O comandante da reserva israelita Avdar Shailovski escreveu um artigo, publicado na sua página do Facebook, no qual relata a sua deserção do exército israelita e a sua emigração de Israel para a Polónia, terra dos seus antepassados.
Eu sou Avdar Shailovski, o comandante que desertou do exército israelita. Declaro, em plena posse das minhas faculdades mentais, que abandonei o exército israelita porque já não conseguia suportar permanecer em silêncio, traindo assim a minha própria humanidade perante todos os crimes que testemunhei durante os cinco anos em que servi neste exército.
Os acontecimentos que presenciei sufocam-me; preciso de vo-los contar.
Posso morrer a qualquer momento, tão grande é a minha dor. É por isso que preciso de contribuir para trazer a verdade ao de cima, na esperança de aliviar o peso da minha culpa. Talvez Deus atenue o tormento que me aguarda, dada a crueldade dos actos que cometi, simplesmente por ter feito parte das fileiras do exército israelita.
Então, recebi um sinal: «Deixa tudo e vai». Graças a Deus por me ter guiado.
Assim que o avião da El Al aterrou no aeroporto de Varsóvia, senti-me seguro, longe desta terra de Israel, que já nada significa para mim.
Ensinaram-nos que era a terra prometida por Deus; contudo, esta é a maior mentira utilizada para enganar o povo judeu.
É uma mentira permanente, que continua sem cessar e que levou, há oitenta anos, ao deslocamento do povo palestiniano, um povo indefeso, da sua própria terra. Pior ainda, este povo continua, até hoje, a sofrer horrores. Quem inventou esta mentira? E que tipo de pessoas acreditariam nisto?
O que testemunhei durante os meus cinco anos de serviço no exército israelita é difícil de descrever por palavras...
Que palavras poderiam descrever a crueldade, a ignomínia e o horror dos actos cometidos pelo exército israelita contra os palestinianos?
Não acreditem numa única palavra do que esse «canalha», esse filho de um «canalha», diz. Ele é um mentiroso descarado, especialmente quando chama ao exército israelita «o exército mais moral do mundo». Que absurdo! Na realidade, é o exército mais depravado, cruel e selvagem que existe.
Sim, meus senhores, já não consigo suportar ver a ruína e a devastação em Gaza.
Testemunhei o que aconteceu na noite de 7 de Outubro de 2023. Os serviços de informações israelitas, esse «canalha» e o seu grupo sabiam do que iria acontecer. Esperaram que isso acontecesse para justificar a destruição de Gaza e a tentativa de expulsar a sua população...
Servi em Gaza e vi, com os meus próprios olhos, um comandante de carro de combate brincar com a sua arma, disparando projécteis contra palestinianos amontoados nas suas tendas ou contra grupos que faziam fila em frente de padarias, veículos de distribuição de alimentos ou comboios de ajuda humanitária.
Vi, com os meus próprios olhos, aviões a disparar projécteis contra edifícios residenciais habitados, transformando-os em montes de escombros sobre os seus ocupantes...
Vi, com os meus próprios olhos, atiradores de elite do exército de ocupação a divertirem-se disparando sobre crianças, adultos e mulheres que faziam fila para receber ajuda humanitária... É uma loucura...
Tais crimes, que testemunhei, não poderiam acontecer em nenhum outro lugar do mundo senão na Palestina.

Nenhum comentário:
Postar um comentário