sexta-feira, 2 de setembro de 2022

CONTINUUM

ALL HANDS MEETING

O BEIJO NA BOCA

 

Tamara de Lempicka - "The Kiss", ca 1922.

Se hoje o beijo na boca é uma das demonstrações de afeto e romance mais democráticas, você alguma vez já parou para pensar na origem deste hábito? Sim, porque um dia na História, alguém olhou para outra pessoa e decidiu encostar seus lábios e tudo aquilo que já sabemos de cor. Afinal, de onde surgiu o beijo na boca?

Não há algum registro de beijo na boca na Pré-história, muito menos no Egito – e a civilização egípcia é conhecida pela falta de acanhamento em registrar suas peripécias sexuais. Isto nos nos deixa uma pista: o beijo na boca é uma invenção relativamente moderna.
Toulouse-Lautrec, "Le Lit", 1892. Museu d'Orsay.

O primeiro registro de duas pessoas se beijando surgiu no Oriente, com os hindus, em aproximadamente 1200 a.C., no livro védico Satapatha (textos sagrados em que se baseia o bramanismo), com muitas referências à sensualidade. No Mahabarata, poema épico presente na obra com mais de 200 mil versos, a frase: “Pôs a sua boca em minha boca, fez um barulho e isso produziu em mim um prazer”, não deixa dúvidas de que, naquela altura alguém havia descoberto o prazer do beijo na boca.
Alguns séculos depois, inúmeras alusões ao beijo surgem no Kama Sutra. Uma das obras mais famosas da humanidade, ainda detalha a prática, a moral e a ética do beijo. No entanto, se os hindus são detentores do título de inventores do beijo na boca, os soldados de Alexandre Magno foram os grandes difusores da prática. Eles dominaram parte da Índia, entre 327 e 325 a.C., e, quando partiram para outras terras, levaram na bagagem o ensinamento amoroso. A partir de então, por onde passavam, na trilha de guerras e conquistas, espalharam o hábito de beijar, até que se tornasse bastante comum em Roma.
René Magritte, "Os amantes", 1928

Nessa época, o hábito estreou em grande estilo na capital do mundo antigo: Roma. Lá, com o tempero local, ele se desmembrou em três versões: o 'osculum', o beijo de amizade; o 'basium', mais sensual, entre homem e mulher; e o 'savium', que o poeta Ovídio definiu como “de língua, voluptuoso e vergonhoso”. Outro poeta romano, Catulo, o descreveu como “mais doce do que o doce da ambrosia”.
Se entre os romanos o beijo manteve contornos eróticos, para os gregos ele tinha funções protocolares, quase burocráticas: beijava-se para selar um acordo e para demonstrar respeito. Os cidadãos de mesmo nível social encostavam os lábios. Se um deles era de uma casta inferior, o beijo era no rosto. E quando a diferença social era ainda maior, os lábios de um desciam aos pés do outro.
Jean-Louis Théodore Géricault, "Le baiser", ca. 1816-1817. Museu Thyssen-Bornemisza.

Existe certo paralelismo histórico no que toca à trajetória do beijo. Nem todo esporte labial de alcova advém dos hindus. Na Antiguidade, populações pré-colombianas viam no ato de unir os lábios um gesto quase suicida. “Eles acreditavam que a alma poderia sair pela boca e que o beijo era uma maneira de arrancá-la do corpo”, afirma o antropólogo Fernando Segolin, professor da PUC de São Paulo. Ou seja, havia o beijo, mas com um sentido completamente diferente da tradição indo-europeia.. “O contato labial era geralmente ritual e simbolizava a intenção de comer a outra pessoa, uma manifestação do aspecto antropofágico dessas culturas”, diz Segolin.
Apesar das tentativas frustradas da Igreja de proibir o beijo, no século XVII ele já era popular nas cortes européias, onde era conhecido como “beijo francês”. Vale lembrar que o beijo na boca é uma prática presente apenas entre os seres humanos: “O beijo é um comportamento aprendido e surgiu como uma saudação proveniente do hábito de nossos ancestrais de cheirar os corpos uns dos outros. Eles tinham o olfato desenvolvido e identificavam pelo faro, não pela visão, os parceiros sexuais”, afirma o antropólogo Vaughn Bryant – da Universidade do Texas.

Kenne Gregoire, "Intimidade", 1951.

Para o pai da psicanálise, Sigmund Freud, a boca é a primeira parte do corpo que usamos para descobrir o mundo e saciar as necessidades, e o beijo é o caminho natural para a iniciação sexual. Seja como for, o beijo é mais do que sexo e muito mais do que uma simples convenção. Ele é o que nos diferencia dos outros animais e a prova de que todo ser humano precisa de um pouco de romance.
Helena Lacerda

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

UM OUTRO OLHAR...

 ... SOBRE SÃO LUÍS DO MARANHÃO
























































































































Fotosd|: Dimitri Ganzelevitch



MINHA CASA MINHA VIDA


 

UM MONGE MUMIFICADO

 

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"Um monge, mumificado há 200 anos, tornou-se notícia nos sites de todo o mundo.
De acordo com os budistas veteranos, ele está vivo e em um estado profundo de meditação.
O religioso foi encontrado no dia 18 de agosto, no distrito de Ulan Bator, na Mongólia.
Acredita-se que o frio da região guardou o corpo, que foi encontrado em bom estado de conservação, preservado em peles de animais.
Alguns especialistas budistas afirmam que a múmia está, na realidade, em um estado espiritual raro conhecido como 'Tukdam', ou seja, não está morto.
Ao lado do corpo, foi encontrado um pergaminho com caracteres chineses antigos que diziam:
'ACORDEM-me quando for a hora de saber como um homem simples, que usa caneta Bic e come pão com leite condensado, comprou 107 imóveis sendo 51 deles pagos com notas de R$100,00'''. Via : ( Pato arrependido )
Anderson AC e outras 5 pessoas
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AQUILO QUE O IPHAN VÊ...

 ... E AQUILO QUE NÃO VÊ


Anos que, sem que ninguém me tenha ordenado cavalheiro no assunto, obrigo meu Rocinante íntimo a enfrentar, o teclado como lança, os sonolentos e ineficientes moinhos do IPHAN.

Volto hoje a questionar o órgão federal que oficialmente fiscaliza a preservação dos bens imateriais – missão utópica – e materiais.

Sempre atento às queixas dos moradores de meu bairro de Santo Antônio, saí a contar uma por uma as casas cujo último andar ostenta um terraço. Cheguei à cifra de cento e quinze (115!) do Largo do Carmo ao Largo de Santo Antônio. Sem registrar aqueles invisíveis a partir da rua.

Ela pode... os outros não?


Vários foram executados sem qualquer alvará. Como, aliás, na minha própria casa, confesso, realizada em 1985 e reconhecida como casa-museu pelo Ministério da Cultura em 2008. Já o terraço do imóvel contíguo recebeu licença explícita do IPHAN em 2006, assim como as duas casas da global Regina Casé no Largo do Carmo, com projeto assinado por David Bastos. Que também acrescentou dois andares. A casa do arquiteto Will Marx, na Rua Direita de Santo Antônio, possui um confortável terraço sobre a rua, com a benção (2002) da Rita Márcia, a então implacável fiscal do IPHAN.

A respeito da “live” orquestrada em 2021 pelo IPHAN, o arquiteto Nivaldo Brandão me responde: As normas e critérios de intervenção que propusemos - incluindo aquela possibilidade de, em algumas situações, construir pavimentos recuados não visíveis da rua - não entraram em vigor ainda pois o IPHAN está na etapa de análise da nossa proposta. (...) O objetivo desse trabalho que fizemos é, quando tiver sido aprovado pelo IPHAN e com as normas em vigor, evitar o casuísmo e a avaliação caso a caso que você muito adequadamente critica. ”

Já se passou mais de um ano. O IPHAN continua analisando...

O dito órgão argumenta que a visão dos telhados do centro histórico desde o avião – quantos segundos? - é prejudicada pelos famigerados terraços. Mas os gigantescos reservatórios de água acima dos telhados, as placas de Eternit e outras coberturas de plástico não incomodam. E por falar em agressão visual, os puxadinhos, esquadrilhas de alumínio ou PVC, fachadas com antenas parabólicas e pintadas de acrílico para piso e quadras, e outras descaraterizações, não incomodam muito mais os visitantes que passeiam pelo bairro, observando atentamente cada detalhe?

E a escandalosa, vergonhosa, inadmissível favelização das ruas Siqueira Campos, dos Ossos, dos Carvões, da travessa Bahia, violentadas, imóveis derrubados e inteiramente reconstruídos sem qualquer alvará? E, neste exato momento, a carnavalização da Rua dos Perdões?


Carcomido, este quase secular órgão precisa ser implodido e reconstruído sobre outras bases. Como está é que não pode continuar.