sábado, 22 de outubro de 2022

LEMBRANDO PEDRO MOACIR MAIA

 


Em 1996 recebi da Fundação Moinho Santista proposta para elaborar um projeto editorial sobre qualquer assunto cultural que me parecesse relevante. Sempre preocupado com a memória, seja ela material ou imaterial, decidi juntar uma equipe de acadêmicos reputados por sua competência para analisar as duas igrejas de São Francisco em Salvador, nos seus mais diversos aspectos. Foi assim que convidei Eugênio d´Ávila Lins e Luis Antônio Cardoso (Conjunto arquitetônico), Candido Costa e Silva (Teologia), Frei Hugo Fragoso (Presença franciscana na Bahia), Maria-Helena Flexor (Moveis e pinturas), Maria Vidal Camargo (Ordem Terceira), A. J. Faria Gois (marchetaria e cantaria), Raul Lody (Santo Antônio), Ana-Palmira Bittencourt (Fachada da Ordem Terceira), Luis Alberto Freire (Talhas) etc.

Se o apoio da tal empresa, alegando falta de verba, foi de curta duração, meu entusiasmo teria ainda longa vida. Sem desanimar com a desistência, iria bater em portas de muitas firmas e embaixadas. Talvez por ter sido iniciado sob os auspícios de outra empresa, nenhuma considerou a importância do assunto. Fui mesmo até a Fundacion Legado Andalusi, em Granada. Em vão. Alheio aos interesses e intrigas dos bastidores do poder econômico, só me restaria engavetar o pioneiro projeto editorial com magnífica boneca de Maria-Helena Pereira da Silva.

Quinze anos se passaram. Os textos originais de “Os ouros de São Francisco” ainda aguardam a oportuna publicação. Dentre todas as participações por mim solicitadas, duas merecem destaque especial, ambas de autores hoje falecidos: o historiador espanhol Francisco Solano, prêmio Isabel a Católica pelo conjunto de sua obra, que escreveu um admirável texto sobre o movimento franciscano na América Latina, e o professor Pedro Moacir Maia, um dos maiores especialistas em azulejos no Brasil. É lamentável que a análise deste eminente pesquisador - e homem de elevadíssima postura ética - nunca tenha sido publicada, pois até esta data não temos ninguém a altura dele em se tratando do acervo baiano de azulejaria.

 Dimitri Ganzelevitch  

Salvador 2011

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