Rio - Cinco PMs foram detidos, na noite desta segunda-feira, com uma grande quantidade de armas e dinheiro em Niterói. Os policiais foram flagrados com outras três pessoas com seis pistolas, 14 carregadores, 209 munições, um colete balístico, R$ 260.620,00 em espécie, seis cheques, peças de computador, cartões de crédito, máquina de cartão de crédito, um tablet, uma touca ninja e cadernos com anotações.
Os oito estavam na Praça do Barreto, no município da Região Metropolitana do estado. Eles foram encontrados após denúncias feitas à Corregedoria da Polícia Militar. O grupo estava em quatro carros quando foi abordado.
De acordo com a PM, os oito foi levados à 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), em Niterói. O caso registrado na 76ª DP (Niterói), onde dois PMs foram autuados. Ninguém ficou preso.
Itália pagou preço alto ao resistir a medidas de isolamento social para conter coronavírus
Para não desacelerar a economia, Governo italiano criticou prefeitos e governadores por “espalharem caos” ao defender quarentenas. Três dias depois, número de mortes dobrou até chegar aos 7.503 de agora
A Itália sentiu na pele as consequências de tratar a pandemia de coronavírus como se fosse uma “gripezinha”, como diz frequentemente o presidente Jair Bolsonaro. Em 28 de fevereiro deste ano, quando o país registrava 17 mortes pela Covid-19, prefeitos e governos regionais começaram a tomar uma série de medidas preventivas para proteger a população, tais como o fechamento de escolas e a proibição de aglomerações públicas. Algumas destas cidades ainda não haviam registrado casos da doença, e buscavam se antecipar ao pior. À época, apenas 11 regiões da Lombardia e Vêneto (ambas no norte), com uma população total de 50.000 pessoas, haviam sido isoladas pelo Governo —localidades onde o vírus, atualmente, foi praticamente contido.
Preocupado com a repercussão negativa destas medidas no turismo e na debilitada economia do país, o primeiro-ministro Giuseppe Conte agiu para contestar estas decisões, que segundo ele contribuíam "para gerar o caos”. O premiê conseguiu derrubar na Justiça várias destas normas locais, como o fechamento dos bares na Lombardia durante a noite, escreveu à época a repórter Lorena Pacho, correspondente do EL PAÍS em Roma. Blindar a Lombardia, cuja capital, Milão, é o principal motor econômico do país, com cerca de um quinto do PIB nacional, era a decisão que ninguém queria tomar.
Em um esforço de manter o fluxo turístico e as receitas entrando, o ministro de Relações Exteriores, Luigi di Maio, chegou a criticar a decisão de alguns países, como Israel e Rússia, que haviam pedido a seus cidadãos que evitassem viagens à Itália. “Nossos filhos vão à escola na maioria das nossas cidades, e os turistas e investidores podem vir com tranquilidade”, afirmou em fevereiro, já com a crise em andamento. O chanceler também elogiou a política de testes no país: "Não podemos ser culpados de termos sido um dos países que mais fizeram controles [e consequentemente identificou mais casos]”. O ministro da Saúde, Roberto Speranza, e o diretor do hospital Spallanzani de Roma Giuseppe Ippolito, também entraram em campanha otimista, destacando em entrevista coletiva que 45 pessoas já haviam se curado da infecção pela Covid-19. “A Itália não é o foco de contágio, o vírus está circulando em todo o mundo”, disse Walter Ricciardi, membro da Organização Mundial da Saúde e assessor do ministro da Saúde.
As consequências desta política de desestimular o isolamento social e a quarentena voluntária logo se revelou desastrosa. Três dias após as manobras e declarações do premiê Conte para manter o clima de normalidade em meio à pandemia o número de mortos dobrou: em 1º março, a Itália tinha 34 mortos. O balanço de vítimas fatais continuou a crescer exponencialmente, com 79 mortes em 3 de março. E o número seguiu subindo, até tornar o país em recordista de óbitos por Covid-19 no mundo, com 7.503 vítimas anunciadas nesta quarta-feira, à frente da China, epicentro da doença no mundo
As autoridades italianas tentaram retomar uma política de quarentena e isolamento em 9 de março, quando o número de mortos chegou a 463. Diante de uma emergência epidemiológica sem precedentes, Conte anunciou que todo o país ficaria em situação de isolamento, algo que já estava ocorrendo em maior ou menor escala na Lombardia, no norte do país, e em outras 14 províncias. "Estamos ficando sem tempo”, disse o primeiro-ministro, ao anunciar que o lema a transmitir aos cidadãos é “eu fico em casa”. “É a pior crise que vivemos desde o final da Segunda Guerra Mundial”, resumiu, quando decretou o fechamento de todas as fábricas e atividades produtivas que não sejam imprescindíveis para o funcionamento do país.
A autocrítica veio de quem viu na prática os impactos da doença na população mais vulnerável. “Acho que durante todo esse tempo subestimamos a gravidade da situação”, contou por telefone Michele Lafrancesco, atendente em uma residência de idosos de Monza-Brianza, a 30 quilômetros de Milão, a repórteres do EL PAÍS.
Apesar de ter particularidade climáticas e sociais diferentes da Itália, o Brasil enfrenta uma situação semelhante, apesar de estar em outro estágio da evolução da pandemia, com 57 mortos pela doença segundo dados desta quarta-feira. O presidente Bolsonaro tem se esforçado para —contrariando a Organização Mundial de Saúde e recomendações iniciais de seu próprio Ministério da Saúde—minimizar a crise para evitar que a situação econômica se deteriore ainda mais. Ele chegou a criticar medidas “alarmistas” de alguns governadores do país e o fechamento de escolas, o que gerou um grave conflito com os políticos regionais. Os chefes dos Executivos estaduais e municipais, que lutam para conter o ímpeto do contágio e evitar a saturação do Sistema Único de Saúde, determinaram, em alguns casos, o fechamento de todos os estabelecimentos não essenciais, como foi feito por João Doria em São Paulo, o principal foco da doença no país.
Contradizendo a posição externada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última terça-feira (25) (relembre aqui), o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou nesta quarta-feira (26) que o governo federal possui apenas um posicionamento no combate ao coronavírus: o isolamento e o distanciamento social.
Segundo o G1, o segundo na linha sucessória da República teria feito a afirmação durante entrevista sobre ações do Conselho Nacional da Amazônia Legal.
"A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só: o isolamento e o distanciamento social", disse. Para Mourão, pode ser que Bolsonaro "tenha se expressado de uma forma que não foi a melhor".
Minissérie da Netflix do criador de Downton Abbey retorna às origens do futebol moderno para contar história sobre a divisão de classes na Inglaterra do final do século XIX
ANDRÉ ZULIANI
Futebol é considerado por muitos o esporte mais popular do mundo. Paixão que atinge milhões de pessoas no planeta, capaz de realizar sonhos inalcançáveis e, claro, envolver uma enorme quantidade de dinheiro. É curioso, portanto, que a Netflix não tenha um grande número de produções originais baseadas em um produto com tantas possibilidades, afinal, histórias jamais vão faltar. The English Game, minissérie britânica baseada em fatos idealizada por Julian Fellowes, o criador da aclamada Downton Abbey, chegou para suprir um pouco do vazio que os fãs do esporte sentem ao acessar a plataforma.
A trama de seis episódios começa em 1879 e é centrada em dois dos principais responsáveis pela profissionalização do futebol no mundo: Fergus Suter (Kevin Guthrie), um operário de classe baixa nascido em Glasgow, na Escócia, e Arthur Kinnaird (Edward Holcroft), lorde de família rica do sul da Inglaterra. Muito conhecido pelo seu talento com a bola nos pés, Suter, ao lado do amigo Jimmy Love (James Harkness), é convidado por James Walsh (Craig Parkinson), o dono de uma usina produtora de algodão em Darwen, pequena cidade da região de Lancashire, no norte do país inglês, para jogar no time local. A diferença é que ambos receberiam salários para representar o time na FA Cup (Copa da Inglaterra, no Brasil), campeonato mais importante da Associação. No final da década de 1870, o futebol ainda era amador e conhecido por ser um “jogo de cavalheiros”. Com o esporte dominado pela elite, as regras não permitiam que jogadores fossem pagos para jogar.
Por ser um drama histórico, é interessante ver como eram os jogos em seus primórdios. Os uniformes sem numeração, a pesada bola de capotão passando de pé em pé e a ausência de várias regras atuais tornam as partidas tão amadoras quanto as que vemos em jogos de bairro hoje em dia. Mesmo com toda a precariedade da época, a produção é prejudicada pela falta de investimento nos embates entre os times. Nem os personagens principais convencem que são realmente bons jogadores, o que torna as cenas um pouco cômicas – e dão um pouco de pena dos goleiros.
Apesar de a história girar em torno do futebol, The English Game é muito mais sobre as diferenças entre classes que marcavam a Inglaterra no final do século XIX. Assim como Fellowes soube explorar o tema muito bem em Downton Abbey, fazendo o contraponto da aristocracia britânica centrada na família Crawley e seus empregados, a minissérie faz um ótimo estudo social sobre como esse esporte era ao mesmo tempo tão valorizado pela classe operária e os ricos do Sul. Enquanto Fergus e seus companheiros jogavam para dar um motivo para a população de Darwen sorrir em meio às graves e cortes de salários, os cavalheiros amigos de Arthur jogavam pelo prazer, o que não significava que amavam menos o esporte que criaram.
Unir ambas as tramas - futebol e disputa de classes – acaba afetando o andamento da narrativa. Os três primeiros episódios são carregados de acontecimentos que determinam novos rumos para a história, o que torna complicada a identificação com muito do que está acontecendo. Fergus mal chega à Darwen e já é elevado ao patamar de ídolo, sem ao menos mostrar o seu talento em mais do que uma boa partida. E não é só o desenvolvimento da parte esportiva do personagem que acaba sendo prejudicado. Com um passado complicado na Escócia, demoramos a entender o que o motivou a aceitar o convite de Walsh e suas escolhas do início. A evolução do seu relacionamento com Martha Almond (Niamh Walsh), uma mãe solteira abandonada pela alta sociedade também é afetado, apesar da personagem ter uma das melhores tramas paralelas da produção. Já Arthur e todo o arco envolvendo sua esposa, Alma, e a perda do primeiro filho são explorados com mais intensidade, o que ajuda na criação de mais empatia com o personagem em relação ao outro protagonista. O capitão do time de elite Old Etonians nunca foi um mero esnobe, apesar de conviver com vários. Sua evolução é agradável de acompanhar, principalmente quando observamos os problemas da classe baixa aos olhos de quem sempre viveu no luxo.
Mesmo com os problemas iniciais, a parte final de The English Game ajusta algumas de suas arestas e entrega uma conclusão convincente. Com toques de novela, não é absurdo dizer que a minissérie é uma Downton Abbey voltada para os fãs do esporte. Com o futebol evoluindo ano após ano, a aposta da Netflix em retornar ao início de tudo é uma boa forma de suprir o espaço sem jogos em tempos de pandemia.
O prefeito ACM Neto (DEM) criticou duramente o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) veiculado em cadeia nacional nesta terça-feira (25). Para Neto, que também ocupa a posição de presidente nacional do DEM, as palavras foram "lamentáveis, inaceitáveis e irresponsáveis".
"Confesso que ontem fiquei duplamente perplexo, de um lado como prefeito e do outro como cidadão. Considero que as declarações do presidente são lamentáveis e inaceitáveis. Nós temos feito esforço absurdo, prefeitos e governadores de todo o Brasil para adotar medidas de diminuição do fluxo de pessoas nas ruas. Sabemos o impacto que todas essas medidas têm na economia. No entanto, tenho procurado ao máximo evitar aumentar a temperatura do debate político nesse político. Acho que neste momento temos que deixar a política de lado e dar as mãos para enfrentar a mais grave crise", enfatizou nesta manhã durante inauguração de centro de acolhimento em Salvador.
"Considero a declaração do presidente também irresponsável. A essa altura do campeonato o que a gente precisa é união de todos. O presidente quando trata o que estamos enfrentando como um a 'gripezinha', ele também está desconsiderando a dor e o sofrimento das famílias que já perderam seus entes. De pessoas que morreram com o coronavírus. Ele está desrespeitando as pessoas que estão neste momento enfermas, reclusas, em isolamento. Está desconsiderando o sacrifício que todos estamos fazendo e o risco que todos estamos correndo. Nós não somos irresponsáveis. Nós estamos tratando de vidas humanas", reforçou.
Sobre a relação com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, indicado do DEM no governo, o prefeito afirmou que ainda não conversou com o aliado, pois preferiu, neste momento, falar apenas a partir do seu entendimento na situação. No pronunciamento, Bolsonaro minimizou as medidas de isolamento social impostas pelos governadores e convocou a população para retomar a rotina e fazer o país "voltar a normalidade".
Neto, no entanto, declarou que confia na população soteropolitana e acredita que a orientação do presidente não será considerada pelos cidadãos da capital.