terça-feira, 20 de outubro de 2026

MORTO PELO VENTO

 

Museu nos EUA fecha após morte de reitor da PUC-PR atingido por peça arrancada pelo vento

Até o momento, o caso é tratado como um acidente relacionado às condições climáticas

O museu Taliesin West, localizado em Scottsdale, no estado do Arizona, nos Estados Unidos, foi fechado ao público por tempo indeterminado após a morte do reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Rogério Renato Mateucci, de 55 anos. Ele morreu na sexta-feira (16), depois de ser atingido na cabeça por um objeto de acrílico arrancado de um telhado por fortes rajadas de vento.

A informação foi divulgada pela Fundação Frank Lloyd Wright, responsável pela administração do complexo histórico e arquitetônico. Em nota, a instituição lamentou a morte e informou que a Polícia de Scottsdale está ciente do ocorrido. A fundação afirmou que não divulgará outros detalhes enquanto as autoridades trabalham para esclarecer o caso.

Reitor morreu durante visita guiada

Mateucci participava de uma visita guiada ao Taliesin West quando uma peça da cobertura foi desprendida pela força do vento e atingiu sua cabeça. Segundo informações da polícia local, equipes de socorro foram acionadas, mas o educador morreu no local.

A ocorrência está sendo investigada pelas autoridades norte-americanas. Até o momento, não há indicação de suspeita de crime, e o caso é tratado como um acidente relacionado às condições climáticas.

O reitor estava nos Estados Unidos a trabalho, em uma viagem que incluía atividades relacionadas à Universidade Estadual do Arizona.

Museu tem importância histórica e arquitetônica

O Taliesin West foi construído em 1937 pelo arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright e serviu como residência de inverno, estúdio e escola de arquitetura. Situado no deserto do Arizona, o complexo foi projetado para se integrar à paisagem local.

Atualmente, o espaço funciona como museu e recebe visitantes em passeios guiados, além de abrigar atividades voltadas à preservação do legado do arquiteto. O local é reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco e Marco Histórico Nacional dos Estados Unidos.

PUC-PR suspendeu aulas e prepara homenagem

Rogério Renato Mateucci ocupava a reitoria da PUC-PR desde 2022 e havia sido reconduzido ao cargo para um novo mandato, válido até 2029. Integrante da Congregação dos Irmãos Maristas, ele tinha 55 anos e mais de duas décadas de experiência na área da educação.

Após a confirmação da morte, a universidade e a congregação divulgaram notas de pesar. As aulas nos câmpus de Curitiba, Londrina e Toledo foram suspensas nos dias 17 e 19 de outubro, assim como o expediente administrativo na segunda-feira (19).

Uma missa em memória do reitor está prevista para esta segunda-feira, às 17h30, na Capela Universitária Jesus Mestre, em Curitiba. A celebração será transmitida pelo canal da PUC-PR no YouTube.

Até a última atualização das informações divulgadas, não havia confirmação sobre a data de chegada do corpo ao Brasil nem detalhes sobre as cerimônias de despedida.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

A MAIOR MESQUITA DE BARRO DO MUNDO


 

MANIPULAÇÃO SANGRENTA

 


Gil, de 54 anos, que exerceu funções como secretário militar de Netanyahu entre Julho de 2021 e Maio de 2024, revelou ao Canal 12 israelita que, em Janeiro de 2024, uma estenógrafa do gabinete do primeiro-ministro o procurou para lhe comunicar que tinha recebido instruções do chefe de gabinete de Netanyahu para alterar a hora de uma chamada telefónica de quatro minutos, das 6h40 para as 6h29.

«Ela disse-me que não podia fazer essa alteração. O computador mostrava claramente que a chamada tinha ocorrido entre as 6h40 e as 6h44», contou Gil, acusando o responsável pelo gabinete de Netanyahu de manipular os registos telefónicos.

«Estes são factos e não há qualquer discussão possível sobre eles», acrescentou.

Segundo o jornal, Gil afirmou ter registado imediatamente o testemunho da estenógrafa numa nota manuscrita dirigida ao procurador-geral, recomendando que qualquer futura comissão de inquérito tivesse acesso às gravações originais, em vez de se basear exclusivamente nas respectivas transcrições.

«Isto é alterar uma transcrição, é alterar a verdade», afirmou. «O facto é que houve uma instrução para modificar a hora de uma chamada telefónica.»

Gil revelou ainda que, antes de 7 de Outubro, os responsáveis pela segurança israelita tinham recomendado repetidamente a realização de operações militares selectivas na Faixa de Gaza, mas que essas recomendações foram rejeitadas pela liderança política.

«De tempos a tempos, eram apresentadas recomendações para realizar operações selectivas em Gaza. Essas recomendações não foram aceites», declarou.

O antigo secretário militar confirmou também uma notícia anterior segundo a qual Ronen Bar, então director do Shin Bet, o serviço de segurança interna israelita, tinha alertado Netanyahu, em Julho de 2023, para o perigo de uma guerra.

Segundo o aviso anteriormente divulgado pelo Yedioth Ahronoth, Bar terá dito a Netanyahu:

«Estou hoje a transmitir-lhe um aviso de guerra. Não posso indicar-lhe o dia nem a hora exactos, mas este é o aviso.»

texto da pagina RiseUP Portugal

@seguidores

Ver menos

sábado, 10 de outubro de 2026

O NOBEL DA PAZ


Quando Navi Pillay tinha cinco anos, um homem que o conhecia veio para a casa dela em Durban, na África do Sul, com uma história aparentemente simples: ele precisava de dinheiro para comprar frangos para o negócio do seu pai.

Sua mãe, ocupada cuidando dos outros filhos, deu-lhe cinco libras e pediu-lhe para verificar se o homem estava dizendo a verdade.

Apenas ao redor da esquina, o homem arrancou o dinheiro e fugiu.

Foi o lucro de um mês de trabalho para o seu pai, que trabalhava como motorista de ônibus.

O homem foi preso e condenado. Navi  teve de testemunhar no tribunal, mas quando o processo terminou, ela perguntou ao seu pai quando eles voltariam o dinheiro.

O seu pai explicou que eles nunca o recuperariam.

Muitos anos depois, Pillay recordou esse episódio como a sua primeira encontro com uma injustiça que não conseguia entender.

Nascida em 1941 em Clairwood, um bairro pobre na África do Sul, quando ela tinha sete anos, o apartheid começou a se instalar na Sudáfrica, reforçando um sistema de discriminação que já existia.

A sua família vivia em recursos limitados. Quando ela expressou o seu desejo de estudar direito, um professor a advertiu de que precisaria de um pai rico para pagar pela universidade.

Mas os seus vizinhos em Clairwood usaram os seus recursos para ajudá-la a estudar.

Em 1967, ela abriu a sua própria empresa de advocacia na província de Natal. Ela foi a primeira mulher não branca a alcançar essa posição.

Durante os anos, ela defendeu opositores do apartheid, denunciou tortura e trabalhou pelos direitos dos prisioneiros políticos, incluindo aqueles presos na Ilha de Robben, onde Nelson Mandela permanecia preso.

Em 1995, após o fim do apartheid, ela foi nomeada juíza do Tribunal Superior da África do Sul. Ela foi a primeira mulher não branca a ocupar essa posição.

Naquele mesmo ano, ela foi selecionada para servir no Tribunal Internacional de Justiça para o Rwanda, com a tarefa de julgar aqueles responsáveis pelo genocídio de 1994.

Lá, ela participou de uma decisão que mudaria o direito internacional.

Durante o julgamento contra Jean-Paul Akayesu, ex-prefeito da cidade de Taba, em Rwanda, testemunhas surgiram sobre estupros cometidos contra mulheres Tutsi. Aqueles crimes sexuais não foram inicialmente incluídos nas acusações.

Pillay fez perguntas sobre esses abusos, e o tribunal permitiu que a acusação se expandisse.

Em 2 de setembro de 1998, os três juízes consideraram Akayesu culpado de genocídio e crimes contra a humanidade.

Foi a primeira condenação por genocídio por um tribunal internacional. A sentença também estabeleceu que os estupros e outras formas de violência sexual poderiam constituir atos de genocídio quando cometidos com a intenção de destruir um grupo protegido.

Pillay continuou sua carreira no Tribunal Internacional de Direitos Humanos e, entre 2008 e 2014, ocupou a posição de Comissário de Alto Comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos.

Décadas depois, ela presidiu a uma comissão de investigação da ONU que concluiu em 2025 que Israel cometeu genocídio em Gaza. O governo israelense rejeitou esses fatos e questionou a imparcialidade da comissão.

Em 9 de outubro de 2026, o Comitê Nobel Norueguês anunciou que Navi Pillay, 85 anos, foi escolhida para receber o Prêmio Nobel da Paz por sua obra em favor da paz e do direito internacional.

As notícias vieram enquanto ela participava de uma conferência jurídica na Alemanha.

Ela estava em Nuremberg.

Foi o mesmo edifício onde, oito décadas antes, líderes nazistas foram julgados por seus crimes.

Foi o lugar cujos processos haviam sido estudados décadas atrás, quando ela era uma jovem estudante universitária na África do Sul.

  ·


sábado, 3 de outubro de 2026

PRIMAVERA





























fotos: dimitri ganzelevitch













 


MERGULHO

 

Foto: Dimitri Ganzelevitch


Ainda no século XX, passei cinco dias subindo e descendo os barrancos pedregosos salpicados de milenares túmulos nabateus em Petra. Por três vezes, me senti uma formiga perdida nas colunatas do templo de Karnak. Me emocionei com os jardins de Monserrat em Sintra e os nevoeiros de Machu-Pichu.

Então, como não me deslumbrar com a obra de um homem só, que, a duas horas infernais de estrada de Belo Horizonte (duas horas para 60 km), criou uma reserva de Mata Atlântica que nem o Burle Marx teria sonhado, um jardim anglo-tropical, um Kew Garden tamanho GGG, habitado por um New Tate com forte sotaque brasileiro?

Durante três dias, ou melhor dito três diárias no espetacular Clara resort, usei e abusei dos carrinhos do hotel para ir e vir dos bangalôs. Paguei sem remorso uma nota absurda para usufruir de um transporte privado que me permitiria estabelecer meus próprios roteiros. A idade tem direito a certos privilégios.

Desprezando a tirania dolorosa de pernas rabugentas, me encantei a vinte aproximados minutos em cada templo, rezando a fé de um só artista. E quem são estes artistas? Simplesmente alguns dos melhores do mundo e da atualidade.

Você poderá se comover ou não com a expressão de nomes famosos nas bienais ou kasseis da vida. As piscinas e as redes na escuridão de Oiticica não me tocaram. Em contrapartida do mesmo autor dos parangolés, as paredes coloridas da “Invenção da Cor, Penetrável Magic Square” me inundaram de uma serena felicidade. Roubei sim, confesso, um seixo que já mandei colocar numa caixa especial com as cores da obra. Ao entrar no severo cubo de Adriana Varejão me senti absurdamente desarmado tal a força e a coerência das obras. Não sei se preferi as vísceras da parede destruída, o rigor geométrico do interior azulejado ou o gigantismo dos azulejos barrocos. De Yayoi Kusama, mais famosa japonesa deste terceiro milênio, esperava submergir numa avalanche de bolas. Penetrei em dois ambientes hermeticamente obscuros. No primeiro, infinitas luzinhas recriavam algo como uma via láctea. No segundo, encontrei uma sala de estar classe média onde dançavam pastilhas luminosas. Magia, poesia, leveza, humor.

Inhotim é uma das mais belas iniciativas culturais das quais tive a sorte de participar em quase um século. Ao deixar o instituto, com bizarra impressão de ter saboreado algum cogumelo proibido, me lembrei de minha chegada ao Brasil, em 1975, quando descobri a pungência de artistas então desconhecidos pelo mercado e que hoje triunfam nos espaços mais exigentes do mundo, como a parisiense Fondation Cartier que, a dois passos do Louvre, apresenta pelo menos sete excelentes brasileiros. Solange Pessoa, Adriana Varejão, Veio, Aurelino, Ehuana Yaira, Claudia Andujar e Luiz Zerbini.

Dimitri Ganzelevitch

A Tarde, sábado

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

HUMOR INGLÊS

 



BAYERN

 




O Bayern está localizado no meio de uma das maiores rotas de migração para aves europeias

COMUNICADO DA SANTA LUZIA FILMES



Não fomos contemplados pelo edital SALCINE 2 na categoria “Ações Cineclubistas”. Nosso projeto era criar um cineclube no Comercio dedicado a região do Pilar (que a Prefeitura quer desenvolver como area residencial) para uma população carente que não tem acesso ao cinema.
Tudo bem, aceitamos e não iremos entrar com recurso.
Mas o que deixou a gente perplexa é o argumento central do parecer: “ a curadoria adota obras defasadas e com perspectivas externas ao território, em detrimento do audiovisual local clássico e contemporâneo”. Vale destacar que todos os filmes escolhidos tratam do tema portuário de mestres como R.Pires, Kaurismaki, Kazan, Von Sternberg, alem da nossa ultima produção “Porto de Origem”de 2024 que faz um retrato do Comercio.
Como não queremos acreditar que foi censura (apesar que edital não menciona que a lista de filmes propostos deve ser aprovada pela comissão de avaliação), questionamos: Kazan, Pires, Karuriskami, Von Sternberg “defasados”?, não “classicas”apesar que tratam da cultura, do racismo, da corrupção no porto , obras importantes para uma cidade como Salvador que conhece tão mal a a história do seu próprio porto ?
Não se trata de desqualificar a FGM que fez um trabalho primordial na área cultural nesses últimos anos sob o comando de @fernando.guerreiro61 . Mas acreditamos que é o dever do cidadão de apontar os erros e equivocados eventuais. Sucesso e boa sorte a todos os contemplados.
Bernard Attal

PANDORA E AS ELEIÇÕES

 

 ARMANDO AVENA


O diabo sabe citar as Escrituras quando lhe convém, diz o Evangelho. Por isso, quando se busca a mudança, é preciso ter cuidado para não dar o poder ao diabo travestido de anjo. É verdade que o fascínio pela mudança encanta homens e mulheres, mas vale lembrar: mudar pode ser bom, mas mudar para pior pode ser trágico.

Os gregos, por exemplo, contam a história de Faetonte, filho de Hélio, o deus que conduzia diariamente o Sol pelo céu. Orgulhoso da sua origem divina, Faetonte queria conduzir o carro do Sol, como fez seu pai.

Não é fácil, porém, para alguém inexperiente, que sempre andou por sítios sombrios, controlar os cavalos alados e manter o carro do Sol na trajetória correta. Contra todas as evidências, Faetonte afirma que está preparado e diz que vai conduzi-lo como ninguém jamais o fez.

Quando, todavia, assume o carro, percebe que não tem a mínima condição de controlar os cavalos. O carro solar sai de sua rota e aproxima-se demais da Terra, queimando campos e cidades. Depois sobe excessivamente e deixa regiões inteiras sob um frio terrível. A desordem ameaça o equilíbrio do mundo. Então, Zeus intervém e fulmina Faetonte com um raio, fazendo-o cair do céu.

Aquilo que parecia uma renovação grandiosa transformou-se em catástrofe porque a capacidade de conduzir o poder foi menor do que a ambição de exercê-lo. E o mundo descobriu, tarde demais, que, às vezes, mudar não é necessariamente mudar para melhor. Qualquer semelhança com o processo eleitoral brasileiro não é mera coincidência.

O ser humano tem fascínio pela mudança e é bom que seja assim, mas a mudança por si só não é garantia de avanço, pelo contrário, pode ser o signo do retrocesso.

Aliás, em se tratando de eleições, foi isso que aconteceu no Brasil no governo Bolsonaro, que fez o país retroceder e quase destruiu a Democracia. A mudança não pode ser um salto no escuro: é preciso saber quem a está propondo, qual é sua história, quais títulos acumulou, que experiência possui e o que já fez quando teve responsabilidades semelhantes, se é que as teve. A novidade pode ser sedutora, mas governar exige mais do que discurso de renovação. Antes de trocar o conhecido pelo desconhecido, é prudente examinar o passado de quem pretende conduzir o futuro.

São os gregos que novamente lembram aos que vão votar os perigos de abrir uma caixa sem saber o que existe dentro. Quando Pandora abre a caixa que recebeu de Zeus com a ordem explícita de não a abrir, ela liberta todos os infortúnios que podem afligir um povo. Quando percebeu o que havia feito e tentou fechá-la, os males já estavam soltos no mundo.

Diferente de Pandora, já sabemos o que existe na caixa que a família Bolsonaro nos apresenta. E não devemos abri-la esperando uma mudança que não virá.

O problema da mudança não é saber o que se pode ganhar com ela, mas saber o que se pode perder.

Publicado no jornal A Tarde em 02/10/2026

FARNACE


Cecilia Bartoli (Roma, 4 de junho de 1966) é uma cantora lírica mezzo-soprano italiana e uma popular intérprete de óperas e recitais.

Conhecida por seus papéis em óperas de Mozart e Rossini, Bartoli também é uma aclamada intérprete de cantos barrocos. Diferentemente da maioria de cantores de ópera, Bartoli tornou-se mundialmente célebre muito jovem, ainda com menos de vinte anos de idade. 

Entre os seus títulos, contam-se o de Cavalieri de Itália e de Chevalier des Arts et des Lettres, atribuído pelo governo francês. Cecilia Bartoli foi eleita Membro Honorário da Real Academia de Música em Londres e Accademico Effetivo di Santa Cecilia em Roma.


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

E TAMBÉM É ESTÚPIDA


 "A Maria é professora. E também é estúpida. Ela sabe que é estúpida porque o João, o seu marido, lho diz. Explica sempre tudo o que a Maria expressa. E o João sabe o que diz. O João não tem nenhuma formação específica e prefere o café ao trabalho. Mas o João não é estúpido porque é homem e homens não são estúpidos.

A Raquel tem 50 anos. A Raquel é velha. Ela sabe que é velha porque o Pedro, o seu companheiro, a esclarece com frequência. Aponta lhe os cabelos brancos, as rugas no rosto, a flacidez das mamas. O Pedro tem 55 anos. Tem cabelos grisalhos, duplo queixo e a barriga já lhe encobre a pouca masculinidade. Mas o Pedro não é velho porque é homem e homens não envelhecem.
A Filipa é estudante. E é puta. Ela sabe que é puta porque o Miguel, o seu namorado, lho explica. Às vezes com manifestações físicas: já lhe rasgou o decote de um top, já lhe esfregou o batom pelo rosto, já a proibiu de usar certas saias. O Miguel implora sexo a tudo o que mexe, oferece se em praça pública, exibe se em tronco nu. Mas o Miguel não é puta porque é homem e homens não são putas.
A Bárbara é uma mulher realizada. E é infeliz. Ela sabe que é infeliz porque a Joana, a sua mãe, a informa constantemente. Precisas de alguém que te faça feliz, repete. A Joana é casada com o Raul, pai da Bárbara. O Raul é um adúltero que se diverte a abusar psicologicamente da Joana. Continua casado por cobardia. Sente um desprezo natural pela inércia da companheira. Mas a Joana não é infeliz porque ‘tem’ um homem e quem ‘tem’ um homem não é infeliz."
Texto de Ruth Martins.
Foto de Diana Arbus