quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
ALCOLUMBRE E A VELHA POLÍTICA
Orgia com gastos no Senado tem Alcolumbre como principal protagonista

“Um dos mais fiéis aliados do Planalto, Davi Alcolumbre termina o ano em alta com Jair Bolsonaro, principalmente por ter matado no peito a pressão pela CPI da Lava Toga”, diz o Estadão.
A nota destaca também que o presidente do Senado se empenhou para emplacar Eduardo Bolsonaro como embaixador em Washington.
Davi Alcolumbre virou presidente do Senado como o anti-Renan Calheiros, na eleição mais vexaminosa da história da casa, com direito a gritaria, gente tirando pasta do outro e fraude em votação (o culpado, obviamente, permaneceu impune).
Mas o que se viu é que Alcolumbre não é muito diferente do cacique alagoano, expoente da chamada velha política.
Dois meses depois de virar presidente da Casa, ele delegou aos senadores o direito de tornar secretas as notas fiscais de gastos realizados com a verba indenizatória de gabinete.
No Senado, teve pressa para aprovar a Lei de Abuso de Autoridade, projeto com o objetivo claro de minar a Lava Jato.
Sem votação na CCJ, sem apreciação de emendas, sem realização de audiência pública, sem requerimento de urgência, sem nada, Alcolumbre pautou o projeto diretamente no plenário, e não se deu ao trabalho de explicar o motivo da correria.
Não houve a mesma dedicação na aprovação da reforma da Previdência.
Em setembro, o presidente do Senado adiou a votação do primeiro turno da reforma na Casa. Ao mesmo tempo, antecipou uma sessão conjunta no Congresso para derrubar parte dos vetos que Jair Bolsonaro aplicara à Lei do Abuso de Autoridade.
Também barrou a CPI da Lava Toga e descartou qualquer possibilidade de votar os impeachments de Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Em entrevista, disse ficar “envergonhado” de discutir processo de impeachment de ministros do STF ou a instalação de uma CPI “enquanto os brasileiros estão pensando em empregos e comida”.
Em setembro, atuou para convencer senadores a retirarem apoio à terceira tentativa de criação da CPI.
“Não vou criar discórdia no Brasil”, afirmou.
Como resultado, virou alvo de manifestantes pró-Lava Toga.
Com o vazamento das mensagens roubadas da Lava Jato, Alcolumbre atacou Sergio Moro, e disse: “Se isso fosse deputado ou senador, tava no Conselho de Ética, tava cassado ou tava preso.”
O comentário foi no mínimo inusitado, já que Alcolumbre, à época, era duplamente investigado no STF por supostas fraudes cometidas nas eleições de 2014, como mostrou reportagem da Crusoé.
Em novembro, o presidente do Senado soltou a balela que apoiaria uma nova Assembleia Constituinte. Disse, inclusive, que já havia procurado líderes partidários para discutir sobre a possibilidade de uma nova Constituição.
A declaração, claro, não pegou bem.
As movimentações de Alcolumbre vêm agradando muito a Renan Calheiros, que chegou a fazer elogios públicos ao presidente do Congresso. Davi e Golias ficaram amiguinhos.
Alcolumbre é a velha política travestida de novidade.
ELES FICAVAM SEM TETO
PT da Bahia desviou milhões de programa habitacional
Dona de ONG revela como funcionava esquema que irrigou o caixa eleitoral do partido e beneficiou um senador, dois deputados federais, o atual candidato a governador e um ex-ministro do governo Dilma

O candidato do PT ao governo da Bahia, Rui Costa, um dos políticos envolvidos no esquema alimentado pela ONG Instituto Brasil: mesada entre três e cinco mil reais Luciano da Matta/Ag. A Tarde/VEJA
Desde 2010, o Ministério Público investiga o Instituto Brasil, uma ONG criada pelos petistas da Bahia. Em 2008, a entidade foi escolhida pelo governo do estado para construir 1 120 casas populares destinadas a famílias de baixa renda. Os recursos, 17,9 milhões de reais, saíram do Fundo de Combate à Pobreza. Os investigadores já tinham reunido provas de que parte do dinheiro desaparecera, mas não havia nada além de suspeitas sobre o destino final dele.
O mistério pode estar perto do fim. Em entrevista a VEJA, a presidente do instituto, Dalva Sele Paiva, revela que a entidade foi criada para ajudar a financiar o caixa eleitoral do PT na Bahia, um esquema que funcionou por quase uma década com dinheiro desviado de “projetos sociais” das administrações petistas. A engrenagem chegou a movimentar, segundo ela, 50 milhões de reais desde 2004.
O golpe era sempre o mesmo: o Instituto Brasil recebia os recursos, simulava a prestação do serviço e carreava o dinheiro para os candidatos do partido. Como os convênios eram assinados com as administrações petistas, cabia aos próprios petistas a tarefa de fiscalizar. Assim, se o acordo pagava pela construção de 1 000 casas, por exemplo, o instituto erguia apenas 100.
O dinheiro que sobrava era rateado entre os políticos do partido.
JUSTIÇA E COMILANÇA
Vale-refeição de juízes supera salário mínimo em 24 estados
Benefício pode chegar a quase R$ 5 mil, ou mais que o dobro da renda média mensal dos trabalhadores brasileiros, que é hoje de R$ 2,3 mil

Juízes de 24 estados recebem por mês mais de R$ 1 mil de vale-refeição. Em Pernambuco, o valor chega a R$ 4.787 —o equivalente a 4,8 vezes o salário mínimo em vigor (R$ 998) e mais que o dobro da renda média mensal dos trabalhadores brasileiros, que é de R$ 2.317 mensais. As informações constam de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.
A publicação destaca que os juízes estaduais podem gastar em restaurantes, à custa dos cofres públicos, um valor que muitas famílias precisam esticar, e muito, para cobrir as despesas do mês. Só entre os beneficiários do INSS, 23,7 milhões recebem até um salário mínimo por mês (67,1% do total). O salário médio dos magistrados estaduais é de R$ 43.437, bem acima do teto de R$ 35.462. Isso ocorre porque o valor inclui diversos penduricalhos, como vale-refeição, auxílio-moradia, auxílio pré-escolar e auxílio-natalidade.
Os valores e os critérios desses auxílios podem variar em cada Estado. Por serem verbas indenizatórias, elas são isentas de qualquer tributo, incluindo contribuição previdenciária e Imposto de Renda.
Crítico contumaz desses penduricalhos, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (ST), afirma que o teto constitucional se tornou “piso”. “Todo esse quadro de desorganização exige uma disciplina nacional. Isso é mais uma forma de furar o teto”, disse.
Apenas três estados pagam auxílio-alimentação até o valor vigente para o Judiciário federal, que é de R$ 910 mensais: Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul. As cifras são maiores do que o Executivo da União paga a seus funcionários em vale-refeição (R$ 458 mensais).
O problema dos auxílios é que, embora seja necessário aprovar uma lei para criá-los, seu valor é decidido de forma administrativa, muitas vezes pelos próprios beneficiários. O orçamento do Judiciário estadual, por sua vez, é blindado de qualquer crise: mesmo que haja frustração na arrecadação, o governador é obrigado a repassar a verba, livre de qualquer corte ou bloqueio, para não caracterizar interferência em outro Poder.
DOM PEDRO II, FOTÓGRAFO
ALÉM DE IMPERADOR, DOM PEDRO II TAMBÉM ERA FOTÓGRAFO
Fascinado pela novidade da fotografia, o imperador montou um dos primeiros e mais ricos acervos de retratos sobre o mundo e sobre si mesmo.

Além de várias voltas pelo Brasil, dom Pedro II fez três grandes viagens pelo mundo entre 1871 e 1888, a menor delas com dez meses de duração. Visitou dos Estados Unidos ao Oriente Médio, passando antes por toda a Europa.
No total, foram três anos e sete meses inteiros de recepções de reis, czares, sultões e autoridades. Mas o que mais o atraía eram as novas tecnologias do século 19. Ele chegou a bater papo com o inventor da lâmpada, Thomas Edison, e Grahan Bell, o criador do telefone, e era um dos maiores fãs mundiais da grande moda do fim do século: a fotografia.
Quando não levava fotógrafos na comitiva, dom Pedro posava, ao lado da imperatriz Thereza Christina, para fotógrafos dos estúdios já instalados nos primeiros pontos turísticos do mundo: Egito, Jerusalém e Pompeia. Também comprava cada imagem oferecida pelos primeiros fotógrafos.
Quando morreu, dom Pedro II deixou uma coleção de cerca de 30 mil imagens do Brasil e de todo o planeta. São amostras raras de monumentos e cidades antigas antes da industrialização e da influência do Ocidente.
1. Líbano

Ruínas das 54 colunas do templo de Júpiter, em Baalbeck, no Líbano. Ele foi construído pelos romanos no século 1 e depredado por invasões árabes e mongóis. Foi vistado por dom Pedro em 1876.
2. Egito

Na cidade do Cairo visitada por dom Pedro, a mesquita e a madrasa (escola confessional) do sultão Hassan, construídas entre 1356 e 1363, são os monumentos principais.

O imperador aproveitou para registrar fotos dos núbios, moradores do sul do país.

Em 1871, a base da pirâmide de Gizé ainda não havia sido escavada pelos arqueólogos, mas dom Pedro II já estava lá. E registrou o momento, com a imperatriz e especialistas em monumentos e hieróglifos (o Imperador é o primeiro sentado à esquerda).
3. Jerusalém

Em Jerusalém, dom Pedro não deixou de visitar os locais fundamentais na vida de Cristo, como a fortaleza Antônia sobre a Via Crucis.
4. Pompeia

Ruínas arqueológicas, como as de Pompeia, na Itália, foram um dos primeiros pontos turísticos do século 19. Dom Pedro II não deixou de visitá-lo nos dez meses de viagem pela Europa em 1888, e pôde conferir moldes de gesso do espaço ocupado pelas vítimas soterradas pela lava. Também aproveitou para posar com a comitiva ao lado de cientistas, curiosos e autoridades italianas.
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