terça-feira, 3 de dezembro de 2024

OS PSICOPATAS DA POLÍCIA MILITAR

 

Policial que executou jovem negro pelas costas em SP já foi reprovado em teste psicológico

Vinicius de Lima Britto chegou a recorrer contra a decisão, mas conseguiu passar em um segundo concurso da Polícia Militar

Marcos Guedesda CNN , São Paulo

  • Facebook
  • Twitter
  • Linkedin
  • WhatsApp
Ouvir notícia

O policial militar Vinicius de Lima Britto, 24 anos, que executou Gabriel Renan da Silva Soares, 26, com 11 tiros em um mercado Oxxo, na Zona Sul de São Paulo, já havia sido reprovado em um exame psicológico ao tentar ingressar na Polícia Militar pela primeira vez. A avaliação, realizada durante um concurso público para soldado de 2ª classe, em 2021, apontou problemas de sociabilidade e descontrole emocional.

Apesar da reprovação inicial, Britto conseguiu entrar na corporação no mesmo ano, após ser aprovado em um segundo concurso. Nesse intervalo, ele chegou a entrar com um mandado de segurança contra o resultado do primeiro teste, alegando subjetividade na análise, mas a Justiça negou o pedido e o processo foi extinto.

A CNN teve acesso ao laudo reservado que detalha os motivos da primeira reprovação. O documento de nove páginas afirma que Britto apresentou “inadequação aos parâmetros exigidos no perfil psicológico estabelecido para o cargo”.

Policial reprovado em exame • Reprodução

 

Entre os pontos críticos, os especialistas apontaram dificuldade de sociabilidade e instabilidade em relações interpessoais. “Tais características contraindicam o candidato para o cargo, pois poderão comprometer sua capacidade de perceber e reagir adequadamente às demandas da função”, afirma um trecho do laudo.

Remaining Time 0:08

Dois psicólogos que assinam o documento ainda destacaram que Britto tem uma personalidade instável, com maior aptidão para atividades em ambientes calmos. “Isso tende a dificultar a manutenção e o cumprimento de suas obrigações conforme esperado”, detalha o relatório.

Exame que reprovou policial militar • Reprodução

Outro aspecto apontado que justifica a decisão dos médicos foi a tendência ao descontrole emocional, “tendendo a agir fortemente por meio de condutas instáveis e imprevisíveis, com propensão ao desequilíbrio fisiológico e psicológico, podendo agir sem tanta reflexão diante de situações inesperadas“, diz outro trecho.

Mortes na Baixada Santista

A execução de Gabriel Renan da Silva Soares, morto pelas costas ao tentar sair de um supermercado após furtar produtos de limpeza, não foi o único episódio letal envolvendo o policial militar Vinicius de Lima Britto. O jovem de 26 anos não esboçou reação nem fez menção de estar armado, como inicialmente alegado pelo PM.

Tocador de vídeo
00:00
00:39

Conforme revelado pelo portal “O joio e o trigo” e confirmado pela CNN com base em documentos judiciais, em dezembro do ano passado, Britto esteve envolvido em outro caso com desfecho fatal, desta vez em São Vicente, litoral paulista. Segundo sua versão, ele estava em um carro com a namorada, enquanto outro militar, amigo dele, estava de moto com a namorada.

Na versão contata pelo policial, por volta da 1h35 da madrugada, dois homens em uma motocicleta teria tentado assaltar o grupo e mostrado uma arma como forma de ameaça. O soldado Britto relatou ter disparado diversas vezes, mas não soube precisar o número de tiros.

Conforme o boletim de ocorrência, a moto utilizada pelos supostos assaltantes era roubada. Um deles foi atingido e morreu no local; o segundo tentou fugir, mas também morreu a cem metros do local onde foi alvejado. A suposta arma que teria sido usada pelos suspeitos nunca foi encontrada. Britto justificou os disparos como legítima defesa, mas o caso segue em andamento no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Afastamento

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o policial foi afastado das atividades operacionais após executar Gabriel e que caso as apurações apontem para a responsabilização criminal do policial militar, medidas administrativas serão adotadas, incluindo a possibilidade de processo disciplinar que poderá resultar na sua exclusão da Instituição.

A reportagem também questionou o fato do militar ter sido reprovado e aprovado em exames psicológicos semelhantes no espaço de um ano e aguarda retorno.


COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO.- Escrevi propositalmente aoplural "os psicopatas", porque não são poucos os reprovados nos testes que conseguem ser aceites na PM.  Por indicação, sempre, de algum padrinho.



OUTROS PSICOPATAS

MAIS!

 

 https://g1.globo.com/google/amp/sp/sao-paulo/noticia/2024/12/03/procurador-geral-de-justica-diz-que-cenas-de-pm-jogando-homem-em-rio-sao-estarrecedoras-e-inadmissiveis-e-fala-em-punicao-exemplar.ghtml


segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

LIMPEZA ÉTNICA

 

Ex-ministro de Israel acusa governo de limpeza étnica em Gaza

Meta é anexar território por meio de assentamentos judaicos
Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 02/12/2024 - 12:52
Brasília
Palestinians inspect the site of an Israeli strike on a college sheltering displaced people, amid Israel-Hamas conflict, in the northern Gaza Strip, September 3, 2024. Reuters/Dawoud Abu Alkas/Proibida reprodução
© Reuters/Dawoud Abu Alkas/Proibida reprodução
Versão em áudio

O ex-ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, acusou o governo do primeiro-ministro Benjamin Netnyahu de promover uma limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza para anexação do território por meio de assentamentos judaicos. Em entrevista à mídia local de Israel, o ex-ministro de Netanyahu de 2013 a 2016 e antigo chefe do Estado-Maior de Israel sustentou que crimes de guerra estão sendo cometidos em Gaza.

“O caminho que estamos sendo arrastados atualmente é conquistar, anexar e realizar uma limpeza étnica. Olhe para o norte da Faixa, transfere-se famílias e estabelece-se um assentamento judaico. Não existe mais Beit Lahiya, não existe Beit Hanoun. Eles estão atualmente trabalhando em Jabalia e estão basicamente limpando a área dos árabes”, afirmou Moshe ao canal israelense Democrat TV citando locais de Gaza.

A declaração de Moshe foi rebatida pelas autoridades de Tel Aviv. O partido do governo, o Likud, acusou o ex-ministro da Defesa de espalhar “mentiras caluniosas”, informou a Reuters. Nesta segunda-feira (2), o exército israelense se manifestou.

“As FDI [ Forças de Defesa de Israel] atuam de acordo com o direito internacional e evacuam uma população de acordo com a necessidade operacional e temporariamente, para sua proteção. As FDI rejeitam as graves alegações de limpeza étnica na Faixa de Gaza, que prejudicam as FDI e os seus soldados”, disse um porta-voz militar à mídia pública de Israel Kan News.

Em uma rede social, o ex-ministro Moshe rebateu às críticas às suas declarações. Ele lembrou que o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, defendeu reduzir pela metade a população de Gaza e que não via problema em deixar os 2 milhões de palestinos passar fome, sem ajuda humanitária. Moshe lembrou também que o atual chefe da Segurança Nacional de Israel, o ministro Itamar Bem Gvir, tem defendido a imigração de palestinos do local.

“Estes levarão os comandantes e soldados das FDI ao Tribunal Penal Internacional em Haia. Os comandantes e soldados são informados de que estão a desviar temporariamente a população para necessidades operacionais, enquanto os políticos falam de outros objetivos. É claro que quando os comandantes e soldados forem expostos aos processos judiciais em Haia, os políticos fugirão à responsabilidade”, explicou em uma rede social.

Peso político

A fala de um político da centro-direita e general israelense denunciando limpeza étnica na Faixa de Gaza tem repercussões importantes tanto dentro quanto fora de Israel, avaliou Michel Gherman, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O especialista que estuda a sociedade israelense lembrou que Moshe Yaalon se afastou do governo de Netanyahu por discordar da política de assentamentos judaicos na Cisjordânia que, segundo Yaalon, impossibilita um acordo de paz com os palestinos.

Porém, Gherman avalia que a acusação de limpeza étnica é a novidade importante do discurso de Yaalon que pode ter efeitos na política interna e externa pelo peso político que ele tem. 

“O primeiro efeito é uma possível radicalização da centro-direita no projeto de derrubada de Netanyahu e de radicalização nas manifestações contra o governo. Outro elemento é o uso jurídico e político que isso vai ter no processo internacional. Se uma pessoa que já foi ministro da Defesa, já foi deputado, é um general importante, assume que o que está havendo em Israel é genocídio na Faixa de Gaza, me parece que é uma fonte que pode e deve ser utilizada”, analisou.

Entenda

Os palestinos vêm denunciando as ações de Israel em Gaza como genocídio e limpeza étnica. Organizações internacionais que prestam ajuda aos moradores de Gaza, incluindo a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), denunciam que não são mais autorizadas a prestar assistência no norte do enclave palestino. Segundo a Organização não Governamental (ONG) Oxfam, Israel estão nas etapas finais de uma limpeza étnica no norte do território.

O governo israelense enfrenta uma acusação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia. Além disso, o Tribunal Penal Internacional (TPI), também em Haia, emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, por supostos crimes de guerra e contra a humanidade em Gaza.

As autoridades israelenses negam as acusações argumentando que estão apenas lutando para eliminar o Hamas e evitar outro 7 de outubro de 2023, quando militantes do grupo islâmico palestino invadiram Israel causando a morte de cerca de 1,2 mil pessoas e capturando outras 200 como reféns. O Hamas alega que o ataque é uma resposta a ocupação, por Israel, dos territórios palestinos e do cerco de mais de 17 anos contra Gaza.