quarta-feira, 31 de agosto de 2022

VINHOS ARGENTINOS

 Contrabando de vinhos na fronteira do Brasil com Argentina movimenta R$ 2 bilhões em 2021

Por Fantástico


Contrabando de vinhos na fronteira do Brasil com Argentina movimenta R$ 2 bilhões em 2021
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Contrabando de vinhos na fronteira do Brasil com Argentina movimenta R$ 2 bilhões em 2021

Fantástico foi à fronteira do Brasil com a Argentina investigar um esquema criminoso: o contrabando de vinhos, um mercado clandestino que movimentou R$ 2 bilhões só em 2021. Nos últimos três anos, o número de apreensões de garrafas contrabandeadas aumentou sete vezes.

Fantástico acompanhou uma operação da Receita Federal brasileira na região de Tiradentes do Sul, no Norte gaúcho. Na outra margem do rio Uruguai fica a cidade de El Soberbio, onde o repórter Giovani Grizotti conversou com um contrabandista de vinho.

Repórter: Qual é a quantidade mínima que tu leva?
Contrabandista: Para levar no barco?
Repórter: É
Contrabandista: O que tiver a gente leva. Se tiver umas 200 caixas, a gente leva em 'umas quantas vezes'.
Repórter: Se der zebra na água tu cobre, tu dá garantia?
Contrabandista: Sim, dou garantia. E dou garantia do lado de lá. Depois que está no teu carro, aí tu me paga.


A equipe do Fantástico não fez a compra, mas, no lado brasileiro, os agentes da Receita flagraram uma cena que confirma o que os contrabandistas prometem.

As equipes da Receita receberam informação de que contrabandistas estavam saindo da Argentina. Na balsa que cruza o rio Uruguai em direção ao Brasil, caixas de vinho foram escondidas em um carro. Depois, o carro passou por um posto de fiscalização da Receita abandonado, segundo um auditor, por falta de pessoal.

Já em território brasileiro, o carro do contrabando foi abordado pelos agentes.

Casos assim têm aumentado em uma velocidade impressionante. Em 2019, foram apreendidas 87 mil garrafas de vinho introduzidas irregularmente no Brasil. Em 2021, foram quase 600 mil.


O BARQUINHO VAI...

 


As águas da baía se esparramam debaixo de minha varanda. Costumam ser de uma imobilidade absoluta, metálica. Hoje é chumbo, ontem foi aço. Confundem-se com o céu que elas refletem, costuradas vagamente lá no fundo com as prováveis terras que anunciam Salinas das Margaridas e a entrada do rio Paraguaçu.

Vez ou outra, quando os ventos mal-humorados reclamam, sobem então ondas a lamber as laterais dos barcos. Mas nunca por muito tempo. Lá, no fundo, à minha direita, adivinhava brancas ondas explodindo nos rochedos de Montserrat. 

Hoje tem doze cargueiros. Ontem foram catorze. Como se estivessem soldados na chapa. Sai um, carregado de contêineres vermelhos e verdes. Vai rodando devagar, sem ajuda dos rebocadores, aqueles barquinhos que, com seu nariz achatado, sempre me lembram desenhos animados dos anos 40. Suponho que, por razões econômicas, prescindiu desta solução lenta e penosa.

Ao sair do cais, algum cargueiro, raivoso, soltará uma enorme fumaça preta parecendo xingamento.

Barcos menores deslizam tesourando a superfície. Me lembro do balanço dos saveiros, velas amarradas, na Rampa do Mercado, descarregando frutas e sacas de farinha. Quanta falta me fazem... 

No meio dos cargueiros, um barquinho, como perdido na imensidão cinza. Algum pescador. Daqui não dá para ver bem o homem, muito menos a vara. Quem será? Quantos anos pode ter? Uns quarenta, sessenta? Como saber?

Ali está ele, sem idade, sem rosto, isolado do mundo, dialogando silencioso com os peixes que, sabidos, hesitam em morder a isca. Em que, em quem pensará o pescador? Em sua mulher, sua amante, seus filhos? Na falta que faz algum dinheiro a mais para comprar a nova geladeira? Ou é simplesmente um aposentado, amador de solidão, que assobia desafinando, mas feliz por estar longe de tudo? Dá uma olhada do canto do olho para esta cidade tentacular que tudo abocanha à sua volta, e ele, aliviado por ter escapado, nem que seja por algumas horas. 

Tem tantos anos que vejo este barquinho...

Como saber se é o mesmo? Claro que não tenho a certeza. Pode ser ele como qualquer outro, se revezando, quem sabe, antes do começo do dia, muito antes de eu acordar. Mas sim, é sempre o mesmo, só mudando de rosto ou de idade. As iscas pouco variam, os pensamentos também. 

Há quinhentos anos que barquinhos estão a pescar nestas mesmas águas... Que bobagem! Bem mais de quinhentos anos, mil anos... mais! Todos pensando coisas similares, todos à espera de peixes que já foram mais inocentes e mais numerosos.

Só mudaram os ruídos da ribeira, a forma dos grandes barcos. Onde estão as caravelas, as fragatas, suas brancas velas e seus marinheiros brigões e malcheirosos?

Lá vai ele, meu barquinho, se afastando, devagar, sempre mais distante...

Dimitri Ganzelevitch

Salvador 31/08/2022

 

 

STARDUST

O FIM DO ICEIA?


Pode ser uma imagem de ao ar livre
ICEIA
“Projeto do arquiteto alemão Alexander Buddeüs , o Instituto Normal da Bahia, data do ano 1936 a 1939, atual ICEIA (Instituto Central de Educação Isaias Alves), situado na Praça do Barbalho, s/nº (bairro do Barbalho), Salvador - Bahia (Brasil).
Áreas externas muito simples, a escola é ampla, com largas galerias abertas, salas de aula arejadas e uma piscina, obra de inspiração germânica com influência da Bauhaus.

A construção de uma nova escola normal com capacidade para atender a demanda de Salvador e dotada de todos dos requisitos de um verdadeiro centro educacional fazia parte do projeto de modernização da Bahia na época. Originalmente o modelo de referência era o Instituto de Educação do Rio de Janeiro.


Em 1936, é publicado edital de concurso para a apresentação de projetos para a sede do novo Instituto Normal, apenas a Christiani Nielsen apresenta um anteprojeto. O programa compreendia alem de salas de aula, um teatro, campo de futebol, quadras de esporte e uma piscina, tudo articulado por passarelas. O projeto original incluía a demolição de casas em sua frente para a criação de uma praça e construção de um viaduto ligando os bairros de Nazaré e Barbalho, onde se encontrava a escola.


As obras começaram em fins de 1937 e Buddeüs , abandona o tratamento expressionista que adotara no Instituto de Cacau, com cantos arredondados e um certo classicismo, expresso na planta e fachadas simétricas. Trabalha agora, com a articulação de volumes puristas brancos, de diferentes tamanhos, como a própria sede do Bauhaus em Dessau, de Gropius. A fenestração é mais livre, com um jogo de grandes painéis envidraçados verticais e janelas moduladas dispostas horizontalmente.


Apenas um elemento comum aos dois projetos, o esquema compositivo das fachadas principais do Instituto de Cacau e do Teatro do Instituto Normal. Este seria o último projeto de Buddeüs no Brasil.
O impacto dessa primeira onda de Arquitetura Moderna, patrocinada pela Revolução de 30, em uma cidade ainda colonial, constituída por sobrados e casinhas de uma porta e duas janelas, foi enorme. São construções imensas, envidraçadas, ocupando quadras inteiras.” -
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