terça-feira, 7 de julho de 2026

55 ANOS DE ESCRAVIDÃO

 Após 55 anos de escravidão contemporânea, trabalhadora deve receber mais de R$ 1,5 milhão em direitos.!!


Uma trabalhadora doméstica de 62 anos foi resgatada de uma situação de escravidão contemporânea em um condomínio de luxo no Ceará, após passar 55 anos trabalhando sem receber salários. Segundo as autoridades, ela começou a prestar serviços aos apenas 7 anos de idade e permaneceu por décadas realizando tarefas domésticas e cuidados pessoais para três gerações da mesma família, sem acesso aos direitos trabalhistas mais básicos.

A operação foi conduzida pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com apoio do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal. As investigações apontaram que a vítima vivia em condições de extrema vulnerabilidade, isolamento social e sem controle sobre sua própria vida financeira. A justificativa apresentada pela família, de que ela era tratada “como se fosse da família”, não afasta a obrigação de garantir remuneração, liberdade e todos os direitos assegurados pela legislação brasileira.
De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, os salários e demais direitos devidos à trabalhadora ultrapassam R$ 1,5 milhão. Além das verbas rescisórias, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) prevendo a aquisição de um imóvel para a vítima e o custeio de contribuições previdenciárias até sua aposentadoria, sem prejuízo de futuras indenizações que ainda poderão ser discutidas na Justiça.
O caso evidencia que a escravidão contemporânea continua sendo uma realidade no Brasil, atingindo principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social. Mais do que uma grave violação da legislação trabalhista, trata-se de uma afronta aos direitos humanos e à dignidade da pessoa humana. Combater essa prática exige fiscalização permanente, responsabilização dos exploradores e o fortalecimento de políticas públicas capazes de prevenir que histórias como essa continuem se repetindo no país.

Por Italo Cosme, Gabriela Feitosa, g1 CE

A mulher de 62 anos resgatada em condições análogas à escravidão em um condomínio de luxo na cidade de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, estava inscrita no Cadastro Único e recebia benefício do Programa Bolsa Família, no valor de R$ 600 mensais.

Este era o "pagamento" da vítima, disse ao g1 Maria Neuzeli Arantes, coordenadora da operação de resgate da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT). A auditora afirma que houve uma fraude contra o Estado na obtenção do benefício, já que a empregadora acompanhou a doméstica na inscrição do Bolsa Família e informou que ela era "unifamília" (uma pessoa sozinha, sem familiares) e desempregada.

Os empregadores firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual assumiram obrigações destinadas à proteção social da trabalhadora, como a regularização dos recolhimentos previdenciários relativos ao período reconhecido, pagamento de R$ 50 mil a título de verbas rescisórias e aquisição de um imóvel residencial em favor da trabalhadora (leia mais sobre o TAC abaixo). Os empregadores devem começar a pagar salário e indenização para a vítima de imediato.

Conforme o TAC, os empregadores da mulher foram identificados como:

  • Paulo Martins Brasil - aposentado, casado com Aurora;
  • Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil - aposentada, casada com Paulo;
  • Paulo Martins Brasil Filho - advogado;
  • Zaamarah Alencar Brasil Andrade - servidora pública, casada com Tiago;
  • Tiago Silva Andrade - médico veterinário, casado com Zaamarah;
  • Nayarah Alencar Brasil Magalhães, empregada pública.

Em nota enviada pela assessoria de comunicação do escritório BFB Advogados Associados, a família empregadora da doméstica "nega com veemência as acusações divulgadas até o momento, que não retratam a relação de convivência, cuidado e afeto construída ao longo de décadas com a senhora envolvida. Lamenta, ainda, que julgamentos precipitados tenham sido tornados públicos".

"Ressalta-se que em nenhum momento houve resgate, uma vez que ela permanece convivendo com a família em uma relação que apresenta características pessoais e familiares incompatíveis com conclusões simplificadas", alega a família 

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