... ENTÃO PELO MILICIANO!
Ele foi morto dentro de uma base militar. A mãe passou anos procurando o corpo. E depois também apareceu morta em um “acidente”.
Essa é uma das histórias mais dolorosas da ditadura militar brasileira.
Em 14 de maio de 1971, Stuart Edgar Angel Jones, de 25 anos, estudante de Economia da UFRJ, militante do MR-8 e filho da estilista Zuzu Angel, foi preso no Rio de Janeiro e levado para a Base Aérea do Galeão.
Stuart não era apenas um nome em uma ficha da repressão. Antes de entrar para a clandestinidade, havia sido atleta, remador do Flamengo e um jovem com uma vida inteira pela frente.
Mas, naquele dia, ele se tornou alvo do CISA, o Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica.
Segundo relatos de presos políticos e testemunhas reunidos em investigações posteriores, Stuart foi torturado para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca. Ele não revelou.
O que aconteceu depois virou uma das cenas mais brutais atribuídas à repressão.
Preso a uma viatura militar, Stuart teria sido arrastado pelo pátio da base. Em certos momentos, era forçado a respirar os gases do escapamento do veículo. A tortura teria provocado sua morte por asfixia e intoxicação.
Seu corpo nunca foi entregue à família.
Para a ditadura, Stuart virou apenas mais um “desaparecido”. Para Zuzu Angel, ele continuava sendo seu filho. E ela decidiu fazer o que o regime mais temia: falar.
Zuzu transformou sua dor em denúncia. Escreveu cartas, procurou autoridades, levou o caso ao exterior e usou até a moda como protesto. Em seus desfiles, surgiram anjos, tanques, grades e manchas vermelhas. Era uma mãe usando tecido, agulha e coragem para denunciar um crime que tentavam apagar.
Antes de morrer, Zuzu chegou a deixar um aviso assustador: se algo acontecesse com ela, a culpa seria dos mesmos assassinos de seu filho.
Em 14 de abril de 1976, cinco anos depois da morte de Stuart, Zuzu morreu em um suposto acidente de carro no Rio de Janeiro. Décadas depois, o Estado brasileiro reconheceu que sua morte foi violenta e causada no contexto da perseguição política da ditadura.
Stuart nunca teve um enterro digno.
Zuzu nunca pôde se despedir do filho.
E o Brasil nunca deveria esquecer essa história.
Porque quando um corpo desaparece, não desaparece apenas uma pessoa. Desaparece também o direito de uma família chorar, enterrar e saber a verdade.
Você acha que histórias como essa deveriam ser ensinadas com mais força nas escolas?
Fontes:
1.Comissão Nacional da Verdade : Relatório preliminar de pesquisa sobre o caso Stuart Angel. O relatório registra a prisão de Stuart em 14 de maio de 1971, sua condução à Base Aérea do Galeão e os relatos sobre a tortura com viatura e gases do escapamento.
Memórias da Ditadura / Instituto Vladimir Herzog — Verbete “Stuart Edgar Angel Jones”. A página reúne dados biográficos, atuação no MR-8, investigação da CNV e a conclusão de que Stuart foi vítima de desaparecimento forçado por agentes do Estado brasileiro.
2.Memórias da Ditadura / Instituto Vladimir Herzog — Verbete “Stuart Edgar Angel Jones”. A página reúne dados biográficos, atuação no MR-8, investigação da CNV e a conclusão de que Stuart foi vítima de desaparecimento forçado por agentes do Estado brasileiro.
3.Gov.br / Memórias Reveladas — Artigo “Zuzu Angel”. Fonte oficial que detalha a luta de Zuzu, o uso da moda como denúncia política, as cartas, as ameaças e a retificação da certidão de óbito reconhecendo morte violenta causada pelo Estado brasileiro.
4.Agência Brasil — matéria sobre Zuzu Angel. A reportagem resume a trajetória de Zuzu, sua busca por Stuart durante cinco anos e o reconhecimento do atentado forjado como acidente.
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