domingo, 14 de junho de 2026

JAMBU, TUCUPI E CUPUAÇU



Me alegrei tanto de voltar a Belém depois de quinze anos! Águas turvas das amazônias, mangueiras sombreando as avenidas, ribeiras pontuadas de brancas garças e aquelas folhas que são o segredo da culinária mais misteriosa das Américas.

A festa maior seria o prometido almoço do Lá em Casa. Mas com a morte do chef Paulo Martins, o famoso templo da gula paraense fechou em 2021. A notícia me deixou desorientado. E agora, Claudine? Com minha velha companheira de tantas andanças, resolvi passear pelo Ver-o-Peso e o mercado de artesanato, agora de toldo novo. Obrigado, Cop30! Mas, salvo uma ou outra exceção, sempre as mesmas bugigangas para turismo de massa.

O jeito seria encontrar um restaurante correto na Estação das Docas, genial adaptação dos velhos galpões portuários. Copiar a iniciativa, em vez das divagações medíocres da FMLF, seria uma saudável solução para nosso moribundo Comércio, mas com a prefeitura que temos...

Pelos comentários do Tripadvisor, o Bera parecia o mais confiável. Depressão. O tacacá e o pato no tucupi eram tão abomináveis que não seríamos mais capazes de tentar a mesma escolha até o fim da viagem. Da grosseria do serviço prefiro não detalhar. Tanto tinha elogiado a culinária de Belém a minha amiga que a desastrosa experiência tirou uma enorme fatia de nosso entusiasmo inicial. A compensação seria o honesto restaurante do Mangal das Garças que virou nossa cantina pelo resto da estadia, a cem metros do hotel, com um excelente serviço e uma vista deslumbrante. Recomendo o garçom Alisson, amável e rápido.

Mais sorte tivemos com os chocolates. Após a Maison du Chocolat, de qualidade média, descobrimos a Gaudens, premiada com toda razão pela Academy of Chocolate de Londres.

Finalmente consegui visitar o Parque Goeldi que, nas vezes anteriores, estava sempre fechado, sempre em obras. Um poético pedaço amansado das selvas de minha infância povoadas por tarzans e janes voando de cipó em cipó. Sejamos honestos: não gosto de jardins zoológicos nem de qualquer tipo de gaiola. Tive pena do jacaré e das preguiças, das jiboias e dos tucanos. Mas valeu o rico acervo de culturas indígenas, tão desprezadas pela nossa evoluída sociedade. Na cafeteria do museu, nos encantamos com as suculentas quiches. Teria gostado de assistir aos vídeos, mas os museólogos esquecem dos que não podem ficar muito tempo em pé. A mesma observação vale para o excelente conjunto do Museu de Arte Sacra sem um só banco e que também peca por uma falta dramática de informações. “Proveniência: Secult” Por favor!

Sempre tive um fascínio por Belém, mas como concordar com um centro histórico abandonado, imundo, moradores de rua drogados acampando debaixo de plásticos pretos de saco de lixo?

 

Dimitri Ganzelevitch

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