LOUVRE

 

O que esperar do “novo Renascimento” do Louvre

As autoridades francesas escolheram uma equipa internacional de arquitetos para fazer ‘renascer’ o museu mais visitado do mundo. Solução para acolher até mais 3 milhões de visitantes. E para deixar a Mona Lisa respirar.


LP/Arnaud Dumontier
7 Junho 2026, 18h07

O sorriso mais enigmático em exposição no Louvre já pode ser visto sem ter de percorrer todo o museu. A Mona Lisa mudou de aposentos. A Sala do Estado foi preterida pela Galerie Médicis, mas apenas temporariamente. Uma transformação mais ampla vai, muito em breve, começar a ganhar forma. A Selldorf Architects, sediada em Nova Iorque, irá colaborar com a Studios Architecture Paris para liderar uma ambiciosa renovação e expansão, anunciou em maio o Ministério da Cultura francês. O ateliê foi escolhido entre um grupo de cinco finalistas selecionados em outubro, após a triagem de mais de 100 candidatos.

O objetivo é muito claro. Conduzir o Louvre a um “novo Renascimento” para responder às necessidades de segurança e infraestruturas, e controlo de multidões do museu de arte mais visitado do mundo. No centro da intervenção está o redesenho da praça da “Grande Colunata”, construída entre 1667 e 1674 sob Luís XIV, com base num projeto de Claude Perrault, que recebeu a encomenda depois de o rei ter recusado a proposta anterior do arquiteto italiano Bernini. A obra a cargo da Selldorf Architects prevê duas novas entradas subterrâneas, espaço expositivo ampliado, áreas de refeições e lojas do museu. O_custo estimado? 800 milhões de euros. O tráfego pedonal do Louvre – que recebe anualmente cerca de 9 milhões de visitantes – também será repensado. Novos caminhos e áreas verdes vão ligar o museu ao resto de Paris, para que este colosso possa acolher até mais três milhões de visitantes por ano.

Mais. Os dois ateliês vencedores têm, também, a missão de reinventar o design expositivo da pintura mais famosa do Louvre, a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Detalhe de enorme importância na gestão dos fluxos de visitantes, na medida em que só ela, e o seu enigmático sorriso, atrai, em média, cerca de 20.000 visitantes por dia. Segundo o jornal “Le Monde”, La Gioconda – nome pelo qual a obra também é conhecida – terá um espaço dedicado com cerca de 3.000 m2, que estará concluído, estima-se, até 2031.

O principal objetivo é, obviamente, salvaguardar as condições de segurança da obra-prima de Da Vinci e, paralelamente, permitir que o público tenha acesso à mesma de forma autónoma. Ou seja, sem ter, necessariamente, de visitar o resto do museu. Os responsáveis do Louvre esperam que esta solução reduza ainda mais a lotação e que a obra “respire”, pois terá apenas por ‘companhia’ informações sobre a vida e obra de Leonardo e sobre tudo o que se sabe acerca do icónico retrato de La Gioconda.

Laurence des Cars, historiadora de arte e curadora, foi a primeira mulher a dirigir o Louvre, de setembro de 2021 até à sua demissão, em fevereiro de 2026. Em declarações à imprensa francesa e internacional, recordou, ainda no cargo, que “números excecionais de visitantes não são uma maldição, são motivo de orgulho.” Mas contrapôs: “É também um desafio reinventarmo-nos e mantermo-nos fiéis à nossa missão de serviço público.” O novo diretor, Christophe Leribault reiterou que se trata “de um projeto crucial e necessário para o Louvre. Não podemos continuar a receber 9 milhões de visitantes através da Pirâmide [a entrada atual]. Assim como é imprescindível rever a infraestrutura, refazer os telhados e as instalações técnicas dentro do perímetro do Pátio Circular”, afirmou Leribault ao “Le Monde”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que revelou ao mundo, em janeiro de 2025, a colossal empreitada a que chamou “Novo Renascimento do Louvre”, rejeitou críticas aos valores em jogo argumentando que se trata de um assunto de importância nacional e de orgulho cultural. Entre o roubo de joias da coroa francesa, avaliadas em 88 milhões de euros, infiltrações que danificaram entre 300 e 400 obras de arte, greves de funcionários e episódios que envolvem outros problemas estruturais do edifício, a palavra de ordem é para avançar. A bem da nação, frisou Macron.

 

Top 5 dos museus mais visitados do mundo (Fonte: Art Newspaper):

  • Louvre, Paris
  • Museus do Vaticano
  • Museu Nacional Coreia, Seul
  • British Museum, Londres
  • Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque


terça-feira, 7 de abril de 2026

ACERVO DE TIJOLOS

 

Arqueóloga organiza acervo de tijolos de São Paulo

Com 216 peças, arqueóloga lança a primeira tijoloteca do estado e revela detalhes inéditos sobre o passado das construções e olarias de São Paulo

Letícia Lima
  • Facebook Icon
  • Twitter Icon
  • WhatsApp Icon
  • Flipboard Icon
  • Gmail Icon
Tijolo histórico com marcação, possivelmente  possivelmente do Cometa Halley, presente no acervo da primeira 'tijoloteca' de São Paulo / Créditos: Reprodução / DPH-SMC / Centro de Arqueologia de São Paulo

A arqueóloga e historiadora Angélica Moreira da Silva desenvolveu a primeira “tijoloteca” do estado de São Paulo. Com o intuito de preservar a memória do início da industrialização paulista, a pesquisadora catalogou 216 peças históricas.

Esse trabalho minucioso resultou em dois catálogos 


Origem do acervo

De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, a  jornada de Angélica começou em 2017, quando ela encontrou mais de 2.000 tijolos guardados em caixas no Centro de Arqueologia de São Paulo.

Inicialmente, o material derivado de escavações das décadas de 1980 e 1990 estava sem o devido tratamento técnico ou identificação completa. Por isso, a especialista elaborou uma metodologia própria para descrever os artefatos a partir do peso, da cor e da dimensão.

As peças avaliadas vieram de sítios arqueológicos importantes da capital, como o conjunto arquitetônico Morrinhos e a área do atual parque Augusta. Dessa forma, a iniciativa evitou que esses itens de valor inestimável fossem parar no lixo comum. “Não quero tijolo em caçambas, mas contando história”, ressalta Angélica.

Símbolos e marcas urbanas de São Paulo

Além das medidas físicas, a pesquisa focou em decifrar letras e desenhos impressos nas cerâmicas. Através da consulta a antigos livros de impostos, foi possível identificar olarias pioneiras da várzea dos rios Tietê e Pinheiros, como a marca Sacoman Frerès. Consequentemente, as inscrições revelaram as identidades dos artesãos e dos proprietários que ajudaram a erguer a cidade.

Nesse contexto, a pesquisadora destaca a relevância arqueológica desses itens, que frequentemente passam despercebidos no ambiente urbano. “Tijolo pode ser um arroz de festa e passamos batido por ser recorrente, mas é um artefato histórico como qualquer outro, como as cerâmicas indígenas”, explica Silva ao jornal Folha de S.Paulo.

Histórias não contadas

Por fim, o estudo também evidenciou figuras curiosas cravadas nas peças, como meias-luas e uma estrela com cauda, possivelmente inspirada na passagem do cometa Halley em 1910. Segundo a autora do projeto, esses desenhos rústicos podem indicar o trabalho contínuo de operários analfabetos que precisavam marcar sua produção de alguma maneira.

Assim, o acervo inédito resgata não apenas as técnicas construtivas de épocas passadas, mas também memórias sociais que foram silenciadas pelo tempo. “O tijolo é um artigo reproduzível e precisa de marcas para diferenciar a origem da produção. A partir dessa análise podemos olhar para a cidade por meio dessas histórias não contadas”, conclui Angélica.

COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO.- Fiquei bastante sensível a esta notícia, já que também coleciono tijolos recuperados em ruinas do centro de Salvador, desde que tenham a marca da fábrica.