segunda-feira, 31 de agosto de 2026

EM SALVADOR, IDEM!

 

Abandono de patrimônio histórico local recebe críticas de especialista

O arquiteto e urbanista Luciano Falcão, professor do IFF, diz acompanhar com preocupação a situação do Centro Histórico da cidade

EDIFÍCIO ITU


HOTEL FLÁVIO


Campos
Por Ocinei Trindade
30 de agosto de 2026 
Hotel Flávio

O arquiteto e urbanista Luciano Falcão, professor do Instituto Federal Fluminense, em Campos dos Goytacazes, acompanha com preocupação a situação do Centro Histórico da cidade. O desaparecimento de construções importantes, devido ao abandono ou à falta de conservação ao longo dos últimos anos, ocorre em prédios particulares e pertencentes ao poder público municipal. O pesquisador sugere reflexões e medidas da sociedade organizada para evitar maiores transtornos por conta do patrimônio ameaçado. “Preservar é uma escolha”, diz.

Luciano Falcão

De acordo com o pesquisador, o patrimônio edificado de Campos desafia gestores e moradores. “Precisamos pensar no que será necessário fazer para que, no futuro, ainda esses pedaços da cidade que também contam quem somos. Basta caminhar pelo centro para encontrar situações que dizem muito. O prédio da Associação de Imprensa Campista, a antiga sede da Oi Telemar, logo ao lado, o Hotel Gaspar, na Praça de Salvador, e o Museu Olavo Cardoso são exemplos de edifícios que enfrentam, cada um à sua maneira, o abandono ou a dificuldade de manutenção”, destaca.

Luciano Falcão afirma que o Centro possui uma combinação difícil: imóveis importantes, valores históricos reconhecidos, mas pouco recurso, pouco apoio e interesse. “É espantoso perceber isso quando olhamos para outros exemplos. O Edifício Itu foi completamente demolido. O Hotel Flávio, depois de um incêndio, também acabou demolido. Em algum momento, esses edifícios deixaram de ser vistos como patrimônio, mas como problema. A solução encontrada foi transformar aquilo que poderia continuar contando uma história em entulho, talvez utilizado como aterro em algum lugar. Esses edifícios tinham um valor que, muitas vezes, é incomparavelmente maior do que o custo necessário para mantê-los vivos.”

A cidade tem perdido edifícios, paisagem, memória e referências. “É curioso como existem visões tão diferentes dependendo de quem olha para o problema. De um lado, o cidadão comum, que muitas vezes se apega a uma casa antiga, a uma fachada, a uma praça, a um prédio porque reconhece ali alguma coisa da sua própria história. Do outro, pessoas que ocupam posições de poder e que têm condições concretas de decidir o destino desses lugares. A chave da mudança, portanto, ao meu ver, talvez seja simplesmente o interesse. É preciso, no mínimo, estar aberto à ideia de que patrimônio não é estorvo”, destaca.

Educação e exemplos
Cidades do mundo inteiro costumam preservar suas histórias, inclusive de guerras, conflitos, desigualdade e opressão. Para o arquiteto e urbanista, “nem toda história é bonita, mas merece ser contada” e serve como modelo de educação.

“Conhecendo nossas referências, podemos construir autoestima, formar cidadãos mais conscientes e criar uma relação mais madura com a cidade. O que estamos deixando para quem virá depois de nós? Tudo aquilo que construímos hoje será passado algum dia. Nossas casas, nossos edifícios, nossas praças, nossas decisões, nossas escolhas. Quanto dessa história nossos descendentes ainda conseguirão enxergar? Será que vão encontrar apenas fotografias de edifícios que poderiam ter permanecido de pé?”, questiona.

O que parece faltar não é necessariamente dinheiro, nem tecnologia, nem conhecimento. “Talvez falte aquilo que a Lyra de Apollo e seu maestro Ricardo nos ensinam há décadas: interesse, paixão e disposição para mobilizar pessoas em torno de uma ideia. Porque patrimônio não é apenas aquilo que está tombado, uma fachada bonita ou construção antiga. Patrimônio é aquilo que uma sociedade decide que merece continuar existindo. E a grande pergunta para Campos é justamente essa: o que nós estamos dispostos a preservar? Quando destruímos um edifício, não estamos apenas derrubando paredes. Estamos escolhendo uma parte da história que não será mais contada”, conclui.

JUDEUS PELA DEMOCRACIA

 Grupo de judeus lança manifesto por Lula após indicação de Lottenberg por Flávio Bolsonaro

Cláudio Lottenberg em evento
Cláudio Lottenberg em jantar de confraternização do grupo Prerrogativas. Foto: Reprodução

O coletivo Judias e Judeus Pela Democracia lançou no sábado (29) um manifesto em apoio à reeleição do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A iniciativa ganhou 1.120 assinaturas até a manhã desta segunda-feira (31) e foi antecipada após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar Cláudio Lottenberg como seu futuro ministro da Saúde, caso vença a eleição presidencial de outubro, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

O grupo discutia a carta havia algumas semanas, sem data prevista para divulgá-la. A entrevista de Flávio à TV Globo, na semana anterior, levou o coletivo a tornar pública sua posição e a afirmar que Lottenberg não representa a comunidade judaica ao apoiar o bolsonarismo.

Na convocação para assinaturas, os organizadores escreveram: “depois de Flávio Bolsonaro anunciar Cláudio Lottenberg como ministro da Saúde — e nós já conhecemos bem essa história —, resolvemos adiantar e tornar pública a posição de muitos judeus e judias de esquerda: não estamos associados ao bolsonarismo”.

Lottenberg é oftalmologista, preside o conselho deliberativo da entidade que administra o Hospital Israelita Albert Einstein e também comanda a Confederação Israelita do Brasil (Conib). A assessoria de Flávio Bolsonaro e o médico não se manifestaram quando procurados.

Texto cita democracia, direitos humanos e SUS

O manifesto declara apoio à chapa Lula-Alckmin nas eleições de 2026 e aponta o que seus signatários classificam como risco à democracia. “Discursos autoritários, inconstitucionais e de ameaça aos direitos humanos voltam a ocupar o espaço público como se fossem propostas políticas legítimas”, diz o texto.

Os autores criticam a normalização de falas como “polícia atira para matar”, além de propostas de regimes de exceção, perseguição a grupos sociais e retirada de direitos. Para o coletivo, a democracia não pode tratar como opinião comum discursos que transformam adversários em inimigos e fazem da violência um projeto político.

A carta relaciona a posição política à memória de perseguições enfrentadas por judeus e defende direitos humanos, lutas sociais, o SUS, igualdade racial e justiça social. Os signatários afirmam que essas conquistas permitem a diferentes grupos reivindicar direitos.

O documento diz que o apoio a Lula e Alckmin não representa a ideia de que a democracia brasileira está pronta ou de que a chapa contempla todas as mudanças desejadas pelo grupo. A carta sustenta que há diferença entre ampliar direitos dentro da democracia e permitir o avanço de projetos que ameaçam as condições dessa disputa.

Entre os nomes que assinam o manifesto estão Carlos Minc Baumfeld, Fabio Tofic Simantob, Iris Kantor, Jaques Morelenbaum, Lia Vainer Schucman, Lilia Katri Moritz Schwarcz, Diego Lajst, Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, Natalia Timerman, Raquel Rolni e Tatiana Salem Levy.

Apoiadores de Lottenberg afirmaram que a indicação por Flávio Bolsonaro não tem relação com a religião do médico e atribuem a escolha à sua capacidade técnica à frente do Einstein.

Leia o manifesto na íntegra:

Diante, mais uma vez, da ameaça à frágil democracia que construímos no Brasil, nós, judias e judeus, nos manifestamos publicamente em apoio à chapa Lula e Alckmin nas eleições de 2026. Fazemos essa escolha face a uma sociedade em que discursos autoritários, inconstitucionais e de ameaça aos direitos humanos voltam a ocupar o espaço público como se fossem propostas políticas legítimas.

Não podemos normalizar discursos como “polícia atira para matar”, nem propostas de regimes de exceção, perseguição a grupos sociais e retirada de direitos sendo defendidas em rede pública como parte natural do debate democrático. Uma democracia não pode tratar como apenas mais uma opinião aquilo que ameaça a própria democracia, transforma adversários em inimigos e faz da violência um projeto político.

Assinamos este manifesto também em lembrança de nossas histórias. Sabemos o que significa uma sociedade aceitar pouco a pouco o autoritarismo, a perseguição e a construção de grupos humanos como inimigos. Por isso, nossa memória nos convoca à defesa dos direitos humanos, das lutas sociais, do SUS, da igualdade racial, da justiça social e de todas as conquistas democráticas que permitem que diferentes grupos lutem por seus direitos.

Nosso apoio a Lula e Alckmin não significa acreditar que a democracia brasileira esteja pronta, nem que todas as transformações que desejamos estejam representadas nessa chapa. Significa reconhecer que há uma diferença fundamental entre lutar para ampliar direitos dentro de uma democracia e permitir que avancem projetos que ameaçam as próprias condições dessa luta. Defendemos uma sociedade em que nossas diferenças não sejam transformadas em ódio, perseguição ou inimigos a serem eliminados. Em 2026, estamos com Lula e Alckmin em defesa da democracia e da possibilidade de continuarmos lutando por ela.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

OS ASSASSINOS DA IGREJA UNIVERSAL

 


Lucas Vargas Terra era um adolescente de 14 anos profundamente religioso e descrito como bastante participativo e ativo nas atividades da Igreja Universal do Reino de Deus em Salvador, Bahia.
Lá, ele conheceu o pastor-auxiliar Silvio Galiza, de 21 anos, que havia sido transferido para aquela igreja por "comportamento inadequado".
Galiza aproximou-se de Lucas de forma possessiva, nomeando-o para um cargo inexistente de "auxiliar de pastor" apenas para mantê-lo sob controle.
O pastor demonstrava ciúmes e tentava afastar Lucas de qualquer círculo social, inclusive proibindo ele de se aproximar de uma namorada.
Galiza inclusive já havia levado Lucas e outros meninos para dormir na igreja após o culto, tendo colocado apenas Lucas em seu quarto.
Depois que superiores descobriram esse comportamento, Galiza foi transferido para uma outra igreja, entretanto, ele permanecia participando dos cultos daquele local.
Os pais de Lucas, Marion e Carlos Terra não tinham conhecimento sobre as atitudes suspeitas de Galiza.
Até que no dia 12 de março de 2001, Lucas conversava com amigos após o culto quando Galiza apareceu e o chamou para uma suposta noite de orações em outra igreja.
Como já era tarde da noite, Lucas ligou para o pai de um orelhão, confirmando que estava com o pastor e que dormiria na igreja mas voltaria para casa na manhã seguinte.
Entretanto, Lucas nunca mais voltou.
Ao ser confrontado por Carlos no dia seguinte, Galiza alegou que o havia deixado no ponto de ônibus.
Entretanto, sempre que ele era questionado novamente, acabava mudando a versão.
Foi então que no dia 23 de março, um corpo foi encontrado carbonizado dentro de um caixote em um terreno baldio.
Após exames de DNA, confirmou que infelizmente era de Lucas Terra.
A perícia indicou que ele foi queimado vivo.
O além disso, a investigação da época apontava que ele tinha sofrido abuso s*xual, e foi carbonizado na tentativa de ocultar o crime.
Junto ao corpo haviam tecidos que eram pertencentes a igreja que frequentava.
A investigação durou 7 meses e apontou Silvio Galiza como o autor.
Carlos Terra, o pai de Lucas, teve que lutar bravamente contra a lentidão do sistema e a suposta influência da igreja, chegando a acampar em frente ao Ministério Público e a denunciar o caso à ONU.
Durante o andamento do processo, Silvio Galiza denunciou a participação de outros dois pastores no crime: Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva.
De acordo com o depoimento de Galiza, o adolescente teria sido morto após presenciar os religiosos mantendo relações s*xuais.
Galiza afirmou ainda que foi acionado pela dupla apenas para auxiliar na ocultação do cadáver.
Silvio Galiza foi o primeiro a ser sentenciado, recebendo, em 2004, uma pena inicial de 23 anos, posteriormente reduzida para 15 anos.
Ele progrediu para o regime semiaberto em 2008 e obteve a liberdade definitiva em 2012.
Já os pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva foram condenados apenas em 2023, com penas fixadas em 21 e 27 anos de reclusão, respectivamente.
Embora tenham recebido o direito de recorrer em liberdade, a Justiça reafirmou a manutenção das prisões neste ano de 2026.
No entanto, os mandados ainda não foram cumpridos e ambos permanecem em liberdade.
Em uma busca incansável por justiça, Carlos Terra, pai de Lucas, chegou a cursar Direito para compreender o processo que envolvia o filho.
Infelizmente, Carlos faleceu em 2019, sem ver o desfecho final contra os demais envolvidos.
Ele escreveu o livro 'Lucas Terra – Traído pela Obediência',
Marion Terra, mãe de Lucas, luta até hoje incansavelmente por justiça.
Lucas Vargas Terra era um adolescente de 14 anos profundamente religioso e descrito como bastante participativo e ativo nas atividades da Igreja Universal do Reino de Deus em Salvador, Bahia.
COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO.- Depois de 25 anos, os três pastores continuam livres e abusando da palavra de Deus.
Com a benção de Edir Macedo, conivente com o crime.

DEPOIS DE VINTE ANOS

 

Depois de passar 20 anos presa em uma jaula de metal, ursa Celeste foi resgatada e após duas décadas de confinamento, finalmente chegou a um santuário de 12,7 hectares de natureza, onde pisou na grama, ganhou piscina e brinquedos e voltou a viver em grupo

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar MedeirosPublicado em 25/08/2026 
Assista o vídeo
Celeste passou 20 anos em uma jaula numa fazenda de bile no Vietnã. Resgatada em 2024, chegou ao santuário de Bach Ma, com 12,7 hectares
Credit : AnimalsAsia (2)

Celeste passou 20 anos em uma jaula numa fazenda de bile no Vietnã. Resgatada em 2024, chegou ao santuário de Bach Ma, com 12,7 hectares, áreas naturais, hospital veterinário e espaço para até 120 ursos.

Durante cerca de 20 anos, a ursa-negra-asiática Celeste viveu confinada em uma pequena jaula metálica dentro de uma fazenda de extração de bile em Phung Thuong, Hanói, no Vietnã. Não havia cama macia, brinquedos, espaço natural ou oportunidade de interagir normalmente com outros animais. Segundo a Animals Asia, Celeste foi submetida repetidamente à extração de bile até que, em 2024, sua vida mudou completamente: ela foi resgatada ao lado dos ursos Romeo e Kenny e levada para o novo santuário da organização no Parque Nacional de Bach Ma.

A chegada representou uma mudança difícil de dimensionar. Depois de duas décadas praticamente limitada às grades, Celeste passou primeiro por 30 dias de quarentena e avaliação veterinária. Em seguida, recebeu acesso a uma toca muito maior, enriquecimento ambiental, piscina e, finalmente, uma área externa com grama e luz solar.

Hoje, os três animais que passaram anos vivendo próximos, mas isolados em jaulas separadas, comem, brincam e descansam juntos. em uma jaula metálica separada das demais.

Romeo e Kenny estavam no mesmo local. Os três podiam perceber a presença uns dos outros através das grades, mas não viviam como um grupo. Segundo a Animals Asia, sua interação durante aquele período era essencialmente limitada à possibilidade de olhar os outros animais através das jaulas.

Extrações de bile deixaram uma marca que apareceu nos exames

A bile produzida pela vesícula de ursos é utilizada em determinados produtos da medicina tradicional asiática. O confinamento desses animais em fazendas e os procedimentos utilizados para retirar a substância tornaram-se alvo de campanhas internacionais de proteção animal.

Extrações de bile deixaram uma marca que apareceu nos exames
Extrações de bile deixaram uma marca que apareceu nos exames

No caso de Celeste, as consequências apareceram mesmo depois que ela deixou a fazenda. Após os primeiros 30 dias de quarentena, a equipe veterinária realizou uma avaliação completa e encontrou sinais de infecção bacteriana na vesícula biliar, condição que a Animals Asia relacionou às extrações de bile sofridas durante o cativeiro.

O tratamento começou imediatamente. Ao mesmo tempo, os veterinários encontraram sinais surpreendentemente positivos: Celeste apresentava pelagem espessa e brilhante, dentes em boas condições e patas consideradas macias e relativamente preservadas para um animal que havia passado tanto tempo preso.

O resgate aconteceu em 2024 e incluiu Romeo e Kenny

Em 2024, a Animals Asia conseguiu retirar Celeste, Romeo e Kenny da fazenda e transferi-los para Bach Ma.

A operação fazia parte de um esforço maior para retirar os últimos animais mantidos em fazendas de bile no Vietnã.

A organização trabalha em colaboração com autoridades e proprietários para obter a entrega dos animais, porque simplesmente entrar nas propriedades e retirar os ursos não é juridicamente possível.

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Essa situação ajuda a explicar por que alguns ursos permanecem durante décadas em cativeiro mesmo depois de mudanças na legislação sobre extração de bile.

Segundo a Animals Asia, embora a extração seja ilegal, ainda existem animais mantidos legalmente por proprietários que os registraram anteriormente. Cada transferência depende de negociação e consentimento.

O destino ficava dentro do Parque Nacional de Bach Ma

Celeste não foi levada para outro recinto convencional. Seu novo endereço tornou-se o Bach Ma Bear Sanctuary, no centro do Vietnã.

O complexo está instalado dentro do Parque Nacional de Bach Ma e ocupa aproximadamente 12,7 hectares. Segundo a Animals Asia, a infraestrutura inclui 34 tocas espaçosas, quatro grandes recintos externos, hospital veterinário, área de quarentena e cozinha específica para preparar a alimentação dos ursos.

Quando concluído dentro da configuração divulgada pela organização, o centro tem capacidade para receber até 120 ursos. A estrutura foi criada justamente para absorver parte dos animais retirados das últimas fazendas de bile existentes no país.

Os primeiros dias de liberdade ainda foram marcados pelo medo

Sair da fazenda não significou que Celeste imediatamente começou a correr e brincar.

A Animals Asia relata que, durante a quarentena, ela permaneceu cautelosa, sensível a novos sons e cheiros e hesitante diante dos cuidadores.

Depois de duas décadas vivendo em um ambiente extremamente limitado, praticamente tudo ao redor havia mudado.

Celeste passou 20 anos em uma jaula numa fazenda de bile no Vietnã. Resgatada em 2024, chegou ao santuário de Bach Ma, com 12,7 hectares
Credit : AnimalsAsia

A aproximação precisou acontecer gradualmente. A cuidadora Ellie passou a oferecer alimentos e outras formas de interação positiva. Entre os alimentos preferidos identificados nessa fase estavam xarope, cana-de-açúcar e manga desidratada.

Também apareceu uma preferência que se tornaria particularmente significativa: água. Celeste passou a demonstrar forte interesse pelos banhos e, mais tarde, pelas piscinas disponíveis em sua nova área.

A nova toca era o maior espaço que ela havia conhecido em 20 anos

Depois da quarentena e dos exames, Celeste foi transferida para um ambiente muito diferente da antiga jaula.

Segundo a Animals Asia, sua nova toca continha sacos de juta, alimentadores que exigem interação, brinquedos suspensos e uma piscina. O espaço permitia que o animal se movimentasse, explorasse objetos e escolhesse atividades de uma maneira que não era possível na fazenda.

Esse tipo de enriquecimento ambiental não é simplesmente decoração. Para animais que passaram anos confinados, objetos manipuláveis, alimentos escondidos, estruturas para escalar e áreas de água criam oportunidades para comportamentos naturais e atividade física.

No início, Celeste ainda demonstrava insegurança. A mudança de comportamento veio progressivamente.

Depois de 20 anos, Celeste finalmente pisou na grama

Um dos momentos destacados pela equipe ocorreu quando a ursa recebeu acesso à área externa. Celeste deixou o recinto interno, sentiu grama sob as patas, cheirou o ambiente, observou as montanhas e permaneceu sob a luz solar.

Depois de 20 anos, Celeste finalmente pisou na grama
Foto: Naimals asia

Para um animal que havia passado duas décadas em uma estrutura metálica, atividades absolutamente comuns para um urso representavam experiências praticamente novas.

A partir daí, o espaço disponível cresceu de maneira radical.

No santuário, os recintos externos foram projetados para permitir que os animais caminhem, procurem alimentos, nadem, descansem e utilizem estruturas que simulam oportunidades encontradas em ambientes mais naturais.

Kenny deixou de ser apenas um rosto atrás das grades

Outra transformação importante aconteceu no relacionamento entre Celeste e Kenny. Eles haviam passado anos na mesma fazenda, mas presos separadamente. No santuário, os cuidadores puderam realizar uma aproximação controlada.

Segundo a Animals Asia, o primeiro encontro direto foi marcado por cheiros, pequenos movimentos de brincadeira e curiosidade mútua. Com o avanço da adaptação, Celeste passou a correr, brincar, lutar de maneira lúdica e entrar na água com Kenny.

Depois, Romeo foi incorporado ao grupo.

Os três ursos que viviam isolados agora fazem tudo juntos

A formação do grupo acabou se tornando um dos resultados mais marcantes da recuperação. Celeste, Kenny e Romeo passaram a comer juntos, brincar juntos e descansar juntos. A organização descreve os três como um grupo fortemente conectado depois da adaptação.

Os três ursos que viviam isolados agora fazem tudo juntos
Foto: ANimals Asia

Celeste também passou a demonstrar um comportamento especialmente confiante. Segundo os cuidadores, quando Kenny ou Romeo hesitam diante de alguma novidade, frequentemente é ela quem avança primeiro.

A mudança é significativa diante da descrição inicial da ursa recém-resgatada, cautelosa e desconfiada diante de praticamente tudo que encontrava no novo ambiente.

Hoje ela procura comida, brinca e passa horas na água

A rotina atual pouco lembra aquela registrada na fazenda. Celeste passa parte do tempo forrageando, atividade que estimula a procura por alimento. Também utiliza um balanço feito com pneu, descansa sobre a grama e entra voluntariamente na piscina.

A própria escolha de atividades é uma parte importante da transformação.

Na antiga jaula, quase todas as decisões eram impostas pelo tamanho do espaço e pelo manejo humano. No santuário, a ursa pode escolher caminhar, descansar, procurar alimento, brincar ou interagir com os outros animais.

Ainda existem ursos esperando a mesma mudança

Apesar dos avanços, a história ainda não terminou no Vietnã. A Animals Asia informa atualmente que cerca de 150 ursos ainda permanecem nas últimas fazendas de bile do país. A organização busca negociar a entrega desses animais enquanto amplia a capacidade de atendimento nos santuários.

É nesse contexto que Celeste se tornou um exemplo concreto do que acontece depois de um resgate.

Sua vida não passou diretamente da jaula para uma suposta liberdade absoluta na natureza. Um animal mantido em cativeiro por duas décadas exige acompanhamento veterinário, alimentação controlada, adaptação comportamental e um ambiente protegido permanentemente.

De uma jaula metálica para 12,7 hectares preparados para recomeços

Em 2024, Celeste deixou para trás o mesmo cenário que havia definido aproximadamente 20 anos de sua existência.

Na fazenda em Phung Thuong, seu mundo era uma estrutura metálica sem cama confortável, brinquedos ou contato físico normal com outros ursos. A extração repetida de bile deixou consequências médicas que continuaram aparecendo mesmo depois do resgate.

Em Bach Ma, o processo foi inverso e gradual. Primeiro vieram a quarentena e os exames. Depois uma toca maior, brinquedos, alimentos diferentes e piscina. Finalmente chegaram a grama, o Sol e o contato direto com Kenny e Romeo.

Hoje, Celeste é descrita por seus cuidadores como confiante, saudável e brincalhona. Os mesmos três ursos que durante anos só conseguiam perceber uns aos outros através das grades agora nadam, descansam e procuram alimentos juntos.

A diferença entre os dois mundos cabe em uma imagem simples: durante duas décadas, Celeste viveu cercada por metal. Depois do resgate, um dos marcos mais importantes de sua recuperação foi apenas colocar as patas sobre a grama e descobrir que havia, finalmente, espaço para continuar andando.