segunda-feira, 2 de novembro de 2026

VISTA PARA O MAR

 A COINCIDÊNCIA TEM VISTA PARA O MAR. E HELIPONTO!



Em 28 de setembro de 2021, empresas de Willer Tomaz compraram três imóveis na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
Quinze dias depois, seu amigo Flávio Bolsonaro apresentou um projeto para flexibilizar a exploração econômica da região.
Em 2022, Flávio assumiu a relatoria da PEC das Praias, que abriria caminho para a privatização de terrenos de marinha.
Que extraordinária sintonia entre o mercado imobiliário e a atividade parlamentar!
Segundo levantamento do g1, Willer acumulou direitos sobre seis imóveis em ilhas de Angra. Cinco deles somam R$ 40,4 milhões em valores patrimoniais registrados.
Numa das propriedades, planejava construir um resort de luxo, com piscinas, spa, beach club, hangar e heliponto. O sujeito praticamente queria instalar uma alfândega particular no paraíso.
E tem a mansão disputada com Richarlison.
O pedido de regularização apresentado pela empresa do jogador ficou parado na Secretaria do Patrimônio da União. Já a autorização final para transferir o imóvel à empresa de Willer saiu em apenas 100 minutos, durante o governo Bolsonaro.
A burocracia brasileira, quando devidamente inspirada, consegue ser mais veloz que uma lancha!
Flávio e Willer são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro. Negam ter negócios em comum.
Resta esclarecer essa espetacular convergência entre aquisições imobiliárias, propostas legislativas e decisões administrativas.
Principalmente porque, nessa história, os amigos tinham mansões, os imóveis tinham praias, os projetos tinham relator e a papelada tinha pressa.
E o interesse público? Alguém viu por onde anda?
Julio Benchimol Pinto

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