segunda-feira, 22 de junho de 2026

TRUMP ENTRTEGOU NETANYAHU

 Trump entregou Netanyahu ao princípio da realidade


Netanyahu entrou na guerra imaginando sair dela com o regime dos aiatolás estrategicamente derrotado, o Hezbollah neutralizado, o programa nuclear enquadrado e a própria liberdade militar ampliada. Saiu com outra coisa: um acordo americano-iraniano, o regime dos aiatolás de pé, Hormuz no centro do tabuleiro, o Hezbollah ainda respirando e J.D. Vance dizendo a ministros israelenses: parem de morder a mão que segura o escudo antimíssil.
J.D. Vance foi brutal não pela grosseria, mas pela sinceridade imperial: Israel não deveria atacar “o único aliado poderoso” que ainda tem. Tradução diplomática: soberania é linda, mas dependência estratégica cobra aluguel.
A extrema direita israelense descobriu, com atraso de décadas, que aliança não é cheque em branco. E Trump descobriu, com seu habitual faro de cassino, que guerra boa é a que rende manchete; guerra cara, petróleo caro e Estreito de Hormuz ameaçado viram “acordo histórico” antes que a conta chegue.
O problema é que, em relações internacionais, não existe milagre, mas sim correlação de forças.
O regime iraniano não venceu militarmente, mas sobreviveu politicamente: preservou capacidade de dissuasão, manteve alavancas regionais e mostrou que pode transformar Hormuz em arma econômica global. Netanyahu não perdeu no campo de batalha, mas foi constrangido no plano estratégico. Trump não pacificou o Oriente Médio; apenas comprou tempo.
A lição é amarga: segurança sem diplomacia vira exaustão, força sem estratégia vira teatro e dependência sem prudência vira humilhação.
Trump prometeu Churchill, mas entregou Chamberlain de boné vermelho.
E Israel, que precisa sobreviver como Estado democrático e não como bunker teocrático armado até os dentes, deveria entender logo: o pior inimigo da segurança israelense hoje não é apenas Teerã; é também a fantasia suicida de que se pode vencer a geopolítica matando todos os problemas antes que eles aprendam a se reorganizar.

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