Presidente do Iphan comenta intervenções do instituto em edifícios históricos
- Publicado em 28/08/2026
Imagem:
Ascom | CAU/BR
Durante o Mês do Patrimônio, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do
Brasil (CAU/BR) publicou uma série de matérias com histórias de imóveis
tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan). Na última
sexta-feira (21/8), o destaque foi o Museu da República / Palácio do Catete
(RJ), sede do governo federal entre os séculos XIX e XX.
Ao lado do Museu Imperial, em Petrópolis (RJ), e do Museu da
Inconfidência, em Ouro Preto (MG), o Museu da República é um dos espaços de
memória mais visitados do país. Segundo estimativas oficiais, a ex-sede da
República recebe diariamente um público de 500 pessoas, o que implica a adoção
de medidas rigorosas para preservar o espaço.
Tombado desde 1938, o imóvel recebe acompanhamento e fiscalização do
Iphan durante processos de restauração em seu interior.
Em entrevista exclusiva ao Perspectiva CAU, o presidente do
Iphan, Deyvesson Gusmão, explicou como conciliar preservação e acessibilidade,
além de detalhar as intervenções do instituto em edifícios históricos,
realizadas com a atuação de arquitetos e urbanistas.
A seguir, trechos da conversa:
Perspectiva CAU: Como o Iphan atua durante a intervenção em um imóvel
tombado, como o Palácio do Catete / Museu da República?
Deyvesson Gusmão: A nossa atuação se dá num âmbito muito
técnico e, por isso, a importância da participação de arquitetos e urbanistas
na elaboração dos projetos, nos diagnósticos que são feitos e nos mapeamentos
de danos, porque é esse conhecimento especializado que vai orientar a
intervenção que vai ser feita.
Destaco a importância da etapa do projeto, porque, às vezes, você chega
numa intervenção e o quadro diagnóstico é um; no momento da intervenção, às
vezes, a realidade é diferente. Por isso, a decisão tem que ser tomada tendo o
projeto como lastro, como patamar inicial, considerando a experiência de quem
atua diretamente no processo, na obra de restauração das edificações.
Perspectiva CAU: Quais medidas são tomadas diante de episódios de
danificação de bens, como as recorrentes pichações nos muros e portões do
Palácio?
Deyvesson Gusmão: A primeira coisa é buscar saber quem são os
responsáveis. Quando há algum tipo de ação que pode ser entendida como de
vandalização do patrimônio cultural, a primeira coisa é informar as autoridades
policiais, que são as responsáveis por apurar a responsabilidade desse tipo de
atuação.
E a segunda coisa é: se a gente consegue identificar imediatamente quem
são os responsáveis, responsabilizar essas pessoas também pelas ações de conservação
ou eventual restauração que devem ser feitas.
Caso contrário, essas ações têm que ser feitas pelo próprio proprietário
ou pelo Iphan.
Perspectiva CAU: Como funciona a incorporação de medidas contemporâneas,
como a acessibilidade, em imóveis tombados?
Deyvesson Gusmão: A acessibilidade é um grande desafio, porque,
na mesma medida que ela é uma diretriz, no caso dos prédios históricos,
dependendo de como o projeto foi elaborado ou executado, ela pode também
descaracterizar algum elemento que é considerado importante para o patrimônio
nacional. Porém, temos ações de acessibilidade em todas as obras que a gente
está fazendo.
Um exemplo prático é a Praça dos Três Poderes, que está agora em
processo de restauração. No projeto, está prevista a acessibilidade: o
rebaixamento da calçada para a gente ter rampas de acesso, além da
identificação dos elementos artísticos da praça com acessibilidade em braile. A
parte principal de obra civil deve ser concluída até o final do ano.
Enfim, Iphan tem uma preocupação séria com acessibilidade e a gente
aplica isso nos projetos de restauração também.
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