sexta-feira, 31 de julho de 2026

VI NO MASP

UM MEXICANO GENIAL

Damián Ortega



Nascido em 1967, Cidade do México.

Damián Ortega nasceu na Cidade do México em 1967. Ele não possui formação artística formal, mas foi influenciado por Gabriel Orozco , que ministrou um curso de arte experimental na Cidade do México no final da década de 1980 e início da de 1990. Ortega iniciou sua carreira como cartunista político, e a mistura de humor e crítica incisiva inerente a essa função continua a permear suas instalações, performances, esculturas e vídeos de cunho conceitual.


 



As obras de Ortega destacam a poesia latente dos objetos do cotidiano, bem como suas complexas implicações sociais e políticas. Para Ortega, o significado não pertence a formas singulares, mas sim é produzido pelas relações que surgem entre múltiplas coisas. Recombinando e desmontando artefatos produzidos em massa e vernaculares, ele mapeia as constelações de forças sociais, econômicas e políticas que subjazem à cultura material. Em Movimento Falso (Estabilidade e Crescimento Econômico) (1999), por exemplo, três tambores de óleo empilhados uns sobre os outros giram como planetas em miniatura, seu equilíbrio precário e exteriores erodidos sugerindo a fragilidade subjacente e talvez o colapso iminente de uma economia de consumo.




Em Controlador do Universo (2007), dezenas de machados, cinzéis, martelos e serras estão suspensos do teto em uma composição meticulosa que evoca a explosão orquestrada de uma caixa de ferramentas cósmica. Aqui, as ferramentas podem ser entendidas como símbolos do desejo da humanidade de moldar e controlar o mundo, mas esse propósito é, em última análise, subvertido pela ordenação subjetiva dos componentes da obra. Em Coisa Cósmica (2002), Ortega desmontou um Fusca de 1989 e suspendeu cada peça do teto por meio de fios. O resultado evoca um momento perfeito da explosão do carro, transformando o automóvel em um universo expansivo composto por suas muitas partes. Embora a desintegração do Fusca em Coisa Cósmica revele inegavelmente a inclinação do artista pela destruição criativa, ela também é um ato de dissecação, convidando o espectador a olhar sob o capô em busca da história secreta dessa máquina. Ao apresentar o veículo em pedaços, a obra alude aos processos pelos quais o modelo surgiu e perdura até hoje. Originário da Alemanha nazista como "o carro do povo" e fabricado apenas recentemente no México e no Brasil, o onipresente e popular Fusca revela-se um emblema da ideologia política e do alcance inescapável do capital global.




Ortega realizou exposições individuais no Instituto de Arte Contemporânea da Filadélfia (2002); Kunsthalle Basel (2004); Tate Modern, Londres (2005); Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (2007); Centro Georges Pompidou, Paris (2008); Instituto de Arte Contemporânea de Boston (2009); e Museu Freud, Londres (2013). Participou das exposições coletivas Made in Mexico , Instituto de Arte Contemporânea de Boston (2003) e Mexico: Expected/Unexpected , Museu de Arte Contemporânea de San Diego (2011), bem como da Bienal de Veneza (2003 e 2013); Bienal de São Paulo (2006); e Bienal de Havana (2012). Foi nomeado para o Prémio Hugo Boss (2005) e para o Preis Der Nationalgalerie für Junge Kunst (2007), e completou uma residência na Deutscher Akademischer Austausch Dienst, Berlim (2006). Ortega vive e trabalha na Cidade do México e em Berlim.





SE FOSSE EM SALVADOR...

 

... A JUSTIÇA SERIA CEGA E SURDA

Justiça manda demolir andares de prédio de luxo 

e condena construtora e prefeitura

 a pagar R$ 500 mil de multa


Construtora diz que demolição é “desproporcional” e pode prejudicar compradores; prefeitura sustenta legalidade dos atos,  |   Bnews - Divulgação


A Justiça do Maranhão determinou a demolição de dois andares de um condomínio com torres gêmeas construídas às margens da Lagoa da Jansen, na Península da Ponta d’Areia, em São Luís, por exceder o limite máximo permitido na área.

A decisão é do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, proferida no último dia 9 e divulgada nesta quinta-feira (31). O magistrado atendeu a pedido do MP-MA (Ministério Público do Maranhão), que apontou irregularidades no licenciamento da obra. Ainda cabe recurso.

 cidade da Bahia

Construtora e prefeitura foram condenadas ainda ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, valor que será destinado ao Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos.


Construção acima do permitido
O empreendimento alvo da ação é o Lagoa Corporate, erguido pela Sá Cavalcante Incorporações Imobiliárias. Segundo o MP-MA, os prédios foram construídos com dez pavimentos em uma área cujo limite máximo é de oito andares.

Na sentença, o juiz afirmou: “A demolição dos dois pavimentos excedentes constitui medida necessária e adequada para o restabelecimento da legalidade urbanística”.

O Ministério Público apontou que o licenciamento utilizou parâmetros de uma zona residencial, ignorando que a fachada principal do imóvel está voltada para a área classificada como CC1 (Corredor Consolidado 1), onde as regras são mais restritivas.

“Houve acréscimo construtivo decorrente da aplicação de parâmetros urbanísticos incompatíveis com o zoneamento correto”, afirmou o MP.

Ganho com pavimentos extras
De acordo com a ação, os dois andares excedentes permitiram a construção de mais 44 salas comerciais. No mercado imobiliário, unidades de 33 m² são anunciadas por mais de R$ 600 mil.

O juiz também destacou que a lei de zoneamento deve prevalecer sobre interesses individuais e rejeitou a chamada “teoria do fato consumado”.

“A ilicitude urbanística não se convalida pelo decurso do tempo”, pontuou Martins, ao afirmar que a construtora iniciou as fundações prevendo dez andares antes mesmo de obter autorização.

Defesa da construtora e da prefeitura
No processo, a construtora alegou que, por se tratar de um terreno de esquina, haveria uma “dupla afetação” e que caberia à prefeitura definir o índice urbanístico aplicável. Também argumentou que a demolição seria “desproporcional” e prejudicaria compradores de boa-fé.

Já a Prefeitura de São Luís sustentou a legalidade dos atos administrativos e afirmou que não há critério objetivo na legislação para lotes de esquina. O município também tentou afastar a condenação por danos morais coletivos.Os argumentos não foram aceitos pelo juiz.

“A incorporadora e o município contribuíram para a produção do dano urbanístico. A primeira executou e explorou economicamente a construção irregular. O segundo praticou atos administrativos ilegais e deixou de exercer adequadamente o poder de polícia urbanística. Configurada a responsabilidade solidária pela reparação dos danos”, diz trecho da decisão.

Prazo para demolição e indenização
A decisão estabelece que a construtora deve demolir os pavimentos excedentes no prazo de 180 dias após o trânsito em julgado. Caso não cumpra, a Prefeitura de São Luís deverá executar a demolição de forma subsidiária.

O juiz também determinou a elaboração de um estudo técnico para viabilizar a medida. Caso a demolição seja considerada inviável por risco estrutural, a empresa deverá pagar indenização equivalente ao valor de mercado dos dois andares.

TEM SAUDADE DESTE TEMPO?...

 ... ENTÃO PELO MILICIANO!



Ele foi morto dentro de uma base militar. A mãe passou anos procurando o corpo. E depois também apareceu morta em um “acidente”.
Essa é uma das histórias mais dolorosas da ditadura militar brasileira.
Em 14 de maio de 1971, Stuart Edgar Angel Jones, de 25 anos, estudante de Economia da UFRJ, militante do MR-8 e filho da estilista Zuzu Angel, foi preso no Rio de Janeiro e levado para a Base Aérea do Galeão.
Stuart não era apenas um nome em uma ficha da repressão. Antes de entrar para a clandestinidade, havia sido atleta, remador do Flamengo e um jovem com uma vida inteira pela frente.
Mas, naquele dia, ele se tornou alvo do CISA, o Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica.
Segundo relatos de presos políticos e testemunhas reunidos em investigações posteriores, Stuart foi torturado para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca. Ele não revelou.
O que aconteceu depois virou uma das cenas mais brutais atribuídas à repressão.
Preso a uma viatura militar, Stuart teria sido arrastado pelo pátio da base. Em certos momentos, era forçado a respirar os gases do escapamento do veículo. A tortura teria provocado sua morte por asfixia e intoxicação.
Seu corpo nunca foi entregue à família.
Para a ditadura, Stuart virou apenas mais um “desaparecido”. Para Zuzu Angel, ele continuava sendo seu filho. E ela decidiu fazer o que o regime mais temia: falar.
Zuzu transformou sua dor em denúncia. Escreveu cartas, procurou autoridades, levou o caso ao exterior e usou até a moda como protesto. Em seus desfiles, surgiram anjos, tanques, grades e manchas vermelhas. Era uma mãe usando tecido, agulha e coragem para denunciar um crime que tentavam apagar.
Antes de morrer, Zuzu chegou a deixar um aviso assustador: se algo acontecesse com ela, a culpa seria dos mesmos assassinos de seu filho.
Em 14 de abril de 1976, cinco anos depois da morte de Stuart, Zuzu morreu em um suposto acidente de carro no Rio de Janeiro. Décadas depois, o Estado brasileiro reconheceu que sua morte foi violenta e causada no contexto da perseguição política da ditadura.
Stuart nunca teve um enterro digno.
Zuzu nunca pôde se despedir do filho.
E o Brasil nunca deveria esquecer essa história.
Porque quando um corpo desaparece, não desaparece apenas uma pessoa. Desaparece também o direito de uma família chorar, enterrar e saber a verdade.
Você acha que histórias como essa deveriam ser ensinadas com mais força nas escolas?
Fontes:
1.Comissão Nacional da Verdade : Relatório preliminar de pesquisa sobre o caso Stuart Angel. O relatório registra a prisão de Stuart em 14 de maio de 1971, sua condução à Base Aérea do Galeão e os relatos sobre a tortura com viatura e gases do escapamento.
Memórias da Ditadura / Instituto Vladimir Herzog — Verbete “Stuart Edgar Angel Jones”. A página reúne dados biográficos, atuação no MR-8, investigação da CNV e a conclusão de que Stuart foi vítima de desaparecimento forçado por agentes do Estado brasileiro.
2.Memórias da Ditadura / Instituto Vladimir Herzog — Verbete “Stuart Edgar Angel Jones”. A página reúne dados biográficos, atuação no MR-8, investigação da CNV e a conclusão de que Stuart foi vítima de desaparecimento forçado por agentes do Estado brasileiro.
3.Gov.br / Memórias Reveladas — Artigo “Zuzu Angel”. Fonte oficial que detalha a luta de Zuzu, o uso da moda como denúncia política, as cartas, as ameaças e a retificação da certidão de óbito reconhecendo morte violenta causada pelo Estado brasileiro.
4.Agência Brasil — matéria sobre Zuzu Angel. A reportagem resume a trajetória de Zuzu, sua busca por Stuart durante cinco anos e o reconhecimento do atentado forjado como acidente.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

SEAWORLD VENICE


 Florentina Holzinger

SEAWORLD VENICE
Every hour of the day, the bell imagined by choreographer Florentina Holzinger at the entrance to the Austrian Pavilion at the Venice Biennale sounds the alarm for an ecological catastrophe, the horrific early signs of which much of Europe is currently experiencing: deadly heat waves and wildfires.
Inside the pavilion, the other pieces/performances reexamine the ecological issue in various ways—ranging from the burlesque to the terrifying, from the poetic to the scientific—but all are equally eloquent. In this latest work, FH seamlessly incorporates the ecofeminist thought theorized by authors such as Carolyn Merchant, Val Plumwood, Maria Mies, Veronika Bennholdt-Thomsen, or Donna Haraway among others. A theory which postulates that the oppression of women and the exploitation of nature share common roots in the patriarchal and capitalist systems.
This “exhibition-performance” is so breathtaking and thought-provoking thanks to the artistic ethics, commitment, and political courage of Florentina Holzinger and her performers and collaborators.
This extraordinary work will soon be on view in Berlin, Vienna, and New York.

PINA BAUSCH WALZER


 

GRAN TEATRO DEL LICEU


 

WINTER