Trump entregou Netanyahu ao princípio da realidade
Netanyahu entrou na guerra imaginando sair dela com o regime dos aiatolás estrategicamente derrotado, o Hezbollah neutralizado, o programa nuclear enquadrado e a própria liberdade militar ampliada. Saiu com outra coisa: um acordo americano-iraniano, o regime dos aiatolás de pé, Hormuz no centro do tabuleiro, o Hezbollah ainda respirando e J.D. Vance dizendo a ministros israelenses: parem de morder a mão que segura o escudo antimíssil.
J.D. Vance foi brutal não pela grosseria, mas pela sinceridade imperial: Israel não deveria atacar “o único aliado poderoso” que ainda tem. Tradução diplomática: soberania é linda, mas dependência estratégica cobra aluguel.
A extrema direita israelense descobriu, com atraso de décadas, que aliança não é cheque em branco. E Trump descobriu, com seu habitual faro de cassino, que guerra boa é a que rende manchete; guerra cara, petróleo caro e Estreito de Hormuz ameaçado viram “acordo histórico” antes que a conta chegue.
O problema é que, em relações internacionais, não existe milagre, mas sim correlação de forças.
O regime iraniano não venceu militarmente, mas sobreviveu politicamente: preservou capacidade de dissuasão, manteve alavancas regionais e mostrou que pode transformar Hormuz em arma econômica global. Netanyahu não perdeu no campo de batalha, mas foi constrangido no plano estratégico. Trump não pacificou o Oriente Médio; apenas comprou tempo.
A lição é amarga: segurança sem diplomacia vira exaustão, força sem estratégia vira teatro e dependência sem prudência vira humilhação.
Trump prometeu Churchill, mas entregou Chamberlain de boné vermelho.
E Israel, que precisa sobreviver como Estado democrático e não como bunker teocrático armado até os dentes, deveria entender logo: o pior inimigo da segurança israelense hoje não é apenas Teerã; é também a fantasia suicida de que se pode vencer a geopolítica matando todos os problemas antes que eles aprendam a se reorganizar.
#GideonLevy, editorialista do #Haaretz, o maior jornal esquerdista de Israel.
"A sociedade israelense trancou-se atrás de escudos, paredes, não só fisicamente, mas também mentalmente. Vou simplesmente afirmar os três princípios (povo escolhido por Israel, a vitimização dos israelitas, a desumanização dos palestinos) que nos permitem viver com essa realidade brutal:
A. A maioria, se não todos os israelitas, acredita profundamente que somos o povo escolhido. E se somos o povo eleito, temos o direito de fazer o que quisermos!
B. Nunca houve uma ocupação na história em que o ocupante se apresentasse como vítima. Não só a vítima, mas a única vítima! Também permite que todos os israelitas vivam em paz porque nós somos as vítimas!
C. Mas o terceiro conjunto de valores é o mais perigoso. É a desumanização sistemática dos palestinos que nos permite israelenses viver em paz com tudo, porque se não forem seres humanos como nós, então realmente não há questão de direitos humanos! "
Chai Roos, artiste juive antisioniste issue d'une famille ashkénaze, dénonce la colonisation et le gouvernement israélien.
En cette période de fête juive de Hanouka, elle appelle les juifs à “faire preuve d'humanité” et à “contrer la politique sioniste”.
Roos Chaï, artiste juive, défend les droits des Palestiniens en dénonçant l'amalgame entre judaïsme et sionisme politique.
Pourquoi lire cet article :
Pour comprendre l'engagement de Roos Chaï contre l'injustice en Palestine.
Pour découvrir son collectif Sun Heat luttant contre la haine et l'islamophobie.
Dans un contexte où les voix juives critiques d’Israël sont souvent marginalisées, l’artiste Roos Chaï fait partie de celles et ceux qui refusent l’amalgame entre judaïsme et sionisme politique. Signataire de l’appel « Pas notre nom », elle dénonce la dérive idéologique du gouvernement israélien et réaffirme, avec force, que la défense de la vie et de la justice constitue le cœur du judaïsme. Dans cet entretien, elle revient sur les raisons de son engagement, sur les menaces qu’elle a reçues, et sur la création de son collectif Sun Heat, destiné à lutter contre la haine et les discours islamophobes dans les médias. Un témoignage fort, empreint de courage et d’humanité.
Compte-rendu de l’entretien avec Chaï
« Sauver une vie, c’est sauver l’humanité »
Signataire de l’appel « Pas notre nom », rédigé par un collectif de Juifs et Juives de France, Chaï a choisi de s’exprimer publiquement au nom de sa foi et de sa conscience. Pour elle, dénoncer les crimes commis par Israël relève d’un impératif spirituel et moral :« C’est profondément juif que de sauver une vie. Le judaïsme n’a rien à voir avec le sionisme politique. » L’artiste déplore que la voix des Juifs opposés à la politique israélienne soit étouffée et invisibilisée. Dans un contexte de censure et de polarisation, elle estime qu’il est devenu vital de rappeler les valeurs fondamentales du judaïsme : le respect de la vie, la mémoire des souffrances passées, et la responsabilité collective envers les opprimés.
Les valeurs du judaïsme au cœur de son engagement
Pour Roos Chaï, le judaïsme repose sur des valeurs universelles : « Celui qui sauve une vie, sauve l’humanité. » Elle évoque aussi la mémoire des persécutions subies par le peuple juif, qu’elle met en parallèle avec la souffrance actuelle du peuple palestinien. « Nous devons, en tant que Juifs, protéger les populations opprimées, la veuve, l’orphelin et l’étranger. Aujourd’hui, c’est notre devoir de protéger les Palestiniens et la Terre sainte, qui est la Palestine. » Cette vision, profondément humaniste, relie foi, mémoire et solidarité. Pour elle, le silence face à l’injustice serait une trahison spirituelle.
« Netanyahou contribue à la montée du fascisme »
Roos Chaï accuse le gouvernement israélien, et en particulier Benjamin Netanyahou, de trahir les valeurs juives et d’alimenter l’antisémitisme par ses politiques :« Netanyahou participe à la montée d’un fascisme, d’un racisme d’État et d’un suprémacisme. Il parle au nom de tous les Juifs, mais il ne représente pas notre identité. » Elle dénonce une usurpation de l’identité juive :« Le judaïsme a été détourné de ses fondements spirituels pour justifier des crimes. On nous a volé notre voix. »
Menaces et intimidation : le prix du courage
Depuis la publication de sa signature, RoosChaï dit avoir reçu des menaces et des insultes. Elle raconte avoir été qualifiée d’« antisémite » ou de « négationniste du 7 octobre », simplement pour avoir évoqué la responsabilité du gouvernement israélien dans les événements. Malgré la peur, elle refuse de se taire : « C’est abject de se taire. Nous, Juifs de France, devons parler pour dire que ce qui se passe n’est pas fait en notre nom. »
Sun Heat : un collectif contre la haine et l’islamophobie
En parallèle, Roos Chaï a fondé le collectif Sun Heat – « chaleur frappante » –, un appel du cœur destiné à lutter contre la haine, notamment islamophobe, dans les médias et sur les réseaux sociaux « Il faut mettre de la lumière sur les discours de haine. Seules les paroles éclairées poursuivront les coupables. » Sun Heat rassemble des artistes, des citoyens et des juristes pour agir en justice contre les propos racistes et discriminatoires. Roos Chaï y voit une continuité de son engagement spirituel :« La justice et la charité sont au cœur du judaïsme. Défendre nos frères et cousins musulmans, c’est leur rendre la justice qu’on nous a jadis refusée. »
Une voix juive libre et solidaire
À travers son engagement, Roos Chaï incarne une parole rare et nécessaire : celle d’une artiste juive qui revendique la solidarité avec les Palestiniens au nom des valeurs mêmes du judaïsme. Sa voix s’élève contre la confusion entretenue entre foi et idéologie politique, et rappelle une vérité universelle : « Défendre la vie, la justice et la dignité humaine, c’est le cœur du judaïsme. »
Tiramos uma foto. Olhamos para ela por alguns segundos, damos zoom, olhamos de novo. Na verdade, é uma foto perfeitamente normal, mas ainda assim não a publicamos. Talvez porque não nos reconheçamos nela, ou talvez porque nos reconheçamos demais. Há uma estranha distância entre a imagem que vemos de nós mesmos e aquela que queremos ou achamos que os outros verão.
Muito antes do Instagram, dos filtros que alteram rostos sem deixar vestígios ou da possibilidade de editar uma fotografia com alguns toques na tela, Miguel de Unamuno já havia traduzido em palavras um sentimento presente nesse conflito.
"Na realidade, cada um de nós é três: aquele que acreditamos ser, aquele que os outros acreditam que somos e aquele que realmente somos."
A frase pertence à sua obra-prima de ensaios, "O Sentido Trágico da Vida", publicada originalmente em 1912. Trata-se de um tratado filosófico no qual Unamuno analisa a angústia existencial, a imortalidade e a identidade humana. Nos capítulos dedicados à personalidade e ao eu interior, ele desenvolve esse paradoxo para explicar a fragmentação que os seres humanos vivenciam no cotidiano.
Não se trata de uma frase sobre autoestima nem exatamente sobre aparência. É uma reflexão muito mais profunda, tão relevante hoje quanto na época em que foi formulada. Afinal, falar sobre identidade é algo atemporal. A ideia aborda a busca incessante por descobrir quem realmente somos quando todas as versões que criamos de nós mesmos — ou que os outros constroem ao projetarem suas percepções sobre nós — desaparecem.
Um homem obcecado por perguntas
Miguel de Unamuno passou grande parte da vida tentando responder a questões para as quais sabia que provavelmente não existiam respostas definitivas. Escritor, filósofo, ensaísta, reitor da Universidade de Salamanca e uma das vozes mais influentes da Geração de 98, transformou a dúvida em uma forma de pensar e quase em um modo de vida.
Sua trajetória foi marcada por contradições. Duvidava da fé enquanto a buscava desesperadamente. Defendia ideias que mais tarde questionava. Entrou em conflito com governos, instituições e, acima de tudo, consigo mesmo. Quando escreveu sobre identidade, falou a partir da experiência de alguém que sabia que uma pessoa nunca é apenas uma coisa.
Três pessoas vivendo no mesmo corpo
O que torna essa reflexão tão fascinante é que todos compreendem imediatamente do que ela trata. Existe a pessoa que cada um acredita ser: a história que conta a si mesmo sobre quem é. Estão aí os valores, as intenções, as virtudes e também as justificativas que cada um cria para si.
Depois, existe a pessoa que os outros acreditam que somos. Essa versão muda de acordo com quem observa. A mesma pessoa pode parecer engraçada para alguns, distante para outros e completamente diferente para alguém que mal a conhece.
Por fim, surge o terceiro e mais misterioso personagem: aquele que realmente somos. Não é a pessoa que imaginamos ser nem aquela que projetamos para os outros, mas a que existe por baixo de todas essas camadas.
Unamuno percebeu que essa era a tarefa mais difícil de realizar. Talvez porque exija encarar a realidade de que nem sempre a imagem que temos de nós mesmos corresponde aos fatos.
Nunca foi tão fácil construir uma versão de si mesmo
Se a reflexão de Unamuno continua tão atual mais de um século depois, é porque o mundo parece ter evoluído exatamente nessa direção. Hoje, não apenas mostramos quem somos ou quem acreditamos ser, como também moldamos a forma como desejamos ser percebidos.
Escolhem-se os momentos a compartilhar, as opiniões a expressar, as facetas a ocultar e aquelas que merecem destaque. A imagem pessoal é administrada com uma precisão nunca antes vista na história. As redes sociais, porém, não inventaram esse fenômeno. Os seres humanos sempre desejaram ser aceitos, pertencer a grupos e causar uma boa impressão. O que a internet fez foi transformar esse processo em uma atividade constante.
O problema é que, quanto mais tempo se dedica à construção de uma identidade pública, mais fácil se torna esquecer onde termina essa representação e onde começa a pessoa real. Corre-se o risco de acreditar no próprio personagem. A reflexão de Unamuno convida a questionar se a imagem que cada um tem de si mesmo é, de fato, precisa.
Costuma-se acreditar que o autoconhecimento é profundo, mas a realidade é que grande parte da identidade é construída a partir de narrativas. São histórias repetidas tantas vezes que acabam parecendo fatos: "É assim que eu sou", "Eu nunca faria isso", "Isso me define". No entanto, a experiência mostra repetidamente que os seres humanos são muito mais contraditórios do que gostam de admitir.
Uma ideia libertadora em tempos de filtros
Unamuno sabia disso e desconfiava de definições fechadas e identidades excessivamente rígidas. O aspecto mais interessante de sua reflexão é que ela não incentiva uma busca obsessiva por uma definição definitiva de quem somos. Pelo contrário, sugere a aceitação de que talvez nunca seja possível chegar a uma resposta completa.
Talvez isso seja uma boa notícia. Em uma era que pressiona constantemente as pessoas a construir uma marca pessoal, definir-se, explicar-se e apresentar-se de forma linear e perfeitamente coerente, a frase de Unamuno lembra algo muito mais simples: uma pessoa é sempre mais complexa do que a imagem que projeta. Mais complexa do que uma fotografia. Mais complexa do que um perfil. Mais complexa até do que a ideia que faz de si mesma. Afinal, a pessoa mais difícil de conhecer não é aquela que está à frente de nós, mas aquela que vemos todas as manhãs no espelho.
Ruy Castro em Trump gagá. Não será surpresa se, numa dessas em que cochila em eventos, ele cair da cadeira. Que sua influência sobre nós se dilua antes de ele vestir a cueca por cima das calças.
Donald Trump completou 80 anos neste domingo (14), anunciando em tom imperial o fim de uma guerra interesseira que ele próprio começou e perdeu. Os observadores viram nisso mais um sintoma da iminente gagaíce de Trump, manifesta em seu comportamento abilolado, marcado por atitudes sem nexo, declarações que faz e desfaz em questão de horas e sintomas de que já não é quem ele simula ser. O fato de ter sido fotografado cochilando em recentes eventos públicos preocupa a Casa Branca –temem que, numa dessas, ele caia da cadeira.
Sua jequice e megalomania, que não são de hoje, estão atingindo dimensões mamutianas. Trump botou sua carantonha em passaportes, selos e documentos oficiais. Ameaça assinar as cédulas de dólar –sua assinatura, por sinal, ainda está por ser estudada por psiquiatras. Quer botar seu nome em instituições e monumentos históricos. Vai construir uma torre de 60 andares em Miami para comportar sua biblioteca presidencial --em comparação, a biblioteca de George Washington, recém-inaugurada em Mount Vernon, Virginia, com milhares de livros e documentos inestimáveis do século 18, contenta-se com um prédio de três andares. E acaba de rebaixar a Casa Branca a um mafuá de MMA.
A saúde geral de Trump também periclita. Tem 22 médicos à sua volta, o que deve dizer alguma coisa. Toma remédios para o coração, a pressão e o colesterol, sofre de insuficiência venosa crônica e sabe-se que vive com os tornozelos e pés inchados. Informantes com acesso à balança de seu banheiro íntimo disseram ao The New York Times que ele ganhou sete quilos nos últimos tempos. Sua dieta diária consiste de Big Macs, frango frito e quilômetros de macarrão, mandados para dentro com Coca Diet.
Com tudo isso, Trump continua a ser o fiel da nossa balança. Flávio Bolsonaro quer que ele quebre o Brasil com seus tarifaços e, assim, o eleja presidente. O governo, por sua vez, precisa adulá-lo para impedir isso.
Roga-se que esse dilema se resolva antes de Trump começar a usar a cueca por cima das calças.
Avançado defendeu que os futebolistas «não devem apenas jogar e ficar calados», numa entrevista em que falou do Mundial 2026 e das eleições francesas de 2024
Numa altura em que está a ferro e fogo no Real Madrid, Kylian Mbappé decidiu voltar a abordar temas políticos e sociais numa entrevista concedida à revista norte-americana Vanity Fair, onde falou tanto do ambiente nos Estados Unidos, a poucas semanas do Mundial 2026, como da situação vivida em França durante as eleições legislativas de 2024.
Questionado sobre o facto de o Mundial ser organizado pelos Estados Unidos, Canadá e México, numa altura em que existem preocupações relacionadas com o clima político norte-americano, o capitão da seleção francesa mostrou confiança na decisão da FIFA. «Não tenho os conhecimentos necessários para saber o que é preciso para organizar um Campeonato do Mundo. Se me pedissem para organizar um Mundial, provavelmente haveria surpresas. Se a FIFA decidiu que deve realizar-se nos Estados Unidos, é porque considera que tudo é gerível e que podemos vir aqui», afirmou o avançado.
Mbappé aproveitou ainda para recordar o período das eleições legislativas francesas de 2024, quando vários jogadores da seleção francesa manifestaram preocupação com a subida da extrema-direita no país. O internacional francês explicou porque sentiu necessidade de se posicionar publicamente. «Isso chocou-nos. Somos cidadãos e não podíamos simplesmente ficar parados, fingir que tudo ia correr bem e ir jogar futebol. É preciso combater a ideia de que um futebolista deve apenas jogar e ficar calado», defendeu.
«Não estamos desligados do que acontece no nosso país. As pessoas pensam que, por termos dinheiro ou sermos famosos, este tipo de problemas não nos afeta. Mas afeta-me. Sei o que significa para o meu país quando pessoas assim chegam ao poder», atirou.
Na entrevista, Mbappé falou também das críticas dirigidas a alguns jogadores franceses devido às origens. «Somos franceses. O francês gosta de reclamar. Portanto, franceses a julgar franceses acaba nisto», comentou, antes de deixar uma nota mais otimista: «Acho que a nova geração está a tentar mudar essa mentalidade.»