terça-feira, 31 de dezembro de 2019

ESTADO VENDE COLÉGIO

A imagem pode conter: atividades ao ar livre

Há quatro dias, o governador do Estado da Bahia informou que fechará o Colégio Odorico Tavares, inaugurado em 1994 e localizado no Corredor da Vitória, um dos bairros mais nobres (e caros) da cidade.
O terreno do Colégio Odorico Tavares será leiloado e entregue "para a empresa que propor construir mais colégios na periferia da capital", conforme matérias publicadas na imprensa local e nacional.
Os estudantes têm protestado e o governador justifica a decisão afirmando que "É simplesmente racionalidade, e buscando levar escola onde a família mora, para evitar que pessoas pobres tenham que gastar ainda o dinheiro para pegar ônibus, pegar metrô, para poder ir com seu filho para a escola".
Essa é uma visão limitada e que desconsidera a noção de centralidade urbana e metropolitana, fundamental em uma urbe de 3 milhões de habitantes, como é Salvador.
As pesquisas de origem-destino realizadas pela Prefeitura de Salvador há alguns anos demonstram que o centro tradicional de Salvador - que abrange o Campo Grande e o trecho mais comercial da Avenida Sete, localizado a poucos metros do Colégio Odorico Tavares - continua se constituindo em uma importante centralidade urbana para a cidade.
Poderia falar dos equipamentos de saúde, concentrados em grande medida no centro tradicional de Salvador e em seus arredores - portanto, bem próximos do Colégio Odorico Tavares. Mas prefiro citar apenas os equipamentos culturais: a imensa maioria dos museus, centros culturais, bibliotecas, cinemas de arte e teatros da Região Metropolitana de Salvador, muitos deles com programação predominantemente gratuita, estão localizados a uma pequena distância do Odorico, que pode ser facilmente percorrida a pé.
Para citar apenas alguns daqueles que costumam abrigar atividades gratuitas (entre parêntesis estão indicadas as respectivas distâncias a serem percorridas a pé, em percursos praticamente planos e predominantemente sombreados):
- Museu Geológico da Bahia (140 m);
- ICBA - Instituto Goethe (250 m);
- Museu de Arte da Bahia (270 m);
- Palacete das Artes (900 m);
- Biblioteca Pública do Estado da Bahia (1,8 km);
- Caixa Cultural (1,8 km)
[Eu tinha incluído a Galeria ACBEU, a apenas 170 m do Colégio, mas fui informado que fechou há um ano.]
Temos ainda, nos arredores do Colégio, equipamentos da importância do Teatro Castro Alves (750 m), que abriga constantemente exposições gratuitas, além de espetáculos a R$ 1,00 no "Domingo no TCA". Isso pra não falar da Aliança Francesa, Teatro Vila Velha, Reitoria/Galeria Canizares/Escola de Belas Artes/Escola de Teatro da UFBA, etc.
Que bairro da Região Metropolitana de Salvador oferece algo parecido? Impedir que jovens da periferia estudem no Corredor da Vitória significa negar-lhes, deliberadamente, o acesso à cultura e ao capital cultural que, além de essencial para a sua formação humanista, é, nos dias de hoje, vetor de ascensão social e econômica.
NIVALDO ANDRADE

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