quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

CONCERTO PARA DUAS TROMPETAS

O ADEUS DE UM HOMEM MINÚSCULO


Renato Essenfelder
Estado de São Paulo

O homem minúsculo, o homúnculo, apagou as luzes do palácio e foi dormir. Depois de tanto bradar, gritar e babar, depois de ameaçar e conspirar à luz do dia, incessantemente, calou-se. Recolheu-se à insignificância que o espera. Amém.
Como os livros de história no futuro irão se referir a esse homem tão pequeno? Terá alguma importância, o seu nome, ou irão se interessar apenas pelo surto coletivo que se apossou de milhões de brasileiros, por meia década ao menos, e que resultou na eleição de um ninguém, um nada, um palhaço macabro? Um fantasma descarnado, insepulto e obcecado pela morte, sua especialidade, no qual milhões projetaram suas próprias fantasias autoritárias. Como? Por quê?
Quantos afinal projetaram naquele corpo sem vida, naquela vida sem alma, a virilidade perdida, as certezas corroídas, o desejo e a inveja da criança egoísta que brinca de motinho enquanto o mundo acaba em fome e doença. As pessoas morrem, ele debocha: e daí? Nada interrompe seu gozo sem fim.
Os livros de história no futuro talvez falem de um homem minúsculo que emergiu dos porões sujos do Congresso Nacional, já em avançado estado de decomposição moral e física, para canalizar todo o ressentimento de uma nação. Esse vórtice de maldade, cercado por gente ainda menor, ainda mais ridícula e ignorante orbitando ao redor de sua sombra.
Homens minúsculos, a história demonstra, podem projetar sombras imensas. Mas passam, os homens e suas sombras.
Ele tentou, com todas as minúsculas forças, tentou eternizar sua sombra horrível. Mas decrépito, fraco, bronco e insignificante, não conseguiu manter-se no poder. Porque destruir é uma coisa, mas construir é outra, muito mais difícil, muito mais complexa. O homem pequeno veio e apequenou o país inteiro, apequenou o Estado e as suas instituições, apequenou o povo, os amigos, as famílias. Destruiu, passou bois e boiadas, sufocou, boicotou, conspirou, enquanto ocupavamo-nos de sobreviver.
Mas então, enfim consciente da sua pequenez, emudeceu no canto do palácio vazio, vítima da própria insignificância.
Depois de destruir e destruir e destruir, descobriu-se incapaz, impotente, brocha. Um fantasma de brochidão e fraqueza, incapaz de fecundar o que quer que seja – planos, corpos, natureza. Homens pequenos não constroem coisa alguma.
Já era hora de dar um basta, já era hora de lembramos a nós mesmos que o homem pequeno é pequeno demais para um país tão grande.

*RENATO ESSENFELDER - jornalista, escritor e professor universitário. É doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor em Comunicação e Artes pela Universidade da Beira Interior (Portugal)."

MAÇONARIA E VERDI

MAÇONARIA: Música muito executada nas reuniões, a ária AIDA opera tradicional no gosto popular, compelta as emoçòes de cada cerimônia. A Marcha Triunfal da ópera AIDA de Giuseppe Verdi é costumeiramente muito executada na Sessões na Maçonaria. Aqui um vídeo legendado para que tenho conhecimento sobre a letra desta belíssima obra clássica de um dos grande compositores da história humana. A Dança que compõe a ária fora suprimida por adequação de tempo em estudos. Nas estrofes de encerramento o tradutor manteve o idioma original em forma de respeito a obra e seu autor. Se você conhece de óperas italianas ou não é irrelevante, você certamente já escutou esta peça, a Marcha Triunfal da ópera Aída. Esta ópera que tem tema ambientado no Egito, foi estreada em Cairo no mesmo Egito em 24 de Dezembro de 1871. Da para ver como na época o marketing era já algo muito importante, é obvio que a estreia de uma ópera ambientada no Egito se estreia no mesmo pais por questões de impacto mediático.

O QUE É A MAÇONARIA

 O que é a maçonaria e por que ela está rodeada de mistério e polêmica


Maçons

Maçons britânicos têm optado por se defender publicamente de acusações


De vez em quando voltam às manchetes de jornais mistérios envolvendo os maçons e a suposta influência das elites dirigentes da maçonaria sobre a sociedade.

Entre os motivos para isso estão a antiguidade e a tradição de discrição em torno do grupo e, claro, o poder e influência de alguns de seus integrantes, como o ex-premiê britânico Winston Churchill e o escritor Oscar Wilde.

Estima-se que, ao redor do mundo, haja 6 milhões de pessoas ligadas à maçonaria.

Símbolo maçônico

Sìmbolo maçônico; estima-se que haja 6 milhões de maçons pelo mundo

Ainda que originalmente a maçonaria tenha se constituído como uma sociedade secreta, hoje, ao menos no Reino Unido, tem optado por se defender publicamente das acusações.

A Grande Loja Unida da Inglaterra publicou anúncios publicitários de página inteira em diversos jornais britânicos, pedindo o fim da "discriminação" sofrida por seus membros, os quais se queixam da representação "tergiversada" feita deles.

Quando, por exemplo, o jornal The Guardian noticiou a existência de duas lojas maçônicas que operariam em segredo no Parlamento do Reino Unido, compostas por políticos ou jornalistas. Em outra denúncia no Reino Unido, o presidente do principal sindicato das polícias da Inglaterra e do País de Gales disse que círculos maçons dentro da corporação estariam impedindo reformas voltadas à promoção de minorias, como mulheres e negros.

David Staples, líder dos maçons ingleses e galeses, negou as acusações apresentadas no Guardian e disse que nenhum de seus membros era parlamentar ou político.

"Não somos uma sociedade secreta", afirmou ele à BBC, agregando ser "ridícula" a notícia sobre o veto de policiais maçons a reformas corporativas.

Encontro da Grande Loja na Inglaterra

Encontro da Grande Loja na Inglaterra: detalhes do que é dito nas reuniões não são revelados ao público externo | Foto: Divulgação


Cerimônias secretas

Staples também disse que a maçonaria inglesa levaria a cabo uma série de eventos a portas abertas para responder a perguntas da população sobre a natureza e o funcionamento da organização.

Assim, dizem querer combater o hermetismo tradicionalmente associado a maçons.

Peter, um jovem maçom de Londres, disse ao Guardian: "Meus colegas de trabalho sabem que sou membro de uma loja, e nunca me encontrei com nenhum irmão maçom que se negasse a tornar pública sua filiação ou que escondesse o que fazemos".

Cada loja - como são conhecidas as unidades básicas da organização - se reúne oficialmente quatro vezes ao ano, em cerimônias de acolhida a novos membros que podem ter uma hora de duração.

Mas o que ocorre nesses eventos sempre foi um segredo bem guardado.

Ilustração de reunião maçônica em 1851

CIlustração de reunião maçônica em 1851; 'é uma alegoria, levemente baseada na religião', diz uma integrante atual da maçonaria

"A melhor maneira de explicar é que é como se fosse uma peça de teatro, em que todo o mundo tem um papel", disse à BBC um integrante da maçonaria britânica, pedindo anonimato.

"O venerável mestre (um dos mais altos cargos nas lojas) é o ator principal, com a maioria das falas. À medida que você vai às cerimônias, tem de aprender coisas - há perguntas para as quais precisa aprender as respostas."

Mas o que é dito nessas cerimônias nunca é revelado ao mundo exterior.

De um lado, as maçonarias não veem com bons olhos que seus membros discutam política ou religião; de outro, porém, um dos requisitos para entrar para as lojas é, historicamente, a crença em um poder superior.

"(A tradição maçônica) é baseada no Templo de Salomão", diz à BBC Anna, integrante de uma das poucas lojas maçônicas femininas britânicas. "É uma alegoria, levemente baseada na religião."

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Dados sobre os maçons:

- Estima-se que haja 6 milhões de maçons no mundo;

- Eles se reúnem em templos que chamam de lojas (em inglês, lodge, ou alojamento, que é onde antigamente se agrupavam os pedreiros responsáveis pela construção de igrejas ou catedrais);

- As lojas são organizadas por região;

- Os maçons geralmente usam uma espécie de avental, por conta de seu aparente elo com os antigos pedreiros das catedrais (stonemasons, em inglês);

- Entre personagens históricos com elos com a maçonaria estão o político Winston Churchill e os escritores Oscar Wilde, Rudyard Kipling e Arthur Conan Doyle.

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Separação por sexo

A maçonaria segrega homens e mulheres em lojas distintas.

Na Inglaterra, por exemplo, a primeira loja feminina foi criada em 1908, com um venerável mestre do sexo masculino. Depois, passou a ser integrada apenas por mulheres, com um veto à presença masculina. Elas também são proibidas nas cerimônias masculinas.

Segundo a maçom Anna, porém, "fazemos os mesmos rituais (que os homens), as mesmas cerimônias, ainda que estejamos completamente separados".

Mas essa separação por gênero é comumente alvo de críticas, inclusive entre os próprios maçons.

Maçons em procissão

Maçons usam espécie de avental, que remete aos pedreiros que construíram antigas igrejas e catedrais

O maçom Peter, por exemplo, disse desejar que "a Grande Loja (britânica) se modernize completamente algum dia e permita que ambos os sexos se misturem".

"Seria magnífico para a organização", opina.

Outro maçom que pediu anonimato afirmou que "a maçonaria está impregnada de tradições, e seus rituais são peculiares, mas não mais do que na Igreja Católica".

Lealdade ou nepotismo?

Questionados sobre os motivos que os levaram a ingressar nessa irmandade, os entrevistados citaram a "veia social" das lojas, que contribuem com ações beneficentes comunitárias, e com o sentimento de lealdade e pertencimento fomentado pela maçonaria.

"Gosto de confiar nas pessoas, sou muito leal, então esse tipo de coisa (ser parte da comunidade) me atraiu", disse um deles à BBC. "Ao longo dos anos, você constrói relacionamentos, faz amigos e forma uma rede. (Mas) uso essa expressão com cuidado, porque essa rede não está lá para ser usada em seu benefício pessoal."

De fato, uma das características que se costumam atribuir aos maçons é a de que eles se valem de suas posições sociais e profissionais para favorecer outros membros e a própria organização. Os maçons, porém, afirmam que isso é um "mito".

"Acho que no passado provavelmente houve casos (de nepotismo e favorecimento), mas nunca soube de nenhum entre as maçons", afirmou Anna à BBC.

Além disso, em diferentes momentos da história, a maçonaria foi acusada de conspirar e influenciar nos bastidores da política.

Parlamento de Londres

Maçonaria britânica negou ter influência no Parlamento de Westminster


Staples, o líder da Grande Loja britânica, afirmou que uma investigação de um comitê especial do Parlamento concluiu não haver "nada sinistro" na atividade da maçonaria do país.

O relatório desse comitê, porém, recomendou que seja exigido que maçons com cargos na polícia e demais órgãos públicos declarem publicamente seu pertencimento à irmandade.

Steve White, que acaba de deixar a presidência do sindicato policial britânico e que denunciou o suposto bloqueio de reformas por parte de maçons, opinou, em entrevista ao Guardian, que "o que as pessoas fazem em sua vida privada é assunto apenas delas. (Mas) se torna um problema quando afeta seu trabalho".

"Houve ocasiões em que colegas meus suspeitaram que maçons foram um obstáculo para reformas. Temos que nos assegurar que as pessoas estão tomando as decisões pelos motivos certos", disse.

ÚLTIMO POUSO

CANTATA MAÇONICA

SEDAS, LAÇOS E BATOM

 

Pode ser arte de 1 pessoa e área interna

Há dias de se acordar tão feminina!

Gata, sereia, bailarina,
sedas, laços e batom.
O corpo é doce, o beijo é bom,
a vida é orquestra; eu, maestrina.
É dia de viver celeremente.
Antes que o encanto rache
ou que o ciclone aumente,
lavo-me em mel e purpurina.
Mas toca o telefone, a flauta desafina,
e eu visto a couraça novamente.
(Flora Figueiredo, in "O trem que traz a noite", 2000.

Ilustração: Berthe Morisot, "Jeune Femme se Poudrant", 1877.
Óleo sobre tela: 46 x 39 cm. Museu d'Orsay.

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