DESASTRES DE ÔNIBUS NAS RODOVIAS IMPRESTÁVEIS CONTINUAM MATANDO AOS MONTES
Excertos da Coluna "Em Tempo" publicada na "Tribuna da Bahia"
Em cerca de uma semana, pelos menos três graves acidentes de ônibus deixaram mortos e feridos no País. O primeiro e mais grave aconteceu na Chapada Diamantina, na Bahia, com saldo de sete mortos, além de feridos graves.
Só nas rodovias federais, em acidentes de todos os tipos, o morticínio levou 6.040 brasileiros em 2025. A mídia desatenta sempre procura "culpados" entre os motoristas ou em "defeitos" dos veículos, mas quem se debruça sobre a história do rodoviarismo implantado à força no Brasil desde os anos 1950, sabe que é a irresponsabilidade de sucessivos governos, que provoca esta tragédia que se repete há décadas.
O segundo acidente, com 13 feridos, ocorreu no Amazonas, enquanto no último sábado, novamente na Bahia, mais um desastre com ônibus deixou pelo menos 25 pessoas feridas, em um trecho da BA-489, na cidade de Prado, no Extremo Sul do estado.
Segundo informações de um dos passageiros, o motorista teria desviado de uma bicicleta que estava na pista e, em seguida, aconteceu uma colisão. Depois do acidente, o coletivo saiu da estrada e tombou em uma área de mata ao lado da via.
São episódios graves que deveriam despertar a atenção das autoridades para uma sequência de acidentes envolvendo falhas na condução dos veículos, e, principalmente falta se segurança nas rodovias saturadas com trânsito pesado em pistas simples, pela ausência de duplicação, sempre prometida e nunca feita.
Infelizmente, porém, não há análise na mídia, que se limita a registrar sucintamente os fatos.
RODOVIAS SEM MANUTENÇÃO
As estradas brasileiras são sinuosas, com traçado irregular, feitas numa época em que a engenharia não tinha os recursos que tem hoje. A maioria absoluta das nossas rodovias é de pista simples, sem acostamentos, asfalto propositalmente ruim para ter que ser substituído por empreiteiros e políticos desonestos em espaço exíguo de tempo, uma verdadeira máquina de fazer dinheiro escuso.
Enfim, um país que foi forçado a destruir sua gigantesca malha ferroviária para usar apenas o transporte de mercadorias e pessoas em estradas sem conservação só podia dar na tragédia que a cada dia aumenta mais. E não se vê um político nem tampouco uma rede de notícias dedicando nenhuma atenção a um setor vital para a economia brasileira e para o povo como um todo.
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