sexta-feira, 2 de outubro de 2026
COMUNICADO DA SANTA LUZIA FILMES
PANDORA E AS ELEIÇÕES
ARMANDO AVENA

O diabo sabe citar as Escrituras quando lhe convém, diz o Evangelho. Por isso, quando se busca a mudança, é preciso ter cuidado para não dar o poder ao diabo travestido de anjo. É verdade que o fascínio pela mudança encanta homens e mulheres, mas vale lembrar: mudar pode ser bom, mas mudar para pior pode ser trágico.
Os gregos, por exemplo, contam a história de Faetonte, filho de Hélio, o deus que conduzia diariamente o Sol pelo céu. Orgulhoso da sua origem divina, Faetonte queria conduzir o carro do Sol, como fez seu pai.
Não é fácil, porém, para alguém inexperiente, que sempre andou por sítios sombrios, controlar os cavalos alados e manter o carro do Sol na trajetória correta. Contra todas as evidências, Faetonte afirma que está preparado e diz que vai conduzi-lo como ninguém jamais o fez.
Quando, todavia, assume o carro, percebe que não tem a mínima condição de controlar os cavalos. O carro solar sai de sua rota e aproxima-se demais da Terra, queimando campos e cidades. Depois sobe excessivamente e deixa regiões inteiras sob um frio terrível. A desordem ameaça o equilíbrio do mundo. Então, Zeus intervém e fulmina Faetonte com um raio, fazendo-o cair do céu.
Aquilo que parecia uma renovação grandiosa transformou-se em catástrofe porque a capacidade de conduzir o poder foi menor do que a ambição de exercê-lo. E o mundo descobriu, tarde demais, que, às vezes, mudar não é necessariamente mudar para melhor. Qualquer semelhança com o processo eleitoral brasileiro não é mera coincidência.
O ser humano tem fascínio pela mudança e é bom que seja assim, mas a mudança por si só não é garantia de avanço, pelo contrário, pode ser o signo do retrocesso.
Aliás, em se tratando de eleições, foi isso que aconteceu no Brasil no governo Bolsonaro, que fez o país retroceder e quase destruiu a Democracia. A mudança não pode ser um salto no escuro: é preciso saber quem a está propondo, qual é sua história, quais títulos acumulou, que experiência possui e o que já fez quando teve responsabilidades semelhantes, se é que as teve. A novidade pode ser sedutora, mas governar exige mais do que discurso de renovação. Antes de trocar o conhecido pelo desconhecido, é prudente examinar o passado de quem pretende conduzir o futuro.
São os gregos que novamente lembram aos que vão votar os perigos de abrir uma caixa sem saber o que existe dentro. Quando Pandora abre a caixa que recebeu de Zeus com a ordem explícita de não a abrir, ela liberta todos os infortúnios que podem afligir um povo. Quando percebeu o que havia feito e tentou fechá-la, os males já estavam soltos no mundo.
Diferente de Pandora, já sabemos o que existe na caixa que a família Bolsonaro nos apresenta. E não devemos abri-la esperando uma mudança que não virá.
O problema da mudança não é saber o que se pode ganhar com ela, mas saber o que se pode perder.
Publicado no jornal A Tarde em 02/10/2026
FARNACE
Cecilia Bartoli (Roma, 4 de junho de 1966) é uma cantora lírica mezzo-soprano italiana e uma popular intérprete de óperas e recitais.
Conhecida por seus papéis em óperas de Mozart e Rossini, Bartoli também é uma aclamada intérprete de cantos barrocos. Diferentemente da maioria de cantores de ópera, Bartoli tornou-se mundialmente célebre muito jovem, ainda com menos de vinte anos de idade.
Entre os seus títulos, contam-se o de Cavalieri de Itália e de Chevalier des Arts et des Lettres, atribuído pelo governo francês. Cecilia Bartoli foi eleita Membro Honorário da Real Academia de Música em Londres e Accademico Effetivo di Santa Cecilia em Roma.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
E TAMBÉM É ESTÚPIDA
"A Maria é professora. E também é estúpida. Ela sabe que é estúpida porque o João, o seu marido, lho diz. Explica sempre tudo o que a Maria expressa. E o João sabe o que diz. O João não tem nenhuma formação específica e prefere o café ao trabalho. Mas o João não é estúpido porque é homem e homens não são estúpidos.
ANINHA PROTESTA
ZONA DE GENOCÍDIO
MARTINS FONTES E A AMAZON
WMF Martins Fontes diz que deixará de fornecer livros à Amazon

Na abertura da Convenção Nacional de Livrarias, o presidente da ANL, Alexandre Martins Fontes, afirmou que sua editora, a WMF Martins Fontes, não fornecerá mais livros à Amazon. Em sua fala de abertura, o editor ressaltou a importância na mudança editorial da curadoria da Convenção que, neste ano, foi elaborada por livreiros de livrarias de rua.
“Acho muito importante que a gente escute o que as livrarias de rua e de bairro estão nos mostrando”, disse. Com o tema "A livraria como lugar de encontro", o evento ocupará o Distrito Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209 — São Paulo/SP) até esta quinta-feira, 3 de setembro. Esta é a primeira vez que a programação da Convenção foi concebida por um grupo de livreiros independentes e de rua.
Martins Fontes também relembrou a história do pai e da abertura da livraria que leva o sobrenome da família em Santos, no litoral de São Paulo, e reconheceu que sua vivência de crescer como livreiro vendendo livro está se tornando cada vez mais rara. Ele usou o exemplo para falar sobre o que define como um estigma no mercado editorial brasileiro: "Em qualquer contexto em que a gente fala sobre vender livros, se fala em aplicar descontos aos livros, e isso é uma doença", afirmou.

O sócio da editora WMF Martins contou que, há um mês, escreveu uma carta para a companhia informando que sua editora deixará de fornecer livros para a Amazon nos próximos meses. Segundo ele, esse momento representa uma oportunidade para as editoras estabelecerem regras contra a aplicação de descontos agressivos sobre seus livros, prática recorrente em outros grandes players do mercado. “Espero que as livrarias aceitem a imposição das editoras de até no máximo 10% de desconto”, diz o presidente da ANL.
"Aquilo que têm valor, a gente não deprecia. Se a gente entende que o livro, os encontros e as trocas são valorosas, por que a gente dá desconto? Enxergo que precisamos reposicionar, em rede, o valor da livraria e do livro", comenta Elisa Quadros, da Lucia Livraria, do Espírito Santo. A livreira esteve ao lado de Guilherme Ramos Martinato, da Livraria Arco da Velha, e de Monica Carvalho, da Livraria da Tarde, em uma conversa sobre "Por que as livrarias abrem e por que elas fecham".
O destaque da mesa foi reforçar a necessidade de uma articulação coletiva das livrarias como, por exemplo, promover o compartilhamento de informações e detalhes logísticos para jovens livreiros, e da promoção de um movimento coletivo em prol de reconhecer as livrarias como pontos de cultura e de encontro. Guilherme, livreiro do Rio Grande do Sul, argumenta que uma aproximação das livrarias de instituições e editais é relevante para fazer com que as livrarias sejam percebidas como alvo de políticas públicas — e também de políticas privadas.
No início da segunda mesa do dia "Em foco — Livraria da Travessa", Rui Campos, dono da rede, abriu sua fala expondo que cada particularidade das livrarias de rua é justamente o que torna cada uma delas insubstituível. O papo com Rui foi conduzido por Luciana Gil, da Livraria Bibla, e abordou detalhes e curiosidades da administração do dia a dia de livreiro da Livraria da Travessa.
"Uma boa administração não necessariamente passa por um estudo gabaritado, mas sim de intuição. Passa pela pessoa não fazer o óbvio e ir por um lado que não necessariamente era o mais evidente. O livro é um objeto que precisa ser entendido", defende Campos.
A programação da Convenção Nacional de Livrarias foi estruturada em torno de quatro eixos: mediação cultural, relação das livrarias com cidades e territórios, fortalecimento dos vínculos com os leitores, e experiências nacionais e internacionais voltadas ao desenvolvimento do setor. As inscrições já estão encerradas.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
EL BOLERO DE RAQUEL
RITORNA, O CARO
terça-feira, 29 de setembro de 2026
ESTRADAS DESASTRADAS
DESASTRES DE ÔNIBUS NAS RODOVIAS IMPRESTÁVEIS CONTINUAM MATANDO AOS MONTES
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
DEGRADAÇÃO CONSTRUÍDA
Degradação moral no Brasil não é acaso, foi construída, diz Mario Sabino
Ao WW Especial, jornalista e escritor relaciona a corrupção a deficiências de formações educacional e cultural no país e que é cada vez mais dificil controlar as pessoas nas maiores esferas de poder do país
Há hoje uma tolerância crescente da população com comportamentos corruptos e imorais, especialmente quando esses comportamentos partem de figuras com as quais o público tem alinhamento político.
A avaliação é do jornalista e escritor Mario Sabino, em entrevista ao WW Especial: O Brasil perdeu a vergonha?, que foi ao ar neste domingo (6; assista).
"O que eu vejo acontecer hoje é uma tolerância maior com a sem-vergonhice", afirmou Sabino.
Segundo ele, essa condescendência ocorre "em função de alinhamentos proto-ideológicos", ressaltando que, no Brasil, "até a ideologia é muito rala".
Para Sabino, a questão educacional está na raiz de todos esses males. Ele avalia que o país tem convivido com uma população "cada vez mais analfabeta politicamente, analfabeta culturalmente, até mesmo civicamente".